quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Serginho Veneno

O VENENO DAS PICK-UP’s
Escolhido para sonorizar as festinhas do bairro e da escola na infância, Serginho Veneno hoje é considerado um dos melhores DJ’s da região

Jerúsia Arruda


Primeiro foi o tape, depois o vinil, o famoso '3 em 1', em seguida, o computador, até chegar às pick-up’s. Aos 12 anos Luiz Sérgio Soares Andrade já comandava a trilha sonora nas festinhas do bairro e dos amigos da escola, ensaiando para aquela que seria sua profissão no futuro.
Ao longo dos anos a evolução tecnológica trouxe novos equipamentos e Serginho, sempre curioso, foi pesquisando, estudando, se envolvendo cada vez mais com os recursos do mundo fonográfico e o surgimento dos novos ritmos que passaram a imperar nas pistas.
Seu primeiro trabalho foi reproduzindo CDs das bandas e artistas da região que fazem trabalho independente. O interesse pelo ofício cresceu e Sérgio Veneno, como é conhecido no meio artístico, ampliou a estrutura, passando a gravar, copiar e dar acabamento, entregando o trabalho pronto. Paralelamente, continuava sonorizando, agora já para um público maior e com remuneração.
Até que resolveu assumir o título de Dj que já carregava desde a adolescência e se equipou com pick-up
Sempre ligado aos sites com informações sobre os ritmos e equipamentos que Djs de todo mundo estão usando, Serginho Veneno mantém o repertório atualizado, mesclado com sucessos que marcaram época e remixes de canções de artistas da região, agradando ao público de todas as idades.
- Além de fazer um som que agrada a todos, também tenho como objetivo divulgar os artistas norte-mineiros que fazem um bom trabalho e não têm muito espaço para mostrar suas músicas. Para isso, coloco uma música da região ao lado de outra no mesmo ritmo que já é sucesso nacional de forma que as pessoas assimilem naturalmente. Os próprios artistas me dizem que isso tem ajudado muito na divulgação dos som deles – explica Sérgio, que em todos os CDs que produziu até então, incluiu músicas de seus conterrâneos.
PROJETOS
Se preparando para montar uma casa de shows que deve ser inaugurada até o início do próximo ano, onde pretende reunir os melhores nomes da música eletrônica de todo o país, o aquariano que durante dezoito anos jurava ser do signo de capricórnio (achava que o período de regência do signo era do dia 1º a 30 de cada mês – Sérgio é de 29 de janeiro) diz que se sente gratificado com a profissão que escolheu.
- Trabalhar com o estúdio é ótimo, mas como Dj me sinto realizado. Invisto boa parte do cachê que ganho em estrutura como iluminação, cenário, equipamento de som, tudo para valorizar ainda mais minha performance e tem dado certo. Nunca fico parado e tenho demanda para manter a agenda da casa que ainda vou inaugurar. Mas é claro que vou compartilhar esse espaço com outros profissionais e até dar preferência. Espero que se torne um ponto de encontro da galera que curte música eletrônica – diz Sérgio, que está preparando um grande show e inauguração com participação de vários Djs, que deve ser finalizado em DVD.
- Há dois anos faço uma festa que chama Vírus Fest, e muita gente me cobra porque ainda não fiz a deste ano. Estou segurando para fazer na inauguração da nova casa – diz.
Sérgio diz que está firmando uma parceria com alguns artistas e, através do site (
www.djserginhoveneno.com.br) vai disponibilizar as músicas remixadas para download.
- O site já está no ar e estamos estudando uma forma de liberar as músicas sem problemas de direitos autorais. As canções que forem liberadas pelos artistas ganharão uma nova roupagem, com uma batida mais eletrônica, e disponibilizadas para os internautas. Mesmo se não conseguirmos permissão, vamos colocar o nome da música, do autor e do intérprete para facilitar para quem quiser adquirir o Cd. Muita gente gosta de uma música, mas às vezes não sabe o nome ou quem canta. Todas as músicas que estiverem em nosso repertório vão ter sua referência disponível no site para pesquisa e, se permitido pelo autor, disponibilizadas para download – explica Serginho.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Léo Nobre

ARTE QUE DESCE DO MORRO

O jovem artista plástico Léo Nobre se inicia na arte de pintar revelando identidade, emoção,técnica e sentimento


Jerúsia Arruda

Se a arte é a representação de expressões e sentimentos humanos executada com estética e técnica, o trabalho de Léo Nobre revela um artista em plena erupção de sentimentos e emoções.

Graduando em Artes Plásticas pela Unimontes, expert em artes gráficas, Leonardo Nobre Soares, 27 anos, chama atenção pela forma como processa a intercessão entre sentimento e técnica, retratando o comportamento humano com um estilo que pode ser identificado pelo traço.

Iniciante na arte de pintar, mas já com identidade singular, o jovem artista já participou de exposição coletiva em Montes Claros com três peças, que foram vendidas de imediato, e uma individual na galeria do Banco Mundial, em Brasília/DF.

- Nesse primeiro momento quero fazer um trabalho de divulgação e por isso não pretendo vender nenhuma peça. Após essa primeira individual, estou com um projeto de uma exposição itinerante, com um roteiro que inclui, além do Brasil, cidades da Argentina – diz.

Léo Nobre é um montes-clarense típico, que cresceu no bairro Morrinhos, onde a efervescência cultural pulula em cada canto, e da qual não conseguiu se furtar. De fala mansa, meigo e uma simplicidade desconcertante, o menino das artes plásticas possui uma genialidade nata e processo criativo que promete.

Com técnica vinílica sobre tela que tende ao expressionismo, apresentando, contudo, nuances peculiares que impedem classificar por um estilo pronto, suas peças retratam a observação da criança em diferentes momentos, ora triste, ora feliz, além de corpos, faces e caricaturas, sempre pintadas de forma a revelar, mais que a imagem, o sentimento e a emoção do personagem retratado.

