quinta-feira, 31 de março de 2011

ELES SÃO TOP 20 ARTS

Evento celebra 20 personalidades que marcaram e brilharam em 2010

Requinte, excelência e arte. Com estes atributos, a Revista TEMPO, que inicia neste mês de março as comemorações de seus 10 anos de existência, realiza o Top 20 Arts. O evento, que vai homenagear as 20 personalidades que mais se destacaram no ano de 2010, inova ao promover uma grandiosa exposição deste seleto grupo de vinte pessoas, retratado através da Art Pop pelo artista multimídia Márcio Leite. O Top 20 Arts acontece nesta quinta-feira, 31 de março, às 20h30, simultaneamente ao lançamento da Galeria Internacional Márcio Leite.

A comissão responsável pela escolha das personalidades foi composta por Edgar Antunes Pereira, proprietário do Jornal de Notícias; Fábio Braidatto, diretor da Intertv/Rede Globo; Ellen Parrela, superintendente da TV Geraes; Jerúsia Arruda, editora-geral do jornal O Norte de Minas; e Paulo Jacinto, proprietário do jornal Gazeta. O evento será a exposição inaugural da Galeria Internacional Márcio Leite, que receberá durante todo o ano exposições de quadros e esculturas para comercialização.

DIFÍCIL ESCOLHA
A escolha das personalidades que mais se destacaram em 2010 aconteceu na sede da Revista, e a lista das 20 personalidades foi divulgada na Revista TEMPO que se encontra nas bancas. “Infelizmente, não podemos homenagear todos de uma vez. Com certeza, ao longo do ano, vamos realizar outros eventos para reconhecer, de alguma maneira, o talento, o trabalho e a garra da nossa gente”, explica a superintendente da Revista TEMPO, Patrícia Silva. Ela salienta ainda que a Revista completa 10 anos de trabalhos voltados para o desenvolvimento de Montes Claros e região em junho, “este é apenas o primeiro de uma série de eventos que a Revista pretende realizar ao longo deste ano de aniversário”.

VANGUARDA
Reconhecido nacional e internacionalmente através de inúmeros prêmios, o artista Márcio Leite conta que irá pintar nas telas o vanguardismo da Pop Art. “O trabalho que estou desenvolvendo é muito conceitual e esteticamente agradável. O homenageado vai perceber que, além do próprio rosto retratado, algumas particularidades do seu cotidiano, tendo uma identificação imediata da importância e do papel por ele desempenhado no mundo”.

Márcio revela que o trabalho não se trata de uma caricatura, e sim de um retrato. “Vou utilizar soluções únicas com o minimalismo, cores quentes, formas estilizadas e a mais alta tecnologia de um iPad, que permite que eu pinte sem usar suportes, como os tradicionais pincéis. Vou usar somente o dedo e muita criatividade. Acredito que todos os 20 homenageados se surpreenderão com o resultado, que vai ficar fantástico e único”, diz Márcio Leite.



CURADORIA



Márcio Leite convidou para a curadoria a jornalista Felicidade Tupinambá, que explica: “Já fiz outras exposições de Márcio e me senti orgulhosa com o convite dele para esta curadoria”. E acrescenta: “as telas ficarão expostas na Galeria Internacional Márcio Leite, serão publicadas na próxima edição da TEMPO e poderão ser adquiridas por quem quiser eternizar sua imagem de uma maneira artística”.

Patrono

O empresário e ex-presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montes Claros Jamil Habib Curi será o patrono do Top 20 Arts, como explica a superintendente da Revista, Patrícia Silva. “Escolhemos um empresário que muito contribui para o crescimento da nossa região, o Doutor Jamil Curi”, finaliza.

Maia & Boavista

O site maia.conexaovivo.com.br já ultrapassou 28 mil visualizações, o que deixa a dupla montes-clarense Maia & Boavista bastante feliz. No site, você encontra música da dupla, fotos e outras dicas de cultura. Mais uma vez, os artistas Carlos Maia e Charles Boavista participam do prêmio Musique, promovido pelo jornal Estado de São Paulo. A letra é de Sérgio Dias (Os Mutantes) e melodia de Maia. Acesse o site do Estadão (Prêmio Musique), encontre Carlos Maia, vote e ouça a música.

sábado, 26 de março de 2011

Show Musical

Encontro de Gigantes em Montes Claros




O projeto Encontro de Gigantes, que reúne os sertanejos Zezé di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone farão chega a Montes Claros neste sábado, com apresentação das duas duplas no parque de exposições João Alencar Athayde, a partir das 22 horas.

