sexta-feira, 10 de outubro de 2008

João Rodrigues

ARTE VISCERAL
Os mistérios e incógnitas de uma obra que testemunha a expressão e dimensão do humano em seu tempo e espaço
 



POR JERÚSIA ARRUDA

Em entrevista exclusiva, o artista plástico e secretário municipal de Cultura de Montes Claros, João Rodrigues fala sobre seu trabalho artístico e suas experiências na administração pública
Apesar da gripe, tosse e febre, ele foi pontual e gentil, como sempre. Para encerrar o ano de 2006, o artista plástico e secretário municipal de Cultura de Montes Claros, João Carlos Rodrigues Oliveira, nos recebeu com exclusividade em seu atelier, onde falou sobre suas inquietações, suas experiências como engenheiro e arquiteto e a coragem e ousadia que teve ao abrir mão da segurança financeira que a profissão lhe proporcionava em troca da realização do sonho e sedimentação da vocação natural para as artes plásticas.

A história nos mostra que a mudança foi acertada e hoje João Rodrigues é um dos mais importantes e emblemáticos artistas plásticos do país, que em 20 anos produziu mais de 1000 telas, sempre com uma linguagem contemporânea, expressiva, sincera, intimista, sensual e extremamente emocionante.
Casado com Cláudia, pai de Clarissa e dos gêmeos, Felipe e Renato - campeões brasileiros de tênis: participaram do campeonato brasileiro neste ano disputando a final um com o outro -, João Rodrigues, 53 anos, nasceu em Montes Claros, onde viveu a infância e juventude, se mudando em seguida para Belo Horizonte para estudar.

A constante busca pelo novo o trouxe à administração pública e, como secretário, vê, tentando mudar o tradicional modelo de política governamental de cultura, que privilegia governantes, para uma gestão de políticas públicas culturais que priorize projetos e busque a descentralização e democratização do acesso aos recursos pelos artistas e associações de classe.


Com uma obra claramente produzida e configurada a partir si próprio, de caráter intimista confesso, o artista já esteve em exposição individual em Paris-França (Galerie Expression Libre), Madrid – Espanha (Casa do Brasil), Londres-Inglaterra (Canning House Gallery), Rio de Janeiro-Brasil (Museu Nacional de Belas Artes), coletiva em Belo Horizonte-Brasil (Palácio das Artes), entre outras.
Nesta entrevista ele revela sua tenacidade, seu desejo de estar em constante movimento e do banho de gente que está tomando como secretário.


Quem é João Rodrigues?
Nasci em Montes Claros em 11 de julho de 1954, onde passei minha infância e juventude. Aos dezessete anos me mudei para Belo Horizonte para estudar Engenharia Mecânica e foi lá que comecei minha vida profissional, me casei e tive meus três filhos. Minha vida em Belo Horizonte foi mais em função da Engenharia
Você também é arquiteto?- Chegou um momento que eu descobri que a Engenharia não era o que eu realmente queria, mas já estava trabalhando em uma empresa há quase dez anos, na Mendes Júnior, fazia parte do organograma, tinha minha vida pronta. Eu devia ter uns 28 anos e descobri que não estava feliz. Comecei fazer Arquitetura também e descobri era meio de caminho. Na verdade o que sempre gostei foi de desenhar, de pintura, das artes plásticas, então fiz o exame de seleção na Escola Guignard - na época ainda não se chamava vestibular - e passei a estudar Artes Plásticas à noite. Quer dizer, eu era engenheiro todo bacana, aquele engenheirão, já tinha minha casa, meu clube, meus três filhos já tinham nascido, e a noite estudava artes. Isso durante três anos – não cheguei a fazer o último ano.

Quando começou sua relação com a pintura?
- Desde criança. Tem coisas que minha mãe guarda que fiz quando era menino. Lembro que quando eu tinha dez, onze anos, havia uns gibis que traziam sempre um apelo para um curso por correspondência, da Escola Pan-americana de Artes. Fiz o teste, passei e me inscrevi no curso de desenho.

Quem era seu professor?