Léo conta que desde pequeno gosta de desenhar e logo cedo começou a trabalhar com criação publicitária.

- Apesar de estar sempre criando, buscando uma forma de passar o conceito, a filosofia e a identidade de um produto através das artes gráficas, guardava em mim uma inquietação que não poderia expressar com a publicidade. Então resolvi fazer o curso de Artes e, motivado pelos colegas e professores, e inspirado pelos grandes pintores da cidade como Konstatin Christoff, João Rodrigues e Sérgio Ferreira, e pelo amor antigo que nutria pela obra de Picasso, Van Gog e tantos outros, resolvi arriscar e vi que poderia pintar também. O mais incrível foi perceber que ao pintar conseguia expressar exatamente o que sentia, e que era possível ir além de mim. Fui me redescobrindo junto com a pintura e hoje pretendo me dedicar exclusivamente à arte – conta.

Em parceria com o músico Hugo Nogueira, Léo se prepara para participar do projeto La Gran Sieter, em Rosário, Argentina, onde exporá seu trabalho com trilha sonora executada ao vivo por Hugo.

Colégio Marista São José

EDUCAÇÃO CRISTÃ
Colégio Marista São José comemora 51 anos de sua instalação em Montes Claros. O colégio foi inaugurado em 1957, pelo presidente Juscelino Kubitschek



POR JERÚSIA ARRUDA
No dia 7 de março, o colégio Marista São José, de Montes Claros, comemora 52 anos – o colégio foi inaugurado em 1957, pelo presidente Juscelino Kubitschek.


Com um sistema educacional que alia educação religiosa, intelectual, moral e cívica, a escola marista teve seu princípio em 1817, numa época em que a França enfrentava uma crise na educação. A pequena sociedade religiosa La Valla levava o ensino fundamental às crianças e jovens do interior do país. Essa sociedade foi nomeada por seu fundador, Marcelino Champagnat, como Irmãos Maristas.
Desde então, a filosofia marista se espalhou pelo mundo e, atualmente, o Instituto Marista, conta com 1.500 irmãos e colaboradores, espalhados por 77 países dos cinco continentes, com quase meio milhão de crianças e jovens matriculados.


No Brasil, a história dos Maristas se inicia em 1897, no estado de Minas Gerais. Atualmente, o Instituto dos Irmãos Marista está em 22 Estados e no Distrito Federal, organizados em três Províncias e um Distrito, com 24.086 irmãos e colaboradores servindo 150.796 crianças e jovens.


Os primeiros Irmãos Maristas chegaram a Montes Claros em 1957, constituindo a comunidade fundadora do Colégio Sao José, numa época em que só havia colégio para meninas; o Imaculada e o das Irmãs do Sagrado Coração de Maria.

A partir da criação do colégio Marista São José, os meninos não tiveram mais de buscar outros centros para prosseguir seus estudos.


Depois de cinquenta anos, o colégio Marista São José continua sendo uma das maiores referências da educação na cidade e, hoje, atende a contingente de 1000 estudantes, matriculados da educação infantil ao terceiro ano do ensino médio.


O diretor Amadeu Rodrigues Gonçalves, diz que além de ensinar o aluno a ler e escrever e prepará-lo para a universidade, o colégio se preocupa com sua formação humana.


- O Colégio São José, ao mesmo tempo que tem uma estrutura moderna, com laboratórios de Informática, Física, Química e Biologia, uma biblioteca com acervo atualizado e uma sala de audiovisual, também se dedica à disciplina, que garante o equilíbrio da formação dos alunos – ressalta.
Amadeu diz que o colégio oferece laboratórios modernos e todas as condições necessárias para um melhor aproveitamento no processo ensino-aprendizagem.


- Mas também mantemos um espaço de convivência, o Sítio Marista Umuarama, onde os estudantes se encontram para momentos de lazer, com atividades esportivas e culturais. Nesse espaço, mantemos o Museu do Cerrado, com preservação de várias espécies do bioma. O colégio funciona em regime semi-integral, de segunda a quinta-feira, com atividades complementares no horário contrário ao das aulas regulares. Também mantemos algumas tradições do colégio, como celebração de missas e hasteamento da bandeira, com execução do Hino Nacional. Tudo isso contribui para uma formação de valores que preparam para a vida – completa.


Amadeu diz que os resultados pedagogicos do colégio têm sido muito positivos.


- No ano passado, 95% dos alunos que formaram no ensino médio foram aprovados no vestibular. Saíram direto do ensino médio para a faculdade. Isso é uma grande conquista para nós – comemora.
Para Amadeu, o maior desafio em estar na direção do colégio é preservar a tradição de seu sistema educacional.


- Muitas lideranças do Norte de Minas já passaram pelo colégio e esse é seu grande diferencial, que além de oferecer um ensino de qualidade, prepara os estudantes para a vida, com uma equipe rica em material humano e entrosada com todos os segmentos do Colégio. O maior dasafio é manter essa contribuição para a formação da comunidade da região, que já é tradição nesses 51 anos do colégio – conclui.



SÃO MARCELINO CHAMPAGNAT

São Marcelino nasceu em 20 de maio de 1789, no povoado francês de Marlhes, uma localidade onde predominava o analfabetismo. Sua mãe e sua tia serviram de modelos e guias para a afirmação de seus primeiros passos como cristão, e uma criação com fé e oração. Logo passou a desertar em Marcelino a vocação mariana.


A formação intelectual do jovem Marcelino foi bastante trabalhosa por falta de professores competentes. Sabe-se que ele negou a voltar à escola depois de ver como os professores maltratavam a um aluno e se dedicou a trabalhar na granja dos pais.


