quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e de Montes Claros

Guardiões da memória

Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros renova Diretoria e Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais recebe novo sócio. Juntos, os institutos trabalham para preservar a história e a cultura mineiras.


Montes Claros encerra 2009 com um reforço a mais na proteção de sua memória. Na noite de segunda-feira, 28/12, tomou posse como sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) o escritor e historiador Petrônio Braz, que se junta aos escritores Wanderlino Arruda e Dário Teixeira Cotrim para representar o Norte de Minas no Instituto.

A solenidade de posse aconteceu no Elos Clube de Montes Claros, ocasião em que também foi empossada a nova diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.

Regina Almeida, dona da cadeira número 95 do IHGMG, em discurso lido pela governadora do Rotary Internacional, Maria Inês Silveira, explica que o convite para que Petrônio Braz se integrasse ao Instituto veio embalado pelo romance Serrano de Pilão Arcado, escrito entre 1982 e 2005, onde o escritor, ao contar a saga de Antonio Dó, retrata a história e geografia norte mineira tendo como cenário principal o município de São Francisco.


“Sem conhecer o passado não é possível projetar o futuro e é essa nossa missão enquanto historiadores: pesquisar e contar a história daqueles que construíram a história para que possamos entender nossas origens e nossa cultura”, disse Petrônio em seu discurso de posse.

Fundado há 103 anos por João Pinheiro, o IHGMG, a princípio, teve como principal função resgatar a história da inconfidência mineira e elevar o nome de Tiradentes, então considerado como vilão da história, como aquele que iniciou o movimento pela independência do Brasil.

Aos objetivos iniciais do Instituto, somou-se a função de preservar a cultura mineira e estimular os estudos da geografia, história e demais ciências sociais, mantidos até a atualidade.

Ao ser empossado como membro do Instituto, Petrônio Braz recebeu o diploma das mãos da historiadora Marta Verônica Vasconcelos Leite e a medalha Israel Pinheiro de sua esposa e do confrade Dário Cotrim.

Posse do IHGMC
O segundo momento da noite foi marcado pela posse da nova diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, quando o então presidente Wanderlino Arruda passou o bastão para Dário Cotrim, que assume a cadeira para um mandato de dois anos.

O IHGMC possui 92 cadeiras, estando oito vagas. “Guardamos oito cadeiras porque temos muitas pessoas que poderiam fazer parte do Instituto. O Norte de Minas tem grandes talentos e definir quem seriam os integrantes do Instituto foi uma escolha difícil”, observa Wanderlino.


Dário Cotrim possui 16 livros publicados e 26 prontos para publicar. O escritor baiano radicado há décadas em Montes Claros diz que a intenção é que mais quatro livros sejam publicados durante o período em que estiver à frente do IHGMC.

Ao dar posse ao novo presidente, Ivone de Oliveira Silveira, membro efetivo IHGMC e presidente da Academia Montesclarense de Letras, disse que o trabalho do Instituto é fundamental para preservar a história da cidade através da palavra escrita. “Tenho certeza que com o trabalho do Instituto a memória de Montes Claros está resguardada”, concluiu.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Baleteatro desafia fronteiras regionais

Em nove anos, o grupo Ditarso conseguiu manter uma agenda fixa de espetáculos graças à aprovação em diversos editais de leis de incentivo à cultura


Já dizia Raul Seixas, na música Prelúdio (1974), que “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Talvez esta frase retrate bem a história do Grupo Ditarso, companhia de dança criada pelo bailarino e coreógrafo Paulo di Tarso numa época em que o universo da dança no Norte de Minas ainda era bem incipiente, e que, nos últimos anos, vem ampliando fronteiras, alcançando outros públicos, atraindo a atenção de grandes companhias de danças Brasil afora.

Fundado em Montes Claros em 2001, o Ditarso nasceu de um projeto-sonho, que reuniu jovens ainda inexperientes, mas talentosos, que somaram seus sonhos aos de seu mentor. “Desde o início, o objetivo era a construção de um grupo profissional que permitisse a todos o exercício de sua arte com dignidade”, conta di Tarso.

Passados nove anos, o grupo já vivenciou experiências como poucas companhias de dança do país. O impulso veio com o espetáculo Pedro e o Lobo, que ganhou as estradas nortemineiras levando o baleteatro às escolas públicas e praças com incentivo da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Governo de Minas Gerais, Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, e pelo programa BNB de Cultura.

O espetáculo que estreou em 2001, foi visto por milhares de crianças da rede pública de Montes Claros, durante uma temporada de dois anos, quando foi apresentado gratuitamente no centro cultural Hermes de Paula e, depois, em escolas públicas de cidades da região.

Durante esse tempo, na sala de ensaio, os bailarinos se desdobravam em improvisações e pesquisas, gerando material para o seu próximo passo: Três dias antes, três dias depois - primeira peça de dança contemporânea da companhia e que também foi contemplado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, circulando por cidades como São João Del Rey, Varginha, Viçosa e Uberaba. O espetáculo, que estreou em agosto de 2003, é uma colagem de fragmentos criados pelos bailarinos e organizados por Paulo na construção e desconstrução de espaços, revelando universos pessoais e suas interseções.

Arte para todos

Mas Pedro e o Lobo era o espetáculo que abriria novos horizontes para o grupo. Ao apresentar o espetáculo em praça pública em Pedras de Maria da Cruz, no extremo norte de Minas, em 2004, di Tarso conta que o grupo se entusiasmou com o impacto causado nas crianças e decidiu levar o espetáculo para outras cidades da região. “Foi assim que nasceu o Projeto Pedro e o Lobo. A proposta foi realizar as apresentações em espaço público, gratuitamente, de forma que todos pudessem ter acesso", relembra Paulo.

Homônimo do clássico infantil russo, segundo Paulo di Tarso, na versão para a dança criada pelo grupo, foram observados os valores necessários a uma infância culturalmente rica e o estímulo a uma fantasia saudável. “Historicamente, a arte erudita esteve confinada a espaços destinados às elites, não apenas em termos de sua apropriação concreta, mas, sobretudo, em termos de sua apropriação simbólica. Pedro e o Lobo foge desse estereótipo, primeiro, por propor a gratuidade das apresentações assegurando o acesso mesmo que haja impedimento financeiro. Segundo, por acontecer em praças públicas cujo acesso é irrestrito, sem barreiras físicas ou culturais. Terceiro, por se adequar aos costumes das localidades ao eleger as noites de domingo como momento privilegiado para reunir a comunidade em torno do espetáculo”, explica.

Parcerias

Desde sua criação, o grupo vem conseguindo que seus espetáculos sejam aprovados por leis de incentivo. “Para alcançar esse resultado é preciso muito profissionalismo, muito curso de gestão cultural. Os bailarinos que integram o grupo têm salário fixo, cumprem uma jornada diária e todas as responsabilidades profissionais de um contrato de trabalho”, observa Paulo.

No ano passado, Ditarso viajou com Pedro e Lobo pelo interior de Minas através do Programa Cena Minas, com 18 apresentações gratuitas em escolas estaduais, além das apresentações gratuitas em praças públicas, viabilizadas pelo Programa BNB de Cultura e aporte financeiro do Café Letícia.

Neste ano, o grupo foi novamente contemplado pelo BNB de Cultura e Fundo Estadual de Cultura que vão subsidiar o espetáculo infantil Era uma vez na floresta, que versa sobre as lendas folclóricas das barrancas do rio São Francisco, especialmente de Januária. “Com esse espetáculo vamos iniciar um circuito de dança no interior de Minas, trazendo grupos de outras regiões para se apresentar em Montes Claros e no Norte de Minas. Temos uma boa integração com outras companhias e queremos manter um diálogo cultural, compartilhar a riqueza de nossa região da mesma forma que temos sido recebidos em outras cidades”, analisa Paulo di Tarso.

