terça-feira, 28 de abril de 2009

Rosa de Saron em Montes Claros

Milhares de adolescentes lotam show do grupo católico

A última sexta-feira, 25/04, foi de muito louvor em Montes Claros, com o show acústico do grupo Rosa de Saron.
Surpreendentemente, a Praça de Esportes estava lotada de jovens que disputavam um pedacinho de grama para ver os meninos de campinas entoarem suas canções cristãs com melodias para lá de pop-rock, mas com letras poética, que falam de Deus com uma linguagem simples, bem diferentes das que a garotada está acostumada a ouvir.
Cada música foi acompanhada por um coral de cerca de 7.000 vozes, que sabia de cor todas as letras e cacos do cantor Guilherme de Sá. E como canta esse garoto!
Confesso, cheguei em cima da hora, mas a tempo de perceber que se a produção do show pegou carona na divulgação do recente DVD do grupo na emissora platinada, fechou os olhos para os constantes alertas contra a violência feitos em larga escala por toda a midia.
Não havia detector de metais na entrada e pessoas vendiam cerveja livremente, num evento lotado de adolescentes e pré-adolescentes.
É mesmo um antagonismo. Trazer um show de um grupo que canta a paz, o amor, vida nova, e cometer o velho e grave erro, que é descuidar da vida. Uma pena.
Felizmente, não houve nenhum tumulto e a garotada se comportou bem, apesar do álcool.

O show
A apresentação do Rosa de Saron foi curta, mas incrível. A qualidade musical das canções e a harmonia do grupo é visível. Em clima intimista, o show é bem fiel ao que se ouve e vê no DVD Rosa de Saron – Acústico e ao vivo. Trabalho que tem elevado o grupo aos primeiros lugares nas rádios de todo país.
Mais incrível foi a parada para a oração feita pelo Rogério Feltrin, baixista e fundador da banda, aceita, acompanhada e aplaudida calorosamente pelo público. O movimento de Renovação Carismática Católica mostrou toda sua força.

O cenário do show também é o mesmo do DVD acústico, mas a estrutura oferecida pela produção foi bem caidinha. Estruturas metálicas aparentes, muita poluição visual que embotou a estética proposta pelo grupo no palco.

Apesar do pouco investimento, o saldo da iniciativa é positivo, graças à escolha do grupo, que está cada vez melhor. Nota máxima também pelo estilo optado. Em tempos de funks, axés e outros ritmos que são verdadeiras odes ao erotismo e à banalização do corpo, é sempre bom dar ouvidos a canções que exaltam a outro Deus.
A Guilherme de Sá (voz e violão) , Eduardo Faro (guitarras), Rogério Feltrin (baixo) e Welington Greve (bateria), aplausos e pedidos de bis.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O velho Casarão da Fafil

Em busca da memória perdida

Na manhã desta quinta-feira, 16/04, numa breve passagem pela rua Coronel Celestino, no centro histórico de Montes Claros, não pude resistir e fiz uma rápida parada para apreciar o trabalho de restauração feito no velho casarão da Fafil, que está sendo preparado para abrigar o promissor Museu Regional do Norte de Minas, da Unimontes, e no sobrado da família Versiani Maurício, que muito provavelmente também se tornará um abrigo cultural. Na carona, aproveitei também para registrar a reforma da Escola Técnica de Saúde, que está se tornando um importante centro de estudos para a região.
Apesar de boa parte da rua estar um verdadeiro canteiro de obras, é impossível não se render à bucólica paisagem que instiga à investigação da história da centenária cidade que é considerada a mais importante da região e uma das principais do Estado, não só nas questões econômicas e sociais, mas principalmente pela cultura que abriga.

