terça-feira, 2 de agosto de 2016

Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela

Arte do morro e da periferia ganhando o mundo


Com edição ampliada, que inclui lançamentos literários, exposições e debates, além do audiovisual e da música, o Imagens da Cultura Popular Urbana – Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela é Isso Aí será gratuito, itinerante e imperdível


A partir do dia 10 de agosto acontece o “Imagens da Cultura Popular Urbana – Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela é Isso Aí”. Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG), Raposos (MG), Ribeirão das Neves (MG), Diadema (SP), Rio de Janeiro (RJ), Torres Vedras e Coimbra (ambas em Portugalserão palco de uma produção intensa e diversa. O evento que vai até novembro tem entrada gratuita.

A mostra é realizada pela ONG Favela é Isso Aí, que desde 2004 atua de maneira pioneira mapeando a produção artística de favelas e periferias contribuindo, por meio de uma série de ações, também para inclusão social e combate à exclusão. Em sua quarta edição, a mostra engloba festival audiovisual, shows musicais, exposição de fotos sobre as comunidades, debates e lançamento de quatro volumes da coleção Prosa e Poesia no Morro. Para ficar por dentro. Acesse a programação completa no site: www.favelaeissoai.com.br/noticias.

“Nossa vontade sempre foi ampliar o evento, que até então tinha um bom recorte da produção audiovisual produzida nas favelas e periferias. Foi um desafio que combinou edital e curadoria para que outras manifestações artísticas circulassem por oito cidades, duas delas fora do Brasil, e 19 centros culturais”, explica Clarice Libânio, antropóloga e coordenadora executiva da ONG. O processo de seleção, de acordo com ela, precisou incluir convites. “Recebemos menos inscrições, pois a falta de políticas de incentivo à cultura reflete especialmente nesses espaços. No entanto, são artistas que não se intimidam, buscam manter seus trabalhos, como eles mesmos dizem, na tora”, analisa.

Clarice destaca os lançamentos da coleção Prosa e Poesia do Morro como um esforço coletivo para fazer acontecer. “A gente é muito insistente porque sabe da importância de reverberar essa arte, que é de guerrilha mesmo. A cultura dos morros, das periferias, das ruas é pura resistência. Tínhamos verba para apenas três publicações, mas descobrimos no Aglomerado da Serra que garotos estavam produzindo um dicionário de gírias e conseguimos imprimi-lo também na gráfica”, comemora.

“São publicações que fazem uma crítica do espaço urbano, do processo de crescimento desenfreado, da gentrificação, das ocupações. Acredito que é uma coleção muito interessante do ponto de vista crítico. Por isso, estabelecemos pontes com a UFMG por meio do Grupo de pesquisa Praxís/Escola de Arquitetura, e do CEDEPLAR/Faculdade de Economia, através do Programa LUMES. Queríamos muito dar conta dessa produção, é um sonho manter a editora, porém ainda dependemos das leis de incentivo”, afirma Clarice.

A antropóloga reitera que o protagonismo em todos os projetos da ONG é dos artistas. “Eles sempre irão produzir de maneira independente, mesmo no contexto de ausência de políticas culturais. Eles são a vanguarda. Nós apoiamos, incentivamos, mas sempre seremos de fora. O que fazemos é agrupar essas artes, levar para outros espaços, outros públicos e envolver também a universidade. Para esses artistas, todas as formas de reconhecimento são imprescindíveis”.

Ela lembra que na última edição, a organização do evento precisou solicitar ao SESC sessão extra da exibição de um filme. “Chegaram dois ônibus lotados para a exibição, público vindo da comunidade do diretor. A gente conseguiu, e foi muito especial porque também contribui para estimular a garotada que foi lá assistir. Estar nesse lugar onde a periferia dificilmente é a atração da programação valoriza a autoestima do artista e do público”, defende.

Com a cultura das redes e compartilhamento, Clarice reconhece muitas mudanças positivas. “Os rappers, os poetas dos saraus articulam os próprios eventos pelo Facebook. As imagens são divulgadas de maneira imediata, os movimentos se conectam mais com os públicos. Tudo isso favorece não apenas o “Imagens da Cultura Popular Urbana”, como a formação de uma massa crítica, de uma capital cultural. Esses movimentos, como o Duelo de MC’s, por exemplo, ultrapassam a cultura, ganham um importante caráter político”, avalia.

Manobra dá o tom da abertura da Mostra

Imagens da Cultura Popular Urbana - Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela é Isso Aí será aberto nesta quarta-feira, dia 10 de agosto, 20h, no SESC Palladium. A noite de abertura será musical e contará com o show do projeto Manobra.

Sobre o Manobra

Mano e obra de arte juntos, o rapaz comum e a construção de suas ideias e a necessidade de contar a sua história e a história de seu povo, fazendo quebrar com a lógica de que a margem não tem história.

Através do rap, na forma de um “livro sonoro”, são narradas as epopeias desse povo dos cantos da cidade, dos guetos periféricos e de bordas ainda mais longínquas do sertão, nesse caso o sertão mineiro, o Vale do Jequitinhonha.