- Você não vai acreditar, mas meu professor era o Ziraldo. Até hoje eu tenho os desenhos que eu mandava para lá e vinham todos corrigidos e anotados, sempre com o Z de Ziraldo.

Você entendia de Artes Plásticas, se interessava pelas obras de outros artistas?
- Me interessava, mas naquela época a informação que a gente tinha era muito limitada, eu visitava os museus através do Tesouro da Juventude (de Glauber), as pinturas de Goya, Portinari, mas realmente não tinha muito acesso.

Como que você aprendeu a gostar, a apreciar a arte?
- Tinha uma pessoa muito interessante que morou em minha casa que desenhava muito bem e me incentivou de alguma forma a também buscar esse desenho. Foi quando eu fiz o curso. Aí terminei o científico e descobri que tinha que fazer o vestibular. Naquela época havia apenas dois caminhos: Engenharia ou Medicina. Por exclusão escolhi Engenharia e montei minha vida em função dela. Consegui um cargo importante, tinha apartamento, cuidava da família, mas me bateu aquela coisa, olhei ao redor e decidi mudar. Fiz Arquitetura, mas descobri que tinha a mesma coisa técnica da Engenharia. Desisti e fui estudar na Guignard. Passados três anos, pedi demissão da empresa, numa sexta-feira, e na segunda-feira já estava com caminhão de mudança para Montes Claros. Foi uma coisa rápida, mas se fosse pensar, ficaria mais difícil tomar a decisão. Claro que não foi de qualquer jeito. Eu tinha um amigo que tinha uma construtora que me arrumou um trabalho de meio expediente para garantir o sustento de minha família. Trabalhava como arquiteto de manhã, e à tarde me enfiava no atelier. Tinha uns 33 anos na época.

Aí começou a produção do artista.

- É, eu pintava, pintava, depois juntava tudo no carro e saía fazendo praça pelo país, ficava uns três ou quatro dias, e sempre voltava com um presentinho. Até hoje me lembro que meu filho Felipe, então com três anos, ficava reparando, sabia que eu saía para vender os quadros, e uma vez e me perguntou como que eu fazia, se eu ficava gritando na rua “olha os quadros, olha os quadros!”. (risos) Você quer saber, era uma coisa parecida porque eu chegava, por exemplo, em uma galeria em Goiânia e a dona me recebia com aquela empáfia, eu tirava tudo do carro ela olhava, olhava e escolhia um e pedia para deixar consignado. Aí eu arrumava tudo e colocava no carro de novo e ia para outra cidade.

E o resultado?
- Esse trabalho deu certo porque a pessoa que tinha ficado com o quadro consignado, vendia e pedia para mandar outro. Mandava. Depois já não era mais consignado, já comprava porque podia fazer um negócio melhor, vender pelo preço que quisesse. E aí a coisa começou a andar e já não dependia mais de do trabalho como arquiteto.

Desde o começo você já sabia o estilo que queria seguir ou foi descobrindo aos poucos?
- A gente sempre tem as influências das pessoas gosta, não com a intenção de copiar, de reproduzir, mas o traço é influenciado para um determinado lado. Vou te dizer uma coisa e é algo que afirmo, qualquer crítico pode dizer que meu trabalho não vale nada, mas nenhum deles vai dizer que não é verdadeiro, sincero. Se você olhar para meu trabalho vai perceber que existem informações que são minhas, do meu tempo. Se é bom, importante ou não, isso não discuto, mas que é sincero, eu te garanto.
Como você avalia seu trabalho?Minhas telas têm elementos como textos, palavras que eram importantes que fossem externadas, que eu escrevi e depois pintei por cima, e que nem sempre dá para decifrar num primeiro olhar. É como cartas que você escreve para si mesmo e depois meio que apaga. Mas você vai ver que as figuras sempre têm essa carga de dramaticidade que, de repente, se você buscar em alguns artistas do passado, vai perceber que eles também tiveram essa orientação. Não é um trabalho feito para enfeitar um ambiente, porque pode inquietar.
Aquela coisa do quadro combinar com o sofá.- É, o dia que jogar o sofá fora, joga a tela também. (risos).
Para quem você pinta?- As pessoas que compram minhas telas sentem a força de uma informação. Somos meio parecidos um com o outro e talvez o que expresso, mesmo que a pessoa não consiga explicar, tem a ver com a representação daquilo que ela também é.