O Casarão
Número 75 da rua secular, o velho casarão da Fafil é uma construção de dois andares, outrora um verdadeiro templo da educação, e que por muitos anos ficou exposto às intempéries até se tornar ruínas.
Inaugurado em 19 de janeiro de 1889, o imponente prédio foi construído pelo coronel José Antônio Versiani, na rua Coronel Celestino, próximo à Praça da Matriz. Era sua residência e também ponto de comércio.
Inicialmente foi sede da Escola Normal Oficial, que ficou fechada durante alguns anos, no início do século 20 e, em 1908, passou a abrigar o Grupo Escolar Gonçalves Chaves.
Anos depois, o prédio passou das mãos da família Versiani para o estado de Minas Gerais e, em 10 de outubro de 1915, voltou a ser sede da Escola Normal, hoje Escola Professor Plínio Ribeiro.

Em 1928 a Escola Normal é fechada e instala-se no prédio o Departamento de Estradas e Rodagens de Minas Gerais. No ano de 1953, é reativada no prédio.


Em 1963, o casarão é cedido para a Fundação Norte Mineira de Ensino Superior e, sob o comando de João Valle Maurício, passou a abrigar a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Norte de Minas (Fafil), que oferecia os cursos de Geografia, História, Letras e Pedagogia. Os cursos, que eram mantidos pela Fundação Educacional Luiz de Paula (Felp), a partir de então, foram incorporados pela extinta Fundação Norte Mineira de Ensino Superior (FUNM). O prédio passou a abrigar, também, a Faculdade de Direito do Norte de Minas (Fadir), onde permaneceu até 1978, quando foi transferida para o campus universitário Professor Darcy Ribeiro, da Unimontes. A Fafil só foi transferida para o atual campus em 1992.

Restauração
Depois de ser usado como banheiro e depósito de lixo por desocupados, além de servir de abrigo para usuários de drogas, de ter parte de sua estrutura (grades de bronze, madeiras) roubada, o velho casarão vai ter de volta seu posto de destaque no centro histórico de Montes Claros.
Em 2007, o governador Aécio Neves liberou R$ 400 mil para a recuperação do prédio que será sede do Museu Histórico Regional do Norte de Minas.
Com o projeto elaborado pela Unimontes, que também será mantenedora do museu, a previsão é de que as obras de restauração sejam concluídas em breve, subsidiados pelo governo do estado, em parceria com a Cemig, através do Programa Cemig Cultural.

Segundo o reitor da Unimontes, professor Paulo César Gonçalves de Almeida, o custo total da implantação do projeto está orçado em R$ 2,09 milhões.
O orçamento previsto é destinado para as obras físicas, compra de mobiliário e equipamentos, montagem de espaços para exposições, recuperação de documentos antigos e formação do acervo do Museu, além de promoção de cursos de qualificação para formar equipe de recuperação do patrimônio histórico e de pesquisa em sítios arqueológicos e antigas comunidades indígenas e quilombolas.
De acordo com a Unimontes, os recursos iniciais liberados pelo governo foram investidos na elaboração e pré-produção de projetos e de trabalhos preparatórios do prédio para a instalação do Museu Histórico Regional do Norte de Minas.

Memória
A fundação do Museu Histórico Regional é resultado de um projeto elaborado em 2005, com participação da museóloga Célia Maria Corsino, aprovado pelo ministério da Cultura, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91-a Lei Rouanet). A aplicação desses recursos é feita pela Unimontes, com assessoria da secretaria de Estado de Cultura, através da superintendência de Museus.

De acordo com a Unimontes, o projeto prevê a criação do Museu para preservação da memória e tradições da região, através de exposições permanentes de seu acervo, que será montado para contar a evolução histórica de Montes Claros. O Museu também vai disponibilizar fotografias, documentos e outros materiais antigos para estudos e pesquisas, uma biblioteca, uma mapoteca e, ainda, a série de telas Via-Sacra, do artista plástico Konstantin Christoff, que será integrada ao acervo do Museu.