Em 1805, quase analfabeto, foi ser sacerdote. Transcorridos alguns anos no seminário menor de Verrieres (1805-1813) ingressou no seminário maior de Lyon onde recebeu a formação ideológica e espiritual.


Um grupo de doze seminaristas entre os quais o próprio Marcelino promoveram a criação da Sociedade de Maria formada por sacerdotes, irmãos e irmãs religiosas e leigos.
Ordenado sacerdote em 22 de julho de 1816 ele foi indicado coadjutor da Vila de La Valla. Ficou impressionado com a pobreza cultural desta zona montanhosa e ainda observou que a escola atraia tão poucos que apenas alguns despreparados desejavam aprender. Foi então que fundou a escola marista.

Exposição de Artes Plásticas

Olhar Feminino
Exposição homeageia mulheres em seu dia


As mulheres montes-clarenses recebem uma homenagem especial no Dia Internacional da Mulher, 08 de março.
A data será marcada pela exposição Olhar Feminino, que reúne obras de quinze artistas plásticas da cidade, que já têm seu trabalho reconhecido. Cada uma vai expor quatro telas.
As artistas plásticas convidadas da mostras são: Conceição Melo, Raquel Monteiro, Márcia Prates, Lirs Helena, Lúcia Cangussú, Terezinha Guedes, Zezé Rodrigues, Celeste Rodrigues, Maristela Sacramento, Jussara Nassau, Guilhermina Lúcia, Elda Veloso, Áurea Teixeira, Eunice Ferreira e Maria Cristina Rodrigues.
A exposição Olhar Feminino pode ser apreciada a partir de 1º de março, de 08:00 às 23:00 horas, na Galeria de Artes Godofredo Guedes do Centro Cultural Hermes de Paula, no centro da cidade.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cid Durães

RÁDIO FEITO COM CARINHO, CRIATIVIDADE E MUITO HUMOR
 


POR JERUSIA ARRUDA


Com jeito simples e carismático, suas histórias de improviso fazem brotar o riso frouxo. É impossível conversar com ele sem esquecer o mau-humor e os problemas. Radialista desde os 10 anos de idade, Cid Durães nasceu para contar histórias. Apresentador dos programas Manhã Total, de 6h às 9h, de segunda-feira a sábado, na FM Itatiaia e Show de Alegria – título escolhido através de concurso, por um ouvinte de Bocaiuva - de 16h às 18h, de segunda a sexta-feira, na rádio Terra AM, Cid encanta o público com seus doze personagens, que fazem de seu trabalho uma festa de humor.

Sua primeira experiência como locutor veio por acaso. Em 1985, trabalhava na 98 FM como operador, com os locutores Eduardo Brasil e Ricardo Nascimento. Foi bem na época de transição e as rádios queriam que os locutores fossem também operadores e o diretor colocou um microfone na técnica. Aí, uma noite faltou locutor e Cid então resolveu falar a hora.


- Numa timidez, num medo, tremi igual vara verde. E sem autorização do diretor. No outro dia ele mandou continuar, eu gostei e mandei ver – conta, saudoso.

Desafios
No começo foi só assim, falando a hora. Cid diz que achava sua locução péssima e morria de vergonha. Em 1986, o diretor lhe deu um programa sertanejo que ninguém queria fazer e foi aí que se deslanchou. Para mudar um pouco a voz e fazer um trabalho diferente dos outros, Cid começou a criar personagens.


- Como eu tinha dificuldade de fazer uma locução normal, a coisa veio para compensar e funcionou - diz.


Cid diz ter se inspirado em Zefinha, personagem de um programa da rádio Globo, para criar seu primeiro personagem, o Chico Duca. Depois vieram Zezão, a velha Jovercina, Haroldinho e muitos outros. Na 98 FM, ficou durante 3 anos.


Depois foi para a rádio Educadora. Na AM, foi escalado para o final de semana onde ficou mais à vontade para criar e improvisar. Logo depois foi para a FM, onde atingiu o auge de sua carreira, conquistando o carinho e o reconhecimento do público.


- As pessoas começaram a gostar do meu trabalho, os personagens começaram a ficar mais interessantes. Me jogaram para fazer programas em horários mortos da rádio, horários que ninguém acreditava e que tiveram uma audiência fantástica que até hoje as pessoas comentam. Fiquei lá seis anos. Fiz AM, FM e fui premiado várias vezes por colunistas de jornais.


Como todo bom humorista, a timidez é uma companheira desse taurino, pai de Bruno de 16 anos e Paula Vitória, de 5. Ele diz que por causa dessas timidez, o desafio de fazer os personagens tornou-se ainda maior.


- Se tivesse mais alguém no estúdio comigo, por causa da timidez, talvez não tivesse desenvolvido meus personagens. Sempre preferi trabalhar sozinho, fico mais à vontade, me solto mais.

Personagens
Depois de dezenove anos de rádio, os personagens de Cid Durães continuam fazendo o mesmo sucesso do início de sua carreira.


- Somente um dos meus personagens foi inspirado em uma pessoa que fez parte da minha vida, que foi o Zezão. Os outros são produtos da minha imaginação somados à minha leitura de mundo. Minha grande fonte inspiradora foi a rádio Globo, principalmente o programa Maré Mansa, grande sucesso do rádio na década de oitenta - conta Cid.


Com dois programas de públicos totalmente diferentes, Cid diz que em ambos a performance dos personagens é a mesma e que percebe uma boa aceitação. No programa Hora de alegria, na rádio Terra, o público é maior na zona rural e bairros de periferia, além das cidades vizinhas a Montes Claros. O Manhã total, na rádio Itatiaia, é uma mistura de sertanejo e popular e ouvido principalmente por jovens e adolescentes.

Namoro com a eletrônica
Por dez anos, Cid trabalhou no extinto estúdio de gravação Opus 4, onde desenvolveu uma relação de intimidade com equipamentos eletrônicos. A relação com o estúdio e com a eletrônica complementou o trabalho do locutor, pois criou uma sintonia maior com o equipamento.


