terça-feira, 12 de agosto de 2008

Adriana Amorim

BAILARINA DE MONTES CLAROS ENTRA PARA A CIA. SP
ADRIANA AMORIM é selecionada entre 815 candidatos na audição para a nova companhia de dança paulista


Jerúsia Arruda



No dia 26 de fevereiro a São Paulo Companhia de Dança (SPCD), nova companhia do estado, promoveu uma audição para selecionar os bailarinos que vão integrar o elenco. Um total de 815 bailarinos de todo Brasil e de outros países participaram da audição, para concorrer às vagas oferecidas pela cia.
Entre os bailarinos selecionados, a mineira de Montes Claros, Adriana Amorim foi um dos destaques.
Aos 25 anos, nove deles vividos em Ribeirão Preto, Adriana se prepara para uma nova fase em sua carreira.
- No último domingo ela fez sua última apresentação com a companhia de dança Renata Celidônio, em Ribeirao Preto, onde foi surpreendida com uma homenagem dos amigos e colegas. Na segunda-feira, se mudou para São Paulo e se prepara para integrar à Cia – conta a mãe, Rita de Cássia Amorim.

TRAJETÓRIA
Adriana iniciou na dança ainda menina, com a professora e bailarina Adriana Camargo, em Montes Claros. Rita de Cássia conta que desde cedo Adriana se interessou pelas aulas e foi se entusiasmando, até decidir que essa seria a profissão que queria seguir.
- A dança sempre esteve presente em sua vida. A princípio pensamos que fosse entusiasmo de adolescente, mas com o tempo ela foi se envolvendo de tal forma que decidimos dar todo apoio. Ainda adolescente se mudou para Belo Horizonte e depois para ribeirão Preto, onde continuou os estudos – conta Rita de Cássia.
De origem humilde, desde sua chegada em Ribeirão Preto, em 1999, Adriana teve que persistir para conseguir se manter na escola de dança Renata Celidônio, onde conseguiu uma bolsa de estudos. Nesse período, também participou da Riscas Cia. de Dança, do coreógrafo Edinho. O talento e a persistência ajudaram na consquista de uma vaga na Companhia Sesi/Minas, de Belo Horizonte, especializada em balé clássico e neo-clássico. Em seguida, foi trabalhar como dançarina a bordo de um navio. Por um ano, conheceu vários países da Ásia e, no cruzeiro, dançava jazz, dança de salão e samba.
Logo se mudou para a Alemanha, onde participou do espetáculo Viva Brasil num parque chamado Tropical Island, que fica perto de Berlim e por meio de tecnologia mantém a temperatura de países tropicais. Durante esse período, o balé ficou de lado porque não tinha tempo para estudar.
De volta ao Brasil, seis anos depois, em 2005, Adriana se apresentou no festival Dança Ribeirão e se reintegrou à escola de dança Renata Celidônio, agora transformada em uma organização não-governamental, a Finac, que garantiu aulas gratuitas a Adriana graças a patrocínios. O longo tempo longe do balé e as mudanças no corpo exigiram ainda mais dedicação e muitas dores para ficar pronta para voltar ao palcos com o balé clássico.

LONGE DE CASA
Rita de Cássia diz que mesmo sentindo muitas saudades da filha, sabe que é preciso dar apoio e buscar recursos para que a filha relize seus sonho.
- Quando ficou sabendo da audição da SPCD, Adriana nos ligou, disse que queria muito tentar. Fizemos um esforço, mandamos o dinheiro e ela se inscreveu. Logo que terminou a primeira etapa, ela nos ligou na maior alegria e disse que tinhas sido classificada para a segunda etapa. Aí, foi uma das selecionadas e agora já está em Sao Paulo, preparando documentação e fazendo os exames para se integrar efetivamente na nova cia. Ela está muito feliz, e nós também. Valeu a pena todo o esforço que ela fez. E mesmo com todas as dificuldades, a distância da família e dos amigos de sua terra natal, fico feliz que ela não tenha desistido dos sonhos – comemora Cassia, que também é mãe de Andrea Murta e Felipe.
Agora, pronta para integrar a SPCD, Adriana se prepara para uma nova fase de sua carreira. Além de ser mais uma companhia nacional, a oferece um salário inicial para Bailarino I tem de R$ 4.500; bailarino II, de R$ 6.000; bailarino III ou solista, R$ 8.000, e estagiário, R$ 1.000. Porém, todos os selecionados para bailarinos começam ganhando R$ 4.500, os solistas serão escolhidos depois que os trabalhos começarem, em abril.