Quem você citaria como inspiração?
- Francis Bacon, por quem sempre tive uma atenção, Portinari. É difícil falar porque são tantos. Mas é o seguinte, aquilo te move num momento, você sente, mas depois se esquece, porque na verdade o que busco é representar meu tempo. Não existe ninguém mais contemporâneo do que nós que estamos vivendo hoje, agora. Quando você vê a produção de um artista, é capaz de entender o tempo em que ele viveu pela obra que criou.

Você expressa o sentimento humano de uma forma ora realista, ora abstrata, mas sempre com uma linguagem muito forte, tendo o elemento masculino como personagem. Como conseguiu sintetizar esse estilo?
- Talvez tenha sido a necessidade de me colocar ou de colocar meu pensamento ali. Minhas telas são sempre povoadas por elementos masculinos. Meu mundo é masculino. Eu não conheço a cabeça feminina.

Nem tente.
- (risos) Como minha pintura carrega meus dramas e eles são masculinos, é natural que essas paisagens humanas se apresentem na minha forma. Teve uns momentos em que pintei uma natureza morta...
Sério? Não imagino você pintando natureza morta.- (risos) Mas acho que fiz para agradar uma pessoa ou outra, porque sempre tem isso, de alguém encomendar, dizer que quer uma tela de um jeito assim ou assado.

Dá para fazer isso?
- Dá, mas não tem importância. Quando faço uma tela para agradar outra pessoa é até divertido. Às vezes chega uma madame que ouviu alguém falar do meu nome. Quando chega no atelier toma um susto, mas percebia que não queria retroceder. Nessa hora é preciso ter um discurso para não vender ao invés de vender, porque você percebe que a expectativa dela era outra.

Tecnicamente falando, como sintetizou esse estilo?
Quando cheguei à Guignard já desenhava muito bem e, pela minha formação de engenheiro, achei que fosse encontrar lá fórmulas de composição de telas, proporções, enfim. Mas passou um mês e nada, e aquilo foi me dando uma agonia. Eu tinha um mestre que tinha acabado de chegar depois de oito anos na Alemanha e eu sentia que não estava aprendendo nada. Comecei até a insurgir outros colegas. Um dia tive uma discussão com esse professor - eu estava exigindo pedagogia para a arte, e isso não existe. Então ele falou que enquanto não destruísse com meu desenho não estaria satisfeito, esse era o seu papel, e que se não me desse a esse propósito que saísse da escola naquele dia e fosse fazer um curso de desenho técnico. Tive que destruir toda a formação que já tinha e, a partir do vazio, como diria o Guimarães Rosa, é que eu tive a possibilidade de uma coisa nova, sem resquícios de influências que pudessem travar minha expressão. Foi lá que aprendi isso. Será que você tem o que ensinar para um artista? Será que um artista tem o que aprender? Eu diria até que sim, que técnicas facilitam a expressão. Tem amigo meu – eu acho que esse amigo sou eu mesmo – que diz que o mundo está dividido em dois: o artista e o modelo. Na verdade você tem que desaprender, zerar tudo para que seja pertinente o real sentido da arte.

Tomando como referência essa coisa do externar o interior, seu trabalho então é meio, vamos dizer, biográfico, auto-retrato?
- Não sei bem, mas os signos que estão neles são das minhas questões, do meu humano, das minhas inquietações, dos meus dramas, tá tudo ali.

Nesses vinte anos você tem idéia de quantas telas já produziu?
- Mais de mil.

E onde elas estão?
- Espalhadas pelo mundo. Não tenho nenhuma comigo, termino de pintar e já tem destino certo.

As artes plásticas, como todas as criações artísticas, obedecem a tendências do mercado. Como você vê a bienal, o que ela tem de importante e de nocivo?
- Eu estaria muito tentado a dizer que a bienal hoje virou um espaço de experimentação demais, de coisas que não têm o menor sentido, que as pessoas colocam ali para que outras encontrem um sentido que realmente não existe. Tem obras da maior importância, claro, mas pelo menos dois terços do espaço é dado à experimentação e não tem a menor importância.

