domingo, 7 de setembro de 2008

Cláudio Mineiro

20 anos bem tocados
O músico montes-clarense Cláudio Mineiro comemora 20 anos de carreira, reunindo convidados especiais em um grande show


POR JERÚSIA ARRUDA
 

Nesta terça-feira, 9 de outubro, o projeto Tom da Terça recebe o percussionista Cláudio Mineiro, que comemora 20 anos de profissão. No palco, segundo o músico, a ideia é apresentar um pouco da história vivida principalmente às voltas com a música norte-mineira.

“De tudo que vivi, de tudo o que aprendi na profissão, nada é mais rico do que os ritmos musicais desta terra. Por isso vamos homenagear o Mestre Catopê João Farias, que tão bem representa essa musicalidade da cultura popular norte-mineira. O congado é como o maracatu, de uma riqueza rítmica que pode ser pauta para estudos durante toda uma vida. Sinto-me vitorioso e privilegiado de ter crescido em meio a essa riqueza musical”, comemora.


O show “20 anos de Percussão” acontece na sala Cândido Canela do Centro Cultural Hermes de Paula, a partir das 20h30, com entrada franca. No repertório, a peça de berimbau “Biriba-Pereira”, “Um dia no Hakeney”, composição de Cláudio Mineiro em homenagem ao bairro negro londrino, “África My África” e “Festa dos Tambores”.


No show de 1h20 de duração, Cláudio recebe os convidados Chita do Pandeiro; Tico Lopes; Augusto Gonzaga; Ismoro da Ponte; DJ Claudinho; o luthier de piano e baterista, Ricardo, e o homenageado especial da noite, Mestre João Farias.


“Esse show é, na verdade, um encontro musical entre amigos. Tenho muitas histórias para contar desses vinte anos de profissão, e o melhor jeito de fazê-lo é tocando”, explica.


Cláudio destaca como importante momento sua passagem pelo Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, como aluno do professor de violão, Geraldo Paulista. “Foi o começo de tudo, o início de uma longa viagem pela música. Sempre fui ritmista e as aulas com o Geraldo Paulista me ajudaram a encontrar a direção da música que queria fazer”, conta.


Depois que se mudou para França, no início da década de 1980, logo que completou 18 anos, Cláudio lembra que teve uma nova chance de aprender com um grande mestre.


“Em Paris, ainda menino, acompanhava Vilson Vasconcelos. Ele era o grande mestre da Mangueira, tocava com Baden Powell e, na época, em Paris, tocava na Boite Che Felix - acho que toca lá até hoje. O convite para a boate era caríssimo, o som era maravilhoso e o Vilson me convidava sempre para entrar com ele, me deixava tocar. Não ganhava dinheiro, mas cada noite era uma aula, um aprendizado. Era tudo novo para mim. Tudo o que a gente queria era que o dia amanhecesse para comparar o baguete francês e tomar café com aquele pão maravilhoso”, lembra.


Para Cláudio, a música brasileira é sempre atração, onde quer que vá. “Vivi 18 anos em Paris e vi o quanto a música brasileira é reverenciada na Europa. Quando fui para Londres, onde ministrei oficinas para adolescentes, a impressão que tive foi a mesma. Foi lá que aprendi a dar ainda mais valor à riqueza cultural do meu país. Quando voltei para o Brasil, para Montes Claros, comecei a ensinar crianças e adolescentes a tocar percussão, no projeto Casa do Tambor, e, apesar de menos disciplinadas, vi o quanto essas crianças são, naturalmente, musicais. É inerente. É surpreendente.Talvez aqui no Brasil a percussão não tenha o mesmo reconhecimento, mas tenho o maior orgulho de ser um instrumentista rítmico”, ressalta.


No Tom da Terça, Cláudio Mineiro apresenta um fusion, resultado das várias etnias musicais que estudou, como afro-cubano, música indiana e árabe, sempre direcionado à percussão, com muita brasilidade. O destaque da noite, sem dúvida, será o som instigante e emblemático dos catopês.

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