segunda-feira, 23 de março de 2009

Aníbal Oliveira Freire

Poeta Plástico
Segundo livro de Aníbal Freire, é uma coletânea de poemas que tratam principalmente da natureza humana

Jerúsia Arruda

Poesia, por si só, já mexe com os sentidos. E quando é aliada a outras linguagens, o resultado pode ser surpreendente.
Assim é o livro Poeta Plástico (Orobó Edições, 2007), do escritor Aníbal Oliveira Freire, uma coletânea de poemas apresentados numa estética multiforme que enchem os olhos e alimentam a alma.

O autor de Montanhas e Àguas (Rona Editora, 2001) e filho do também poeta Darcy Freire diz que, na verdade, a relação entre a poesia e as artes plásticas é uma amizade colorida, um quase amor.
Em sua primeira publicação, Montanhas e Águas, essa amizade colorida já se revela de forma bem expressiva nos versos que são uma declaração de amor à natureza, ilustrados pelo inominável Inimá de Paula; as últimas ilustrações produzidas pelo também escritor – Inimar morreu logo depois, em 1999, aos 80 anos, depois de brigar por sete anos contra um câncer, conta.

Aníbal Freire lançou, recentemente, Poeta Plástico, em Montes Claros, com um recital onde contou um pouco sobre os momentos e situações que inspiraram alguns dos poemas do livro, como Vale do Peruaçu – o autor descreve a beleza natural da flora e fauna de uma das mais belas do país, localizada no município de Januária, no Noroeste de Minas -; Caminho das Pedras e Janaúba –vivências em Itacambira e em Janaúba, cidades norte-mineiras -, que, brincando com as palavras em trocadilhos instigantes, desnuda a cultura de um povo e as riquezas naturais da região.

Literatura e engenharia
Aníbal Oliveira Freire nasceu em 1951, em Salinas, no Norte de Minas, e se enveredou na arte literária em 2001, com Montanhas e águas. Engenheiro sanitarista-ambiental da Copasa desde 1975, poeta, palestrante, monge Zen Budista, co-fundador dos Mosteiros Zen, Morro da Vargem, em Ibiraçu/ES e Picos dos Raios, em Ouro Preto/MG, em Poeta Plástico faz uma nova abordagem literária, mantendo um diálogo fluido com o meio ambiente que lhe serve de palco para exercer os ofícios de engenheiro e poeta.


- Sou um defensor da poesia, não aquela cheia de rimas e métricas, mas uma poesia que expressa a beleza do mundo criado pela imaginação do poeta. A poesia é o resultado do mundo bonito exteriorizado, que nem sempre é belo,apesar do que pensa muitos leitores, que o poeta vive em um mundo bonito – diz.

Aníbal viveu durante oito anos em um mosteiro e diz que o zen-budismo fez florescer o amor pela poesia.
- Apesar de a engenharia ser tão exata, minha natureza é aversa a convenções. Gosto de ser poeta porque me proporciona essa liberdade de expressão. E a poesia inspira a engenharia, já a engenharia com a poesia apenas rima – pondera.

A alma irrequieta do poeta continua ganhando abrigo na poesia e, mesmo não apreciando a maratona que é a promoção do livro, Aníbal diz que já-já tem material suficiente para uma nova publicação, que deve acontecer em breve.

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