terça-feira, 22 de julho de 2008

Tatiana Rodrigues Brommonschenken

Uma montes-clarense em Timor-Leste


POR JERÚSIA ARRUDA

Em dezembro de 2004, a CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior- abriu um edital amplamente divulgado pela imprensa recrutando 50 professores preferencialmente das áreas de Química, Física, Biologia e Matemática para trabalhar no Programa de qualificação do docente e ensino de língua portuguesa em Timor Leste.


Se inscreveram 17.000 pessoas. Depois das averiguações, chegaram a um número de 13.500 inscrições válidas para selecionar 50 candidatos. No dia 30 de março de 2005, após os preparativos necessários, a professora de química montes-clarense Tatiana Rodrigues Brommonschenken, 30 anos, solteira, embarcou para Timor-Leste, chegando em Díli, capital do Timor, em 02 de abril de 2005.


Tatiana diz que se inscreveu no programa pelo desafio de vivenciar outra cultura e ajudar de alguma forma a um país pós-guerra.




TERRA DE CONFLITOS
Timor-Leste é uma meia ilha localizada na Ásia, entre a Indonésia e Austrália. Foi colônia de Portugal até 1975, que após a revolução dos cravos, concedeu a independência a todas as suas ex-colônias. Mas o Timor teve poucos dias de independência, pois a Indonésia, que já era dona da outra metade da ilha, invadiu o país e promoveu uma integração fria e sangrenta. Foram 24 anos de ocupação Indonésia. Porém, o povo timorense resistiu bravamente, votou no referendo realizado pela ONU contra a integração e se tornou conhecido no mundo pela vitória contra a grande potência e pelo modo terrível como a Indonésia se retirou, queimando todo o país com a ajuda das milícias (timorenses pró-integração).
Atualmente, o país vive um momento de tensão política, com 70% da população refugiada nas montanhas e prédios públicos.

IDIOMA
O Timor-Leste possui uma imensa variedade lingüística, com 33 dialetos falados na pequena meia-ilha. Com a independência, a língua portuguesa proibida durante a ocupação, tornou-se uma das línguas oficiais do país junto com a língua nativa, o tétum.

RECONSTRUÇÃO
Timor-Leste recebe o apoio de vários países para a reconstrução que começou em 1999, com saída das tropas indonésias e a chegada das forças de paz da ONU. Na educação, o maior parceiro é Portugal, que desde 2000 envia professores para o ensino na Língua Portuguesa em todo território.

PARCERIA BRASILEIRA
A cooperação educacional brasileira segue um objetivo mais ousado: capacitar os professores que após a guerra foram voluntários e não possuem em sua maioria formação e habilidades básicas para ministrar aulas, e preparar estes professores para ensinar as matérias específicas em português.
Foram enviados para o programa 4 profissionais na área de educação química.
Segundo Tatiana, no primeiro ano em Timor-Leste, o trabalho foi realizado basicamente no IFCP (Instituto de formação contínua dos professores), com cursos de capacitação para professores de química de todo o país.
- A situação é precária no que diz respeito às condições de vida e de trabalho dos professores timorenses. Os recursos são mínimos, o que nos levou a criar um programa de ensino de química com materiais alternativos. Os experimentos precisam ser realizados com materiais de fácil acesso, pois não têm laboratórios nas escolas e muito menos condições para comprar material, explica Tatiana, que trabalha na universidade nacional de Timor Lorosa'e, apoiando o departamento de química ao lado de professores que ministram cursos de português instrumental para as diferentes áreas, como foi o caso de um curso de português específico para os alunos da primeira turma de medicina do país, projetado e ministrado pela cooperação brasileira, trabalhando temas voltados para o vocabulário médico.

REFORÇO
Para o ano de 2006, a cooperação tem se programado para enviar profissionais para os diferentes distritos (estados) de Timor-Leste para capacitação continuada dos professores em exercício.
- Os desafios são grandes, porém acreditamos que seja a melhor forma de ampliar os resultados do trabalho, proporcionando ao professor um acompanhamento mais freqüente e eficaz, conclui Tatiana, que diz que a capacitação realizada na área de química não tem como objetivo apenas a construção do saber científico, mas também incentiva a produção de novas alternativas de materiais de limpeza, reforço na alimentação, conscientizações sobre a higiene e saúde e discussões pedagógicas sobre aprendizagem e relação aluno-professor.