Como é sua experiência com exposições? Onde esteve?
- Já fiz individuais no Brasil, Europa e Estados. Passei quinze anos trabalhando com a galeria Visual, que tinha uma central e cinco-seis outras galerias, fazia a exposição e eu nem sabia. Quando me avisava já estava tudo pronto.
Com relação à aceitação – talvez essa palavra um pouco redutiva – você percebe alguma diferença do público brasileiro e do de outros países em relação ao seu trabalho?- Não acompanhei nenhuma crítica. Às vezes as pessoas acham que é o contrário, mas o que sei é que na Europa, e até nos Estados Unidos, a pintura é muito conservadora, eles não se dão muito a experimentações como o brasileiro, que usa essa criatividade, esse sincretismo. A não ser uns ou outros, mas como um todo, não. E no Brasil todo mundo hoje experimenta.
Mas você acha que o mercado externo aprecia esse trabalho de experimentação feito no Brasil?- Tem segmento no mercado que absorve, como aqui também tem segmento que absorve o trabalho mais acadêmico, mais comportamental, mais comportado, vamos dizer assim.
De um modo geral, como é o mercado para o artista plástico? Dá para viver só de arte?

- É muito difícil. Como na minha história, fiz praça. Como disse meu menino, tentando vender banana mesmo. Mas depois parece que engrena, aí você não tem mais aquela preocupação de não dar conta. A gente vive certa insegurança durante um tempo, mas depois vai dando certo. O negócio é sentar e trabalhar.
E como é sua produção hoje?- Antes da secretaria eram de sete a nove telas por mês. Hoje são uma, duas. Até que tire a roupa de secretário, faça minhas orações, uma hora de reflexão para depois entrar na tela, aí só me resta uma ou duas horas para pintar.

O mercado está sempre propenso a absorver novos trabalhos. Para quem está ingressando nas artes plásticas agora, existe um caminho a seguir, que conselhos você daria?
- Primeiro tem que estar seguro de que é isso mesmo que quer, porque se for verdadeiro, vinga. Não estou dizendo que a pessoa vai ficar rica com isso, mas vai ter uma vida digna. Com dificuldades, mas, pelo menos, uma vida sincera.

Você fala muito em verdade, em sinceridade, e arte é uma forma de comunicação muito veemente. Qual o papel do artista na sociedade?
- Seu papel fundamental é o de registrar o tempo em que está vivendo. Ele tem o dever de expressar o que verdadeiramente sente. Talvez ele tenha sido iluminado para fazer o registro do elemento humano naquele tempo para que a evolução a possa ser mensurada através do seu trabalho. O artista tem essa responsabilidade.

Na fase estudantil você era um ativista, um militante?
- Não me lembro de nada que fosse importante. Acho que minha atividade era futebol, que eu adorava. Nessa fase eu tinha mais essa perspectiva dos amigos, do namorinho. Mas sempre procurei ser muito bom no que fazia.

Como veio parar na administração pública?
- Costumo dizer que passei 20 anos enfiado em um atelier; eu e minhas questões. De repente, por uma circunstância, fui pinçado à superfície pela política e colocado meio que à deriva.

Você já tinha pensado nisso antes, planejado?
Não, sou dessas pessoas que gostam muito de mudar. Mudar endereço, de casa, os móveis do lugar. Me lembro que aos 15 anos era goleiro titular do amador do Ateneu. Nessa época, o titular tinha por volta de 28 anos e eu já era goleiro. Um dia larguei com a desculpa que tinha de estudar para o vestibular, e nas peladinhas no colégio São José eu jogava na linha. Um dia me viram jogando lá e me chamaram para voltar para o Ateneu, mas para jogar como atacante. E assim, em um ano fui o goleiro menos vazando no campeonato e no outro, o artilheiro. Sou muito aberto a experiências. E ser secretário foi uma coisa de um dia para o outro. Por acaso eu entrei na campanha do Athos, coordenando a parte da televisão, estética, discurso e me dediquei porque entro numa coisa pra vencer, realmente odeio perder. De repente fui surpreendido com o convite para ser secretário de Cultura. Topei.

