terça-feira, 7 de outubro de 2008

Arthur Moreira Lima

MÃOS NO TECLADO E PÉS NO CHÃO
Com a humildade e sabedoria dos grandes visionários, o internacional pianista Arthur Moreira Lima trouxe a Montes Claros a harmonia e encantamento dos clássicos universais e da música popular brasileira.


POR JERÚSIA ARRUDA

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Intuitivo, irreverente e bem-humorado. Assim é o cidadão Arthur Moreira Lima. Virtuoso, popular, versátil, completo. Assim é o pianista clássico Arthur Moreira Lima, reconhecido internacionalmente como uma das mais importantes personalidades da cultura brasileira.

- Mas não sou um gênio. Sou um prestador de serviços. Altamente categorizado, mas um prestador de serviços – afirma o músico.

Pela quarta vez em Montes Claros, a segunda com o projeto itinerante, nesta edição com o título Um Piano Pela Estrada, Arthur se diz feliz em voltar a se apresentar na cidade do amigo Darcy Ribeiro, e de um povo sempre receptivo e caloroso.

Há cinco anos trilhando as estradas brasileiras, levando a grandes e pequenas cidades, inclusive nos municípios mais distantes, a música clássica, que é apresentada em praças públicas para a comunidade de todas as classes sociais, gratuitamente, Arthur diz estar vivendo um importante momento de sua vida pessoal e profissional.


- É preciso ter coragem para fazer um projeto como esse. A idéia surgiu quando trabalhava junto à secretaria de Cultura do Rio de Janeiro e vi o quanto custava financiar um espetáculo para o grande público. Comecei devagar. Montamos o caminhão-teatro e, desde 2003, à medida que as apresentações foram acontecendo, as adaptações foram sendo feitas de forma a atender às necessidades que surgiam a cada apresentação. Hoje temos uma estrutura que se adapta em qualquer local, levamos cadeiras, em algumas cidades as pessoas também levam sua própria cadeira, e o mais surpreendente é que todos os espetáculos contam com uma grande platéia. Se a cidade é muito pequena a platéia não é tão grande assim, mas sabemos que a maior parte da população está lá para nos assistir – diz o pianista, que apresentou na noite de ontem o espetáculo número 159 realizado pelo projeto, na Praça da Matriz de Montes Claros, e espera chegar a 200 até o final do ano.


- Estamos vivendo o século da interação e não dá mais para viver somente daqueles concertos formais: terno, gravata, a música e, ao final, os aplausos de um público que nem sempre entendeu o que ouviu. O concerto é muito mais do que isso. Gosto de conversar e aprendo muito com as pessoas humildes, de idéias simples e sinceras. Mais do que as pretensamente intelectualizadas. Antes de ser pianista, sou brasileiro e tenho que perceber que essa é a realidade do meu país – ressalta o pianista.


Ao idealizar o projeto, Arthur diz que a principio pensava que o público seria de uma faixa etária mais elevada.
- Os jovens comparecem, entendem e gostam, porque muitos chegam antes de começar o concerto e só vão embora depois que acaba. Sempre valorizei minha intuição e quando pensei em fazer esse projeto minha idéia era contribuir para o fortalecimento da identidade, nossa dignidade de nosso povo, e a forma que tenho para fazer isso é levar a música universal para a população que dificilmente teria acesso. E deu certo. Um público de todas as idades, atento, receptivo e sempre caloroso comparece para nos dar a certeza de ter feito a escolha certa – comemora o pianista, que checa pessoalmente todos os detalhes, desde o material de divulgação, passando pelo cenário, até os arranjos e apresentação do concerto.


Sobre a música produzida atualmente no Brasil, Arthur diz que há muito que fazer.

- Sou de uma geração muito boa, brilhante em várias áreas, e a nova geração vive da música dos sessentões como Chico Buarque e Gilberto Gil. Alguns nomes novos se destacam, como Lenine, Marisa Monte e Zeca Pagodinho, mas é em pequeno número e com pouca variedade – ressalta o músico, que diz ter vivido uma das maiores emoções de sua carreira ao gravar a música do inominável Astor Piazzolla.


Arthur Moreira Lima se apresentou em Montes Claros no projeto Janelas da Matriz, em homenagem ao sesquicentenário da cidade. A próxima apresentação do projeto será em Diamantina-Minas Gerais.

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