Os shows acontecerão em sete cidades de Minas Gerais ao longo do ano. Além de Montes Claros, as cidades de Ipatinga, Divinópolis, Governador Valadares, Sete Lagoas e Juiz de Fora também sediarão o projeto. O primeiro show da série foi realizado na noite de ontem, em Divinópolis.Neste sábado, será a vez de Montes Claros.

As duas duplas já se apresentaram juntas algumas vezes, o que gerou comentários de que poderia haver uma turnê em conjunto, o que acabou não acontecendo no ano passado.

Cinema Comentado

Lenda tibetana de amor e mistério encerra a mostra mulheres do oriente

O hindu Pan Nalin é um cineasta autodidata, acostumado a fazer documentários sobre lugares exóticos para os canais de TV estrangeiros. Em seu primeiro longa-metragem de ficção, “Samsara” (2001) soube dosar bem uma narrativa lenta e um final em aberto com elementos que fascinam os “cansados” olhos ocidentais: paisagens deslumbrantes; hábitos e costumes desconhecidos; roteiro envolvente e intimista. São os elementos que, de certa forma, caracterizam sua obra.

O argumento de Vale das Flores parte de uma experiência narrada pela escritora e exploradora francesa Alexandra David-Neel (1868-1969) sobre seu encontro com um fora-da-lei indo-tibetano que, em sua juventude, manteve apaixonado romance com uma bela mulher que ele acreditava ser um demônio encarnado. Os interessados pelo budismo e as filosofias orientais encontrarão, no filme, muitas referências sobre essa cultura tão distinta e ainda pouco explorada artisticamente – principalmente pelo cinema. Classificação etária: 14 anos.

O CineSesc e o Cinema Comentado Cineclube acontecem todo sábado, a partir das 19h, no Salão de Convenções do Sesc-Pousada Montes Claros – Rua Viúva Francisco Ribeiro 199 (Ginásio do Sesc). As sessões são gratuitas, abertas a todos os interessados, e depois acontece um bate-papo com a platéia sobre o filme apresentado.
Neste sábado, 26/03, o CineSesc e o Cinema Comentado Cineclube encerram a mostra Mulheres do Oriente com o filme Vale das Flores (2007), dirigido por Pan Nalin. Jalan e seu bando são aventureiros do Himalaia, seguindo seu próprio código de honra até a chegada da linda e misteriosa Ushna. Após ganhar o respeito dos homens, ela revela seus dons mágicos e sobrenaturais, e conquista Jalan. Vale das Flores é baseado numa lenda tibetana sobre a força do amor contra a inevitável morte; um conto surpreendente que começa no séc. XIX e vai até os tempos modernos em Tóquio.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Teatro

Atriz Fátima Ribeiro sobe ao palco do Centro Cultural e interpreta Vó Guilé, apresentando a 3ª idade no melhor estilo

O ator e diretor montes-clarense Haroldo Soares, que também é presidente da Aarted- Associação dos artistas de teatro e diversão apresenta na noite desta sexta-feira, no Centro Cultural Hermes de Paula, a peça Monólogo da Solidão, com texto de Amelina Chaves.

Amelina é escritora e poeta. Já publicou 15 livros. Monólogo da Solidão traz, segundo ela, reflexões sobre a solidão, questões habituais da 3ª idade, como improdutividade, limites e lutas.

Para fazer a vó Guilé, personagem do monólogo, foi convidada a atriz e cantora Fátima Ribeiro, integrante do grupo de serestas Cordas e Vocais.

Vó Guilé sabe o que quer, não tem mais os medos e insegurança da juventude. É animada e assume novos desafios. "Vamos mostrar um pouco mais sobre a 3ª idade. A Vó Guilé é uma mulher forte, guerreira, alegre", conta Fátima que estudou canto e violão popular no conservatório estadual de música Lorenzo Fernandez.

A atriz também faz parte da Cia do Sonho onde realizou dois espetáculos, o Folianus Catopé e O andarilho do São Francisco. "Recebi o convite de Amelina, fiquei muito feliz. O palco é tudo para mim! É contagiante", comemora Fátima.

A noite do meu bem
Durante a peça, o público vai ouvir A noite do Meu Bem, samba-canção composto (letra e música) por Adiléa da Silva Rocha, conhecida artisticamente como Dolores Duran.