sábado, 2 de agosto de 2008

Madame Saatan

Música para todos
Estilos e múltiplas linguagens compartilham público e espaço

Jerúsia Arruda


Quando o assunto é música, Montes Claros, sem dúvida, é surpreendente. Graças aos incontáveis nomes famosos e anônimos que atestam a virtuosidade musical dessa cidade centenária que tem, entre tantos epítetos, o decantado título de cidade da arte e da cultura, é possível percorrer por vários estilos musicais em uma mesma noite, sem que seja necessário atravessar mais de dois quarteirões.
Assim foi na noite de quinta-feira, 14 de agosto.
Enquanto o som lúdico e inebriante dos tambores dos congadeiros ecoava nos arredores da Igrejinha do Rosário, bem perto, na antiga usina, hoje Casa da Juventude, o rock pesado rolava solto, arrebatando corações e mentes desavisados que por ali passavam e acabavam entrando para aliviar a curiosidade.
No palco, jovens sacudiam suas longas madeixas e empunhavam suas guitarras enquanto cantavam, em vozes roucas, letras ininteligíveis, mas de melodia contagiante, levando a platéia ao delírio, literalmente.
No afã, latinhas de refrigerantes voavam sobre as cabeças enquanto um pequeno grupo dominava a pista, bem ao pé do palco, com empurrões, encontrões e movimentos que se pareciam com tudo, menos com dança.
Segundo os organizadores, a iniciativa vem sendo planejada há mais de um ano e visa a reestruturação da música independente e autoral local.
O movimento, chamado de Coletivo, é promovido por organizações não governamentais que visam o desenvolvimento e suporte para os músicos autorais e independentes de todo Brasil. Estima-se que na atualidade existam cerca de 40 coletivos em todo país, sendo apenas dois em Minas Gerais; um em Uberlândia e outro em Sabará. Em Montes Claros, é chamado de Coletivo Retomada e realizado numa parceria da produtora Stereo, Souza de Paula – Comunicação Cultural, Coordenadoria da Juventude, Prefeitura de Montes Claros, Citódio Rock e a loja Red Street, e do Circuito Fora do Eixo e Espaço Cubo, do Mato Grosso.

O show

O primeiro a subir ao palco foi o grupo Furo, dando seus primeiros passos em Montes Claros. Mais experiente, mas ainda na fase performática, a banda Vomer, também de Montes Claros, apresentou um repertório basicamente autoral e fez a adrenalina subir às alturas.
No encerramento, com imagens do Círio de Nazaré e recomendação de Zé do Caixão, no telão, o público foi surpreendido com a apresentação, ao vivo, do quarteto metal paraense Madame Saatan, liderado pela vocalista Sammliz. Referência nacional no estilo, o grupo mistura heavy metal com diversos ritmos populares brasileiros, numa leitura instigante da música pesada, mas com a suavidade ritual da vocalista que não nega suas origens musicais.
No backstage, um fusion de profissionais e fãs que por mais atentos que estivessem não se continham e, de vez quando, para não dizer quase o tempo todo, sacudiam a cabeleira a cada rasante das guitarras, incontinenti. Na platéia, figurinhas carimbadas do rock de garage. Um espetáculo de músicos para músicos.