Nessa rápida passagem pela Cel Celestino, foi possível perceber o que o prédio da Fafil representou e ainda representa para a cidade e seus moradores. É a materialização da história, a memória viva de uma cidade que está cada vez mais sem cultura histórica.

Encontro de Ternos de Folia de Reis

Domingo é dia de Folia de Reis

A Comunidade de Riacho do Fogo, representada pelo Sr. Milton Barbosa, conhecido como Miltão, um apaixonado pelas Folias e pelas manifestações culturais brasileiras, promove o VI Encontro de Ternos de Folia e Tradições Sertanejas no próximo domingo, dia 19 de abril.
O encontro faz parte de uma série e já foi realizado nas comunidades de Varginha da Onça, Montes Claros e Mi Livre, pelos
No encontro deste domingo também participam os coordenadores da Igreja de São Sebastião de Riacho do Fogo, Dona Jesus e seu Afonso, Associação Rural dos Ternos de Folia de Montes Claros e Barriguda Produções (Durval Santos e Wedson Peixoto ) que recebem vários ternos de folia da região para o VI Encontro de Ternos de Folia e Tradições Sertanejas no qual será desenvolvida extensa programação focada na preservação, resgate e divulgação dos costumes culturais da região.

A programação que tem início previsto para as 7hs com de Missa, apresentação de Ternos de Folia, Roda de Viola, Sapateado, Lundu, plantio de mudas, almoço de confraternização e Bancos de Leitura (Empréstimo e doação de livros e revistas). O encerramento será às 17hs.

A comunidade de Riacho do Fogo fica no Km10, na estrada de Juramento.

Periferia pela paz

Show de hip hop promove a integração de jovens da periferia

O movimento Periferia pela Pazreúne, neste domingo, 19 de abril, vários grupos de rap e hip hop no show “Periferia pela paz”. A proposta é promover a integração dos grupos e apresentar o trabalho que vêm desenvolvendo nos bairros de Montes Claros.


Participam do show os grupos: Revolução Mental (Vila Mauriceia); Hip Hop Atitude (Eldorado), Missionários MC’s (Delfino); Conexão Favela (Morrinhos); Império Santa Rita (Santa Rita); Poetas da Periferia (Dr. João Alves); MC Thalita (Sagrada Família). MC Correia (Eldorado) e o MC PC (Jardim Palmeiras).
Também participam do show alunos da oficina Cultura Negra, que funciona na Vila Tiradentes.


O show “Periferia pela paz” acontece às 16h deste domingo, no auditório Cândido Canela do Centro Cultural Hermes de Paula.
Ingressos: R$ 3,00 (três reais).



terça-feira, 14 de abril de 2009

Lazza

Um músico sensível e visceral

Jerúsia Arruda

No dia 18 de abril, sábado, o cantor carioca Lazza se apresenta em Montes Claros. O show acontece às 22 horas, no Parrilla.
Em entrevista exclusiva, via Internet, Lazza nos conta que o show, chamado de Soft Rock, prima por um som light, mas que não perde o pulso. Acompanhado do percussionista Berbel, além de composições próprias, Lazza apresenta grandes sucessos do rock com uma roupagem soft, num passeio musical que vai de AC/DC a Chico Buarque.
Confira nosso bate-papo
.

De onde vem seu interesse pela música?
Desde criança eu tinha mania de tirar músicas de temas de filmes no meu pequeno teclado.

Como se preparou para a música? Onde estudou?
Minha escola de música foi a vida; passei dois anos (dos 18 aos 20) viajando o Brasil e tocando para viver. Isso me deu a maior bagagem que eu poderia ter.

Como se define musicalmente?
Um músico sensível e visceral.

Quem o inspira?
Meu filho, e os amores que aparecem pela vida (rsrsrs).

Como são seus shows? O que você toca? Toca sozinho ou acompanhado por outros músicos?
Meu show é formado por eu e Berbel (a menor banda do mundo). Juntos, eu no violão e ele na percussão, tiramos um som de Banda. O Soft Rock tem duração de uma hora e quarenta minutos. O repertório trás músicas minhas, além de grandes sucessos dos Beatles, Capital Inicial, Gun´s and Roses, The Doors, dentre outros.