O Projeto Manobra propõe um rap orgânico, em uma profusão de timbres e referências musicais. As batidas fortes e características deste estilo musical são desenhadas e executadas por uma base percussiva repleta de instrumentos acústicos. O grupo trabalha a musicalidade negra brasileira e a personalidade dos tambores de minas em diálogo com o rap.

A sonoridade também agrega guitarras, baixo, cavaquinho e o canto melódico. Em uma trama com ritmos brasileiros como o samba, maracatu, congo, baião, em riffs de guitarra e em levadas de soul e funk, outras conversões estéticas são delineadas e alinhadas aos traços estilísticos da cultura hip hop.

Integrantes: Anna Lages: pandeiro e voz
Eduardo DW: voz.
Gleison Junio: cajón.
Heberte Almeida: guitarra, violão e voz.
Raíssa Uchôa: baixo e voz.
Manu Ranilla: caixa de folia, pandeiro, conga, chocalhos, efeitos e voz.
Marcos Chagas: cavaco e voz.



PROGRAMAÇÃ0

IMAGENS DA CULTURA POPULAR URBANA
MOSTRA DE ARTE, CULTURA E CIDADANIA FAVELA É ISSO AÍ
Lançamento dos livros da coleção Prosa e Poesia no Morro
Shows, debates, exposições.
Festival audiovisual - Mostras competitivas, itinerantes e especiais.
De 10 de agosto a 19 de novembro de 2016


MOSTRA PRINCIPAL

SESC Palladium.
Av. Augusto de Lima, 420 - Centro - Belo Horizonte.
Abertura: Dia 10 de agosto, quarta-feira, 20h.
Show: Favela é Isso Aí mostra a
diversidade musical das comunidades.
Convidado: Manobra, com o show A Borda.

Dia 11 de agosto, quinta-feira.
18h30 – Abertura da 4ª. Edição do Festival  Imagens da Cultura Popular urbana
Programa 1.
“Ostentação – 20’2”, documentário - BH/MG - Marcelo Lin e Fernando Rossi
“Rap de protesto – 2’51”, videoclipe - Jardim Vitória, BH/MG - Clebin Quirino.
“Juventude é pra viver, mano – 8’05”, documentário – Taquaril, BH/MG – Richardson Pontone
“Grota dos Puris -15’, documentário  -Juiz de Fora/MG - Gerliani Mendes
“Bolou – 10’, ficção – Natal/RN - Rodrigo Sena
20h– Lançamento dos livros da coleção Prosa e Poesia no Morro, com debate e intervenção artística do Grupo do Beco.

Dia 12 de agosto, sexta-feira.
18h30  – Programa 2
“Poesia Aérea – 9’4”, documentário - Vila São José, BH/MG - Menderson Nzangeby
“O menino do dente de ouro – 15’, ficção – Natal/RN - Rodrigo Sena.
“My Brother – 15’, ficção - Conj. Vera Cruz, Goiânia/GO - Raphael Gustavo da Silva.
“Paz no Quilombo – 5’, documentário – BH/MG - alunos da oficina de audiovisual do Centro socioeducativo Horto.
“O dia que ele decidiu sair – 14’57”, documentário – Salvador/BA - Thamires Vieira
20 h – Programa 3.
Sessão especial – “Ela volta na quinta – 107’, ficção - Contagem/MG, André Novais Oliveira / Filmes de Plástico.

Dia 13 de agosto, sábado.
17 h – Programa 4.
“Plano Aberto – 25’5”, documentário - Rio de Janeiro/RJ - Elder Barbosa
“Entulhos – 11’11”, documentário - Aglomerado Santa Lúcia, BH/MG - Cristiano Silva Rato e Antônio Eduardo Silva Nicácio
“Esqueça, por enquanto – 7’36”, ficção - Morro da providência, Rio de Janeiro/RJ – Priscila Gomes
“Nem tudo é o que parece – 2’07”, ficção – Ipanema, Rio de Janeiro/RJ - Josy Manhães.
“O Muro é o Meio – 15’, documentário - Aracaju/SE - Eudaldo Monção Jr.
19 h – Programa 5.
“Muitos me seguem mas só Deus me acompanha – 15’3”, documentário – Anápolis/ GO
Rei Souza
“Olhe bem as montanhas – 4’39”, videoclipe – BH/MG - Palestina Israel
“Ocupar, resistir e construir – 14’30”, documentário – BH/MG – Edinho Vieira
“Há queima roupa – 9’43”, documentário - Rio de Janeiro/RJ - Pedro Dantas e Christian Caselli
“Folia de Reis do Santa Marta – 4’59”, documentário - Favela do Santa Marta, Rio de Janeiro/RJ - Josy Manhães
“Gigantes da alegria – 12’02”, documentário - Rio de Janeiro/RJ – Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano.