Festas de Agosto

Se na Casa da Juventude o heavy metal é quem dá o tom, bem próximo dali, na avenida Coronel Prates, a harmonia é bem diferente. A guitarra jazzística de Jobert Narciso se conecta a centenas de espectadores que apreciam a música instrumental. Acompanhado de Cláudio Mineiro (percussão), Xandão (baixo) Fred (piano) e André (bateria), Bob volta a sua terra natal depois de anos vivendo em Floripa, como sói, tocando como nunca sua Gibson.
Em seguida, a avenida se contagia com o som da viola caipira de Rodrigo Azevedo, que apresenta um show curto e certeiro, assegurando que a noite deve ficar mesmo por conta da música caipira. Daí em diante, reina absoluto, Pereira da Viola.
Esse foi o primeiro dia do Festival Folclórico e o segundo das Festas de Agosto que, como festa da integração social, também integra todos os elementos musicais, ainda que em espaços diferentes.
Assim é Montes Claros. Surpreendente.

Alexandre Zuba

ARTE À FLOR DA PELE
Em exposição inusitada, o artista Alexandre Zuba mostra sua versatilidade e trânsito livre entre as muitas vertentes da arte

Jerúsia Arruda


Ele desenha charges e cartuns, coleciona discos de vinil, trabalha como arquivista em uma agência bancária, faz faculdade de Direito, é designer, artista plástico, mas sua grande paixão é mesmo a música. Para completar sua coleção de talentos Alexandre Zuba Nunes, o Tatu, apresenta, neste fim de semana, sua mais nova criação, I-co-for-m-a-ção, uma mostra de telas, desenhos, esculturas e música ao vivo, que ele chama de exposição de idéias, onde revela seus questionamentos, inquietação, sensibilidade, capacidade criativa e percepção artística. A exposição acontece no Vinicius Cultura e Bar, novo espaço cultural de Montes Claros.
Multi-instrumentista, com uma afinidade maior com a percussão, Alexandre Zuba diz que essa paixão vem de longa data.
- Desde pequeno gosto de música. Curioso é que em minha família ninguém toca ou canta. Acredito que a inspiração venha do convívio com amigos e da curiosidade que me deixa inquieto – diz Alexandre que toca desde os 16 anos.
Amante da música regional norte-mineira, apesar de nunca ter freqüentado um curso de música, Alexandre toca violão, flauta e percussão.
- Comecei meio sem compromisso, em um bar de Montes Claros, até descobrir que levava jeito. Aí, a dupla Carlos Maia e Charles Boavista me convidou para participar de seus shows como percussionista e foi a primeira vez que pude vivenciar a música como profissão, viajando e sendo pago para tocar – conta.
Ao lado dos músicos Lalá Bastos (percussão e vocal), Edu Lemos (percussão, violão e vocal) e Barata (baixo e back vocal), Alexandre montou a banda Ladu-zú, cujo nome foi formado por sílabas de seu nome, de Edu e Lalá. Em seguida, Flávio (gaita e flauta transversa) se integrou ao grupo. Com um som experimental, mais percussivo, sedimentado na música regional, a Ladu-zú ganhou a atenção do público pela combinação rítmica, inspirada na música regional com forte influência dos outros sons, de outros estilos.
Fã de Alceu Valença, Alexandre diz se inspirar no artista para compor suas canções e seu grande sonho continua sendo viver da arte, produzir uma música mais livre, sem estereótipos, que não se preocupe em atender às exigências do mercado capitalista, mas à inspiração e ao prazer de tocar.

- Faço faculdade, que mesmo não sendo de música me dá maturidade e respaldo para encarar o mercado de trabalho. Estou sempre envolvido com arte para transitar melhor nesse universo. Também escrevo poesias e fico o tempo todo em contato com a música. – completa o músico.
Inovando o estilo, cada vez mais inventivo, neste sábado, o jovem artista expõe seu trabalho como artista plástico com a mostra I-co-for-m-a-ção, pontuada por intervenções musicais, ao lado dos músicos Cézar Negão, Bêu, Timbó, Erlane, Gladson Braga, Daniel Novaes, Deborah Rosa, Edu Lemos, entre outros; e intervenções cênicas, com interpretação de textos do poeta Vinicius de Moraes pela atriz Ana Flávia Amaral.
Toda a programação acontece a partir das 19h30 e é gratuita.