Lembra de algum fato inusitado que o marcou durante um show?
Sim. Um amigo foi fazer um pedido de música e esbarrou no microfone que cortou minha boca (rsrsrs).

Como vê o atual panorama musical no Brasil?
Não gosto. As grandes estrelas só se regravam infinitamente e não vejo nada de novo.

Como está sua agenda de shows?
Está bem (cheia) graças a Deus

Algum projeto em andamento? Disco novo? DVD?
Sim.O CD Lazza-Sem fronteiras sai ainda nesse ano

Nome, idade, signo.
Rafael Lazoski Huer de Bacellar, 33 anos e capricorniano

Carioca?
Da gema (rsrss).

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Show Soft Rock – Lazza
Dia 18/04, às 22 horas, no Parrílla – Montes Claros-MG
Reservas: R$200.00 / mesa
Informações e reservas: (38) 9963-0505 - Ildeu Gonzaga
Perfil e ouvir músicas do Lazza:
http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/lazza/

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Neumar Rodrigues

De roceiro a jornalista
O diretor de jornalismo da Rede Globo fala de sua trajetória profissional e das implicações éticas da profissão e de como chegou a diretor de jornalismo da maior rede de televisão do país


Jerúsia Arruda

Em visita a Montes Claros, o diretor de jornalismo da Rede Globo, Neumar Rodrigues, 54 anos, nos concedeu uma entrevista exclusiva, quando falou de sua infância humilde no interior do Rio de Janeiro; de seus sonhos; de como começou a escrever sem sequer imaginar que um dia se tornaria jornalista; das dificuldades que enfrentou para conseguir estudar; de sua trajetória profissional e das implicações éticas da profissão e de como chegou a diretor de jornalismo na Rede Globo.

Neumar por Neumar
Nasci carioca, mas cedinho fui morar na roça, bem no interior do Rio (de Janeiro). E lá, ainda sem saber o que fazer na vida ou da vida, comecei a escrever em pedaços de papel de pão, em tudo o que via pela frente, mas jamais pensei que um dia seria jornalista. Meu sonho de infância, herdado pelo também sonho do meu pai, era ser aviador. Nada contra o jornalismo, mas tinha sonhos, e não sabia o rumo a ser tomado. E o que não via, ia imaginando e escrevendo. Sempre inventava uma história toda vez que um avião passava lá longe, rápido demais daquela minha realidade. Mas sonho é sonho e precisava tentar realizá-lo. Mas ali, na roça, pobre demais, com o passar dos anos o sonho ficou cada vez mais distante. Queria ao menos, estudar, tentar alguma coisa que não fosse roçar pasto e tirar leite nas pequenas fazendas da região. Tinha medos e nenhuma orientação.

Quando descobriu que o que escrevia poderia ser aproveitado?
Sem ter ainda chegado aos 15 anos, inventei uma coisa parecida com jornal (risos!). Era feito com qualquer pedaço de papel e tinha até um nome: O Cebolão. Nele escrevia as fofocas do distrito, fazia pequenas "entrevistas" (um horror!), informava o baile do fim de semana e, por vezes, alguém ainda "anunciava" uma venda de bezerro, cavalo, porco, verduras e legumes. Em troca, recebia papel de melhor qualidade. Tudo era escrito com uma velha caneta tinteiro do meu avô e uns poucos lápis de cor para dar mais "visibilidade" ao "semanal informativo". E aí colava no único bar existente por lá. Mas ainda nem passava pela minha cabeça ser jornalista.