A noite do Meu Bem é um primor de poema, cheio de feminilidade. Poucas vezes em nossas canções encontram-se imagens da beleza e originalidade de paz de criança dormindo, abandono de flores se abrindo, alegria de um barco voltando. A música foi lançada em 1959 por Dolores Duran, que não teve tempo de ver e desfrutar o sucesso que a canção atingiu, pois morreu no mês seguinte de seu lançamento.

Também não vão faltar no espetáculo de hoje, cantigas de roda, cantiga de ninar, entre outras surpresas. Para acompanhar a atriz foram convidados os músicos Márcio Frank no violão, Dalila Lopes na flauta transversa, Maria Luiza Ribeiro na flauta doce.

Com apresentação única, hoje, sexta-feira, 25, às 20h, no Centro Cultural. Os ingressos custam R$ 5,00. Informações pelo telefone (38) 32229-3456.

Literatura e música

Da estante pro instante. E vice versa
Projeto de circulação literária realizado com o apoio do Ministério da Cultura-Funarte chega ao Norte de Minas

Aline Cântia, conhecida como Lili da Terra
Um passeio literário e musical pelas antigas rotas de formação do povo brasileiro: o projeto “Da Estante pro Instante. E vice-versa”, chegará, no próximo dia 28 de março, ao município de São Romão, uma ilha cheia de histórias às margens do Velho Chico.

O projeto realizará a “Semana das Letras, da Música e da Memória” e passará por Teodoro Sampaio-SP, São Romão-MG, Santa Fé de Minas-MG e Cavalcante-GO - municípios escolhidos por estarem intrinsecamente ligados desde as primeiras décadas do século XVIII, pela formação histórica advinda das rotas das minas. Com entradas por terra e localização próximas a importantes vias fluviais (rios Santo Anastácio, São Francisco e Paranã), tornaram-se ponto de ligação entre o sertão e o Atlântico - passagem de bandeirantes e escravos que seguiam em busca do ouro. Logo depois, também fizeram parte da rota de tropeiros, que levavam suas mercadorias para o centro-oeste brasileiro.

A imersão latina de Chicó do Céu
 Com a intenção de reconhecer esta memória coletiva, valorizar a identidade e promover a diversidade cultural local, o projeto “Da Estante pro Instante e vice-versa” levará a estes municípios formação em contação de histórias, oficina de poesia e possibilidades no digital, apresentações artísticas e sarau cultural.

Em São Romão a programação será de 28 de março a 02 de abril e será realizada pela narradora de histórias Aline Cântia e pelo músico Chicó do Céu, que já levaram suas histórias e canções para todos os cantos do Brasil e da América Latina. O projeto também conta com a participação da contadora de histórias de São Paulo, Vivian Catenacci, que há 15 anos se dedica à arte de narrar e pesquisar a cultura brasileira.

PROGRAMAÇÃO:

28/03 – segunda-feira
11horas – Apresentação de Narração de Histórias na E.M. Pres. Tancredo Neves 14horas – Apresentação de Narração de Histórias na E.M.Pres. Tancredo Neves
18horas – Formação em contação de histórias
Público alvo: educadores, agentes de leitura, artistas, agentes de saúde e funcionários dos programas PETI e Apoio à Terceira Idade.
Local: Escola Municipal Tancredo Neves

29/03 – terça-feira
16:20 – Apresentação na Escola M. Prof. Margareth Maria Batista Caxito e em seguida na creche municipal.
17:30 às 20:00 – Oficina de Poesia e possibilidades no Digital
Público alvo: jovens dos programas Territórios da Cidadania e da Escola Estadual Afonso Arinos interessados em música, teatro e literatura e
Local: Escola Municipal Tancredo Neves

30/03 – quarta-feira
09:30 – Apresentação de contação de histórias na Comunidade quilombola de Ribanceira
19:00 – 2º dia da Formação em Contação de Histórias na E.M. Tancredo Neves

31/03 – quinta-feira
 De 08h às 18h -Apresentações e oficinas no assentamento agrícola Para Terra, a 30km de São Romão.

01/04 – sexta-feira
10:20 – Apresentação na Escola M. Prof. Margareth Maria Batista Caxito
17:30 às 20:00 – Continuação da Oficina de Poesia e possibilidades no Digital.

