sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Festival Blues do Nordeste

 Nove bandas do gênero se apresentam em Fortaleza durante o mês de março

O Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro - fone: (85) 3464.3108) realizará o Festival Blues do Nordeste, no decorrer do mês de março.

No Festival, vão se apresentar nove bandas (com cada uma fazendo dois shows), a saber: Blues Label e Puro Malte (dias 2 e 3), De Blues em Quando (dia 4), Kazane Blues e Felipe Cazaux (dias 9 e 10), Água Ardente Blues e Allyson dos Anjos (dias 16 e 17), Marcelo Justa e Artur Menezes (dias 23 e 24). Os shows acontecem sempre às 13 horas e às 18 horas.

Confira a programação do evento e as sinopses sobre cada uma das nove bandas:

Blues Label
Dias 2, quarta-feira, às 13 horas, e 3, quinta-feira, às 18 horas

A banda tem um trabalho de pesquisa sobre o Blues, o que permite a excelência nas várias vertentes do estilo. Realizando além dos merecidos tributos a grandes mestres, tem desenvolvido um trabalho autoral, onde aliam inovação e tradição, abrindo-se para novas linguagens musicais, através das influências plurais de cada integrante.


Puro Malte
Dias 2, quarta-feira, às 18 horas, e 3, quinta-feira, às 13 horas

Como um bom uísque, a Puro Malte visa o deleite e a satisfação de que tiver a oportunidade de assistir a seus shows, unindo doses generosas do bom e velho blues, curtido no vácuo de válvulas, com a energia e a virilidade do rock'n'roll, seja em interpretações de clássicos, seja em composições próprias, que adicionam um tempero cearense nessa mistura contagiante.

De Blues em Quando
Dia 4, sexta-feira, às 13 horas e às 18 horas

Simplicidade e autenticidade. Esta é a tônica de um trabalho autoral, em português, que torna o gênero acessível a todos, explorando a sensibilidade e paixão, além de clássicos que fizeram do blues um estilo mundialmente conhecido.




Kazane Blues
Dias 9, quarta-feira, às 13 horas, e 10, quinta-feira, às 18 horas

Com a proposta de lançamento do EP "Ao vivo no Cariri", o grupo Kazane Blues vem com um formato blues-rock para o Festival Blues do Nordeste. O gênero está sendo redescoberto pela juventude fortalezense.


Felipe Kazaux
Dias 9, quarta-feira, às 18 horas, e 10, quinta-feira, às 13 horas

Melódico, preciso e agressivo: essas são as melhores palavras para definir o som composto pelo jovem cantor e guitarrista paulista - um dos principais expoentes do cenário da música autoral cearense. O primeiro álbum solo de sua carreira, intitulado "Help the dog!" (2007) atraiu críticas sofisticadas por parte da mídia. Atualmente está em processo de lançamento do segundo disco - "Good days have come".

Água Ardente Blues
Dias 16, quarta-feira, às 13 horas, e 17, quinta-feira, às 18 horas

Nas apresentações, o público vibra e aplaude, e percebe o entrosamento da banda, num espetáculo que recria uma atmosfera de alegria e entusiasmo. A Água Ardente Blues tem como influências Muddy Waters, Raul Seixas, Bessie Smith, Janis Joplin e até mesmo nuances jurássicas do rock'n'roll, como Chuck Berry e James Brown.

Allyson dos Anjos
Dias 16, quarta-feira, às 18 horas, e 17, quinta-feira, às 13 horas

Guitarrista e vocalista com diversas influências que partem do Blues Rural, e passeiam pelo jazz, country, boogie woogie e rock'n'roll. Nos shows, clássicos do blues e do jazz como: Freddie King, Billie Holiday, John Lee Hooker, Ella Fitzgerald, Muddy Waters, Chuck Berry, Elvis Presley e Jimi Hendrix. Sonoridade crua inspirada nos bluesmen do delta do rio Mississipi (EUA), além de composições autorais e muito improviso.

Marcelo Justa
Dias 23, quarta-feira, às 13 horas, e 24, quinta-feira, às 18 horas.

