domingo, 5 de outubro de 2008

Anthonio

CONVERSA DE MINEIRO
O cantor Anthonio, que encantou o público montes-clarense durante as Festas de Agosto, volta à cidade para ministrar oficinas culturais


POR JERÚSIA ARRUDA
Durante as Festas de Agosto e 28º Festival Folclórico, no dia 19, o cantor Anthonio, mineiro de Divinópolis, esteve em Montes Claros apresentando o show Candombe System, reunindo um público de mais de 10 mil pessoas que dançou e cantou ao som frenético da mistura musical que deixou a Praça da Matriz em frenesi.


Nesta semana, o cantor e compositor volta à cidade para ministrar oficinas culturais e participar do show da cantora Patricia Ahmaral. No dia 15 de setembro, Anthonio ministra as oficinas Música de corpo e alma e Oficina da Voz e no dia 16, faz uma participação especial no show da cantora Patrícia Ahmaral, realizado pela Conexão Telemig Celular de Música 2006.


Anthonio é cantor compositor, bacharel em Psicologia e professor de técnica vocal. Estudou canto lírico com Ronaldo Trigueiro (BH) e Agnes Moço (RJ), é formado em canto popular pela Babaya Escola de Canto (BH), onde também ministrou aulas de técnica vocal. Também participou de cursos com diversos profissionais da dança, canto e teatro em todo o país.


Em entrevista ao jornal à jornalista Jerúsia Arruda, o menino cantor fala de suas primeiras experiências com a música em sua cidade natal, de sua formação profissional, suas influências musicais, seus projetos e do seu amor pela arte de cantar.

Divinópolis é famosa pelas suas bandas de baile. Você freqüentou essa escola?
- Ter nascido em Divinópolis realmente foi um presente de Deus, no sentido de ter nascido numa cidade musical. Desde minha infância escutei, sobretudo, os tambores de congado que passavam na Rua do Rosário onde nasci e vivi grande parte da minha vida. Apesar de ter freqüentado os bailes e festas da cidade, nunca tive a experiência de cantar nessas bandas que são uma verdadeira escola. Penso que os grupos vocais Ad Canto e Pharmácia, os artistas Gê Lara e Lemão, meus amigos que encontrávamos todas as noites para tocar violão, e claro, as festas religiosas e procissões, foram minha primeira referência musical em Divinópolis.

Como foram suas primeiras experiências musicais?
- Percebo que minha mãe, Dona Ailna, foi minha primeira incentivadora. Digo isso porque sua voz é linda e sempre gostou de cantar. Em minha casa tinha aquelas vitrolinhas antigas e todo dia antes de ir para escola, gostava de colocar aqueles discos em vinil e escutava de tudo. Aos 8 anos entrei para o coral dos Chiquinhos e aos 11 comecei a tocar violão. Era musical, e gostava de tocar com meus amigos que também faziam teatro. Aos 15 anos comecei a participar dos primeiros festivais de música da cidade, onde sempre fui premiado. Mas foi nas igrejas onde mais soltei a voz e experimentei a música em sua essência e função, que para mim tem haver com algo muito sagrado.

Como foi sua mudança para BH?
- Aos 21 anos mudei para BH para estudar. Queria ser engenheiro, (risos), mas foi em Psicologia que me formei. Logo que cheguei a BH, comecei a participar de um grupo chamado Oficina de Arte gesto e voz. Nesse grupo tive uma experiência de dois anos como ator, mas sempre meus papéis eram de personagens cantores, (risos). Nesta época estudei canto lírico com Ronaldo Trigueiro, do Palácio das Artes e também conheci a Babaya Escola de Canto, que me introduziu no circuito de BH como cantor popular, me abrindo espaços importantes, em espaços culturais, teatros e projetos de arte da cidade.

Qual artista com quem trabalhou ou projeto que participou que considera marcante em sua carreira?
- Considero todos os meus encontros e shows muito importantes, e tive a oportunidade – ou sorte, de sempre trabalhar com músicos e artistas experientes que me ensinaram muito. Poderia ficar aqui dizendo vários nomes, como Gilvan de Oliveira, Túlio Mourão, Elza Soares, Babaya, Fernando Brant, Tavinho Moura, Lincoln Cheib, Robertinho Silva, Chico Amaral, Marcus Viana, Geraldo Vianna, Nestor Sant’Anna, e Milton Nascimento que considero ter sido um divisor de águas em minha carreira, quando tive a oportunidade de integrar o elenco do show Tambores de Minas, onde atuei como cantor, bailarino e percussionista.