O bailarino Fabiano Santos, que integra o grupo desde sua criação, diz que o desafio é diário, mas a recompensa vem a cada apresentação. “Temos trabalhado com muita seriedade e me sinto mais preparado a cada espetáculo e com os cursos que fazemos constantemente. O Ditarso é uma realização pessoal”, ressalta.

Em fase de estruturação do espetáculo Era uma vez na floresta, Paulo di Tarso diz que é preciso muito trabalho para encarar a jornada que o grupo tem pela frente. “Vamos varrer o Estado inteiro e para isso precisamos estar preparados. O sonho continua cada vez mais real”, finaliza o coreógrafo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

BNB de Cultura 2010

Sai a relação dos projetos culturais contemplados pelo programa

258 projetos foram selecionados pelo selecionado pelo Programa BNB de Cultura – Edição 2010 – Parceria BNDES. O anúncio dos projetos contemplados com a linha de patrocínio do Banco do Nordeste em conjuto com o o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi feito esta semana.


Dos aprovados, 51 são de artes cênicas, 39 de artes visuais, 23 de audiovisual, 35 de literatura, 57 de música e 53 de artes integradas ou não-específicas. Os 258 projetos vêm de 127 cidades diferentes. A relação dos contemplados é quase 15% maior do que o mínimo previsto pelo edital, quer era de 225 projetos.

Dentre os projetos contemplados, cinco são de Montes Claros: 
  • 6ª Semana Cultural Igor Xavier - Associação Sociocultural "Igor Vive" (foto)
  • Era uma vez na floresta - Ditarso Companhia de Dança
  • Brasilherança - Roger Caldeira Nunes
  • Caravana Cultural do Cerrado - Fabiana Batista de Lima
  • CD Folianus Catopê - Elisângela Costa Rocha
"A arte que vem da terra", da Associação Cultural de Janaúba, e o "Folia de reis nas escolas", da Cultuarte - Associação de Cultura, Arte e Educação Folias, Foliões e seus instrumentos musicais, de São Francisco também estão entre os projetos contemplados.

O programa, que distribui um total de R$ 6 milhões, teve 2.974 trabalhos inscritos, que vieram de 510 cidades de 16 estados brasileiros – os 11 estados na área de atuação do Banco (região Nordeste e Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo), mais Distrito Federal, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

sábado, 28 de novembro de 2009

O Virna Lise está de volta


Depois de 12 anos, os roqueiros da banda mineira Virna Lisi voltam a se encontrar no palco. Cultuada na década de 1990, o Virna Lise abriu o festival Eletronika na quinta-feira, 05/11, no Espaço 104, Praça da Estação, em Belo Horizonte. Liderada pelo montesclarense Marcelo de Paula (foto), a banda que nasceu em 1989 com um som pós-punk e, ao longo dos anos, incorporou novos elementos da cultura musical brasileira, abriu espaço no cenário nacional, se tornando referência para os músicos e bandas mineiras do gênero que vieram depois.

No show, o Virna apresentou um repertório estilo remember, para matar a saudade dos fãs. “Não há, por ora, nenhuma música inédita. Nesse momento o que importa é que a volta do Virna é pra valer”, comemora Marcelo de Paula.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A comédia popular do Galpão chega a Montes Claros

A apresentação do grupo é uma mostra de que a cidade entrou, definitivamente, para o roteiro dos grandes espetáculos financiados


Nesta quinta-feira, dia 26 de novembro, Montes Claros recebe um dos principais grupos do teatro de rua do país, o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, que apresenta o espetáculo, “Till, a saga de um herói torto”.

O espetáculo será às 20 horas, na Praça da Matriz, que será transformada com a montagem de um palco ao ar livre de dez metros de comprimento por sete de largura, em um cenário que mistura materiais recicláveis e objetos rústicos, carrinhos de mão usados como palcos praticáveis e vassouras usadas pelos garis.

A apresentação do grupo é uma mostra de que Montes Claros entrou, definitivamente, para o roteiro dos grandes espetáculos financiados, que saem em tour pelo interior do país. Os espetáculos dessa natureza apresentados mais recentemente na cidade foram Grupo Corpo, Projeto Museu Vivo, Arthur Moreira Lima e Tianastácia.

Com “Till, a saga de um herói torto”, o Galpão, grupo criado há 25 anos, retoma suas origens de teatro de rua, com acesso gratuito e classificação livre, com uma trajetória de permanente troca com o público. Até os ensaios, realizados na sede do grupo e no Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte, foram abertos ao público, inclusive com acompanhamento de interessados no processo de montagem do novo espetáculo.

De acordo com a assessora de comunicação, Paula Senna, “Till...” foi escolhido a partir da montagem de quatro cenas realizadas em março deste ano e dirigidas por integrantes do grupo. “A montagem foi campeã de preferência nas opiniões enviadas pelas pessoas que assistiram à apresentação das cenas, realizada a partir do texto ‘Till Eulenspiegel’, de Luís Alberto de Abreu. Seu universo marcado pela cultura popular da Idade Média já era também um dos prediletos entre os atores do Galpão por seu caráter eminentemente popular e sua linguagem de teatro narrativo, de grande comunicação com o público”, explica.

A comédia popular está presente de forma muito marcante em vários espetáculos do Galpão, especialmente em “A Comédia da Esposa Muda”, “Um Molière Imaginário” e “Um Trem Chamado Desejo”.

Com direção de Júlio Maciel, texto de Luis Alberto de Abreu, cenário e figurinos de Márcio Medina e direção musical de Ernani Maletta, o espetáculo representa a volta do Grupo Galpão ao teatro de rua e suas formas de representação popular. Para o Grupo, a rua é um espaço importante para a democratização da arte e do teatro. “Ela nos traz desafios de como apresentar o espetáculo para um público amplo e sem restrições de idade, classe social ou formação intelectual. Isso tem reflexos em todos os elementos de criação, como a dramaturgia, a cenografia, os figurinos e a música”, afirma Eduardo Moreira, integrante do Galpão.

Till, a saga de um herói torto


Criado pela cultura popular alemã da Idade Média, Till é o típico anti-herói cheio de artimanhas e dotado de um irresistível charme. Um personagem que tem parentesco com outros tipos de várias culturas, por exemplo, que se assemelha muito ao nosso Macunaíma ou ao ibérico Pedro Malasartes.

A direção musical do espetáculo é assinada por Ernani Maletta, que trabalha com o Grupo desde 1994. A trilha sonora, composta por 12 canções, possui temas variados, marcados por músicas do cineasta e músico sérvio, Emir Kusturica, composições próprias e cantigas de roda.

O universo de TILL está repleto de tipos bufonescos, mendigos, cegos, deficientes do físico e da moral. Para a montagem, o Galpão participou de um workshop sobre “bufões” com o preparador corporal Joaquim Elias, estudioso do assunto.

A assistência de figurino é assinada pelo ator Paulo André e conta com a ajuda dos alunos do Núcleo de Pesquisa em Figurino do Galpão Cine Horto. O material utilizado na confecção dos 31 figurinos é reciclado, a base de tecidos artesanais, de fibras naturais e tingidos à mão. Nos adereços, foram usados materiais rústicos, como panelas, galhos de árvores, ferragens, borracha, entre outros.

Com patrocínio da Petrobrás, “Till...” já foi apresentado mais de 40 vezes em diversas cidades do país. No Norte de Minas, o Galpão se apresenta no dia 24 de novembro, em Januária, e em Montes Claros, no dia 26. O acesso às apresentações é sempre gratuito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

De pires na mão

Depois de dois anos da aprovação, artistas de Montes Claros continuam esperando pelos benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura


Expectativa e frustração. Essa foi a transição de sentimentos experimentada pela maioria dos artistas de Montes Claros que esperavam contar com contribuição da Lei Municipal de Incentivo à Cultura para viabilizar seus projetos.

Aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal, em 13 de novembro de 2007, e sancionada em 07 de dezembro do mesmo ano, pelo então prefeito Athos Avelino Pereira, a Lei Municipal 3.830 criou o Sistema Municipal de Incentivo à Cultura, o Conselho Municipal de Cultura e o Fundo Municipal de Cultura, mas que até hoje não saíram do papel.

“Não entendo porque o edital ainda não saiu. O processo de criação da lei foi todo concluído, foi dada posse ao Conselho e já era para ter sido publicado o primeiro edital, que inclusive foi redigido. O artista fica refém porque a continuidade dos seus projetos depende de incentivo e a lei municipal é resultado de uma de uma antiga reivindicação da categoria exatamente para suprir essa necessidade”, lamenta o bailarino e coreógrafo Paulo Di Tarso.

O secretário de Cultura, Ildeu Braúna diz que há poucos dias discutiu com o prefeito Tadeu Leite a possibilidade de depositar o recurso no Fundo. “Vamos ter que dar posse aos novos conselheiros, porque algumas cadeiras mudam com a mudança de administração, como o presidente e o vice, representados pelo secretário e secretário adjunto de Cultura, bem como as cadeiras ocupadas pelos secretários de outras pastas. Feito isso, o prefeito já concordou em depositar o recurso”, explica o secretário.

Pela lei, o Fundo Municipal de Cultura é constituído por 1,5% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e pode ser ampliado através de doações de outros setores públicos e privados. “A proposta é dar posse aos novos conselheiros no encerramento da II Conferência Municipal de Cultura, que será realizada no dia 29 de novembro. A partir daí, vamos trabalhar para publicar o primeiro edital, o que deverá acontecer no próximo ano”, explica Lipa Xavier, secretário adjunto de Cultura.

Projetos
A lei contempla projetos nas modalidades culturais: artes cênicas (teatro, circo, ópera, mímica e dança), música, artes plásticas, artesanato, cultura popular, patrimônio cultural, literatura (incluindo cordel) cinema, vídeo e artes visuais, fotografia, entre outras.

O recurso anual do Fundo será dividido entre os projetos inscritos e aprovados. Após a publicação do edital, o artista inscreve o projeto e, se aprovado, o recurso é repassado diretamente a ele, dispensando a parte de captação, que normalmente é mais complexa do que a aprovação. “É importante que o edital também inclua oficinas de capacitação para elaboração do projeto, para facilitar o acesso”, observa Paulo Di Tarso.

A artista plástica Márcia Prates (foto) diz que por estar longe dos grandes centros, o artista norte-mineiro, além da carência de incentivo, tem que enfrentar a resistência das empresas da região a esse tipo de investimento. “Meu trabalho é bem aceito fora do país e para realizar exposições recebo ajuda, mas nunca consegui viabilizar um projeto através de lei de incentivo. Consegui uma aprovação pela prefeitura de Belo Horizonte, certa vez, mas não consegui captação. A lei de incentivo de Montes Claros é inédita, porque o recurso vai direto para o artista, sem burocracia, sem a resistência das empresas na hora da captação. Se tivesse esse incentivo, certamente, teria conseguido ir muito além”, avalia Márcia.

Ator com mais 40 anos de carreira, Diógenes Câmara diz que nunca teve um espetáculo financiado. “O artista batalha, mas as empresas não acreditam e o acesso às leis de incentivo fica difícil, porque não há contrapartida. A lei municipal aprovada seria de grande ajuda, principalmente na realização de oficinas para formação de novos atores. Torço para que saia do papel”, ressalta.

Expectativa
Trabalhando na divulgação do seu primeiro CD, a cantora Déborah Rosa (foto) diz que se a lei fosse efetivada, projetos maiores e melhores poderiam ser apresentados ao público, dando mais visibilidade ao artista e ao município. “Quando a administração pública incentiva algo que traz entretenimento, lazer e cultura, agrega valor ao município, dá visibilidade além das margens territoriais e atrai a população para junto do seu contexto político-social. Além disso, as pessoas ficam mais satisfeitas, mobilizadas, se tornando parceiras. Um exemplo é o esporte que tem levado o nome do município muito além das expectativas. A Lei de Incentivo à Cultura pode abrir novos momentos para a cultura da cidade”, analisa a cantora.

Idealizador do projeto que resultou na aprovação da lei, durante sua gestão como secretário municipal de Cultura, o artista plástico João Rodrigues diz que aguarda com ansiedade a publicação do edital. “Além de ser um proponente, pois dependo do incentivo para dar continuidade a alguns projetos, vejo a Lei Municipal de Incentivo à Cultura como uma democratização do acesso, principalmente a projeto menores, de artistas pouco conhecidos. A lei acaba com privilégios e conveniências e valoriza talentos”, avalia.

Sempre às voltas com novos projetos, se preparando para gravar um DVD ao vivo, o guitarrista Warleyson Almeida (foto) diz que tudo que favorece a classe artística, normalmente esquecida, é bem-vindo. “Só espero que os projetos aprovados sejam escolhidos pela qualidade, sem depender da amizade e bom-humor da comissão avaliadora”, desafia.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Campeãs da dança

Com talento e persistência, bailarinas passam de
alunas a monitoras de oficinas de dança

Exemplos de persistência, dedicação e força de vontade, as ex-alunas de balé do programa TIM ArtEducAção de Montes Claros, Marcélia Pereira (18), Priscila Silva (17) e Aline Dias (18) alcançaram mais uma vitória. Após expressivo desenvolvimento e aprendizado nas aulas de dança, as bailarinas passaram de alunas para monitoras das oficinas, um passo importante para as jovens que entraram no programa ainda crianças.

Segundo a professora Adriana Camargo, as oficinas contribuem para o desenvolvimento pessoal das crianças e adolescentes da cidade, além de dar oportunidade aos novos talentos. “Durante anos, a dedicação incansável e o talento dessas alunas me fizeram acreditar que seriam capazes de aprender e passar conhecimentos para outros jovens. Fico feliz em ver o resultado do trabalho que foi e continua sendo realizado”, comenta.

A trajetória das adolescentes foi parecida. Priscila Silva tinha o sonho de ser bailarina desde criança. Aos 12 anos, conseguiu entrar para o programa, no qual desenvolveu seu talento e, aos 17, se tornou monitora da oficina de balé, o que para ela foi uma grande oportunidade. “O que eu sou hoje e se eu tenho uma carreira a seguir, devo ao programa. Tive a oportunidade de crescer nas oficinas e a agarrei com todas as forças. O programa é a base da minha vida e me proporciona crescimento, aperfeiçoamento, participação em espetáculos e novos conhecimentos”, comemora a monitora.

Com Aline Dias não foi diferente. Há sete anos aluna do TIM ArtEducAção, ela tem hoje a oportunidade de ser monitora de balé. “Com o programa, tive um grande desenvolvimento pessoal e físico. A oportunidade de transmitir os conhecimentos que um dia me foram passados é muito recompensador”, afirma.

Assim como ela, a nova monitora Marcélia Pereira, que entrou para o TIM ArtEducAção aos 10 anos, vê essa chance como um impulso para seguir a carreira de bailarina e professora. “Conviver com pessoas diferentes me tornou mais organizada, com novos sonhos e perspectivas. Ser monitora de um programa no qual eu entrei ainda criança é a concretização de um sonho. Eu me identifico muito com as meninas que crescem junto às aulas de balé”, completa.