A classe artística de Montes Claros é muito diversificada e intensa. Como é para você representar uma classe com toda essa diversidade?
- Eu tenho entendimento como artista, de necessidades e tudo, e também de administração, porque passei parte da minha vida como chefe de departamento de uma das maiores empresas do país. Mas administrar a secretaria de Cultura não tem absolutamente nada a ver com administrar uma empresa, apesar de que, talvez, fosse importante ser orientado a buscar uma administração mais efetiva, que não fosse um organograma hierárquico. Nós arredondamos esse organograma, onde cada um tem sua responsabilidade, mas não tem ascendência sobre o outro. Tem os departamentos, mas não é aquela coisa híbrida, pasteurizada. Se a gente lança um projeto, é como se fosse uma panela, envolve todo mundo. É uma forma nova de administrar, sem imposição. Isso eu entendi depois de duas, três, quatro semanas.

E está funcionando?
As pessoas dizem que sim, apesar da grande dificuldade em relação a recursos temos conseguido fazer o trabalho andar.

Quando assumiu a secretaria você tinha algum projeto que gostaria que acontecesse, ou projetos que já existiam que passassem a funcionar de forma mais efetiva?
- Não tinha, mas eu tinha a certeza de que cultura deveria ser entendida como um direito do cidadão, como é hoje a saúde, a educação. Tudo que eu queria é que se desse mais atenção à cultura, que houvesse mais responsabilidade dos governantes em relação a essa pasta, e nós conseguimos chamar atenção da administração municipal. A verdade é que não existe, principalmente nessa área, uma transformação radical, da noite para o dia, mas devagar temos conseguido sair de uma política governamental de cultura que privilegia governantes, para legitimar governantes, para um modelo de políticas públicas culturais, que prioriza projetos, que busca a descentralização e democratização do acesso, o fortalecimento de associações. E nós temos conseguido.
Uma reivindicação unânime de todos os segmentos artísticos é a criação de políticas públicas em nível municipal, que possa atender à classe de forma mais local, como a criação do Conselho Municipal de Cultura, por exemplo.- Para passar de um modelo de gestão para outro nós entramos com um Projeto de Lei na câmara municipal e ele foi aprovado, que institui no organograma da secretaria uma divisão de informação de projetos. Para se ter uma idéia, antes não havia no organograma as expressões “políticas públicas”, “patrimônio histórico”, “projetos”, não se trabalhava com isso. Já está no Jurídico e vai para a câmara em janeiro o projeto para criação da Lei Municipal de Cultura, do Conselho Municipal de Cultura e do Fundo Municipal de Cultura. E isso é importante porque, ao invés do artista pedir ajuda para fazer um cartaz ou gravar um CD, ele vai chegar com o projeto que será avaliado por uma comissão para aprovar ou não. Caso seja aprovado, ele vai receber o recurso através do repasse do IPTU. Isso vai significar uma revolução na cultura de Montes Claros, que vai sair do formato de “pires na mão”. Isso vai beneficiar no ano em torno de 50 artistas com projetos de custo médio de R$ 5.0000 a R$10.000. Nessa mudança de modelo de gestão, vemos a possibilidade de alinhar ao sistema nacional de cultura, de falar a mesma língua. Já conseguimos aprovar uma série de projetos junto a outras instituições, como o Festival de Cinema, que acontece em janeiro próximo, as Festas de Agosto, a Festa do Pequi, que será realizada em março de 2007. Esses recursos já existem, é preciso se organizar, criar políticas públicas para ter acesso a eles.
Uma outra reivindicação constante é a criação de um novo espaço, de um teatro.Nem dá para acreditar, uma cidade com 350 mil habitantes e não tem um teatro. Pode ter certeza, nós vamos ter esse teatro.
Quando?- Já existe essa interlocução da construção a partir do armazém da rede ferroviária. Essa idéia foi passada para a secretaria de Obras, rede ferroviária e ministério dos Transportes. A intenção do banco do Nordeste é trazer esse espaço para Montes Claros. Estamos brigando por isso. Criamos uma comissão para estudar a possibilidade de transformar a secretaria municipal de Cultura em uma Fundação municipal de Cultural, que vai ser uma instituição autônoma. Estamos estudando e temos até o dia 16 de janeiro de 2007 para apresentar os resultados. Com a Fundação vamos ter mais agilidade e autonomia para a gestão dessas políticas.