Fale sobre sua participação em gravações.- Tive a oportunidade de participar de vários Cds como intérprete, e destaco minha participação em A música de João Bosco, Do Brasil, A outra cidade, Meu dia em oração, e Mestre João – Trem Brasil. Mas foram nos Cds Chico Rei uma dança (de Fernando Brant e Geraldo Vianna) e O Velho Chico, (ao lado de Babaya e Marcus Viana), que tive grande expressão como intérprete. Meus Cds de carreira são os Anthonio, lançado em 2001, onde deixo explícitas minhas referências musicais e Candombe System, lançado em 2004, onde misturo tambores de congado com ritmos eletrônicos e realizo meu trabalho atual.

Que estilo mais gosta de cantar? O que mais combina com você?
- Sou uma pessoa eclética por natureza e não tenho medo de ousadias. Canto o que me emociona, seja pela música, pela letra, ou pelo momento que estou vivendo.

Quem são suas influências?- Os artistas de todas as artes. Um artista plástico pode me influenciar, uma cantora de blues, um happer, um Dj, um cantador do sertão. Acho que a arte verdadeira, essa sim, quando vem do coração me influencia.

Você tem uma postura cênica muito bem dosada. Como desenvolveu?
- Antes de participar do show Tambores de Minas, cantava de uma forma muito técnica, e a partir do contato com bailarinos, atores, acrobatas, professores como Irene Ziviane/BH , Vivien Bucup/SP, Fábio Tavares/Curitiba, Dudude Herrmann/BH, Madalena Bernardes/SP, Ogan Forró/RJ, Paula Águas/RJ, e também diretores como Gabriel Vilela e João das Neves, fui percebendo que voz é corpo. Sendo assim, minha experiência no palco ganhou uma presença mais sonora e uma voz mais corporal.

Seu show em Montes Claros, nas Festas de Agosto apresentou um repertório diferente do que vinha fazendo. Por que a mudança?- Em Montes Claros apresentei meu Show Candombe System, espetáculo que venho desenvolvendo e trabalhando desde 2004. Estamos em turnê pelas cidades históricas da Estrada Real, e ao longo deste período em vários festivais de inverno e do Rosário, experimento novas possibilidades de repertório, novas composições, onde o centro do trabalho é o Cd Candombe System, e as misturas de vários ritmos brasileiros com ênfase nos tambores de congado e na música eletrônica. Gosto de fazer releituras e em Montes Claros experimentei várias músicas que neste momento estão passando pelo trabalho cuidadoso e marcante do sound design e meu diretor musical Ruben di Souza. Para quem acompanha meu trabalho de perto, sabe bem que gosto de experiências novas, e sobretudo são marcadas por experimentações conscientes, dentro do meu universo e cotidiano.

Ainda sobre o show em Moc, foi o de maior público durante toda a festa e o que mais envolveu a platéia. Como foi a experiência para você?- Considero o show que fiz em Montes Claros um dos melhores da minha vida. A empatia com o público caloroso, e receptividade do trabalho foram impressionantes. Me senti em casa, fato que se deve também pela forma como fui recebido pelos produtores e amigos músicos da cidade, com os quais já tenho contato há bom tempo. O fato de ser congadeiro também me deu uma maior motivação por participar dessa festa maravilhosa, e fiquei encantado ao participar também dos cortejos, levantamento dos mastros, enfim, acho que tudo isso somou energias para que o show fosse como foi.

Ainda neste mês você retorna a Moc. Fale um pouco sobre essa visita.
- Neste mês participo do Projeto Conexão Telemig Celular de Música 2006, ministrando duas oficinas: Oficina da Voz e Música de corpo e alma. Também tenho um encontro no palco com a cantora Patrícia Ahmaral que é, ao meu ver, uma das maiores cantoras mineiras dos últimos tempos e agora ela me recebe em seu show, já que em Itabira, dentro do mesmo projeto a recebi como minha convidada especial.

E os novos projetos?- Atualmente estou preparando meu próximo Cd, recolhendo músicas, experimentando arranjos, e para o final do ano estou preparando o show Bocas que é realizado pelos alunos da Anthonio Escola de Canto e ainda, o show de comemoração dos meus 10 anos de carreira, onde terei a presença de vários convidados especiais que participaram da minha caminhada como artista.

Fique à vontade para fazer outras considerações.Gostaria de agradecê-la por esta entrevista, e também dizer que espero reencontrar o público de Montes Claros, que ficou guardado em minha lembrança de uma maneira muito querida e especial! Para quem quiser conhecer um pouco mais da minha carreira, clipes, músicas, acesse
www.anthonio.com.br , e para quem desejar adquirir meus Cds, acesse www.sonhosesons.com.br .

Um comentário:

  1. adoooooooooooooorei seu show ontem no conexão vivo em bh!!! simplesmente demais..... divertidissímo.. parabéns.....abraçossss

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É uma prazer receber sua visita. Obrigada pelo comentário.