Neste ano, o programa TIM ArtEducAção completa sua oitava edição na cidade com números expressivos: são 300 crianças e adolescentes de cinco escolas públicas atendidos pela iniciativa, que tem parceria da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Praça da Matriz de Montes Claros

Manhãs na Praça

As manhãs de domingo na Praça da Matriz de Montes Claros são um convite à tranqüilidade, ao bate-papo com os amigos e à experimentação.
Primeiro das guloseimas que saltam aos olhos, invadem a mente e acalmam o coração.

Depois, da multiplicidade de cores e linguagens vindas de todos os cantos que aguçam nossos sentidos. A poesia declamada ao vivo na tenda do projeto cultural Livro na Praça. O batuque do atabaque e do djembê das rodas de capoeira. A música barranqueira que vem do coreto e nos faz sentir saudade da saudade.

No entorno da praça, as barraquinhas dos artesãos expõem a criatividade. Roupas, bijus, bonecas, instrumentos musicais, namoradeiras; uma infinidade de objetos que nos faz lembrar que a féria do mês anda curta.

Às vezes tem novidade, com show ao vivo, lançamento de livro, apresentação teatral e até desfile de moda. No último domingo, por exemplo, teve o lançamento da quarta edição da revista do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, reunindo grandes nomes da literatura nortemineira.

A turma de enxadristas também bate o ponto na praça. Concentrados, chamam atenção dos transeuntes que param para ver um ou outro xeque-mate.

Emoldurando toda essa festa, a história sesquicentenária montesclarina, através dos casarios, da sublime imponência da igreja de Nossa Senhora e São José e da Praça da Matriz que é a raiz dessa imensidão que se tornou a Princesa do Norte.

Quem passa pela Praça da Matriz no domingo, pára, deixa, e leva um pouco para si.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Terça Cultural

Projeto apresenta lançamento da banda 
Louva Jah

Dando seqüência à variedade artística e de estilos musicais apresentados desde o início, o Terça Cultural apresenta hoje (15/09) o lançamento da banda de reggae “Louva Jah”, grupo formado por Edu Lemos (guitarra e vocais), Ras Nazareno Marvin (contrabaixo e vocais) e Virgílio Valadão (percussão e bateria) . O espetáculo acontece às 21 horas, no Centro Cultural Hermes de Paula.

Louva Jah
Apesar de ser um projeto novo, os integrantes já atuam na cidade há um bom tempo. Edu Lemos e Virgílio Valadão são integrantes da banda Maracutaia S/A e Ras Nazareno Marvin guitarrista da banda Seu Istylinga.

As críticas são altamente positivas entre os adeptos da música no estilo reggae, que certamente comparecerem para prestigiar o lançamento do grupo e acompanhar a apresentação dos músicos.

O Terça Cultural é uma realização da Secretaria Municipal de Cultura em parceria com o movimento Coletivo Plug e agentes culturais parceiros.

Terça Cultural
No dia 1º de setembro, o projeto apresentou o especial de cinema com o filme “Across the Universe”, um musical com obras dos Beatles. Ao final da exibição, houve debate com a jornalista e produtora Lara Araújo.

No último dia 08, foi realizado um concerto com o pianista André Marques Dutra, do Rio de Janeiro, que apresentou notável performance com a participação de Beto Rey, que fez citações literárias e intervenções poéticas.

sábado, 12 de setembro de 2009

Carnamontes 2009

Encontro do axé com sertanejo em Montes Claros

O encontro da música baiana com o sertanejo universitário acontece na 13ª na maior micareta do Norte de Minas, o Carnamontes 2009, que acontece neste final de semana, dias 12 e 13 de setembro, na Praça dos Jatobás, em Montes Claros.
O cantor Alexandre Peixe e a dupla Jorge & Mateus voltam a se encontrar neste sábado, 12, e prometem relembrar o sucesso que fizeram juntos no Carnaval de Salvador 2009. A mistura de ritmos acontece a partir das 22 horas, em circuito fechado, com entrada gratuita para os foliões.

Pela primeira vez, a dupla sertaneja leva para a cidade mineira seu novo projeto “Jorge & Mateus Elétrico” cantando o sertanejo em cima do trio elétrico. Esta relação com o axé começou no Carnaval de Salvador, em 2008, ao lado de Alexandre Peixe.

Jorge & Mateus levaram o sertanejo para o trio elétrico do carnaval mais famoso do mundo, viram que a fórmula dava certo e o público aprovou.
Repetiram este ano e ampliaram os parceiros da música baiana gravando, além da parceria com Peixe (¨Deixa eu te amar¨ e ¨Não sai da minha vida¨ que está nos dvds dos dois artistas respectivamente JeM e Peixe); com Durval Lélys, vocalista do Asa de Águia (“Vou Fazer Pirraça”).

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Encontro dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação de Minas Gerais

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) está organizando os últimos preparativos para o Encontro dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação de Minas Gerais (Enjac Minas 2009), que será realizado nos dias 18, 19 e 20 de outubro. 

O Encontro reunirá, em Belo Horizonte,  jornalistas, estudantes e professores de Jornalismo de todo o estado, além de convidados conhecidos nacionalmente.

As inscrições podem ser feitas até o dia 14 de setembro exclusivamente pela Internet, no site http://enjac.blogspot.com, onde podem ser obtidas mais informações sobre o evento. As vagas são limitadas. O prazo para a entrega de teses para o Enjac Minas termina nesta dia 8 de setembro, terça-feira.

O Encontro contará com debates sobre a função do assessor de imprensa e a nova regulamentação profissional; os problemas e desafios das assessorias de comunicação sindical, pública e empresarial; e a ética e a formação profissional.

sábado, 5 de setembro de 2009

Cinema Comentado Cineclube

Em setembro, o Cinema Comentado Cineclube de Montes Claros traz uma programação de filmes diferentes e de alta qualidade para todos os interessados na Sétima Arte. Serão exibidos:

 05/09 – “Houve uma Vez Dois Verões” (2002), dir: Jorge Furtado.
12/09 – “11 de Setembro” (2004), produção de Alain Brigand.
19/09 – “Sábado” (1994), dir: Ugo Giorgetti.
26/09 – “Estorvo” (2000), dir: Ruy Guerra.



A sessão deste sábado, 05/09, apresenta "Houve uma vez dois verões" (2002), primeiro longa-metragem do gaúcho Jorge Furtado – conhecido pelos sucessos de “Ilha das Flores”, “O Homem que Copiava”, “Meu Tio Matou um Cara” e “Saneamento Básico, o Filme”.
Chico, adolescente em férias na “maior e pior praia do mundo”, encontra Roza num fliperama e se apaixona. Transam na primeira noite, mas ela some. Só mais tarde, já de volta a Porto Alegre e às aulas de química orgânica, é que ele vai reencontrá-la. Chico quer conversar sobre “aquela noite”, mas Roza conta que está grávida. Até o próximo verão, ela ainda vai entrar e sair muitas vezes da vida dele.

O filme
Em pleno começo do século 21, os adolescentes representam a maior parte do público dos cinemas. No entanto, o cinema brasileiro tem pouca tradição em filmar dilemas e histórias que tratem especificamente do universo deste delicado período de passagem da infância para a vida adulta. Houve uma vez dois verões aborda, com atenção e sensibilidade, os pequenos rituais da vida adolescente – principalmente, a descoberta das aventuras e desejos sexuais que tanto marcam essa fase da vida. Assim, consegue mostrar a importância dos pequenos momentos na formação de um indivíduo.

Furtado constroi uma trama envolvente que passeia pelas emoções (e contradições) do “primeiro amor” com trilha sonora inventiva e abordagem despretenciosa do universo adolescente.

