sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cid Durães

RÁDIO FEITO COM CARINHO, CRIATIVIDADE E MUITO HUMOR
 


POR JERUSIA ARRUDA


Com jeito simples e carismático, suas histórias de improviso fazem brotar o riso frouxo. É impossível conversar com ele sem esquecer o mau-humor e os problemas. Radialista desde os 10 anos de idade, Cid Durães nasceu para contar histórias. Apresentador dos programas Manhã Total, de 6h às 9h, de segunda-feira a sábado, na FM Itatiaia e Show de Alegria – título escolhido através de concurso, por um ouvinte de Bocaiuva - de 16h às 18h, de segunda a sexta-feira, na rádio Terra AM, Cid encanta o público com seus doze personagens, que fazem de seu trabalho uma festa de humor.

Sua primeira experiência como locutor veio por acaso. Em 1985, trabalhava na 98 FM como operador, com os locutores Eduardo Brasil e Ricardo Nascimento. Foi bem na época de transição e as rádios queriam que os locutores fossem também operadores e o diretor colocou um microfone na técnica. Aí, uma noite faltou locutor e Cid então resolveu falar a hora.


- Numa timidez, num medo, tremi igual vara verde. E sem autorização do diretor. No outro dia ele mandou continuar, eu gostei e mandei ver – conta, saudoso.

Desafios
No começo foi só assim, falando a hora. Cid diz que achava sua locução péssima e morria de vergonha. Em 1986, o diretor lhe deu um programa sertanejo que ninguém queria fazer e foi aí que se deslanchou. Para mudar um pouco a voz e fazer um trabalho diferente dos outros, Cid começou a criar personagens.


- Como eu tinha dificuldade de fazer uma locução normal, a coisa veio para compensar e funcionou - diz.


Cid diz ter se inspirado em Zefinha, personagem de um programa da rádio Globo, para criar seu primeiro personagem, o Chico Duca. Depois vieram Zezão, a velha Jovercina, Haroldinho e muitos outros. Na 98 FM, ficou durante 3 anos.


Depois foi para a rádio Educadora. Na AM, foi escalado para o final de semana onde ficou mais à vontade para criar e improvisar. Logo depois foi para a FM, onde atingiu o auge de sua carreira, conquistando o carinho e o reconhecimento do público.


- As pessoas começaram a gostar do meu trabalho, os personagens começaram a ficar mais interessantes. Me jogaram para fazer programas em horários mortos da rádio, horários que ninguém acreditava e que tiveram uma audiência fantástica que até hoje as pessoas comentam. Fiquei lá seis anos. Fiz AM, FM e fui premiado várias vezes por colunistas de jornais.


Como todo bom humorista, a timidez é uma companheira desse taurino, pai de Bruno de 16 anos e Paula Vitória, de 5. Ele diz que por causa dessas timidez, o desafio de fazer os personagens tornou-se ainda maior.


- Se tivesse mais alguém no estúdio comigo, por causa da timidez, talvez não tivesse desenvolvido meus personagens. Sempre preferi trabalhar sozinho, fico mais à vontade, me solto mais.

Personagens
Depois de dezenove anos de rádio, os personagens de Cid Durães continuam fazendo o mesmo sucesso do início de sua carreira.


- Somente um dos meus personagens foi inspirado em uma pessoa que fez parte da minha vida, que foi o Zezão. Os outros são produtos da minha imaginação somados à minha leitura de mundo. Minha grande fonte inspiradora foi a rádio Globo, principalmente o programa Maré Mansa, grande sucesso do rádio na década de oitenta - conta Cid.


Com dois programas de públicos totalmente diferentes, Cid diz que em ambos a performance dos personagens é a mesma e que percebe uma boa aceitação. No programa Hora de alegria, na rádio Terra, o público é maior na zona rural e bairros de periferia, além das cidades vizinhas a Montes Claros. O Manhã total, na rádio Itatiaia, é uma mistura de sertanejo e popular e ouvido principalmente por jovens e adolescentes.

Namoro com a eletrônica
Por dez anos, Cid trabalhou no extinto estúdio de gravação Opus 4, onde desenvolveu uma relação de intimidade com equipamentos eletrônicos. A relação com o estúdio e com a eletrônica complementou o trabalho do locutor, pois criou uma sintonia maior com o equipamento.


- É na verdade um namoro que tenho com a eletrônica. Adoro desmanchar um aparelho até encontrar o defeito e montá-lo outra vez. E eu sempre fiz questão de ser o operador do meu programa. Acho que cria uma interação maior e coisa flui com mais liberdade. E esse conhecimento extra me ajudou bastante - afirma Cid.

Inspirações e experiências
Sobre as experiências com outros profissionais do rádio, Cid diz que Montes Claros tem verdadeiros “dinossauros”, como Sebastião Remígio, Shumann Procópio, Eduardo Brasil e muitos outros que ele conhece desde os áureos tempos da rádio Sociedade. Segundo ele, muito do seu trabalho se deve ao que aprendeu com estes profissionais.


- São muitos os que me inspiraram aqui em Montes Claros. Ricardo Nascimento, que hoje coordena a rede Itatiaia e Eduardo Brasil, por exemplo, foram os profissionais com quem comecei. Eu era o operador deles na 98 FM. Teve também o José Nardel, que tinha um espírito de liderança e uma competência inigualável, com quem aprendi muito e que me serviu até na vida pessoal. E tem os colegas que estão há menos tempo no rádio que sempre estão nos ensinado algo novo, a trabalhar melhor. Juntando todo mundo, a gente sempre aprende e se inspira com cada um. Eu diria até que a gente imita os bons até encontrar o jeito próprio de fazer.


Cid lamenta o fato de a classe não ser unida, de não ter um sindicato atuante, que reivindique. Para ele, essa falta de união tem tornado o profissional do rádio pouco valorizado, principalmente financeiramente falando e que é preciso correr atrás para garantir o próprio espaço.

Recontrato
O trabalho do radialista gera uma fantasia. E para Cid é importante manter a alegria e o bom-humor de seus personagens para que possam cumprir o seu papel, que além de informar, é o de promover o entretenimento. Segundo ele, é importante que todos os personagens que representa tragam as nuances das experiências por ele vivida enquanto criador, mas transformada em alegria, que é o que as pessoas buscam em seus programas.


Com projeto de em breve lançar as histórias e piadas do Chico Duca em CD, Cid Durães diz estar vivendo uma nova fase da vida, onde se propõe um recontrato, uma nova perspectiva. Para ele, é cada vez mais importante a profissão que escolheu e que vai, a partir de agora, buscar novos subsídios, como teatro e outras escolas, para que criador e obra possam crescer juntos.

2 comentários:

  1. Grato pelo carinho, minha querida.

    Parabéns pela competência.

    Durães, Cid.

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  2. Obrigada pela honra da entrevista. Parabéns pelo lindo trabalho.

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