segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Emílio Victtor

O CANTO SUAVE E ACONCHEGANTE DE EMÍLIO VICTTOR

Com 20 anos de carreira e dois Cds gravados, o compositor, cantor e violonista nascido em Perdões, Sul de Minas Gerais, transita com desenvoltura pelos caminhos da canção mineira, num quase soft jazz, com interpretações e arranjos criativos, relembrando os clássicos emplacados em tempos de Clube da Esquina.

Jerúsia Arruda


Por natureza, o mineiro é meio desconfiado e de filosofia intrigante. A música produzida por seus muitos e célebres artistas leva qualquer ser humano a se entregar à sensibilidade, e se por a cantar numa voz qualquer, como reflexo movimento da alma. E não se sabe de quem herdaram tamanha musicalidade, múltipla e, ao mesmo tempo, singular.

Ouvir a música suave e aconchegante de Emilio Victtor renova essa sensação de refúgio, inocência, tenacidade, religiosidade, rebeldia, resistência e sagacidade que a arte mineira invariavelmente aflora.
De formação clássica e popular, o compositor, cantor e violonista nascido em Perdões, Sul de Minas Gerais, transita com desenvoltura pelos caminhos da canção mineira, num quase soft jazz, com interpretações e arranjos criativos, relembrando os clássicos emplacados em tempos de Clube da Esquina por nomes como Milton Nascimento, Lô Borges e outros mais.


Emílio Victtor diz que sua formação musical começou bem cedo, inspirada nos contos e poesias de seu pai, Delson Victor, e nos clássicos de Pixinguinha, Zequinha de Abreu, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, entre outros, executados com maestria no violão, viola e cavaquinho pelo avô Honório.
Da curiosidade à paixão, ainda em sua terra natal, decidiu estudar música e, logo depois, em 1994, se mudou para a capital mineira em busca de novos conhecimentos.


Em Belo Horizonte estudou violão clássico com o professor Ricardo Horta, violão popular com o professor Celso Moreira, técnica vocal com o tenor Francisco Simal, canto lírico com a soprano Neide Ziviani e participou de curso intensivo de harmonia com o professor Ian Guest.


- No início cantava de tudo, era crooner, até que comecei a descobrir grandes gênios da música como Chico Buarque, Elis Regina, Tom Jobim, Dorival Caymmi, o pessoal do Clube da Esquina, Billy Holliday, dentre tantos outros. Fiquei fascinado e investi pra valer nos estudos – conta.

NA ESTRADA
Emílio fixou residência em Belo Horizonte desde que se mudou para lá para estudar e, segundo ele, com as amizades que fez ao longo dos anos, conseguiu sedimentar seu trabalho e levá-lo para outras regiões.
- Gravei meu primeiro Cd em 1998 - Vou... - com direção musical de José Dias Guimarães (ex-baixista do extinto Grupo Raízes). É uma produção independente, com de dez canções; oito inéditas e duas regravações: Equatorial (Lô Borges/Beto Guedes/Márcio Borges) e Água (Celso Adolfo), na qual o compositor faz uma participação especial, tocando viola de dez cordas e violão – relembra.


Com esse Cd Emílio Victtor percorreu quase toda Minas Gerais, cidades de São Paulo e Rio Grande do Sul, se apresentando em universidades, casas de shows, clubes e bares. Em 2000, fez uma turnê por dez cidades do Chile.


O segundo Cd - Coisas Daqui - veio em 2004/2005, onde um cantor maduro e cuidadoso revela a música mineira em seu melhor estilo. O Cd traz um trabalho de pesquisa com forte interação entre o inesperado e o bom gosto, em composições próprias, parcerias e releituras. Com inteligência e sensibilidade, Emílio ousa ao interpretar Folia (Lourenço Baeta/Xico Chaves) um clássico do Grupo Boca Livre; Feitiço (Kico Zamarian/Veca Avellar) onde divide os vocais com Cláudio Nucci; Abelha (Oscar Neves/ Danilo Pereira) e Esperança Passarim (Sérgio Ramos). Destaque para Óia o Chico, composta para trilha do audiovisual feito pela ONG Óia o Chico, projeto pela revitalização da bacia do Rio São Francisco.

RECONTRATO
Hoje, aos 35, Emílio Victtor diz se sentir maduro e experiente o bastante para alçar novos vôos.
- Vivemos em uma época em que a música sofre um massacre da mídia e isso dificulta a produção de um trabalho com conteúdo, já que o acesso a ele é restrito. Faço shows em boa parte de Minas Gerais, São Paulo e no Sul do país, mas estou sempre buscando por novos espaços, novos públicos. Por isso vim a Montes Claros, para divulgar meu novo Cd e, quem sabe, em breve, fazer um show – diz Emílio.
 
Com 20 anos de carreira, o músico diz que, apesar das dificuldades, pretende ser fiel ao estilo que adotou, porque expressa de forma verdadeira sua essência.

- Sempre fui apaixonado por artes circenses, e tive influências muito fortes de Milton Nascimento, como intérprete, e de Chico Buarque e Tom Jobim, na composição. A mistura de tudo isso me ajudou a descobrir um estilo que é bem meu, autêntico, e não seria verdadeiro se me submetesse às exigências da grande mídia apenas para ganhar mercado. Acredito que é possível fazer um trabalho bacana, como fazem Lenine, Paulinho Moska, Zeca Baleiro, entre outros, e viver dignamente da arte – argumenta o cantor.


Com trabalho consolidado, Emílio Victtor apurou a sensibilidade musical o que resultou em um estilo original e refinado, se tornando, sem dúvida, uma das promissoras revelações da música mineira.

Um comentário:

  1. Oi Jerúsia,
    bom dia!!! Não sei nem como agradecê-la pela excelente matéria! Obrigado mesmo!!! Se todos os jornalistas tivessem a sua sensibilidade e profissionalismo, nós, artistas independentes, teríamos uma projeção bem maior.

    Beijinho.
    Emílio Victtor

    ResponderExcluir

É uma prazer receber sua visita. Obrigada pelo comentário.