quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Maria Luiza Falcão

UMA CARIOCA DE CORAÇÃO MINEIRO
A escritora carioca Maria Luiza Falcão lança romance inspirado nos hábitos mineiros




POR JERUSIA ARRUDA

Ela é uma carioca apaixonada pelos hábitos mineiros. Escritora, artista plástica e produtora cultural, Maria Luiza Falcão viaja por Minas para divulgar seu recente trabalho, o romance Afonso, lançado na XII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, que com a linguagem simples e singela do interior, narra a trajetória de um brasileiro das Minas Gerais e seu amor por Helena, a escritora da cidade grande.

Delegada Regional da APPERJ - Associação profissional de poetas do estado do Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Maria Luiza se diz uma urbana apaixonada pelo mundo rural.


- Na medida do possível, sempre busquei as coisas que me aproximassem desse universo. Sou carioca, e atualmente resido na bucólica Ilha de Paquetá. Pode imaginar algo mais rural incrustado numa grande metrópole? Destas ruas de terra batida e vida pacata entre o casario antigo, me transporto para qualquer vilarejo no interior do país adotando como fundo musical aquelas músicas sertanejas de letras extensas e profundas. O endereço me auxiliou até na hora de escrever o livro, pois a maior parte do texto foi manuscrita durante meses de trabalho, em horas de espera nas estações das barcas e nas longas viagens de travessia da Baía de Guanabara (cerca de uma hora). Aproveitei também os bancos dos belos jardins do Rio de Janeiro e o silêncio de alguns templos religiosos para criar Afonso - conta.

SER MINEIROCom uma habilidade em transitar por mundos aparentemente distintos, o rural e o citadino, Maria Luiza diz que busca imprimir em seus personagens valores inerentes ao ser humano e que, independentes de origem ou condição social, se irmanam na vida com simplicidade. Em Afonso, ela revela, ainda, uma peculiar familiaridade com o universo mineiro.


- Talvez por consanguinidade. Em algum momento, do meu lado materno, alguém nasceu em Minas e me atraí fortemente. Fernando Sabino, por certo, preenche esta lacuna na minha vida ao descrever tão sabiamente o Ser mineiro. Sem dúvida um povo que tem ao mesmo tempo, história, simplicidade e pureza, é diferente, tem marca registrada, é poeta, conservador e amante da liberdade, é tudo que eu entendo como ser gente. E ainda por cima, fala uai! Realmente é um povo especial cuja cultura rica de seus antepassados não estacionou no tempo.Um claro exemplo disso pude observar na cidade de Ponte Nova, onde estive recentemente, e onde a literatura fervilha nas mãos hábeis de seus artistas, uma lista enorme de valores - observa a escritora.

AFONSO

O livro tem 332 páginas repletas de valores e contrastes, revelados através do jovem Afonso, que se lança ao mundo aos quinze anos para viver sua história. O cotidiano de Afonso não conhece as letras, mas passeia repleto de poesia pelas estradas transportando o alimento, por garimpos extraindo do solo riquezas e mazelas, pelas fazendas plantando e criando, pelos riscos e glórias no mundo dos rodeios, e também, penetra a verdade desnuda das casas de tolerância, sem esquecer a família, de sangue ou não, e do fervor de um povo em suas crenças e festas religiosas.

- O livro tem de tudo. Falo de vida. Um jovem pleno em seu vigor físico, hormônios gritando. Até de bolo de milho eu falo. Mas, como não sou quituteira, substituí a receita pela revelação do ingrediente principal que a mãe de Afonso misturava à massa e que, depois de pronta, era partilhada aos pedacinhos com o filho, ainda menino, sentado ao colo em sua cadeira de balanço. O ingrediente? Amor - diz a autora que deixa ao leitor a promessa de continuação da história, ao concluir o romance com “E a vida continua...”

PROJETOS CULTURAIS
Além de escritora, Maria Luiza desenvolve um projeto musical na Ilha de Paquetá, levando às ruas, em noites enluaradas, centenas de pessoas, músicos e seresteiros, todos apaixonados pela boa música. Durante o passeio, são inauguradas nas casas, placas com as letras das músicas preferidas de seus moradores. Em sua casa, por exemplo, foi afixada na entrada uma placa com a letra de Tocando em Frente, imortalizando os compositores Almir Sater e Renato Teixeira.


Preocupada com o incentivo à leitura e o acesso da população aos livros e outras formas de manifestação cultural, a escritora desenvolve, ainda, o projeto Perdidos e Achados, junto à Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá.


- O projeto permite que os livros sejam perdidos e achados pela cidade, até mesmo em praças publicas. Para os amantes da boa leitura, é uma oportunidade de encontrar o título ou autor de seu interesse, lê-lo e, num próximo encontro, permitir a outros que também leiam. Nosso povo lê pouco, não só por causa do alto preço dos livros, mas, também, pela falta do costume. Cabe às escolas, instituições e todos os profissionais, direta ou indiretamente ligados à cultura, promover o incentivo a este hábito salutar. Nosso projeto tem esse objetivo - explica Maria Luiza.

PRODUÇÃO
Apesar de Afonso ser seu primeiro livro editado, a produção literária de Maria Luiza passa pelo teatro com Made in Brazil, Vida, A Praça é Limpeza!, e adaptações dos clássicos da ópera O Navio Fantasma e Pagliacci. A autora tem ainda inéditos os romances Afonso II e Diário, os contos Olívia, Ele & Ela, Tenho Trinta e Três, e para teatro infantil Cinderela do Agreste (agraciado com a Menção Especial Alice da Silva Lima, no Concurso Prêmios Literários da UBE - União Brasileira de Escritores - 2005), Um Amor de Palhaço e A Lenda da Moreninha e, teatro adulto, Se Essa Rua Fosse Minha, além de contos, crônicas e poesias. A escritora também é colaboradora no jornal Trilha Sonora de Belo Horizonte (da AMAI) e mantém colunas semanais on-line.


Maria Luiza Falcão se diz cada vez mais apaixonada por Minas Gerais e promete visitar outras cidades, entre elas Montes Claros, tendo como certa sua breve transferência para solo mineiro.

4 comentários:

  1. Olá Jerúsia!

    Gostaria de dar uma sugestão de pauta cultural.
    Em Montes Claros está sendo desenvolvido um projeto chamado Cemig, Graffiti Arte e Segurança. O Projeto foi idealizado pelos artistas plásticos e grafiteiros Leonardo Oliveira, Samuel Reis e Sílvio Pequeno, esse trio compoe o Caxeta Club, que é um grupo de intervenções artísticas e culturais aqui na cidade de Montes Claros.
    Com o apoio da cemig esses artistas buscam mostrar o seu trabalho e junto a isso fazer um trabalho de conscientização relacionado aos cuidados que se deve ter com a rede eletrica.

    Gostaria que analisasse a proposta da pauta.
    Envio também os contatos para que seja possível o contato com os artistas.

    Desde já agradeço a paciencia e colaboração.

    Att.;

    Carolina Marinho
    estudante de jornalismo.

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  2. Olá Jerusia
    Como posso fazer contato com a Maria Luiza Falcão. Fomos amigas na adolescência e perdi o contato com ela. Meu e-mail é: wandarecker@gmail.com
    Obrigada

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  3. Olá, como faço contato com a Maria Luiza Falcão? Fomos amigas na adolescência e gostaria de ter notícias dela. Meu e-mail: wandarecker@gmail.com
    Obrigada

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  4. Olá, pessoal! O contato que tenho da Maria Luiza é esse: mlfminas@hotmail.com
    Abraços.

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