- É na verdade um namoro que tenho com a eletrônica. Adoro desmanchar um aparelho até encontrar o defeito e montá-lo outra vez. E eu sempre fiz questão de ser o operador do meu programa. Acho que cria uma interação maior e coisa flui com mais liberdade. E esse conhecimento extra me ajudou bastante - afirma Cid.

Inspirações e experiências
Sobre as experiências com outros profissionais do rádio, Cid diz que Montes Claros tem verdadeiros “dinossauros”, como Sebastião Remígio, Shumann Procópio, Eduardo Brasil e muitos outros que ele conhece desde os áureos tempos da rádio Sociedade. Segundo ele, muito do seu trabalho se deve ao que aprendeu com estes profissionais.


- São muitos os que me inspiraram aqui em Montes Claros. Ricardo Nascimento, que hoje coordena a rede Itatiaia e Eduardo Brasil, por exemplo, foram os profissionais com quem comecei. Eu era o operador deles na 98 FM. Teve também o José Nardel, que tinha um espírito de liderança e uma competência inigualável, com quem aprendi muito e que me serviu até na vida pessoal. E tem os colegas que estão há menos tempo no rádio que sempre estão nos ensinado algo novo, a trabalhar melhor. Juntando todo mundo, a gente sempre aprende e se inspira com cada um. Eu diria até que a gente imita os bons até encontrar o jeito próprio de fazer.


Cid lamenta o fato de a classe não ser unida, de não ter um sindicato atuante, que reivindique. Para ele, essa falta de união tem tornado o profissional do rádio pouco valorizado, principalmente financeiramente falando e que é preciso correr atrás para garantir o próprio espaço.

Recontrato
O trabalho do radialista gera uma fantasia. E para Cid é importante manter a alegria e o bom-humor de seus personagens para que possam cumprir o seu papel, que além de informar, é o de promover o entretenimento. Segundo ele, é importante que todos os personagens que representa tragam as nuances das experiências por ele vivida enquanto criador, mas transformada em alegria, que é o que as pessoas buscam em seus programas.


Com projeto de em breve lançar as histórias e piadas do Chico Duca em CD, Cid Durães diz estar vivendo uma nova fase da vida, onde se propõe um recontrato, uma nova perspectiva. Para ele, é cada vez mais importante a profissão que escolheu e que vai, a partir de agora, buscar novos subsídios, como teatro e outras escolas, para que criador e obra possam crescer juntos.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Aberto de Xadrez José Raul Capablanca

Primeiro Aberto de Xadrez do ano, em Montes Claros

Acontece neste sábado, dia 14 de fevereiro, o Primeiro Aberto de Xadrez José Raul Capablanca, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. O torneio, que abre oficialmente o circuito de xadrez de 2009, é organizado pelo Clube de Xadrez e reúne jogadores de todas as idades.
José Raul Capablanca (1888/1942), reconhecido como uma espécie de gênio, nasceu em Cuba e hoje é considerado um Mozart do xadrez pelo brilhantismo e criatividade. Ele começou a jogar em Havana, aos quatro anos de idade, apenas observando as jogadas do seu pai. Aos 12 anos de idade vencia o campeão cubano, Juan Corzo.
Campeão do mundo por seis vezes, Capablanca chegou a jogar no Kremlin, na presença de Josef Stálin.
Ao dar o seu nome ao torneio, o Clube de Xadrez de Montes Claros quer prestar uma homenagem a uma figura que inovou e continua sendo referência para jogadores em toda a América Latina. "É uma justa homenagem, um jogador brilhante, campeão mundial tantas vezes e que tem muito ainda a ser pesquisado", reflete Cássio Eduardo Gomes Nobre, coordenador do torneio.
O aberto será realizado no sistema suíço, com cinco rodadas e com um ritmo de jogo de 30 minutos para cada jogador finalizar a partida. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no Clube de Xadrez de Montes Claros. O clube fica na avenida Cula Mangabeira, número 108, próximo ao prédio da Prefeitura.

Feira de Artes

Feira de Artes ao som de violões

Neste domingo, dia 15 de fevereiro, o músico Luiz Henrique e seus convidados são a atração musical da Feira de Artes e Artesanato de Montes Claros, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura.
A Feira de Artes e Artesanato acontece de 8h às 14h, em frente à Praça Dr. Chaves (Matriz), no centro da cidade e reúne trabalhos de artesãos feitos em couro, madeira, metal, tecido, papel, pedra, barro, bijuteria, além de barracas de comida típica regional.
Quem visita a feira, além do artesanto, vai encontrar doces, beiju, biscoitos, sucos, bolos e tortas caseiras, além do arroz com pequi.
Luiz Henrique começou seus estudos de violão no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, e há alguns anos vem se apresentando em bares e shows pela cidade.
Na Feira de Artes, estará acompanhadode Luiz Mauro (voz e violão) e Nayara (vocal).
O show começa às11:00 horas da manhã.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Babilak Bah

OU A GENTE SE 'RAONI' OU A GENTE SE 'STING'
A música do Babilak Bah faz um protesto contra a injustiça social e denuncia as mazelas sociais, em um trocadilho poético que, na verdade, diz que Ou a gente se reúne ou a gente se extingue

POR JERÚSIA ARRUDA
 

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Imagine o som do ferro batendo em uma enxada. Multiplique por dois, três, quatro, cinco ou mais. Agora misture a suavidade do violoncelo, violinos, caixa de folia, a alegria do pífano – às vezes dois, tocados ao mesmo tempo pela mesma pessoa – e o peso dos tambores, guitarra, baixo e sintetizador. O resultado é a música do Babilak Bah e sua Enxadário: Orquestra de Enxadas, que mistura a cultura autóctone às novas linguagens, com uma performance sonora e visual surpreendentes.