Complementando a sessão, "O diário aberto de R." (2003), curta-metragem de Caetano Gotardo, também apresenta a entrega dos jovens “a seu despertar para a vida”. O diário de Caio traz suas confidências escritas na carteira da sala de aula, ao alcance de qualquer um. No fundo, é a exposição e ousadia emocional da juventude, o seu “peito-aberto” para a vida que marcam esses filmes tão reveladores e sentimentais. Classificação etária: 12 anos.

O Cinema Comentado Cineclube acontece todo sábado, a partir das 19h, na sala 44 do Sesc – Rua Viúva Francisco Ribeiro 199 (Ginásio do Sesc). A entrada é gratuita e há sempre um bate-papo após as exibições.

Programa Mais Cultura

Ministério da Cultura investirá R$ 13,5 milhões no semiárido brasileiro


O Ministério da Cultura (MinC), por meio do Programa Mais Cultura, investirá R$ 13,5 milhões no semiárido brasileiro. A ação de Microprojetos Mais Cultura beneficiará especialmente jovens entre 17 e 29 anos, oriundos de áreas de vulnerabilidade social, que desenvolvem projetos culturais nas mais diversas linguagens.

O projeto será executado em parceria da Fundação Nacional de Artes (Funarte), do Banco do Nordeste (BNB) e das secretarias de Cultura dos onze estados que integram a região do semiárido - Paraíba, Alagoas, Ceará, Piauí, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe, Maranhão, Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo. Serão selecionadas, através de editais estaduais, cerca de 1,2 mil iniciativas. Cada uma será premiada com até 30 salários míninos.

O objetivo da ação é promover a diversidade cultural por meio do fomento e incentivo aos artistas, grupos artísticos independentes e pequenos produtores culturais. Os prêmios serão concedidos a pessoas físicas e jurídicas sem fins lucrativos que desenvolvam projetos nas áreas de artes visuais, artes cênicas, música, literatura, audiovisual e artes integradas. Os projetos deverão ser realizados e concluídos em um ano, a partir da data de assinatura do contrato de concessão de prêmio.
Os candidatos pessoa física deverão residir nos municípios onde pretendem realizar seus projetos. No caso de pessoa jurídica, deverão comprovar a realização de atividades socioculturais e ter sua sede no município onde desenvolvem ou pretendem realizar seus projetos.

Participam da seleção dos Microprojetos, além de representantes da sociedade civil, os Conselhos de Cultura e da Infância e Juventude dos municípios que possuem esses órgãos. Os projetos selecionados serão encaminhados para a seleção estadual, cujas comissões serão compostas por representantes das Secretarias de Cultura / Fundações estaduais, Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Os prazos de encerramento de inscrições podem ser verificados em cada um dos editais vigentes nos estados, publicados no Diário Oficial da União e dos 11 estados envolvidos, bem como nos sites do MinC (www.cultura.gov.br), da Funarte (www.funarte.gov.br), do BNB (www.bnb.gov.br), do INEC (www.inec.org.br) e do Programa Mais Cultura (http://mais.cultura.gov.br/)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Oportunidade para artistas

BNB lança edital de seleção de propostas para compor programação dos seus centros culturais em 2010

O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) acaba de lançar o edital de seleção de propostas artísticas para participação nas programações dos Centros Culturais BNB-Fortaleza, Cariri (em Juazeiro do Norte, região sul do Ceará) e Sousa (no alto sertão paraibano), durante o ano de 2010.

Os interessados podem apresentar propostas nas áreas de artes cênicas, artes visuais, literatura, música, atividades culturais infantis, cursos de apreciação de arte e oficinas de formação artística. Todas as informações (edital e formulários) para inscrição de propostas estão disponíveis desde a última segunda-feira, 17, no portal do BNB (www.bnb.gov.br/cultura).

O BNB recebe propostas até o próximo dia 18 de setembro, e o resultado da seleção será divulgado em 20 de novembro deste ano. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail cultura@bnb.gov.br ou pelos fones (85) 3464.3108 (Fortaleza), (88) 3512.2855 (Cariri) e (83) 3522.2980 (Sousa).

As inscrições devem ser feitas mediante entrega de formulários-proposta, específico para cada uma das atividades, devidamente preenchido com letra legível ou digitado, assinado pelo responsável pela proposta e acompanhado dos respectivos anexos.

Qualquer pessoa física ou jurídica pode apresentar projetos para as três unidades do CCBNB. A entrega do formulário-proposta pode ser feita, pessoalmente, nos seguintes locais, dias da semana e horários:

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE-FORTALEZA
Rua Floriano Peixoto, 941 - Centro
Fortaleza-CE
Fone: (85) 3464-3108
(De terça a sábado, no horário de 10h às 20h; e domingo, de 10h às 18h)

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE-CARIRI
Rua São Pedro, 337 - Centro
Juazeiro do Norte-CE
Fone: (88) 3512-2855
(De terça a sábado, no horário de 13h às 21h)

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE-SOUSA
Rua Cel. José Gomes de Sá, 07 - Centro
Sousa-PB
Fone: (83) 3522-2980
(De terça a sexta-feira, no horário de 13h às 21h, e sábado, de 14h às 22h)

Pelo correio postal, os proponentes podem enviar seus projetos, como correspondência registrada com Aviso de Recebimento (AR), em envelope lacrado, devidamente identificado com o seu nome e endereço, com data de postagem não posterior a 18 de setembro de 2009, para qualquer um dos endereços citados.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Silêncio dos Tambores

Depois de sacralizar as ruas da cidade, catopês, marujos e caboclinhos recolhem instrumentos e vestimentas aos seus barracões. No próximo mês de agosto, os tambores voltam a ecoar, anunciando um novo tempo sagrado.


Durante cinco dias, de 19 a 23 de agosto, Montes Claros viveu momentos marcantes na sua história, com a realização das Festas de Agosto, que acontecem na cidade há mais de 160 anos.

Os ternos de catopês, marujos e caboclinhos, de vestes renovadas e novos integrantes – é surpreendente o número de crianças que participam dos festejos –, atraíram a atenção do público que acompanhou atento aos cortejos dos devotos que cantaram e dançaram pelas ruas do centro da cidade.

Segundo o coordenador da festa e presidente da Associação dos ternos de catopês, marujos e caboclinhos de Montes Claros, mestre João Pimenta dos Santos – o Mestre Zanza -, as Festas de Agosto em Montes Claros são diferentes de todas as cidades que já visitou.

- Em Montes Claros a festa reúne pessoas de todas as classes sociais, e todos querem ser festeiros. Tem setenta e dois anos que participo da festa e na agenda tem nome de pessoas que querem ser os patronos para os próximos quarenta anos, no mínimo – ressalta ao catopê.


Mesmo tendo passado por uma angioplastia preventiva recentemente, Mestre Zanza conduziu os cortejos durante os cinco dias de festa e disse que está preparado para continuar seu trabalho até quando Deus lhe permitir.

- Essa promessa foi feita pelos meus antepassados e, enquanto Deus me der vida e saúde, vou cumprir – completa Mestre Zanza, que no dia 16 de agosto comemorou 74 anos de idade.

31º Festival
Paralelamente à programação religiosa, o 31º Festival Folclórico de Montes Claros reuniu um grande público em torno da Igrejinha do Rosário, que assistiu a shows musicais, apresentação de grupos folclóricos, além de apreciar comidas, bebidas e artesanato em vários estilos, vendidos nas barraquinhas montadas ao longo da avenida Coronel Prates.

Em parceria com o conservatório estadual de Música Lorenzo Fernandez, o festival também promoveu oficinas de musicalização, com participação gratuita da comunidade.