RETORNO
Tatiana fica em Timor-Leste até o mês de novembro de 2006, com possibilidades de retorno. Antes de ir para o continente asiático, lecionava na escola estadual Levy Durães Peres, onde deve continuar trabalhando, caso não retorne ao Programa.

sábado, 12 de julho de 2008

Marimbondo Chapéu

Ó DEUS SALVE, MARIMBONDO!
O jovem músico Marimbondo Chapéu é uma das maiores referências da cultura popular regional norte-mineira, cujo talento é reconhecido nacionalmente


 
 
POR JERÚSIA ARRUDA
 
Cantigas de roda, lundu, catira, curralera, São Gonçalo, arrasta-pé folia, embolada e toda a magia da mais autêntica música popular norte-mineira reunidos, no palco, sob a batuta do jovem mestre Marimbondo de Chapéu.
Atração do Tom da Terça na noite de ontem, o menino de Alto Belo é sempre um espetáculo à parte, pela sensibilidade musical e simplicidade de alma que arrebatam o espírito e enleva a alma daqueles que têm o privilégio de serem alcançados pelos acordes de sua rabeca e viola caipira.
Presente em todos os eventos nacionais que envolvem a cultura popular regional, Marimbondo Chapéu é um daqueles raros exemplos em que a obra parece ser maior do que o autor, dada a simplicidade no agir, no falar, conservados intactos, mesmo a despeito do contato constante com a poderosa mídia, que, normalmente, influencia e, em alguns casos, até desvirtua.
Mas, se consideradas a integridade e grandeza de alma, nada pode ser maior. E quando isso se junta à musicalidade inata, aprimorada pela efervescência cultural da família, do lugar onde nasceu e se criou e das parcerias que o ajudaram a se firmar na música, estamos diante de uma estrela de primeira grandeza.
Às voltas com projetos em várias vertentes, Marimbondo diz que se prepara para participar do filme Pai e Filho, do diretor Breno Silveira, está em plena produção do terceiro Cd, que deve ser lançado nas Festas de Agosto de Montes Claros, e também participa da peça teatral Coração Caipira, com o ator mineiro Jackson Antunes.
Além dos projetos pessoais, Marimbondo diz que mantém uma agenda de shows que inclui apresentações em todo país, inclusive em programas de rádio e televisão.
Uma das canções do jovem rabequeiro, Coração caipira (gravada no segundo CD) pode ser ouvida na novela da Rede Globo, Desejo Proibido.
Marimbondo Chapéu já gravou dois CDs e participou de shows ao lado de músicos como Teo Azevedo, Inezita Barroso, Gabriel Pensador, Marcelo D2, entre outros, fé\z várias participações musicais em telenovelas, como Esperança (Globo) e Serras Azuis (Bandeirantes).

INFLUÊNCIAS
Aos 27 anos de idade, 20 deles dedicados à música, o filho do músico e artesão Antonio Preto, de quem ouviu a música caipira desde que nasceu, conta que ganhou sua primeira rabeca aos nove, presente do artesão e também músico, Sinval da Gameleira. Foi também aos nove anos que conheceu o mestre Zé Coco do Riachão, apresentado pelo padrinho Teo Azevedo, de quem herdou a vontade e a determinação de seguir a carreira para qual diz achar que já nasceu predestinado.
- Quando era criança, ouvia a música de Zé Coco no disco de vinil e também pela Rádio Terra, meio de comunicação que nos alcançava em Alto Belo, na época. E era assim que aprendia, de oitiva, a tocar suas músicas. Também recebi dicas dos mestres Teo Azevedo e Sinval da Gameleira. No mais, acho que é dom de Deus, que me guiou e ajudou a dominar a arte de fabricar e tocar viola e rabeca – conta.
No projeto Tom da Terça, Marimbondo subiu ao palco da sala Cândido Canela do Centro Cultural Hermes de Paula, acompanhado dos músicos convidados Nagib (violão e viola), Zé Godinho (violão e cantiga de roda) e Carlos Maia (violão e voz).