Como foi sua saída do interior?
Precisava estudar e me mudei para a capital. Nos primeiros meses fiquei de favor na casa de parentes distantes. Sem saber ainda o que a vida poderia me oferecer, resolvi fazer um curso de torneiro mecânico no Senai. Lá tinha café da manhã, almoço, lanche e jantar. Temporariamente me livraria das despesas que vinha dando aos parentes. Fiz o curso, mas ainda não era o que queria. O sonho de ser aviador também não mais existia. Acabei como boy numa agência de publicidade. E foi nessa agência que comecei a encontrar meu caminho. Um dia me chega lá um vendedor de anúncio da Revista Manchete e perguntei como ele poderia me ajudar a entrar para a empresa. Me mostrou o caminho das pedras e acabei fazendo uma prova. Estava completamente despreparado, mas tinha estrela. Seis meses depois recebi um telegrama (ainda existe isso?). Fui contratado para fazer os serviços burocráticos do departamento de publicidade. Ganhava como boy uns R$90 e passei para R$750. Inacreditável. Quase dois anos depois, de tanto enviar crônicas para os editores, a direção da empresa resolveu apostar aqui no roceiro.

E a escola?
Mesmo trabalhando no departamento de publicidade, fazia lá meus rabiscos e as pequenas revistas da casa iam publicando. Decidi, então, entrar para uma faculdade. A Revista Manchete pagou os quatro anos. Aquela casa foi tudo na minha vida e carreira. Éramos uma família.

Como chegou à televisão?
Num plantão de fim de semana, quase dormindo porque nada de importante acontecia na cidade (bons tempos!), recebi uma ligação. Era da TV Globo, de alguém que queria me conhecer pessoalmente. Um susto terrível, afinal era a tal da platinada. Nunca tinha feito televisão e estava muito bem na Manchete porque já tinha chegado a redator da revista mais importante da casa. Mas convite tem que ser conferido e logo na segunda-feira estava eu lá. A contratação foi imediata. Comecei na apuração, depois pauta, depois chefia de reportagem, depois editor e, por fim, diretor de jornalismo. Foi um grande vôo sem ser aviador ou passageiro.

Agora tem outros sonhos?
Tenho, mas ainda não sei decifrá-los. Melhor deixar ao acaso. Minha estrela funciona assim. Me quero de coração roceiro, simples, um eterno ajudante e aprendiz.

Você já conhecia Montes Claros?
Minha relação com Montes Claros acabou sendo uma sucessão de coincidências. Dois "malucos" (Alberto Graça era um deles) chegaram à redação da TV Globo e queriam que eu conhecesse essa cidade mineira, seu povo suas histórias. Eu disse que não poderia simplesmente desembarcar em Montes Claros, precisava de um convite para tal. Já em férias, em abril ou maio do ano passado, recebi uma ligação do Professor Ruy Muniz. Acabei indo. Foi um dia complicado porque ele tinha recebido a notícia de que assumiria de fato e de direito sua cadeira de vereador, um ano após ser eleito pelo seu povo. Sua cabeça era só festa, sonhos que brotavam a cada ligação que recebia em seus dois celulares. Gente do Brasil inteiro ligando. E de fora também. Fiquei meio sem espaço, mas, como jornalista, soube avaliar a principal notícia do dia. Ruy Muniz era a grande notícia. Pude ver de pertinho o quanto esse homem é vibrante, fácil de apaixonar. Entrei na onda dele tranquilamente e me senti fortalecido e embevecido com sua garra e determinação em direcionar seu amor ao povo de Montes Claros. Ruy e Moc se confundem. Um caso de amor sem limites. E eu, mortal e apaixonado, me rendi a ambos.