Entre as atrações do Festival, estiveram Jackson Antunes, Téo Azevedo, Marimbondo Chapéu, Pedro Boi, Carlos Maia e Charles Boavista, Xangai, Bruno e Fabiana, Déborah Rosa, Banda Cabal, dentre outros , que se apresentaram no palco principal, além de dezenas de grupos folclóricos, que se apresentaram em um palco montado em local estratégico, paralelo à avenida.

Encerramento
Além dos ternos de congado de Montes Claros, a festa contou com vários grupos de outras cidades mineiras, que participaram do Encontro de Ternos de Congado de Minas Gerais, que acontece na cidade desde 1991. Após a procissão de encerramento, que aconteceu na tarde do domingo, 23, os grupos se reuniram na Igrejinha do Rosário, onde assistiram à missa celebrada pelo padre João, coroaram reis, rainhas e imperadores e escolheram os mordomos da próxima festa. Os mastros em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Divino Espírito Santo foram descerrados e os devotos reiteram a promessa de voltar no ano seguinte para cumprir nova missão.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Montes Claros vive um tempo sagrado

Começam hoje os festejos religiosos, motivo maior da realização das Festas de Agosto. Depois de hasteada a bandeira em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, Montes Claros se transforma em um templo sagrado


Ora viva e reviva viva São Gonçalo, viva
Viva Mestre Zanza, viva
Viva os Caboclinhos e os Marujos, viva
Viva os catopês, viva




Quarta-feira, 19 de agosto de 2007. Pelas ruas de Montes Claros, catopês, marujos e caboclinhos cantam a própria fé.

Popularmente conhecida como Festa dos Catopês, as festas de agosto, que remontam a própria história de Montes Claros, volta a inebriar os sentidos com o ritmar dos tambores, a alegria dos cantos e bailados e as cores vibrantes que deixam a cidade em euforia.

Na noite de hoje, os ternos de Catopês se reúnem na sede da Associação dos ternos de catopês, marujos e caboclinhos de Montes Claros, no bairro Morrinhos, de onde saem em cortejo até a Igrejinha do Rosário, no centro da cidade, onde será erguido o mastro com bandeira em homenagem a Nossa Senhora do Rosário.

Participante da festa há 70 anos e completando 74 anos de idade nesta quinta-feira, 16 agosto, João Pimenta dos Santos, o Mestre Zanza, acompanhado de seus familiares e catopês, devotos de Nossa Senhora e Divino Espírito Santo, ergue a bandeira em homenagem à rainha da festa.

Entre cantos e vivório, enquanto o mastro é erguido, os devotos saúdam os catopês ausentes (todos os Catopês que já morreram) e os presentes (os vivos e os mortos que ainda não saíram deste mundo).

Tradicionalmente, neste dia, os catopês não usam seus trajes de festa. Segundo o coordenador da festa e presidente da Associação, Mestre Zanza, é necessário um rito de passagem, que faça a conexão entre os três planos do mundo dos catopês para que o eixo do mundo se concretize e sacralize o tempo festivo. Por isso catopês vestem trajes comuns no primeiro dia da festa.

A partir desse ritual, reis, rainhas, imperador e imperatriz reinam durante três dias em Montes Claros, protegidos pelos respectivos santos padroeiros.

Nas manhãs de quinta-feira, de sexta-feira e de sábado os ternos saem do Automóvel Clube de Montes Claros, percorrem as principais ruas do centro da cidade até chegarem à igrejinha do Rosário, na avenida Coronel Prates, onde é celebrada missa.

O reinado desfila sob um pálio, uma espécie de manto ou capa, precedido por príncipes e princesas representando a corte. A banda de música do 10º Batalhão de Polícia Militar completa o cortejo alternando dobrados com os cantos dos dançantes.

A cada dia, após o ritual, os mordomos oferecem almoço aos participantes de seus respectivos grupos. Na hora da refeição os catopês cantam: Viva o rei, viva a rainha, vamos comer arroz com galinha.


Após o cortejo da manhã de sábado, os ternos recebem os grupos de congado visitantes que vêm participar do Encontro de Ternos de Congado de Minas Gerais. Até domingo os grupos se reúnem, fazem visitas às famílias da comunidade que pedem oração, e somente no final da tarde de domingo voltam a desfilar pelas ruas.

Nesse dia, é realizada a procissão de encerramento, com participação de todos os ternos de Montes Claros e grupos visitantes, que colocam suas vestimentas bem lavadas, dançam e cantam ao som de tambores, em homenagem aos santos devotos. Após a celebração da última missa na igrejinha do Rosário, reis, rainhas e imperadores são coroados; são escolhidos os mordomos da próxima festa; os mastros são descerrados e os devotos reiteram a promessa de voltar no ano seguinte para cumprir nova missão.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Festas de Agosto

Unidade Identitária
Com características próprias e estilo único, as Festas de Agosto de Montes Claros deixaram de pertencer a um segmento local para se tornar um ritual de representação da identidade do povo montes-clarense

Jerúsia Arruda

As Festas de Agosto começam na próxima quarta-feira, dia 19. A Associação dos Ternos de Catopês, Marujos e Caboclinhos se prepara para os cortejos de sacralização, que acontecem de 20 a 23 de agosto. Sob a coordenação de Mestre Zanza, os seis grupos de congado de Montes Claros - um de Caboclinhos, dois de Marujos e três de Catopês -, saem em cortejo pelas ruas da cidade, expressando sua fé, devoção, religiosidade e alegria, numa manifestação que sintetiza dimensões estéticas e valores simbólicos que dão vida e forma às suas tradições.

As Festas de Agosto se confundem com a própria historia de Montes Claros, e acontecem desde que essa ainda era uma fazenda, no início do século XVIII.

Cada vez mais presente na vida do povo montes-clarense e norte-mineiro, a festa se tornou a maior expressão cultural da região e é tema de estudo para as escolas e academias, que buscam pelo entendimento dos significados de seus símbolos e rituais.

Um questionamento recorrente durante a festa é o porquê de os congadeiros demorarem tanto tempo para percorrer o trajeto do cortejo, que sai do Automóvel Clube, na Praça Gonçalves Chaves, até a Igrejinha do Rosário, na Avenida Coronel Prates.

Mestre Zanza explica que, quando os catopês, marujos e caboclinhos saem em cortejo pelas ruas de Montes Claros, com suas bandeiras e mastros em homenagem aos santos devotos, a proposta é cumprir o ritual de sacralizar os espaços para a passagem dos reis, rainhas e imperador. Segundo o Mestre, é necessário retirar das ruas as energias que não condizem com a sacralidade que se instaura na cidade durante os festejos, e o cortejo dos ternos representa uma limpeza para unificar as partes fragmentadas pela profanidade.

Como a cidade continua sua rotina, com o ir e vir de pessoas e carros, se uma rua for sacralizada e alguém passar - a pé, de carro, de moto, até mesmo um cachorro -, antes que o reinado passe pelo espaço, o ritual é quebrado e tem que ser refeito.

Segundo Mestre Zanza, durante o cortejo, no ir e vir, os catopês estão fazendo uma limpeza energética pelas ruas.
- Os reis não podem andar por um espaço fragmentado, é preciso que ele seja transformado em espaço sagrado. Os meninos vestidos de rei são a prefiguração do rei nagô, que faz a conexão com o sagrado. Se a noite é a bandeira que faz a conexão com o sagrado, durante o dia são os reis. Qualquer coisa que passar por esse espaço quebra o ritual, então os catopês têm que voltar até o rei para se potencializar com sua energia - porque ele representa um canal de energia sagrada para os catopês -, e, então começar todo o ritual outra vez – explica Mestre Zanza.

Isso explica o motivo da demora. O ideal seria que, diante do cortejo, as pessoas esperem na calçada até que este se complete, para, então, atravessar a rua.