Dia 14 de agosto, domingo.
17 h – Programa 6
“Lúcida – 16’, ficção - São Paulo/SP - Fabio Rodrigo
“Dandara – 4’, documentário – BH/MG - alunos da oficina de audiovisual do Centro socioeducativo Horto.
“Saci Pererê - Caçada nas Horas Mortas – 8’46”, ficção - Ribeirão das Neves/MG – Gemerson Sander Silva
Três Por Dez – 10’, documentário – Suzano/SP – Rômulo Cabrera
“Há um Dragão na Guanabara – 13’25”, documentário - Rio de Janeiro/RJ – Elder Barbosa
19 h – Programa 7
Sessão Especial - Mostra de filmes em animação do Festival Bang Awards,
Torres Vedras, Portugal, com as temáticas Imagens dos Povos e Natureza Humana.

Encerramento:
De 15 a 20 de novembro
Exposição de fotos das comunidades, em parceria com o projeto “Favela, uma
foto por dia”, de Horacius de Jesus.

Dia 18 de novembro, sexta-feira, 20h
Favela é Isso Aí mostra a diversidade musical das comunidades. Convidado:
Oficina de violões da Serra - Aniversário de 10 anos. Coordenação Heberte Almeida.

Dia 19 de novembro, sábado.
De 9h às 17h – Seminário Identidade e Diversidade cultural nas periferias
Urbanas
19h – Sessão de encerramento do Festival, com os filmes premiados.

MOSTRAS ITINERANTES E ESPECIAIS

BELO HORIZONTE - MG

Casa do Beco
Av: Artur Bernardes, 3876. Barragem Santa Lúcia / Belo Horizonte - MG
Sessões dias 04 e 05 de novembro, às 19h e 20h30.

Espaço Comum Luiz Estrela
Rua Manaus, 348 – Santa Efigênia
Sessões 15/9 e 20/10, sempre às 19h.

Centro Cultural Lá da Favelinha
Rua Dr. Argemiro Rezende Costa, 191, Novo São Lucas, Favelinha, Aglomerado
da Serra.
Sessões dias 24/08, 14/09, 28/09, 05/10, 19/10 e 09/11, sempre às 19h30.

Centro Cultural São Bernardo
Rua Edna Quintel, 320, São Bernardo
Sessões dia 01 de setembro, às 20h.

Centro Cultural Bairro das Indústrias
Rua dos Industriários, 289, Bairro das Indústrias.
Tel.: (31) 3246-0339 /3277-9176

Sessões de 23 a 26 de agosto, sempre às 19h30.
Centro Cultural Padre Eustáquio
Rua Jacutinga (antiga Feira Coberta), 821, Padre Eustáquio.
Tel.: (31) 3277-8394 ou 3277-7269
Sessões dias 23/9; 30/9; 7/10; 14/10; 21/10 e 28/10, sempre às 14h.

Centro Cultural Pampulha
Rua Expedicionário Paulo de Souza, 185, Urca.
Tel.: (31) 3277-9292 ou 3277-9293

Sessões nos dias 17 de Setembro, das 14h às 19h; e 8 de Outubro - sessão
infantil às 15h.

Centro Cultural Salgado Filho
Rua Nova Ponte, 22, Salgado Filho
Tel.: (31) 3277-9625 / 3277-9624
Sessões dia 22 de setembro, às 9h30.

Centro Cultural Jardim Guanabara
Rua João Álvares Cabral, 277, Jardim Guanabara
Tel.: (31) 3277-6703 e 3277-6651
Sessões dias 24 de agosto, 21 de setembro e 19 de outubro, sempre às 18h.

VESPASIANO - MG

Arena do Vale
Rua José Capucho, 23. Bairro Vale Formoso
(31) 99239 0910 / 98390 3631
Sessões em setembro e outubro de 2016.

Espaço Sócio Cultural Diadorim
Rua Araripe, 21. Bairro Santa Clara.
(31) 992960275 / 988337695
Sessões em setembro e outubro de 2016.

RAPOSOS – MG

Casa de Gentil
Rua Sergipe, 689 - Bairro Vázea do Sítio.
https://www.facebook.com/pages/Casa-De- Gentil-Culturas-Conv%C3%ADvios/174921629330364
Sessão infantil dia 11 de outubro às 19:30 hs.

RIBEIRÃO DAS NEVES – MG

Centro Cultural Henfil.
Rua Carmélia Loff, 195. Bairro Labanca – Justinópolis.
Sessões dia 18 de novembro, a partir das 18 horas.

DIADEMA - SP

Cine Eldorado
Rua Frei Ambrósio de Oliveira Luz, 55. Eldorado.
Sessões dias 10, 17 e 24 de Setembro, sempre a partir das 14h30.

RIO DE JANEIRO - RJ

Arena Dicró.
Av. Brás de Pina, s.n, Parque Ary Barroso, Penha. Entrada pela R. Flora Lobo.
Sessões dias 03 e 04 de setembro (sábado e domingo), às 18h e 19h.

TORRES VEDRAS, PORTUGAL.

Festival Bang Awards



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