02/04 – Sábado
Sarau Cultural com apresentação dos trabalhos realizados nas oficinas e formações, além dos artistas locais. Às 19horas na Praça do Coreto. Aberto a toda a comunidade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Adeus a Konstantin Christoff

 Montes Claros perde um de seus cidadãos ilustres

Faleceu na tarde desta segunda-feira, aos 88 anos, o benemérito médico e artista plástico Konstantin Christoff. Internado há meses na Santa Casa, inconsciente, devido a um acidente vascular cerebral, a história de Dr. Konstantin, como era conhecido, se mistura com a da medicina de Montes Claros.

Cirurgião geral e, depois, cirurgião-plástico respeitado pelo trabalho inovador, competente e ousado para o seu tempo, ao lado dos médicos Haroldo Tourinho, Jason Teixeira, Luiz Quintino e Crisantino Borém, resumiam, na década de 1940, o quadro clínico da Santa Casa, principal hospital da cidade, onde também trabalhou ao lado de Irmã Beata.

Anos mais tarde, numa atitude ainda mais ousada, abandonou a medicina e dedicou-se exclusivamente à pintura, com exposições em vários estados. Como artista plástico, colheu os mesmos aplausos que o acompanharam no exercício da medicina.

Konstantin nasceu na Bulgária, em 1923, e ainda menino veio para M. Claros, acompanhado do pai e da mãe e de um irmão - o engenheiro Raio, falecido em acidente aéreo. Na mesma leva de imigrantes búlgaros, chegou ao Brasil o Pedro advogado, pai da atual presidente Dilma Roussef.

Konstantin é o último remanescente de uma turma de jovens que brilhou intensamente e fez o nome de Montes Claros ganhar o mundo, assim como Darcy Ribeiro, João Vale Maurício, entre outros.

Domingo de feira

Em Montes Claros, no Major Prates, as manhãs de domingo são animadas, coloridas e saborosas, com a multiplicidade de ofertas da feira que acontece no bairro há cerca de 15 anos


Jerusia Arruda


Enquanto a maioria dos montes-clarenses aproveita a folga de domingo para dormir até mais tarde, no bairro Major Prates, zona sul de Montes Claros, as manhãs de domingo começam sob a efervescência típica das feiras livres, com a tradicional Feira do Major, que movimenta as principais avenidas do bairro há cerca de 15 anos.

A feira já se consolidou de tal forma que atrai pessoas de todas as classes sociais e de todas as regiões da cidade, que além de buscar pela infinidade de produtos vendidos sob as lonas azuis, aproveitam para um dedo de prosa com os amigos, tomar um aperitivo e degustar os pasteis, beijus e churrasquinhos que exalam seu cheiro por toda feira.

Entre as cores e cheiros que se renovam a cada barraca, é impossível ficar indiferente e não ceder à tentação de experimentar uma folha fresquinha, um pedacinho de pau de canela ou mordiscar uma fruta enquanto o feirante embala, nas tradicionais perucas, as frutas e hortaliças cultivadas em pequenas propriedades nas comunidades rurais do município.

E tem de tudo. Frutas da estação – no último final de semana o destaque ficou por conta das carambolas, jacas, pinhas e seriguelas que estavam de encher os olhos - pimenta de todos os tipos, doces, ovos, galinha caipira, queijos, verduras, folhas, biscoitos, chás para emagrecer, manteiga de garrafa e dezenas de outros produtos que atraem compradores e curiosos.


A pechinha, também típica da feira, é embalada pelo som que vem da esquina das avenidas Castelar Prates e Francisco Gaetani e toma conta de toda a área, alegrando o ambiente. O som vem da sanfona de Marin do Forró, que já estacionava sua cadeira de rodas no local antes mesmo do início do projeto da feira. Acompanhado de amigos forrozeiros, Marin solta a voz e chama a atenção até dos passageiros dos coletivos que acompanham, curiosos, a inusitada banda enquanto aguardam o sinal verde do semáforo na movimentada esquina.

- Nosso som já é parte desta festa que se tornou a feira do Major. Sem o forró de domingo, parece que a semana não começa no bairro – diz Marin, entre os cumprimentos dos amigos que gritam seu nome ao passar pela esquina, de carro, ônibus, bicicleta ou a pé mesmo.

DIVERSÃO E RENDA
Dona Maria Lúcia, de 62 anos diz que trabalha na feira há quase dez anos.

- Além de garantir um dinheirinho para as despesas miúdas como leite, pão, uma coisinha ou outra, a feira é uma distração. Aqui encontro velhos amigos e conheço pessoas novas. Me sinto muito feliz – observa a Dona Maria, que mantém uma barraca com temperos, corante e mudas de frutas e de plantas ornamentais.
Seu Braz, de 62 anos compartilha o espaço e a alegria de trabalhar na feira com Dona Maria. Entre queijos, frutas e verduras, ele aproveita para um dedo de prosa com os amigos.