Como se sentiu com o convite para ser paraninfo de uma turma de Jornalismo, em Montes Claros?
Tudo nessa vida é uma troca. Um dia recebi uma ligação da Professora Tatiana Murta, que me disse que um grupo de estudantes de jornalismo queria conhecer o Projac. Agendei e aí, chegaram, se não me falha a memória, oito mulheres devidamente equipadas com suas máquinas digitais. Pedi para um menino pegá-las na portaria com aquele carrinho global e mostrar tudo. Estive com elas, em poucos minutos, por três vezes, na minha sala, depois numa passagem pelo restaurante e, por fim, já noite, novamente no restaurante. Estava indo pra casa e elas (meu Deus!) continuaram aprontando no Projac. No dia seguinte, ao chegar ao Projac, procurei saber se tinha alguma "ocorrência" do dia anterior. Ufa! Tudo em paz. Mas nesse rápido encontro, ficou um carinho especial. E do carinho mútuo, me chegou o convite para ser paraninfo. Aceitei e estou pela segunda vez em Montes Claros, uma cidade que sei um pouco de (quase) tudo, de sua comida, de sua gente.


Como você se define como jornalista?

Um louco por notícias. Um viciado por uma apuração correta e ética. Sempre que volto para casa, já tarde da noite, fico imaginando se não estou levando algum "furo" de uma outra emissora. Isso se chama profissionalismo. Outros acham doença (risos!). Não sou simplesmente jornalista de um programa. Sou jornalista da emissora, à disposição 24 horas para qualquer programa, jornalístico ou não.

Como é trabalhar na direção de um programa como Linha Direta?
Parece sufocante, mas não é. No final de cada reportagem ganhamos a amizade de quem sofreu uma grande dor e isso nos dá forças para continuar. Casos inacreditáveis nos chegam diariamente. Mas quando o caso é exibido e o foragido preso, temos a certeza que fizemos nossa parte. Não fazemos papel de polícia ou justiça, fazemos nosso papel de jornalista.

Com toda essa abertura proporcionada pela Internet, você acha que os jornais perderam espaço junto aos leitores?
Não acredito nisso. É só observar que cada vez mais os jornais estão crescendo, aumentando sua tiragem e engordando suas contas. Culturalmente o jornal é importantíssimo porque é o porta-voz de uma determinada região, de um município, do um bairro ou mesmo de uma rua. São pequenas notícias, o dia-a-dia que só interessa a uma faixa da população. Tem uma máxima que diz o seguinte: jornal não é feito para se ler. Ele é feito para se comprar. Parte é verdade. Senão, vejamos: muita gente só gostade esportes, outras de política, outras sobre economia. Tem quem goste das páginas policiais e outros de cultura local. E ainda tem gente que compra e não olha nem o que está na capa. A Internet não é capaz de fazer, ainda, esse trabalho, publicar essas pequenas notícias diariamente. Ela prioriza a notícia globalizada. Mas caminha a passos largos para pegar parte desse bolo que está por aí perdido. Isto é, tem muito jornal do interior que já tem sua página na Internet. Isso é bom, e é mais uma opção para quem gosta de se informar e ficar atualizado. Mas o nosso querido e amado jornal ainda tem força para peitar a Internet.

Amém! (risos)

Qual a importância da formação acadêmica no exercício do jornalismo?
Considerada o quarto poder da sociedade, a imprensa precisa cada vez mais se qualificar e buscar equilíbrio em suas coberturas. Mas uma imprensa qualificada só se faz com bons jornalistas, profissionais preparados, conscientes de sua importância. A exigência do diploma se insere dentro dessa perspectiva de uma imprensa à altura do nosso tempo. Críticos do diploma costumam dizer que o bom jornalista se forma no mercado, nas redações. Sim, o mercado é escola fundamental para o bom preparo profissional, para o aperfeiçoamento da técnica jornalística, mas o mercado, puro e simples, jamais substituirá uma função básica de qualquer boa faculdade: a formação educacional, a discussão sobre a ética de uma profissão e seus limites, o reforço do bom uso da língua portuguesa, o aperfeiçoamento dos conhecimentos sobre nosso país e do mundo, uma maior discussão sobre o que é uma sociedade justa, democrática e o papel que a imprensa deve exercer para construirmos essa realidade. É errado criticar a necessidade de um diploma, tomando como argumento a falta de preparo das faculdades para formar bons profissionais, que boa parte delas se encontra desatualizada e desaparelhada, com carência de bons professores e de equipamentos profissionais mais modernos. Tudo isso é muito bom e é importante, mas a função básica de uma faculdade é incentivar uma discussão em nível superior. Aprender a lidar com um equipamento moderno qualquer estudante medianamente inteligente aprende em poucas semanas de trabalho numa redação. Mas uma redação jamais dará a esse estudante o tempo e a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos e valores sobre a vida, sobre a ética, sobre o respeito ao entrevistado. É na riqueza de uma discussão/formação universitária que se forma a consciência de um bom profissional. Pode-se até discutir como fazer para que alguém que já possua uma graduação possa se formar em jornalismo, cursando apenas algumas disciplinas extras em uma faculdade de comunicação. Mas defender o fim puro e simples da exigência do diploma é não reconhecer o poder, os limites e a responsabilidade social da imprensa.