Como é o trabalho da secretaria hoje?
- Nós temos conseguido fazer projetos que antes não aconteciam. Hoje, por exemplo, são 3017 crianças da periferia que participam de projetos de arte e educação, mais 400 e poucas que participam do projeto em parceria com a empresa de telefonia Tim. Temos as políticas de defesa do patrimônio histórico, de relacionamento com o que é mais importante nas tradições culturais de Montes Claros, que são os Catopés, Marujos e Caboclinhos, somos todos parceiros. Quando falamos em sair de uma política que prioriza evento, para um outro modelo não quer dizer que promover evento não seja importante, claro que é, mas precisamos pensar no arquivo, na memória, nos museus, na preservação da identidade, fortalecer as associações. Quando se fala em cultura, é preciso identificar os dois aspectos, o conceito antropológico, os cantares, pensares, fazeres, e o conceito sociológico, que é a formatação dessa cultura para difusão, que exige um palco, gravação de um CD. É preciso ter esse entendimento para que as coisas não se percam na efemeridade.

No seu trabalho, além dos aspectos culturais que mobilizam toda uma opinião pública, também tem a questão do ego do artista, e certo fascínio da imprensa em priorizar aspectos negativos. É claro que a crítica e a cobrança são fundamentais para o desenvolvimento, por isso eu pergunto: como você lida com isso?
- Com atenção. Muitos artistas chegam, sentam, colocam suas idéias e reivindicações e, às vezes, naquele momento não recebem exatamente o que foram buscar, mas foram ouvidos e nós temos a oportunidade de entender a necessidade da demanda e criar uma consciência nova. E a Lei Municipal de Cultura vai ajudar muito nesse aspecto, pois o artista será melhor atendido, é direito dele. Parece discurso, fácil de falar, mas não é. Nós temos que buscar isso.
Correu um boato de que as secretarias de Educação e de Cultura iriam se fundir em uma.- Isso não faz sentido. É verdade que a grande revolução da cultura só é possível através da educação, da escola, mas uma secretaria não elimina a outra. Todos os projetos da secretaria de Cultura envolvem educadores, porque não faz sentido fazer aquela profusão, aquele evento todo e não repercutir nas bases. A participação dos professores é fundamental para que entendam o sentido das manifestações e levem para a sala de aula. Mas cada secretaria tem seu segmento e compartilhar as atividades potencializa os resultados das duas.

Você tem uma epígrafe que o acompanhe, um mote que o definiria?
- Carpediem, agarre seu dia, aproveite seu dia.


5 comentários:

  1. Jerusia, bom dia

    visitei seu blog algumas vezes nesses dias e queria te dizer que
    ele é muito bom, seu texto é agradavel demais, suas entrevistas
    são muito ricas e bem conduzidas

    sou formado em comunicação e confesso que o texto jornalistico
    e a crônica são meus prediletos, mas sei o valor de uma entrevista
    bem feita e escrita

    meus parabéns, fique com Deus

    []s Martins
    contato@manonitas.net
    visite o nosso site http://www.manonitas.net

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  2. Obrigada.Me sinto honrada com suas palavras. Em breve iniciarei a publicação de reportagens e entrevistas inéditas. Espero sua visita mais vezes.

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  3. Olá querida já andei olhando seu blog. Vc está de parabéns, está muito bom, como tudo o que vc faz!

    Grande beijo

    Cíntia Andrade
    Montes Claros

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  4. Oi!!!
    Parabéns, viu?
    Mais uma fonte para nós...
    bjs e boa sorte!
    Neumar

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  5. oi!
    Jerusia,

    Parabéns pela iniciativa. Vou dar uma espiada periódica no blog pra conferir os textos. Sucesso sempre!

    Abraços,
    Elpidio

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É uma prazer receber sua visita. Obrigada pelo comentário.