- A feira mudou a história de muita gente por aqui, inclusive a minha - observa.

E mudou mesmo. Pelo menos é o que diz Gracielle, que chega bem cedo da comunidade de Atoleiro para vender tudo o que colhe na propriedade de sua família.

- Não dá muito dinheiro não, mas é divertido. Além disso, é uma forma de dar um destino às hortaliças que produzimos. Já me acostumei a sair todos os domingos bem cedo para a feira. Acho que vai ser sempre assim. E se for, vou gostar muito – garante a jovem agricultora.

PONTO DE ENCONTRO
Numa roda animada a cerveja e torresmo, José Oswaldo diz que essa é a rotina de suas manhãs de domingo.

- Minha mulher gosta de vir comprar peixe fresco, pimenta de cheiro, folhas para a salada do almoço e aproveito para encontrar alguns feirantes que conheço desde que começou a feira no bairro. É como se passassem fazer parte da família. Tem alguns que conheço quando ainda nem tinha me casado e hoje eles também conhecem meus filhos. Alguns até trazem uma fruta, um presentinho de vez em quando. Isso aqui é a vida do Major – avalia o advogado.

Marluce, que também mora no bairro, diz que todo domingo aproveita para saborear um pastel, que, segundo ela, é a maior atração da feira.

- Ninguém come nada no café da manhã lá em casa só para vir comer pastel na feira. Quando dá preguiça de vir, peço alguém para buscar, mas café com pastel no domingo é sagrado – conta.

Na feira do Major Prates, todo domingo é assim. E a cada semana, mais pessoas descobrem que este é um jeito novo de curtir a preguiça do domingo e ainda conhecer um pouco mais da cultura e cordialidade do povo norte-mineiro, saboreando suas delícias.

sábado, 19 de março de 2011

A visita de Barack Obama ao Brasil

Jerúsia Arruda
 

O Brasil está mobilizado para receber o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que chega neste sábado com a proposta de abrir mercado para suas exportações e vislumbrar novas possibilidades de abastecimento energético – na verdade, de olho nas reservas do pré-sal, já que o Brasil está caminhando para se tornar uma das maiores fontes de petróleo do planeta, recurso do qual o país norte-americano é totalmente dependente.

Enquanto a presidente Dilma Rousseff se prepara para a visita, como sói, com toda pompa, circunstância e muita segurança, movimentos sociais se organizam para não perder a oportunidade de apresentar seus protestos ao homem forte do planeta.

Na pauta, protestos contra o imperialismo americano no Brasil e as negociações do pré-sal, já que as incertezas nas relações, especialmente com os países do oriente, tornam a nova riqueza natural do Brasil uma arma sedutora para os norte-americanos. Algo parecido com o que já acontece há muito tempo com os recursos hídricos, inclusive com a supressão da região amazônica do mapa do Brasil nas aulas de geografia nas escolas norte-americanas.

A visita cordial poderá se tornar o primeiro contato de uma relação um tanto quanto perigosa, já que o emergente crescimento energético do Brasil poderá criar uma rivalidade entre as duas nações. Possibilidade que inclusive é tema do livro “As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos”, do historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira, cuja terceira edição será lançada em abril, pela editora Civilização.

É claro que o Brasil vai aproveitar a oportunidade para apresentar antigas reivindicações, como a diminuição de barreiras a produtos agrícolas, ampliação de parcerias comerciais e de tecnologia, cooperação espacial e investimentos em conjunto em áreas de interesse mútuo, além, é claro, do visto para entrada de brasileiros nos Estados Unidos.

Os acordos estão sendo estudados pelas duas nações e, para o bem ou para o mal, a visita certamente marca o início de um novo tempo, não só para o Brasil e Estados Unidos, mas para todo o planeta.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O mundo que temos e o mundo que queremos

Jerusia Arruda


Na mesma semana em que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança a Campanha da Fraternidade, que neste ano tem como tema a preservação do planeta e a proposta de pressionar órgãos públicos para que sejam adotadas medidas de proteção à natureza, do outro lado planeta, o Japão vive uma catástrofe, com o forte terremoto que atingiu a costa nordeste do país, causando pânico e danos.

