quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Funorte e Atlético

Nos bastidores da torcida

No meio da torcida que aguardava ansiosa pelo confronto entre e Funorte e Atlético Mineiro, no último domingo, em Montes Claros, foi possível perceber o que se pode esperar de uma partida de futebol.

É claro que o recorte é reduzido, já que estamos falando de um ângulo atrás da trave, num jogo no estádio José Maria Melo, uma pequena arena montada a duras penas especialmente para sediar o jogo e não deixar morrer o sonho ufanista de ver o time da cidade enfrentar as estrelas da elite do futebol mundial. Afinal, a partida seria pelo Campeonato Mineiro e o adversário da equipe montes-clarense, nada mais nada menos que o atual campeão do torneio.

Tudo pronto para o espetáculo: arena montada, imprensa a postos, torcida reunida. Falando em torcida, esta merece um aparte. No espaço teoricamente reservado a autoridades, estavam torcedores vindos de Belo Horizonte, cidade-sede do Atlético e que, por graça e obra de amigos ali estavam. Alguns falando alto e ofensivamente ao celular que o jogo que estava prestes a começar era caso de rir. Primeiro porque estavam num lugar privilegiado para o qual só faltaram terem sido pagos para entrar – o que é de duvidar, já que os ingressos estavam sendo disputados a qualquer preço. Depois, pelo estádio que, segundo o interlocutor, era de dar dó – nisso talvez tenha razão, já que só foi possível realizar o jogo no local com muito empenho de todos, menos da prefeitura que teoricamente teria que oferecer um estádio à altura do espetáculo que ora se iniciava. E por último, pela equipe do Funorte que, diziam, não tinha a menor idéia de com quem estava jogando.

Mas bastaram 29 minutos de jogo e o Funorte marcar o primeiro gol para os discursos mudarem. Mais silêncio, menos zombaria, mais respeito pelo time da casa que cortou os dois tempos do jogo glorioso, altaneiro. Mesmo depois de o Atlético marcar dois gols, talvez por causa do esforço da equipe para conseguir o intento, naquele espaço continuava a reinar respeito pelo time da casa.

O Funorte perdeu a partida, mas honrou a cidade e as pessoas que ali representava. A torcida se apertou, se esticou, mas ficou até o fim para testemunhar o fato de que com esforço e desprendimento é possível manter o time da cidade na elite do futebol mineiro. E olha que o Atlético trouxe suas maiores estrelas para enfrentar o Formigão que é o time mais novo do torneio e jogava pela primeira vez pela primeira divisão do Campeonato Mineiro. O que se pensava é que o Atlético viria com um time reserva para enfrentar o estreante. Mas, qual o que, o Galo não só trouxe suas principais estrelas como precisou de pressão da equipe técnica e empurrãozinho do juiz para manter a diferença de um gol sobre a equipe de Montes Claros.

Arroubos e tendências à parte, ficam registrados o aplauso bairrista para Zoi, o quarto árbitro da partida; o irresistível grito de gol na hora em que o Atlético igualou e, depois, avançou no placar, mesmo pelos mais aficionados ao Formigão – afinal, era o Galo, o time cuja torcida é a mais apaixonada do Brasil; e iniciativa do casal Ruy-Raquel, que não tem medo de fazer história.

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