O guitarrista cearense Marcelo Justa iniciou seus estudos de música com formação clássica, mas tendo como principais influências o jazz e o blues. Desenvolveu um trabalho autoral, mudando-se no final dos anos 1980 para o Rio de Janeiro, onde residiu por cinco anos divulgando a sua música. De volta a Fortaleza, Marcelo Justa passou a atuar profissionalmente em 1992, trabalhando em várias casas noturnas da cidade e participando de vários projetos e eventos.

Artur Menezes
Dias 23, quarta-feira, às 18 horas, e 24, quinta-feira, às 13 horas

Suas influências vão de Jimi Hendrix ao rei do baião Luiz Gonzaga, passando por Albert Collins, Albert King, B. B. King, Stevie Ray Vaughan, Buddy Guy, James Brown e Johnny Winter. Atualmente em São Paulo, após duas temporadas em Chicago, nos EUA. Tocou com músicos internacionais como: John Primer, Charlie Love and The Silky Smooth Band, Linsey Alexander, Phil Guy, Brother John, Jimmi Burns e Big Ray, entre outros.

No dia 11 de fevereiro (sexta-feira), a partir das 12 horas, o CCBN-Fortaleza apresentará shows históricos em DVD, com nomes mundialmente consagrados do Blues, como Eric Clapton, B. B. King, Johnny Winter, Gary Moore, Rory Gallagher e Muddy Walter, entre outros.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Lourinho

Segunda chance:
Décadas depois, artista norte-mineiro revive o sonho de cantar e ser um ídolo ao estilo da Jovem Guarda

Já dizia o poeta que os sonhos não envelhecem. Para Lourinho, artista norte-mineiro que iniciou recentemente sua carreira de cantor, a afirmação é uma máxima. Afinal, mais de quatro décadas depois, o menino de Angico, zona rural de Brasília de Minas, município situado a 104 km de Montes Claros e 459 de Belo Horizonte, vê se realizar o sonho alimentado a canções da Jovem Guarda, numa época em que o estilo era unanimidade.

Mas a porta para a arte de cantar não se abriu por acaso para Lourinho. Ao contrário. Durante a adolescência, durante as idas e vindas no trajeto Angico-Brasília de Minas-Angico, Lourinho já se imaginava nos palcos, quem sabe ao lado do rei Roberto Carlos, cantando com suas grossas correntes prateadas no pescoço e calças boca-de-sino.

Foi embalado por esses devaneios, quase realidade de tanto que se repetiam em seu imaginário, que Lourinho se mudou para São Paulo. E foi lá que conheceu mais de perto a realidade do show business tupiniquim. "Cantar é um sonho de menino. Quando assisti pela primeira vez o Show do Gongo, programa de calouros do SBT, tive certeza que um dia também estaria ali naquele palco", conta.

Foi com essa certeza que Lourinho se inscreveu para o show e foi chamado. A apresentação seria no início de janeiro. Como era fim de ano, Lourinho resolveu visitar a família e a namorada em Brasília de Minas e voltaria a tempo para o show. Mas ao chegar a Belo horizonte não conseguiu passagem nem para seguir viagem nem para voltar a São Paulo. Acabou desistindo do programa e, na primeira oportunidade voltou para Brasília de Minas, deixando para trás o sonho de ser cantor.

Em Brasília de Minas, Lourinho constituiu família e jura que nunca mais pensou em cantar. "Mas queria que meus filhos, Warleyson e Wanderson, seguissem a carreira artística. Meu sonho é que formassem uma dupla sertaneja. Até o cabelo dos meninos eram cortados à moda Chitãozinho e Xororó. Matriculei os dois no conservatório e tentei transmitir para eles todo o amor eu que tinha pela música", relembra.

Hoje Warleyson e Wanderson são músicos, mas longe de serem uma dupla sertaneja. Warleyson é guitarrista com influências do heavy metal, e Wanderson toca piano e acordeon. Ambos, com virtuose e maestria invejáveis.

REDESCOBRINDO A MÚSICA
Nos preparativos para as comemorações dos seus 50 anos, Lourinho, por proposta e incentivo dos filhos, grava um CD com as canções que embalaram seus sonhos pueris, com o qual presentearia os convidados na festa. A idéia emplacou de tal forma que os garotos resolveram fazer uma apresentação ao vivo das canções gravadas, claro, interpretadas pelo pai.