Já faz muito tempo que o alerta sobre a urgente necessidade de se preservar o planeta vem sendo anunciado, sob o risco de a humanidade ser consumida em conseqüência da destruição compulsória a que vem sendo submetido o meio ambiente.Devido à insistência do alerta, muitos chegam a taxá-lo de discurso ecológico e modismo, em detrimento da seriedade que este representa, mas são notórias as consequências da agressão ao planeta, que hoje sofre com o aquecimento, mudanças climáticas cada vez mais intensas e as sucessivas catástrofes naturais que destroem países e vitimam milhares de pessoas.

Talvez o ocorrido no Japão nesta sexta-feira não tenha influência da ação humana, já que muitos desses desastres naturais acontecem de forma inexorável, seguindo as regras da própria constituição geográfica, como é o caso do Japão, uma ilha cercada por atividades vulcânicas e frequentes abalos sísmicos, mas não dúvida de que a maioria das calamidades que têm se abatido sobre o planeta é conseqüência da agressão do homem contra a natureza.

Assim, a proposta da Campanha da Fraternidade, ainda que não seja inédita, é mais que oportuna, afinal, o Brasil, que até bem tempo se dizia não ter terremoto, nos últimos anos tem vivenciado calamidades que deixam claro que as mudanças do planeta também estão deixando suas marcas bem próximo de nós.

Providências podem e devem ser tomadas, mas a conscientização e mobilização social são imprescindíveis para que os resultados sejam efetivos, afinal, esse é um processo em que cada um tem que fazer usa parte. O que antes era um alerta para rever posturas e hábitos, hoje também inclui defesa e correção, mas se cada um cada um tomar para si a causa e passar não só a não agredir, como a defender e proteger o meio ambiente, certamente daqui a alguns anos poderemos ter um planeta melhor. Caso contrário, infelizmente veremos a natureza humana sucumbir diante de sua própria fraqueza.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Os riscos e benefícios do carnaval

Jerúsia Arruda


Quando se fala em carnaval no Brasil, os números são sempre grandes. A festa, que está cada vez mais encorpada e aquecida nos quatro cantos do país, é responsável por um substancial incremento na economia, mas também pela elevação do consumo de bebidas e drogas, dos índices de violência e de acidentes nas estradas.

Antes mesmo do início das festas, as polícias Civil e Militar constataram que somente em Minas Gerais houve um aumento de 20% nas apreensões de drogas. Pelas rodovias do estado mineiro também circularam, no período de carnaval, mais de 500 mil veículos - pelo menos 300 mil deles passaram pelas estradas norte-mineiras, região que se configura como segundo maior entroncamento do país.

Além da ávida busca pelos rios e praias, os cálculos da Polícia Rodoviária Federal também atribuem o grande número de veículos circulando pelas estradas ao aumento da frota, fruto do crescimento da economia brasileira, cujo Produto Interno Bruto no ano passado foi de 7,5%.

Com tantos carros circulando ao mesmo tempo, muitos deles conduzidos por motoristas inexperientes, às vezes alcoolizados, apesar do reforço do policiamento, aumento da fiscalização, blitz educativa, redução de velocidade permitida e instalação de radares em diversos pontos das vias, o número de acidentes foi maior que o registrado na mesma época no ano passado.

De acordo com o bálano da PRF, de sexta até a meia noite de terça-feira, foram registrados 3.563 acidentes com 2.152 feridos e 189 mortos nas rodovias federais do país. O número é maior do que em todo o carnaval do ano passado, quando foram registradas 143 mortes. Segundo a PRF, o consumo de bebidas alcoólicas associado à direção continua sendo uma das principais causas de acidentes. O relatório apontou que 437 pessoas foram presas por embriaguez ao volante e foram feitos quase 30 mil testes para medir o teor de álcool no sangue com resultados positivos em 3.124.

Pela ótica da economia, os números são igualmente expressivos. Hoteis, pousadas, pensões e albergues, desde cidades como Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Recife, como as pequenas cidades ribeirinhas do interior, foram lotados por turistas, que também esvaziaram as cozinhas de bares e restaurantes de todo país. A produção de cerveja e chope aumentou em mais de 50% e algumas cervejarias não deram conta de atender à grande demanda. O mercado de trabalho para artistas, especialmente do samba, também foi ampliado no período de festas. Além disso, os desfiles de escolas de samba e blocos caricatos estimulam o comércio, aquecendo especialmente o mercado informal.

Apesar dos riscos, os dados mostram que a festa momesca é um fenômeno da economia, com incremento ao comércio e turismo, e geração de empregos e renda.