De um modo geral, como você vê o jornalismo no Brasil hoje?
Vejo com muita preocupação. Vejo um jornalismo tendencioso, engessado, político e, por vezes, sem ética e patronal. Além disso, o mais grave, com notícias mal apuradas, informações atropeladas e sensacionalistas. Vejo, lamentavelmente, um jornalismo que condena sem antes julgar. Seria o mesmo que dizer o seguinte: primeiro você atira e depois pergunta quem é. Quantas injustiças a imprensa vem cometendo, principalmente nos "programetes" de meio de tarde nas nossas televisões. Já viram o nível dos repórteres (?) que entram ao vivo, principalmente com notícias de São Paulo? Nunca vi uma coisa tão horrível e sem ética. Mas como não sou o profeta das desgraças, ainda vejo o grande trabalho social feito pela imprensa. Esse, sim, é que nós dá prazer em ser jornalista. Quando nos sentimos heróis, é que estamos no caminho certo. E como o povo precisa da gente. Cada dia mais.


O que poderia dizer aos novos jornalistas e acadêmicos de comunicação social?
Que sejam jornalistas de verdade. Aprendam a conviver com a notícia – as boas e ruins. A profissão exige sacrifícios. Lembrem-se sempre da ética. A sociedade agradece.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Quem é jornalista?

Li, outro dia, um texto no blog do colega Ricardo Freitas falando sobre o dia da imprensa. O texto revela uma grande angústia, perfeitamente compreensível para nós que conhecemos tão bem o mercado de trabalho para jornalistas em Montes Claros. Posso dizer que conheço bem porque fui editora-adjunta de um jornal impresso e editora-chefe de outro, e coordenadora de jornalismo de uma rádio, além de acompanhar de perto o trabalho de amigos e colegas que atuam nos outros veículos.
Sou graduada e pós-graduada em comunicação e, atualmente, atuo como assessora de imprensa da Gerência Estadual de Saúde de Montes Claros, cargo que, na concepção de muitos colegas, me destitui do título de jornalista. Outro dia, inclusive, um colega jornalista me contou que perguntou a uma outra colega porque não me convidou para o lançamento de uma feira de negócios e a resposta foi “porque o evento era só para jornalistas”.
Se o convite é em troca de uma nota e uma foto do presidente da instituição no jornal, realmente, não foi para isso que me formei jornalista.


E como assessora de imprensa? Sou jornalista até a tampa, até o último fio de cabelo. É graças aos valores éticos que apreendi na minha formação profissional que realizo um trabalho à frente da comunicação da GRS do qual muito me orgulho e pelo qual tenho colhido importantes resultados, como jornalista. Compartilho esse trabalho todos os dias com colegas jornalistas de todo o Estado que sempre conversam comigo de igual para igual.


