sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Terezinha Ligia/Jaqueline Pereira

CARAVANA AVALIA CENÁRIO CULTURAL DO NORTE DE MINASO grupo de teatro Fibra e o Studio de Ballet Jaqueline Pereira, de Montes Claros, percorrem cidades do interior de Minas, promovendo à comunidade o acesso à arte contemporânea
 


POR JERÚSIA ARRUDA

Desde o último mês de agosto, o grupo de teatro Fibra e o Studio de Ballet Jaqueline Pereira percorrem cidades do Norte de Minas e do e Vale do Jequitinhonha com a caravana Expresso Sertão, promovendo o resgate da linguagem folclórica da região e levando lazer e cultura à população.
Idealizado pela produtora e jornalista Fabíola Dourado e aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, o Expresso Sertão teve sua primeira edição em 2006.


Em cada cidade visitada, o grupo Fibra apresenta o espetáculo teatral Brincando de Brincar III, e o Studio de Ballet Jaqueline Pereira, o musical Canto Sagrado. Além dos espetáculos, a caravana também promove oficinas de arte, incentivando a criação de novos grupos de teatro.


Criado em 1979, o grupo Fibra tem no espetáculo Brincando de Brincar a sedimentação de seu trabalho. Segundo a diretora Terezinha Lígia, a idéia inicial foi realizar um espetáculo lúdico que promovesse uma interação com o público infantil e, também, o resgate dos costumes e tradições culturais da região. A peça é resultante de uma pesquisa minuciosa das tradições folclóricas do Norte de Minas. Foi feita uma coletânea de brincadeiras, onde todos os atores cantam, dançam e representam.


O Studio Jaqueline Pereira foi criado em 1986, formado por crianças, jovens e adultos e, ao longo desses mais de 20 anos, já recebeu aproximadamente cem alunos, que participaram de coreografias como Reencontro, Nós vistos em Chopin, Vôo das Garças, 40° no verão de 50, Fecha a porta Maria que o boi évem e Canto sagrado. Todos os anos o grupo monta um novo espetáculo infantil.
O musical Canto Sagrado foi inspirado nos terços cantados em Santa Bárbara, zona rural de Montes Claros. Numa mistura do erudito e popular, ao som de Bach, com participação especial de Terezinha Ligia e Amauri Tibo, que cantam o terço, o espetáculo é encenado por cinco bailarinos que, através da dança contemporânea, traduzem a alegria, a dor, a glória e a santidade dos mistérios do terço. O resultado é uma tradução da devoção dos fiéis católicos. Os cenários são da artista plástica Conceição Melo.



Em entrevista exclusiva à jornalista Jerúsia Arruda a diretora do grupo Fibra, Terezinha Ligia, e a bailarina e coreógrafa, Jaqueline Pereira contam como está sendo a experiência com o Expresso Sertão, que neste ano contempla os municípios de Grão Mogol, Salinas, Janaúba, São Francisco, Pirapora e Montes Claros.


Terezinha Ligia
Como surgiu o conceito do projeto?
Terezinha Ligia - O grupo Fibra foi o primeiro a receber o convite da produtora Fabíola para participar do projeto. Depois decidimos convidar o grupo de dança de Jaqueline Pereira. O nome Expresso Sertão estava entre uma série de nomes sugeridos, mas não tivemos dúvidas na hora de apostar nesta nova marca que agora leva cultura ao interior de Minas. No início, doze cidades seriam contempladas, mas o total da verba solicitada não foi aprovado e fizemos readequações na planilha e reduzimos para seis o número dos municípios contemplados.



Como foi o processo de operacionalização?
Terezinha - Fabíola (Dourado) montou o projeto para a Lei de incentivo a Cultura de Minas Gerais e, depois de aprovado, ficou meses correndo atrás do patrocinador. Aliás, a captação é o maior desafio dos artistas. Nos últimos dias tivemos o retorno positivo da Transnorte que é a patrocinadora da caravana cultural.

Qual o critério para formar o roteiro da caravana?
Terezinha - As cidades foram escolhidas de maneira que pudéssemos visitar as várias regiões do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha.

As prefeituras foram receptivas ou teve alguma dificuldade em firmar parceria?
Terezinha - Nem todas. Tivemos restrições com relação a palco em algumas cidades. O palco é a contrapartida mínima de cada prefeitura.

Na execução do projeto, como percebeu a situação das comunidades em relação ao acesso a promoções culturais?

Terezinha - Percebemos, na verdade, o que a gente já sabia. Falta incentivo à cultura no interior. As pessoas gostam do espetáculo, mas a ação é muito pontual. É preciso políticas públicas voltadas para fomentar a cultura popular nesses municípios.


Como tem sido a realização das oficinas? Dá para perceber interesse e talento por parte dos participantes?
Terezinha -
Sim. Aparecem pessoas ousadas, irreverentes. A experiência tem sido muito gratificante. Os moradores se envolveram bastante na proposta, principalmente em Grão Mogol, primeira cidade que estivemos. O objetivo dos alunos da oficina era de buscar a continuidade, como e onde estudar teatro, pedindo que voltássemos.





Jaqueline Pereira
O conceito do espetáculo Canto Sagrado é muito próximo da realidade dos municípios visitados. As pessoas têm se identificado?
Jaqueline - É verdade, o espetáculo vem da cultura popular e apesar de ser uma linguagem erudita, contemporânea, o entendimento é muito mais rápido, as pessoas se identificam facilmente, com muito interesse. 

Como tem sido a participação e envolvimento da comunidade?
Jaqueline - Em Glaucilândia, a segunda cidade visitada, foi legal o envolvimento das crianças. Elas mais do que ninguém, responderam bem ao projeto e se envolveram. Nos ajudaram a forrar o palco que não estava muito bom com tapetes, alongaram junto com as bailarinas, acompanharam a montagem do cenário e assistiram sem piscar às apresentações. Foi muito bom.



E para os grupos, como tem sido a experiência?
Terezinha - É a primeira vez que o grupo Fibra, que tem 28 anos, consegue aprovar, captar e executar um projeto com incentivo de lei. A experiência tem sido fantástica. Já pensamos até em ter um espaço próprio para ministrar oficinas e fazer apresentações. O Centro Cultural de Montes Claros é muito pequeno e não consegue atender à demanda.


Jaqueline - Apresentar um espetáculo no teatro ou em um palco com toda infra-estrutura é bem diferente das apresentações no Expresso Sertão, que nos exige sermos mais alternativos, práticos e dispostos a enfrentar qualquer obstáculo. Isso é muito edificante.



Esse contato com um público mais carente de promoções culturais certamente inspira a conscientização da necessidade de inclusão social nos integrantes do grupo. Algum plano ou projeto novos?
Terezinha - Sim. Mandamos o Expresso Sertão 2008 para a Lei de Incentivo a Cultura de Minas Gerais. O resultado deve sair no mês de dezembro. Estamos aguardando e torcendo.

Um comentário:

  1. Conheço o trabalho do grupo fibra e gostaria de obeter produtos como video, cd. Onde conseguir?
    Célia

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