No palco, a enxada não é uma ferramenta milenar, usada como base sustento de trabalho árduo, geradora de alimentos, alegria e exploração, ou uma arma, como define Bah em seu CD Enxadário. Ela é um instrumento musical. Mais do que isso é o principal instrumento de um show onde a poesia convive em pé de igualdade com o protesto, o engajamento e a exuberância da black music reforçada pelas nuances dos sons nativos. Assim também é o Cd, que reúne faixas de música incidental, instrumental calcado nos sons da enxada, no surpreendente berimbacia (instrumento criado pelo músico à base de arco de berimbau e bacia), na expressiva rapsódia de Babilak Bah, que passeia livremente pela literatura popular com fortes influências da cultura africana, resultando em uma colheita musical que vai do Bolero de Ravel a Zé Ramalho, com intervenções poéticas vigorosas e livres, e atiladas experimentações sonoras.



BABILAK BAH
O paraibano Babilak Bah é poeta, escritor, compositor, pesquisador e músico autodidata. Com a Enxadário: Orquestra de Enxadas, ao lado de percussionistas mineiros, mixou o timbre de enxadas com cordas, guitarra, trombone, baixo, intervenções eletrônicas e canto lírico. Babilak iniciou a carreira no teatro de rua e suas pesquisas sonoras têm como foco a diversidade cultural. Além da Enxadário, atua na banda ZeNpreto e coordena oficinas musicais em projetos sociais em Belo Horizonte, onde reside.
Autor de dois livros de poemas, os trabalhos de Bah sempre foram estabelecidos a partir de intensas pesquisas de experimentação musical e exploração de sons produzidos inclusive a partir do próprio corpo, unindo poesia e percussão, e desenvolvendo estudos entre ritmo e a globalidade do ser.


Essa experimentação pode ser vista pelo público belo-horizontino, nos últimos anos, em shows como Afroprogressividade - espetáculo multimídia, na oficina-show Enxadário: Orquestra de Enxadas, quando difundiu sua tamborologia, e na última edição do Conexão Telemig Celular de Música, quando dividiu o palco com o múltiplo artista Jorge Mautner.


Com a música Vou me Raoni, Bah faz um protesto contra a injustiça social e denuncia as mazelas sociais, com um trocadilho poético que também diz que “ou a gente se reúne ou a gente se extingue”.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Raymundo Costa

RAY COSTA DANÇA E ENSINA A DANÇAR
Depois de seis anos, o bailarino e professor de Dança Contemporânea Raymundo Costa volta aos palcos de Montes Claros
 


POR JERÚSIA ARRUDA

O bailarino montesclarense, Ray Costa apresentou, no ano passado, em Montes Claros o solo Cortejo, coreografado por Dudude Hermann, que faz parte de um espetáculo criado para o Balé Cidade de São Paulo. Além do solo, o bailarino ministrou a oficina A Gravidade e o Peso - a grande dobra, uma dança contemporânea na linha de pensamento da técnica Release que aborda o imaginário anatômico, com exercícios elaborados a partir de diversas técnicas.


A bailarina Lilia Shaw, da Cia 2 do Balé da Cidade de São Paulo, acompanhou o bailarino e também realizou uma oficina.

Ray Costa começou seus estudos de dança no Palácio das Artes, na escola do grupo Corpo e no Baleteatro Minas, em Belo Horizonte. Também viveu na Alemanha, participou do American Dance Festival, na Carolina do Norte, EUA, estudou Pedagogia da Dança e Sapateado, em Nova York e hoje é professor de Dança Contemporânea do Balé Cidade de São Paulo.

Conversei com o bailarino, que falou de seu trabalho no Balé da Cidade de São Paulo, de suas experiências no exterior, da sensação de voltar à terra natal e ainda deu dicas para os novos bailarinos que vivem em Montes Claros.

Como é seu trabalho no palco?Danço na Cia 2 do Balé da Cidade de São Paulo que enfoca o seu trabalho no campo da experimentação, visando encontrar outras formas de fazer e pensar a dança, onde a dança que desenvolvemos é conectada com o mundo contemporâneo, que procura levantar questões e que busca situar o indivíduo num contexto universal.

Sendo de origem interiorana, como foi vencer as diferenças culturais e comportamentais e se projetar na dança no cenário mundial?A minha trajetória do interior para o exterior foi de maneira, digamos assim, gradativa, e aconteceu de maneira bem natural e com muita sorte. De Montes Claros fui para Belo Horizonte, onde iniciei os estudos e dancei por 3 anos, depois mudei para São Paulo onde entrei para o Teatro Municipal. Nos anos 80 fui para a Alemanha onde trabalhei e morei por 4 anos. Retornei ao Brasil, para São Paulo e somente no final dos anos 90 fui morar e estudar em Nova Iorque. Vivendo e trabalhando hoje em São Paulo, me considero um cidadão do mundo, que viveu e assimilou bastante de outras culturas, mas conserva ainda alguns traços da cultura norte-mineira.

Como foi sua experiência na Alemanha?
Dancei com o Ballet Schindowski, em Gelsenkirchem e foi muito importante na minha formação artística, pois tive a oportunidade de trocar experiência e conhecer artistas de diversas culturas do mundo. O aprendizado foi muito grande, pois os espetáculos eram sempre com orquestra ao vivo e toda a produção era desenvolvida no próprio teatro.

Quando se apresentou em Montes Claros pela última vez?
Em agosto de 2000, durante o XXII Festival Folclórico. Dancei o solo Bags, junto com Adriana Camargo e o Balé de Câmara de Montes Claros, que apresentou Catopê – Labirinto da Memória , espetáculo que criei para eles, com música de Yuri Popoff.