Festa programada, convidados selecionados, disco gravado, show ensaiado, Lourinho sobe ao palco e canta as canções de Roberto e Erasmo. O resultado não poderia ser outro: a brasa da paixão é requentada e os sonhos refrescados na memória daquele que por milhares de vezes já havia subido ao palco, cantado e arrebatado os corações, na imaginação. "Nada para mim parecia novidade naquele palco. Só a emoção é que me desconcertava. Durante as gravações do CD não conseguia cantar direito, só chorava. Mas a emoção do palco foi mais arrebatadora e me encontrei no mundo que sonhara para mim, fazendo o trabalho que sempre quis fazer. Finalmente me vi o artista que sempre quis ser", descreve.

Quatro anos depois, Lourinho diz que continua revivendo a mesma emoção experimentada na festa de seus 50 anos. "Depois da festa, as pessoas me pediam para voltar a cantar, tive várias propostas para me apresentar em bailes, confraternizações e festas temáticas. Então, com apoio dos meus filhos, tomei coragem. Selecionamos algumas músicas com as quais tinha mais identificação, reunimos um grupo de músicos e começamos os ensaios. Desde então, nunca faltaram shows na agenda. Divido o tempo entre os shows e meu trabalho como vendedor. E garanto, estou muito feliz", comemora, reafirmando que o poeta tinha razão quando disse que os sonhos não envelhecem.
Agora Lourinho se prepara para gravar o primeiro DVD ao vivo e lançar o segundo CD, que já está pronto. "Esse ano será de agenda cheia", prediz o cantor, que agora sonha em comprar um helicóptero.
Um show à moda da Jovem Guarda

Fogos de artifício anunciam a chegada de um artista pouco comum. De repente, no meio da platéia, surge um conversível branco, lustrado, brilhante, chamando a atenção dos mais desavisados: Lourinho chegou, é hora do show.

No mise en scene, eis que então sai do carro, entre sorrisos e acenos, um Lourinho caracterizado, reluzente com suas correntes, cinto e sapatos brilhantes. O cabelo impecável, o olhar gentil e os trejeitos alimentados durante décadas e agora extravasados. Quem nunca viu e quem vê pela enésima vez não têm dúvida de que ali está uma pessoa vivendo um momento de realização plena.

Mas se engana quem imagina que toda a pompa e circunstância é exibicionismo. Na verdade é apenas um sonho sendo realizado à moda de quando foi idealizado. Isso é motivo de admiração, já que o artista de hoje vive pulando de hit em hit até encontrar um estilo que se pareça com o que gostaria de fazer. Com lourinho não há dúvida. "Queria ser um cantor da Jovem Guarda quando era adolescente. Hoje sou como um cantor da Jovem Guarda. Melhor, porque sou saudável, sóbrio e com controle dos meus impulsos. Sem os vícios, feridas ou marcas deixados na maioria dos personagens da época", observa.

Fora do palco, Lourinho é um homem simples e nobre, na verdade, um gentleman. Digno e merecedor de viver realmente seu sonho, que, segundo ele, se renova e se desdobra, a cada dia, em novos sonhos.

No limiar da selvageria

Jerusia Arruda

O que é uma sociedade civilizada? Na teoria de Thomas Hobbes, é uma sociedade onde as pessoas têm direito a todos os bens que garantam seu sustento. Quanto às ideias de Jean-Jacques Rousseau, além do sustento, as pessoas da sociedade civilizada devem estar associadas, através de um contrato social, a um corpo político, o Estado, de forma a garantir a proteção e a preservação individual.

Se olharmos a sociedade em que vivemos atualmente pela ótica dos dois filósofos, poderíamos dizer que esta até é civilizada, mas no limiar da selvageria.

Não é preciso muito esforço para atestar a falta de respeito das pessoas e do Estado não só ao bem comum e público, mas, principalmente, à vida.

Milhares de exemplos poderiam ser usados para atestar essa triste verdade, mas basta dar uma volta pelas ruas da cidade, qualquer cidade, grande ou pequena, no interior ou nas capitais, para ver como a banalização da vida se tornou rotina e, pior, como as pessoas se acostumaram com a situação como se fosse algo normal.

Cidadão e governantes renovam dia a dia a cartilha do atraso e do ilícito, onde a regra é o enriquecimento pessoal, sem culpa, mesmo a despeito do sacrifício do pão e do lugar ao sol, mínimo a que todos têm direito.