Encontro de Ternos

Em 1991 foi instituído em Montes Claros o Encontro de Ternos de Congado de Minas Gerais, e, após o cortejo da manhã de sábado, a Associação dos Ternos de Montes Claros recebe os grupos visitantes de todo estado, que vêm participar da festa. Neste ano, o Encontro acontece no dia 23 de agosto, às 9 horas, na sede da associação. Os grupos visitantes também participam da procissão de encerramento e, junto com os grupos locais, com suas vestimentas bem lavadas, dançam e cantam ao som de tambores em homenagem aos santos devotos. Após a celebração da última missa na igrejinha do Rosário, reis, rainhas e imperadores são coroados; são escolhidos os mordomos da próxima festa; os mastros são descerrados e os devotos reiteram a promessa de voltar no ano seguinte para cumprir nova missão.

Festival
Enquanto os catopês, marujos e caboclinhos se preparam para cumprir sua missão de instaurar um tempo sagrado, paralelamente, a secretaria municipal de Cultura acerta os últimos detalhes para a realização 31º Festival Folclórico.

Criado na década de 1960, como um apoio às tradicionais Festas de Agosto, o Festival Folclórico é realizado na praça Dr. Chaves – Praça da Matriz -, em frente à igreja da Matriz de Nossa Senhora e São José, com shows musicais, barraquinhas de comidas, bebidas e de artesanato, oficinas, palestras, apresentação de grupos folclóricos, reunindo um público ainda maior.

Folclore e cultura Popular
A partir de uma posição consensual dos folcloristas brasileiros, a Carta do Folclore Brasileiro, publicada em 1951, define folclore como a maneira de pensar, sentir e agir de um povo, preservada pela tradição popular e pela imitação, e que não seja diretamente influenciada pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam, ou à renovação e conservação do patrimônio científico humano, ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica.

Durante o Congresso Brasileiro de Folclore, ocorrido em Salvador de 12 a 16 de dezembro de 1995, a Carta de 1991 foi reelaborada, considerando as mudanças da contemporaneidade, e folclore é definido como o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. A carta também ressalta que o folclore e cultura popular podem ser entendidos como expressões equivalentes.

Todas essas ocorrências em torno do folclore/cultura popular parecem nos revelar a existência de um objeto em movimento permanente, cujo conceito é conseqüência do surgimento da idéia de progresso, e estimula reflexões, debates, encontros e desencontros, configurando um campo de altercação polêmico e instigante e o Festival representa um bom momento para jogar luz sobre essas discussões.

Por exemplo, antes, os marujos usavam o pandeiro quadrado, feito à base de couro, antes de veado e, mais recentemente, de bode. Atualmente, muitos utilizam o pandeiro de plástico ou de fibra, usado nas rodas de pagode, e isso, além de mudar a sonoridade, descaracteriza o grupo. Também se perdeu muito a teatralização dos grupos. Os marujos já não fazem, como antes, a morte do patrão, devido ao trânsito que impede que os devotos permaneçam por muito tempo parados na rua; os caboclinhos não fazem mais a trança do cipó e os catopês não dançam o sarambê. Além disso, muitas das canções se perderam da memória dos grupos.

As Festas de Agosto de Montes Claros, por suas especificidades, são únicas, diferentes de todas as festas de congado realizadas em Minas Gerais e no Brasil. Com o resgate desses elementos tradicionais de cada grupo, que, de modo singular, compartilham do mesmo tempo e espaço para realizar seus festejos, a tendência é que esta se torne cada vez mais específica, unifique ainda mais todas as classes, crenças e credos, e se consolide como a festa de representação da identidade do povo montes-clarense.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ópera do Malandro

Há 30 anos, era lançada a trilha sonora

Em 1979, Chico Buarque lançava o disco com a trilha sonora da "Ópera do Malandro", inspirada nos alemães Bertolt Brecht e Kurt Weill. Para relembrar, lanço mão de um texto de Felipe Tadeu, que me foi enviado pelo colega nordestino, Luciano Sá.

Quando os diretores de teatro Cláudio Botelho e Charles Moeller revelaram o principal motivo que os levou a encenar em 2003 a primeira montagem de "Ópera do Malandro" no século 21, ambos foram taxativos: "Chegamos à Ópera do Malandro pela paixão. Quem ouviu aquele famoso LP duplo lançado em 1979 ficou fissurado naquilo, nunca esqueceu", afirmavam em coro, constatando estar ali "o Chico do teatro na sua absoluta madureza".

O álbum com a trilha sonora do musical assinado por Chico Buarque está completando 30 anos de lançamento. O disco é considerado a melhor lembrança da recriação que o compositor e cantor carioca fez das peças "A Ópera dos Três Vinténs" (1928) dos alemães Bertolt Brecht e Kurt Weill, e da "Ópera dos Mendigos" (1728) do inglês John Gay, com música do alemão Johann Pepusch.

Muitas das canções compostas para a peça brasileira acabaram entrando no rol das obras-primas de Chico Buarque de Hollanda, como "O Meu Amor", "Folhetim", "Geni e o Zepelim", "Homenagem ao Malandro" e "O Malandro", a Die Moritat von Mackie Messer composta por Kurt Weill e letrada por Brecht, que Chico converteu em samba. Ou ainda "Canção Desnaturada", de grande densidade trágica.

O nascimento da ideia
A possibilidade de Chico Buarque escrever sua adaptação para a peça de Brecht e Weill surgiu numa conversa com Ruy Guerra, cineasta moçambicano radicado no Brasil. No entanto, o plano só começaria a se tornar realidade anos depois, quando o diretor teatral Luis Antônio Martinez Corrêa procurou Chico Buarque, sugerindo que os dois montassem a peça juntos. Corrêa já havia feito a tradução da ópera de John Gay, que serviu também de ponto de partida para Brecht e Weill escreverem "A Ópera dos Três Vinténs".

"A Ópera do Malandro" estreou no Teatro Ginástico no Rio de Janeiro em agosto de 1978, e do elenco faziam parte atores de grande prestígio como Ary Fontoura, Marieta Severo, Maria Alice Vergueiro e Otávio Augusto, numa montagem que foi grande sucesso de bilheteria.

Para levar o musical aos palcos, Chico Buarque e Corrêa precisaram enfrentar inúmeros desafios, que iam da pressão dos patrocinadores da peça, que apressaram o andamento dos preparativos para a estreia, até os problemas que Chico teria com a censura.

Canções inesquecíveis
A trilha sonora do musical só seria lançada um ano após a estreia por vontade do próprio Chico, que evitou que o disco saísse antes da montagem para que as músicas não ficassem banalizadas e esvaziassem o musical. O compositor chegou a pensar em gravar o disco duplo com alguns dos atores interpretando as canções, mas a Philips (hoje Universal), sua gravadora na época, preferiu optar por cantores profissionais já conhecidos do grande público.

O resultado foi um álbum com gravações de João Nogueira, Gal Costa, Moreira da Silva, Marlene, Alcione e Francis Hime. Além deles, participaram também os grupos MPB-4, A Cor do Som, e Frenéticas, bem como as cantoras Nara Leão e Zizi Possi.

Multicromática, a musicalidade de Chico estava à flor da pele, passando por diversos gêneros musicais brasileiros e latino-americanos como choro, xaxado, bolero, samba, marcha carnavalesca, mambo, tango, e chegando até o rock e o charleston norte-americanos.

Ou seja, tudo aquilo que levou o crítico musical Tárik de Souza a perceber no autor de "Apesar de Você" um habilidoso criador, que não se deixa escravizar pela estética tradicionalista: "Musicalmente liberado para incursionar em todos os ritmos e gêneros, Chico tornou-se, paradoxalmente, um incendiário tropicalista".