Como é retornar? Compartilhar experiências com seus conterrâneos através de oficina?
Voltar à terra da gente sempre trás um sentimento bom e eu me realizo muito em poder passar adiante, mesmo que seja na forma de uma oficina, o aprendizado de 29 anos de carreira na dança.

Já ouviu a expressão Montes Claros, cidade da arte e da cultura? O que pensa sobre ela?
Não ouvi, mas concordo plenamente, pois na infância, em Montes Claros, sempre recebi e senti a arte próxima e tive contato com a cultura, tanto popular quanto erudita.

Para os bailarinos que estão começando, ainda em Montes Claros, o que recomenda?
Uma carreira na dança além de talento, exige disciplina e muitos anos de estudos. Busque o auto-conhecimento e um corpo bem conectado com a mente. Procure acreditar no sonho e superar os preconceitos.

Tiago Moreno

O MENINO DOS PALCOS
Com sorriso franco e olhar decidido Tiago Moreno se prepara para ganhar os palcos cariocas. Depois de cinco anos estudando teatro em Montes Claros, Tiago decide alçar novos vôos buscando espaço de trabalho no Rio de Janeiro

Jerúsia Arruda


O talento e a simpatia ele herdou da família. A determinação em conquistar seu próprio espaço também. Até no nome ele inspira arte: Tiago Moreno. Um garoto de 22 anos, cinco deles dedicados ao estudo do teatro, que decidiu trocar os Montes Claros pelo burburinho das terras fluminenses onde, como ele mesmo diz, a arte fervilha e traz oportunidades.
Tiago Moreno estreou no teatro com o grupo Oficinato, do diretor Aldo Pereira.
- Minha primeira experiência no palco foi em 2003, na peça O Defunto Premiado. Já estava no grupo Oficinato há algum tempo, e depois de encarar o desafio descobri que o teatro já era uma paixão sem cura – relembra o ator.
Com apoio dos familiares e incentivo fiel de sua mãe, Cleonice Souto, Tiago diz que a vontade de seguir carreira se definiu rapidamente.
- A arte é uma profissão penosa, que exige sacrifícios, e desde cedo meu pai (o escritor Georgino Jr.) me advertiu sobre isso. Mas não tive escapatória. Logo que comecei a freqüentar as aulas fui me envolvendo e então decidi me aperfeiçoar. Além das aulas com Aldo Pereira, também estudei no TU (teatro universitário) onde tive aulas teóricas e preparação técnica com a professora Terezinha Lígia - conta o ator que neste ano conclui o curso de graduação em Educação Física.


CENA ABERTA
A última apresentação de Tiago com o grupo Oficinato foi durante a 5ª Mostra de teatro em Montes Claros.
- Agora estou com o grupo ArtCena, do diretor Haroldo Soares, me preparando para apresentar o espetáculo Cena Aberta, com texto do jovem autor montes-clarense Marcos Frederick, com estréia prevista para o próximo mês de novembro. A peça é um drama, com abordagem de valores e conflitos próprios da natureza humana, o que já é uma característica do grupo. Mas como o público de Montes Claros não está preparando para um drama, Haroldo adaptou o texto com pequenos momentos cômicos – explica o ator que no espetáculo atua ao lado de Amanda Gomes, Fernando Coelho e grande elenco.

FALTA DE ESPAÇO
Apesar de estar apenas começando na profissão, Tiago Moreno diz lamentar as condições de trabalho para o artista em Montes Claros.
- A cidade é um celeiro musical em todas as vertentes da arte, mas a falta de espaço e de estrutura limita o trabalho do artista, que acaba por se perder no meio do caminho. É difícil estudar, se preparar tecnicamente, produzir bons espetáculos sem dispor de um espaço compatível. As autoridades deveriam dar maior atenção à Cultura. De todas as áreas, é a menos assistida – lamenta o ator que no próximo ano se muda para o Rio de Janeiro, onde vai buscar aprimorar seus conhecimentos, fazer testes e tentar se firmar na profissão que escolheu como norte de sua vida.
- A qualidade do trabalho artístico de Montes Claros por se só justifica um investimento maior das empresas e do poder público no segmento cultural. Acredito que se os artistas tivessem esse apoio, em vez de irem para outros centros buscar por trabalho, os diretores de lá é que viram para cá, atraídos pelos bons profissionais que temos, mas que não têm oportunidade de se aprimorar – diz o ator, que também é desenhista.

PROFISSIONALIZAÇÃO
Tiago Moreno diz que para se firmar como artista é imprescindível a disciplina, a profissionalização e consciência de que esta é uma profissão como outra qualquer.
- É importante que o artista se credencie, se habilite para exercer a profissão, e não se deixe levar pelo glamour que o trabalho inspira. É preciso conhecer o potencial e tentar superar sempre os próprios limites. Sou uma pessoa despojada, espontânea e nada pragmática, mas que tem os valores calcados na família. Não sei como será daqui em diante, mas nunca vou perder minha humildade nem a coragem de batalhar para ver meus sonhos se tornarem realidade – conclui Tiago Moreno, que se diz consciente das dificuldades que tem pela frente, mas o fato de contar com o apoio de seus familiares já suaviza a luta.

Maria Luiza Falcão

UMA CARIOCA DE CORAÇÃO MINEIRO
A escritora carioca Maria Luiza Falcão lança romance inspirado nos hábitos mineiros




POR JERUSIA ARRUDA

Ela é uma carioca apaixonada pelos hábitos mineiros. Escritora, artista plástica e produtora cultural, Maria Luiza Falcão viaja por Minas para divulgar seu recente trabalho, o romance Afonso, lançado na XII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, que com a linguagem simples e singela do interior, narra a trajetória de um brasileiro das Minas Gerais e seu amor por Helena, a escritora da cidade grande.