A avaliação parece um tanto sombria e pessimista, mas é difícil manter a alegria da alma diante de tantas barbáries cometidas legalmente diante de nossos olhos. E nem é preciso fazer referência às espadas e microondas a serviço do tráfico nos morros cariocas. Basta ler os jornais ou assistir aos noticiários para ver autoridades violentando pessoas com deficiência por tentar fazer valer seus direitos; pessoas saqueando donativos que deveriam ser entregues às vítimas das chuvas; governo reservando milhões para publicidade e trocados para o orçamento da Defesa Civil ou cortando gastos de primeira necessidade para custear salários milionários de parlamentares.

A ideia defendida pelos filósofos de garantir o sustento e a proteção ao cidadão está cada vez mais remota e onde quer que se vá, é possível encontrar crianças, homens e mulheres que vivem à mercê, nas ruas, sem nada.

O pior é que ninguém se atreve a mudar a regra desse jogo que já se tornou um círculo vicioso.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Funorte e Atlético

Nos bastidores da torcida

No meio da torcida que aguardava ansiosa pelo confronto entre e Funorte e Atlético Mineiro, no último domingo, em Montes Claros, foi possível perceber o que se pode esperar de uma partida de futebol.

É claro que o recorte é reduzido, já que estamos falando de um ângulo atrás da trave, num jogo no estádio José Maria Melo, uma pequena arena montada a duras penas especialmente para sediar o jogo e não deixar morrer o sonho ufanista de ver o time da cidade enfrentar as estrelas da elite do futebol mundial. Afinal, a partida seria pelo Campeonato Mineiro e o adversário da equipe montes-clarense, nada mais nada menos que o atual campeão do torneio.

Tudo pronto para o espetáculo: arena montada, imprensa a postos, torcida reunida. Falando em torcida, esta merece um aparte. No espaço teoricamente reservado a autoridades, estavam torcedores vindos de Belo Horizonte, cidade-sede do Atlético e que, por graça e obra de amigos ali estavam. Alguns falando alto e ofensivamente ao celular que o jogo que estava prestes a começar era caso de rir. Primeiro porque estavam num lugar privilegiado para o qual só faltaram terem sido pagos para entrar – o que é de duvidar, já que os ingressos estavam sendo disputados a qualquer preço. Depois, pelo estádio que, segundo o interlocutor, era de dar dó – nisso talvez tenha razão, já que só foi possível realizar o jogo no local com muito empenho de todos, menos da prefeitura que teoricamente teria que oferecer um estádio à altura do espetáculo que ora se iniciava. E por último, pela equipe do Funorte que, diziam, não tinha a menor idéia de com quem estava jogando.

Mas bastaram 29 minutos de jogo e o Funorte marcar o primeiro gol para os discursos mudarem. Mais silêncio, menos zombaria, mais respeito pelo time da casa que cortou os dois tempos do jogo glorioso, altaneiro. Mesmo depois de o Atlético marcar dois gols, talvez por causa do esforço da equipe para conseguir o intento, naquele espaço continuava a reinar respeito pelo time da casa.

O Funorte perdeu a partida, mas honrou a cidade e as pessoas que ali representava. A torcida se apertou, se esticou, mas ficou até o fim para testemunhar o fato de que com esforço e desprendimento é possível manter o time da cidade na elite do futebol mineiro. E olha que o Atlético trouxe suas maiores estrelas para enfrentar o Formigão que é o time mais novo do torneio e jogava pela primeira vez pela primeira divisão do Campeonato Mineiro. O que se pensava é que o Atlético viria com um time reserva para enfrentar o estreante. Mas, qual o que, o Galo não só trouxe suas principais estrelas como precisou de pressão da equipe técnica e empurrãozinho do juiz para manter a diferença de um gol sobre a equipe de Montes Claros.

Arroubos e tendências à parte, ficam registrados o aplauso bairrista para Zoi, o quarto árbitro da partida; o irresistível grito de gol na hora em que o Atlético igualou e, depois, avançou no placar, mesmo pelos mais aficionados ao Formigão – afinal, era o Galo, o time cuja torcida é a mais apaixonada do Brasil; e iniciativa do casal Ruy-Raquel, que não tem medo de fazer história.