Arturo Gouveia, professor de Literatura Brasileira e doutor em Letras pela USP, endossa a visão de Tárik em seu ensaio "A Malandragem Estrutural", publicado no livro Chico Buarque do Brasil, da Editora Garamond e Edições Biblioteca Nacional: "A Ópera do Malandro irmana-se com muitas das ambições vanguardísticas da primeira metade do século 20. Embora Chico Buarque não se declare vanguardista ou não demonstre, em suas concepções, qualquer afinidade eletiva com esses movimentos de ruptura, há vínculos inegáveis que podem até escapar da consciência imediata da autoria".

Chico e os alemães
Pouco antes de encarar a tarefa de adaptar as peças alemã e inglesa para a realidade carioca, Chico Buarque já havia se lançado numa bem-sucedida versão de "Os Saltimbancos", original dos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, um trabalho realizado em parceria com o italiano Sérgio Bardotti e o argentino Luis Enríquez Bacalov.

A história contada na "Ópera do Malandro" se passa durante a Segunda Guerra Mundial, quando Getúlio Vargas era presidente do Brasil. O epicentro é o bairro boêmio da Lapa. Chico optou por inserir "A Ópera dos Três Vinténs" na década de 1940 como estratégia para fugir da censura.

"Até Brecht tomou suas cautelas e localizou sua ópera no início do século. John Gay ainda colocou no palco o ministro da Justiça de sua época, 1728. Mas hoje isso não é possível. Fatalmente seriam identificados os policiais corruptos com os que todos conhecem. Os problemas que surgiriam não deixariam a peça ser encenada", afirmou Chico à imprensa na época do lançamento da peça.

Bertolt Brecht, o mito
Quando Chico Buarque escreveu a "Ópera do Malandro", ele já vinha de experiências muito intensas com o teatro. Primeiro ao compor em 1967 (um ano após o estouro com "A Banda") a trilha de "Morte e Vida Severina", sobre poema de João Cabral de Mello Neto. Depois viriam "Roda Viva", peça que provocou sua prisão e posterior autoexílio em Roma, "Calabar", que foi proibida pelos militares, e "Gota D'água" (escrita com Paulo Pontes).

Nos anos 1960, Bertolt Brecht era uma das maiores referências dos principais autores e grupos teatrais brasileiros. De Augusto Boal a Oduvaldo Vianna Filho, de José Celso Martinez Corrêa a Plínio Marcos, passando por Gianfrancesco Guarnieri e muitos outros, as peças de Brecht eram sinônimo de engajamento político e de pesquisa por novas formas de dramaturgia.

Sua teoria do distanciamento crítico, baseada na ideia de que uma peça teatral não deveria transportar o espectador para um mundo fictício, e sim despertá-lo para a realidade reflexiva, inspirou grupos como o Arena, o Oficina, o Opinião e posteriormente o Ornitorrinco a criar aquele que é para muitos o melhor momento da história do teatro brasileiro.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Programa BNB de Cultura 2010

São R$ 6 milhões para apoio à produção e difusão cultural

Encerra-se nesta sexta-feira, 24, o prazo para inscrições de projetos no Programa BNB de Cultura - Edição 2010 - Parceria BNDES. O Programa é uma linha de patrocínio cultural direto do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com dotação orçamentária de R$ 6 milhões, para apoio à produção e difusão da cultura do Nordeste e Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo (área de atuação do BNB), mediante seleção pública de projetos.

O edital contendo o regulamento do Programa e os respectivos formulários eletrônicos para inscrição de projetos, bem como as instruções para preenchimento e o modelo de relatório para prestação de contas, estão disponíveis no portal do BNB (www.bnb.gov.br ).


No período de 27 de julho a 17 de agosto, todos os projetos inscritos passarão por uma análise técnica, objetivando a habilitação para a fase de seleção. Serão considerados desabilitados os projetos que apresentarem inconsistências e não atenderem às exigências previstas no edital.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Grupo Folclórico Aruanda

Em turnê pela Grécia grupo apresenta cultura popular do Brasil


Um dos mais respeitados representantes da cultura popular do Brasil, o Grupo Folclórico Aruanda é tido como referência nacional e internacional em manifestações populares não só de Minas Gerais, como de todas as regiões do país e tem sido convidado freqüentemente a participar de festivais de folclore, seminários, congressos e eventos turísticos em diversas regiões do país e do mundo.

Neste ano, o Aruanda participa, mais uma vez, participar de festivais internacionais de folclore, desta vez na Grécia, em Aigio, considerado um dos maiores e melhores encontros de grupos folclóricos do mundo.


Convidado especial na cidade de Chania, localizado na ilha de Creta, em Santorini e Nafplio, o Aruanda será o primeiro grupo parafolclórico brasileiro a participar destes festivais.

Intercâmbio
Os festivais são organizados pela IOV - International Organization of Folk Art, uma organização mundial, que tem como principal objetivo promover a compreensão e a tolerância entre os povos do mundo através do intercâmbio de atividades culturais diversificadas na manutenção do ideal da paz mundial. Membro da UNESCO, seu trabalho baseia-se no respeito dos direitos humanos fundamentais e liberdade de todos os povos do mundo, o que dignifica sua participação no projeto "Cultura de Paz" da UNESCO.

A principal característica desses festivais é apoiar grupos que se dedicam à pesquisa da cultura e da arte tradicional de seus países e difundir seus trabalhos no campo das artes, das danças folclóricas, dos grupos musicais e do teatro popular, através de simpósios, congressos, seminários, exposições de artes, dentre outros. São ainda, eventos de grande relevância porque possibilitam a valorização e difusão das manifestações da diversidade cultural, além de contribuir para a sua preservação.

Na Grécia, o Grupo Aruanda apresentará diversos espetáculos fazendo uma viagem pelas regiões do Brasil mostrando algumas manifestações folclóricas e explicando suas características, origens e especificidades.


A expectativa é despertar, entre os povos dos países participantes e nos turistas que lá estiverem, o interesse e a admiração pelas manifestações folclóricas brasileiras, especialmente as danças e os cantos populares; criar oportunidade de qualificação e troca de experiências entre artistas e contribuir para a formação e fortalecimento de público e mercado para a cultura e o turismo brasileiros.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Banda Calypso

Grupo comemora 10 anos de carreira em show na Expomontes

A Expomontes, feira agropecuária que movimenta Montes Claros desde o dia 02 de julho, chega ao ápice de sua programação musical com o show da banda Calypso, nesta sexta-feira, 10/07, no Parque de Exposições João Alencar Athayde.

A dupla Joelma e Chimbinha comemora com os fãs nortemineiros os 10 anos de carreira com um show da turnê que está programada para passar pelos quatro cantos do país, além de Europa e Estados Unidos.

Turnê que, inclusive, poderá ser acompanhada pela TV Calypso, novidade que a banda está preparando para as comemorações de 10 anos de carreira. Transmitida pela Internet, os fãs terão a oportunidade de assistir aos shows ao vivo, o dia-a-dia na estrada, relembrar momentos marcantes divulgados pelos principais programas de TV, e até um boletim semanal, onde a cada semana um integrante da banda vai apresentar a agenda de shows, e chat para interagir diretamente com os artistas.

Mesmo a despeito do preconceito por seu genêro musical e sua origem – o grupo é de Belém do Pará -, e da pirataria feroz, a banda Calypso é dos campeões de vendas de discos e de shows do país.

Com a mistura de ritmos já conhecida por todos e apreciada por muitos, a banda Calypso sobe ao palco da Expomontes nesta sexta-feira, às 22 horas.
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Banda Calypso
10/07 – sexta-feira
Ingresso efetivo: R$ 20,00
Meia-entrada: R$ 10,00
Camarote: R$30,00