Delegada Regional da APPERJ - Associação profissional de poetas do estado do Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Maria Luiza se diz uma urbana apaixonada pelo mundo rural.


- Na medida do possível, sempre busquei as coisas que me aproximassem desse universo. Sou carioca, e atualmente resido na bucólica Ilha de Paquetá. Pode imaginar algo mais rural incrustado numa grande metrópole? Destas ruas de terra batida e vida pacata entre o casario antigo, me transporto para qualquer vilarejo no interior do país adotando como fundo musical aquelas músicas sertanejas de letras extensas e profundas. O endereço me auxiliou até na hora de escrever o livro, pois a maior parte do texto foi manuscrita durante meses de trabalho, em horas de espera nas estações das barcas e nas longas viagens de travessia da Baía de Guanabara (cerca de uma hora). Aproveitei também os bancos dos belos jardins do Rio de Janeiro e o silêncio de alguns templos religiosos para criar Afonso - conta.

SER MINEIROCom uma habilidade em transitar por mundos aparentemente distintos, o rural e o citadino, Maria Luiza diz que busca imprimir em seus personagens valores inerentes ao ser humano e que, independentes de origem ou condição social, se irmanam na vida com simplicidade. Em Afonso, ela revela, ainda, uma peculiar familiaridade com o universo mineiro.


- Talvez por consanguinidade. Em algum momento, do meu lado materno, alguém nasceu em Minas e me atraí fortemente. Fernando Sabino, por certo, preenche esta lacuna na minha vida ao descrever tão sabiamente o Ser mineiro. Sem dúvida um povo que tem ao mesmo tempo, história, simplicidade e pureza, é diferente, tem marca registrada, é poeta, conservador e amante da liberdade, é tudo que eu entendo como ser gente. E ainda por cima, fala uai! Realmente é um povo especial cuja cultura rica de seus antepassados não estacionou no tempo.Um claro exemplo disso pude observar na cidade de Ponte Nova, onde estive recentemente, e onde a literatura fervilha nas mãos hábeis de seus artistas, uma lista enorme de valores - observa a escritora.

AFONSO

O livro tem 332 páginas repletas de valores e contrastes, revelados através do jovem Afonso, que se lança ao mundo aos quinze anos para viver sua história. O cotidiano de Afonso não conhece as letras, mas passeia repleto de poesia pelas estradas transportando o alimento, por garimpos extraindo do solo riquezas e mazelas, pelas fazendas plantando e criando, pelos riscos e glórias no mundo dos rodeios, e também, penetra a verdade desnuda das casas de tolerância, sem esquecer a família, de sangue ou não, e do fervor de um povo em suas crenças e festas religiosas.

- O livro tem de tudo. Falo de vida. Um jovem pleno em seu vigor físico, hormônios gritando. Até de bolo de milho eu falo. Mas, como não sou quituteira, substituí a receita pela revelação do ingrediente principal que a mãe de Afonso misturava à massa e que, depois de pronta, era partilhada aos pedacinhos com o filho, ainda menino, sentado ao colo em sua cadeira de balanço. O ingrediente? Amor - diz a autora que deixa ao leitor a promessa de continuação da história, ao concluir o romance com “E a vida continua...”

PROJETOS CULTURAIS
Além de escritora, Maria Luiza desenvolve um projeto musical na Ilha de Paquetá, levando às ruas, em noites enluaradas, centenas de pessoas, músicos e seresteiros, todos apaixonados pela boa música. Durante o passeio, são inauguradas nas casas, placas com as letras das músicas preferidas de seus moradores. Em sua casa, por exemplo, foi afixada na entrada uma placa com a letra de Tocando em Frente, imortalizando os compositores Almir Sater e Renato Teixeira.


Preocupada com o incentivo à leitura e o acesso da população aos livros e outras formas de manifestação cultural, a escritora desenvolve, ainda, o projeto Perdidos e Achados, junto à Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá.


- O projeto permite que os livros sejam perdidos e achados pela cidade, até mesmo em praças publicas. Para os amantes da boa leitura, é uma oportunidade de encontrar o título ou autor de seu interesse, lê-lo e, num próximo encontro, permitir a outros que também leiam. Nosso povo lê pouco, não só por causa do alto preço dos livros, mas, também, pela falta do costume. Cabe às escolas, instituições e todos os profissionais, direta ou indiretamente ligados à cultura, promover o incentivo a este hábito salutar. Nosso projeto tem esse objetivo - explica Maria Luiza.

PRODUÇÃO
Apesar de Afonso ser seu primeiro livro editado, a produção literária de Maria Luiza passa pelo teatro com Made in Brazil, Vida, A Praça é Limpeza!, e adaptações dos clássicos da ópera O Navio Fantasma e Pagliacci. A autora tem ainda inéditos os romances Afonso II e Diário, os contos Olívia, Ele & Ela, Tenho Trinta e Três, e para teatro infantil Cinderela do Agreste (agraciado com a Menção Especial Alice da Silva Lima, no Concurso Prêmios Literários da UBE - União Brasileira de Escritores - 2005), Um Amor de Palhaço e A Lenda da Moreninha e, teatro adulto, Se Essa Rua Fosse Minha, além de contos, crônicas e poesias. A escritora também é colaboradora no jornal Trilha Sonora de Belo Horizonte (da AMAI) e mantém colunas semanais on-line.


Maria Luiza Falcão se diz cada vez mais apaixonada por Minas Gerais e promete visitar outras cidades, entre elas Montes Claros, tendo como certa sua breve transferência para solo mineiro.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Celimar Maia

CELIMAR MAIA: VENCENDO BARREIRAS POR AMOR À ARTEBailarino montes-clarense ganhou o mundo com a profissão que escolheu como norte de sua vida


POR JERÚSIA ARRUDA


É muito comum na infância sonhar em um dia ser artista. A imaginação fértil e a sensibilidade das crianças facilmente as conduzem para o mundo mágico que a arte inspira e muitas se apaixonam pela música, pelo teatro, pela dança, pela pintura, pelo desenho, embaladas pelas histórias de contos de fadas que hoje já não se limitam à Literatura, envolvendo personagens bem próximos de nós.


