sábado, 28 de novembro de 2009

O Virna Lise está de volta


Depois de 12 anos, os roqueiros da banda mineira Virna Lisi voltam a se encontrar no palco. Cultuada na década de 1990, o Virna Lise abriu o festival Eletronika na quinta-feira, 05/11, no Espaço 104, Praça da Estação, em Belo Horizonte. Liderada pelo montesclarense Marcelo de Paula (foto), a banda que nasceu em 1989 com um som pós-punk e, ao longo dos anos, incorporou novos elementos da cultura musical brasileira, abriu espaço no cenário nacional, se tornando referência para os músicos e bandas mineiras do gênero que vieram depois.

No show, o Virna apresentou um repertório estilo remember, para matar a saudade dos fãs. “Não há, por ora, nenhuma música inédita. Nesse momento o que importa é que a volta do Virna é pra valer”, comemora Marcelo de Paula.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A comédia popular do Galpão chega a Montes Claros

A apresentação do grupo é uma mostra de que a cidade entrou, definitivamente, para o roteiro dos grandes espetáculos financiados


Nesta quinta-feira, dia 26 de novembro, Montes Claros recebe um dos principais grupos do teatro de rua do país, o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, que apresenta o espetáculo, “Till, a saga de um herói torto”.

O espetáculo será às 20 horas, na Praça da Matriz, que será transformada com a montagem de um palco ao ar livre de dez metros de comprimento por sete de largura, em um cenário que mistura materiais recicláveis e objetos rústicos, carrinhos de mão usados como palcos praticáveis e vassouras usadas pelos garis.

A apresentação do grupo é uma mostra de que Montes Claros entrou, definitivamente, para o roteiro dos grandes espetáculos financiados, que saem em tour pelo interior do país. Os espetáculos dessa natureza apresentados mais recentemente na cidade foram Grupo Corpo, Projeto Museu Vivo, Arthur Moreira Lima e Tianastácia.

Com “Till, a saga de um herói torto”, o Galpão, grupo criado há 25 anos, retoma suas origens de teatro de rua, com acesso gratuito e classificação livre, com uma trajetória de permanente troca com o público. Até os ensaios, realizados na sede do grupo e no Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte, foram abertos ao público, inclusive com acompanhamento de interessados no processo de montagem do novo espetáculo.

De acordo com a assessora de comunicação, Paula Senna, “Till...” foi escolhido a partir da montagem de quatro cenas realizadas em março deste ano e dirigidas por integrantes do grupo. “A montagem foi campeã de preferência nas opiniões enviadas pelas pessoas que assistiram à apresentação das cenas, realizada a partir do texto ‘Till Eulenspiegel’, de Luís Alberto de Abreu. Seu universo marcado pela cultura popular da Idade Média já era também um dos prediletos entre os atores do Galpão por seu caráter eminentemente popular e sua linguagem de teatro narrativo, de grande comunicação com o público”, explica.

A comédia popular está presente de forma muito marcante em vários espetáculos do Galpão, especialmente em “A Comédia da Esposa Muda”, “Um Molière Imaginário” e “Um Trem Chamado Desejo”.

Com direção de Júlio Maciel, texto de Luis Alberto de Abreu, cenário e figurinos de Márcio Medina e direção musical de Ernani Maletta, o espetáculo representa a volta do Grupo Galpão ao teatro de rua e suas formas de representação popular. Para o Grupo, a rua é um espaço importante para a democratização da arte e do teatro. “Ela nos traz desafios de como apresentar o espetáculo para um público amplo e sem restrições de idade, classe social ou formação intelectual. Isso tem reflexos em todos os elementos de criação, como a dramaturgia, a cenografia, os figurinos e a música”, afirma Eduardo Moreira, integrante do Galpão.

Till, a saga de um herói torto


Criado pela cultura popular alemã da Idade Média, Till é o típico anti-herói cheio de artimanhas e dotado de um irresistível charme. Um personagem que tem parentesco com outros tipos de várias culturas, por exemplo, que se assemelha muito ao nosso Macunaíma ou ao ibérico Pedro Malasartes.

A direção musical do espetáculo é assinada por Ernani Maletta, que trabalha com o Grupo desde 1994. A trilha sonora, composta por 12 canções, possui temas variados, marcados por músicas do cineasta e músico sérvio, Emir Kusturica, composições próprias e cantigas de roda.

O universo de TILL está repleto de tipos bufonescos, mendigos, cegos, deficientes do físico e da moral. Para a montagem, o Galpão participou de um workshop sobre “bufões” com o preparador corporal Joaquim Elias, estudioso do assunto.

A assistência de figurino é assinada pelo ator Paulo André e conta com a ajuda dos alunos do Núcleo de Pesquisa em Figurino do Galpão Cine Horto. O material utilizado na confecção dos 31 figurinos é reciclado, a base de tecidos artesanais, de fibras naturais e tingidos à mão. Nos adereços, foram usados materiais rústicos, como panelas, galhos de árvores, ferragens, borracha, entre outros.

Com patrocínio da Petrobrás, “Till...” já foi apresentado mais de 40 vezes em diversas cidades do país. No Norte de Minas, o Galpão se apresenta no dia 24 de novembro, em Januária, e em Montes Claros, no dia 26. O acesso às apresentações é sempre gratuito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

De pires na mão

Depois de dois anos da aprovação, artistas de Montes Claros continuam esperando pelos benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura


Expectativa e frustração. Essa foi a transição de sentimentos experimentada pela maioria dos artistas de Montes Claros que esperavam contar com contribuição da Lei Municipal de Incentivo à Cultura para viabilizar seus projetos.

Aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal, em 13 de novembro de 2007, e sancionada em 07 de dezembro do mesmo ano, pelo então prefeito Athos Avelino Pereira, a Lei Municipal 3.830 criou o Sistema Municipal de Incentivo à Cultura, o Conselho Municipal de Cultura e o Fundo Municipal de Cultura, mas que até hoje não saíram do papel.

“Não entendo porque o edital ainda não saiu. O processo de criação da lei foi todo concluído, foi dada posse ao Conselho e já era para ter sido publicado o primeiro edital, que inclusive foi redigido. O artista fica refém porque a continuidade dos seus projetos depende de incentivo e a lei municipal é resultado de uma de uma antiga reivindicação da categoria exatamente para suprir essa necessidade”, lamenta o bailarino e coreógrafo Paulo Di Tarso.

O secretário de Cultura, Ildeu Braúna diz que há poucos dias discutiu com o prefeito Tadeu Leite a possibilidade de depositar o recurso no Fundo. “Vamos ter que dar posse aos novos conselheiros, porque algumas cadeiras mudam com a mudança de administração, como o presidente e o vice, representados pelo secretário e secretário adjunto de Cultura, bem como as cadeiras ocupadas pelos secretários de outras pastas. Feito isso, o prefeito já concordou em depositar o recurso”, explica o secretário.

Pela lei, o Fundo Municipal de Cultura é constituído por 1,5% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e pode ser ampliado através de doações de outros setores públicos e privados. “A proposta é dar posse aos novos conselheiros no encerramento da II Conferência Municipal de Cultura, que será realizada no dia 29 de novembro. A partir daí, vamos trabalhar para publicar o primeiro edital, o que deverá acontecer no próximo ano”, explica Lipa Xavier, secretário adjunto de Cultura.

Projetos
A lei contempla projetos nas modalidades culturais: artes cênicas (teatro, circo, ópera, mímica e dança), música, artes plásticas, artesanato, cultura popular, patrimônio cultural, literatura (incluindo cordel) cinema, vídeo e artes visuais, fotografia, entre outras.

O recurso anual do Fundo será dividido entre os projetos inscritos e aprovados. Após a publicação do edital, o artista inscreve o projeto e, se aprovado, o recurso é repassado diretamente a ele, dispensando a parte de captação, que normalmente é mais complexa do que a aprovação. “É importante que o edital também inclua oficinas de capacitação para elaboração do projeto, para facilitar o acesso”, observa Paulo Di Tarso.

A artista plástica Márcia Prates (foto) diz que por estar longe dos grandes centros, o artista norte-mineiro, além da carência de incentivo, tem que enfrentar a resistência das empresas da região a esse tipo de investimento. “Meu trabalho é bem aceito fora do país e para realizar exposições recebo ajuda, mas nunca consegui viabilizar um projeto através de lei de incentivo. Consegui uma aprovação pela prefeitura de Belo Horizonte, certa vez, mas não consegui captação. A lei de incentivo de Montes Claros é inédita, porque o recurso vai direto para o artista, sem burocracia, sem a resistência das empresas na hora da captação. Se tivesse esse incentivo, certamente, teria conseguido ir muito além”, avalia Márcia.

Ator com mais 40 anos de carreira, Diógenes Câmara diz que nunca teve um espetáculo financiado. “O artista batalha, mas as empresas não acreditam e o acesso às leis de incentivo fica difícil, porque não há contrapartida. A lei municipal aprovada seria de grande ajuda, principalmente na realização de oficinas para formação de novos atores. Torço para que saia do papel”, ressalta.

Expectativa
Trabalhando na divulgação do seu primeiro CD, a cantora Déborah Rosa (foto) diz que se a lei fosse efetivada, projetos maiores e melhores poderiam ser apresentados ao público, dando mais visibilidade ao artista e ao município. “Quando a administração pública incentiva algo que traz entretenimento, lazer e cultura, agrega valor ao município, dá visibilidade além das margens territoriais e atrai a população para junto do seu contexto político-social. Além disso, as pessoas ficam mais satisfeitas, mobilizadas, se tornando parceiras. Um exemplo é o esporte que tem levado o nome do município muito além das expectativas. A Lei de Incentivo à Cultura pode abrir novos momentos para a cultura da cidade”, analisa a cantora.

Idealizador do projeto que resultou na aprovação da lei, durante sua gestão como secretário municipal de Cultura, o artista plástico João Rodrigues diz que aguarda com ansiedade a publicação do edital. “Além de ser um proponente, pois dependo do incentivo para dar continuidade a alguns projetos, vejo a Lei Municipal de Incentivo à Cultura como uma democratização do acesso, principalmente a projeto menores, de artistas pouco conhecidos. A lei acaba com privilégios e conveniências e valoriza talentos”, avalia.

Sempre às voltas com novos projetos, se preparando para gravar um DVD ao vivo, o guitarrista Warleyson Almeida (foto) diz que tudo que favorece a classe artística, normalmente esquecida, é bem-vindo. “Só espero que os projetos aprovados sejam escolhidos pela qualidade, sem depender da amizade e bom-humor da comissão avaliadora”, desafia.