Até me surpreendi com o comentário de Ricardo, em seu texto, sobre uma autorização da GRS para filmar um material apreendido. É que porteiro não autoriza mesmo e a instituição tem horário de funcionamento. E quando me pediu, via e-mail, mais informações e autorização para as imagens, o material já não estava mais lá. Uma pena. A equipe da TV Geraes é formada por grandes amigos e excelentes profissionais e sempre foi uma grande companheira na difusão de informações, boas ou ruins, sobre um tema que interessa a todos, seja onde for: a saúde. Que, aliás, sempre rende uma boa pauta.
A equipe da TV Geraes tem mesmo uma certa dificuldade de chegar no horário, mas isso o Ricardo deixa bem explicado no texto, quando fala da total falta estrutura. Também concordo com ele quando diz que “o que vemos no ar, não tenham dúvidas, é até hoje resultado do empenho individual de uma turma - cada vez menor - de profissionais que ainda se esforçam pelo compromisso com a notícia, e com o telespectador”.
Que bom que é assim, porque da persistência dessa equipe tem sobressaído o trabalho gigante de Wesley Gonçalves, à frente da produção, e a evidente competência de Raphael Bicalho como repórter. Certamente esses dois ainda farão história.

Acertos e falhas, dificuldades e conquistas, um aspecto positivo dos verdadeiros jornalistas é a ousadia de subir no banquinho da praça, ou da net, e ampliar o debate sobre as vicissitudes da profissão, sem medo dizer o que pensa, respeitando sempre a opinião de seus companheiros e companheiras.
Inclusive, esse é um momento mais que oportuno de fortalecer esse debate, porque com essa história da não exigência do diploma para o exercício do jornalismo, a coisa vai ficar mais complicada. Tomara que as dificuldades não façam nenhum jornalista desistir de sua profissão. Seria imperdoável.



sexta-feira, 3 de abril de 2009

Novo Centro Cultural de Montes Claros

Entidades culturais pedem ao Presidente Lula a
liberação do antigo armazém da rede ferroviária para construir o novo espaço


Representantes de entidades culturais, como Academia Montes-clarense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico, Associação dos Artistas Plásticos, Secretaria Municipal de Cultura, o vereador Athos Mameluque e ainda Banco do Nordeste e regional do Sesc, se reuniram nesta semana, no Centro Cultural Hermes de Paula em Montes Claros, e aprovaram a iniciativa de uma carta para ser entregue ao Presidente Lula nesta segunda-feira, dia seis de abril, por ocasião de sua visita à cidade para a reunião da Sudene.

Na carta, o pedido para que o Presidente da República interceda para que o antigo armazém da Rede Ferroviária Federal seja entregue ao município. De acordo com o presidente da Esurb, Marcos Maia, o imóvel hoje é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que aguarda conclusão do inventário da rede ferroviária.

A intenção é transformar o antigo armazém em um Centro Cultural, com espaço para teatro e galeria de arte. A avaliação arquitetônica e acústica já foi feita, o que, na opinião de Marcos Maia demonstra a viabilidade do uso do imóvel. "Seria um belo presente para a cidade, pois o imóvel tem um significado especial para a história de Montes Claros e para as pessoas que vivem aqui", avalia Marcos Maia.
A estrada de ferro Central do Brasil foi inaugurada na cidade em 1926, e o prédio do antigo armazém foi construído logo em seguida.

A idéia de entregar ao Presidente Lula um pedido de conclusão do processo de devolução/recuperação do imóvel, também é defendida pelo secretário municipal de Cultura, Ildeu Braúna. Para ele, seria mais um espaço cultural para a cidade, que hoje tem poucos. "O prédio do armazém faz parte da memória coletiva da cidade. Ele representa tanto a saída quanto a chegada de riquezas materiais e culturais. O armazém tem para todos nós um significado concreto e ao mesmo tempo simbólico e, portanto, é natural que os artistas e fazedores culturais o queiram como espaço dedicado à cultura", explica Ildeu Braúna.