Mas, para sair do sonho e partir para a prática, a profissão de artista requer disciplina, estudo, sacrifícios, parceria entre familiares, nem sempre ao alcance. Principalmente quando a modalidade escolhida envolve superação de preconceitos e discriminação.


Na dança, por exemplo, se para as meninas os obstáculos são gigantescos, para os meninos a situação é ainda mais complicada, face aos conceitos que a sociedade, ainda hoje, tem em relação ao bailarino. Imagine há 20, 30 anos?
O bailarino montes-clarense, Celimar Maia, 35 anos,
que conecta o céu e o mar no nome, sabe bem o que isso significa.

Ele foi uma dessas crianças que se apaixonaram pela dança desde que consegue se lembrar e, para realizar o sonho de subir aos palcos, teve que enfrentar o desafio de viver em uma cidade do interior, com hábitos provincianos, família e amigos reticentes e sem espaço para se profissionalizar. Aos 15 anos, a primeira oportunidade surgiu com a professora e bailarina Ymma Martins, com quem estudou balé clássico.


- Foi uma época difícil, porque as pessoas achavam que balé não era profissão, e sofria toda sorte de preconceitos – diz Celimar, acrescentando que, apesar das dificuldades, não poderia ter escolhido outro trabalho.


Durante o período de iniciação ao balé, Celimar participou do projeto Circo dos Bairros, onde, ao lado de outros bailarinos, ensinava o que aprendia às crianças carentes pelos bairros de Montes Claros.

ABRINDO CAMINHOS

Quatro anos depois de se iniciar na dança, Celimar Maia se muda para Belo Horizonte e logo nos primeiros dias na capital participa de uma audição no Corpo de Balé do Sesiminas, aprovado com louvor.

- Não tinha a técnica dos outros candidatos, mas tinha postura e um bom físico, que fora bem treinado pela professora Ymma e isso fez a diferença na hora da seleção. Fiquei no Sesiminas por seis anos e foi lá que aprimorei a técnica e tive a oportunidade de conhecer outros grupos e ampliar meu conhecimento sobre a arte que escolhi para norte de minha vida - recorda o bailarino, que diz que assim que começou a dançar no novo grupo, teve certeza de estar cada vez mais no caminho certo.
Celimar diz que um dos momentos mais marcantes nesse período foi sua participação como bruxo no espetáculo Lago dos Cisnes, ao lado de bailarinos do grupo russo Kirov.
NA ESTRADADepois do balé do Sesiminas, Celimar se enveredou por novas experiências. Conheceu a dança contemporânea no grupo de Dudude Hermam, dando uma guinada em sua carreira.


- Fiquei com Hermam por um ano e foi impressionante a mudança que o novo estilo provocou em meus conceitos sobre a dança. Descobri que estava no escaninho do balé clássico, limitando meu espaço de atuação. A dança contemporânea ampliou meus horizontes e, a partir de então, comecei a alçar voos mais altos. Fui para Niterói /RJ, onde o espaço era constantemente visitado por coreógrafos internacionais, depois fui dar aulas de balé clássico no Rio de Janeiro, no centro de danças Jaime Arôxa, em seguida, entrei como solista de um grupo, que já estava com o espetáculo pronto, com o qual viajei pela Alemanha durante sete meses, fazendo até cinco espetáculos por dia. Apesar de desgastante, foi muito enriquecedor - diz Celimar.


Depois que retornou da Alemanha, Celimar foi para Londres, onde conheceu um novo universo da dança.


- Em Londres é tudo muito caro e você paga por semana. Além disso, o mercado é muito concorrido e é difícil conseguir trabalho. Mas tive sorte ao fazer um teste para a BBC e participei da gravação da vinheta de abertura da rede. O problema é que na hora da gravação sofri uma queda e machuquei a coluna e tive que dar um tempo. Consegui um trabalho como professor de dança e fiquei lá por seis meses, até o fim do visto - conta o bailarino.
DE VOLTA PRA CASADe volta a Montes Claros, desde dezembro do ano passado, Celimar tentou, por algum, um novo visto para retornar a Londres, mas por causa de ataques terroristas, ficou mais complicado.


Chegou a planejar um espetáculo solo e, caso ficasse em definitivo na cidade, abrir uma escola de dança.


- Montes Claros cresceu muito desde que saí daqui, há dez anos, mas a falta de espaço de trabalho continua a mesma, assim como a falta de incentivo e de patrocínio. É importante para o artista ter um trabalho que lhe resguarde os direitos trabalhistas e uma disciplina de horários e salário. Percebi que os grupos que foram formados nos últimos anos na cidade estão fazendo um trabalho estruturado, mas é cada um na sua. Gostaria de montar um curso que pudesse contar com a parceria de todos os professores e bailarinos, para que a classe pudesse ser fortalecida - argumenta o bailarino que diz que é preciso união e engajamento dos artistas para que a arte realmente aconteça em Montes Claros.
Como sói acontecer, Celimar voltou para outras terras. Quem traz no nome o céu e o mar como limites não consegue ficar parado por muito tempo.

TOQUE DE MESTRE
Para os novos bailarinos, Celimar dá uma dica:

 
- Não estudem somente balé, mas também dança contemporânea para que possam ampliar o mercado de trabalho. Façam uma boa base aqui, mas não esperem por uma companhia, conheçam outras cidades, outros grupos, outras realidades. No Brasil existem pelo menos 15 companhias profissionais e milhares de bailarinos buscando por uma vaga. Procurem se especializar, façam essa diferença e contem sempre com a sorte - conclui.