terça-feira, 31 de março de 2009

Xilogravura

A arte de fazer gravuras em relevo sobre madeira em exposição no Ceará

Do nosso companheiro Luciano Sá, jornalista cearense, nos chega a informação de duas exposições de xilogravuras, que reúnem 39 dos mais expressivos xilogravuristas do Brasil e da Argentina.


A arte e técnica de fazer gravuras em relevo sobre madeira será tema das exposições coletivas, que acontecem simultaneamente a partir de terça-feira, 31 de março, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro - fone: 85-3464.3108).

Juntas, as duas mostras exibirão obras de 37 xilogravuristas de sete estados brasileiros (Ceará, Paraíba, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul), um grupo de artistas paulistas (Espaço Coringa) e um argentino (Nicolás Robbio). Gratuitas ao público, as duas exposições ficarão em cartaz no CCBNB-Fortaleza até o próximo dia 3 de maio (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 10h às 20h; domingo, de 10h às 18h).

Entre a Xilo e o Múltiplo
Intitulada "Entre a Xilo e o Múltiplo: Clube de Colecionadores de Gravura do MAM", a primeira exposição resulta de parceria entre o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e o Centro Cultural Banco do Nordeste. Com curadoria de Cauê Alves, a exposição reunirá uma mostra representativa de gravuras realizadas por 29 dos mais importantes gravuristas do Brasil e da Argentina para o Clube de Colecionadores de Gravura do MAM.

O objetivo da mostra é apresentar, de modo didático, com matrizes originais e textos explicativos, as técnicas tradicionais da gravura (xilogravura, litografia, gravura em metal e relevo), bem como trabalhos contemporâneos que ampliam a noção tradicional dessa técnica.
Gravuristas: Antonio Dias (PB), Athos Bulcão (RJ/1918 - DF/2008), Cildo Meireles (RJ), Daniel Senise (RJ), Espaço Coringa (SP), Fábio Miguez (SP), Efrain Almeida (CE), Hélio Vinci (SP), Hércules Barsotti (SP), José Damasceno (SP), José Marcionilo Pereira Filho - Nilo (CE), Judith Lauand (SP), Karin Lambrecht (RS), Laura Vinci (SP), Mabe Bethônico (MG), Marepe (BA), Nelson Leirner (SP), Nicolás Robbio (Argentina), Nuno Ramos (SP), Paulo Bruscky (PE), Paulo Climachauska (SP), Regina Johas (SP), Rivane Neuenschwander (MG), Roberto Bethônico (MG), Rubem Grilo (MG), Sérgio Sister (SP), Valeska Soares (MG), Vânia Mignone (SP) e Waltércio Caldas (RJ).

Minha Vida na Xilogravura
A segunda exposição se denomina "Minha Vida na Xilogravura: Gravadores de Juazeiro", reúne dez xilogravuristas cearenses, naturais de Juazeiro do Norte (região do Cariri, sul do Estado). A mostra apresentará gravuras que expressam as trajetórias dos dez artistas, porém mostrando temas diferentes das tradicionais imagens daquela região.
Expositores: Abrahão Batista, Ailton Laurino, Cícero Lourenço, Cosmo Braz, Francorli, José Lourenço, Manoel, Naldo, Nilo e Stênio Diniz. Todos esses dez xilogravuristas estarão presentes à abertura da mostra no CCBNB-Fortaleza.

Cauê Alves

Além dos limites da linguagem

Jerúsia Arruda

Para se chegar às exposições, um longo caminho foi percorrido. Conversei, via Internet, com o curador da exposição "Entre a Xilo e o Múltiplo: Clube de Colecionadores de Gravuras do MAM", Cauê Alves, que conta um pouco mais sobre a preparação da mostra. Cauê também fala sobre as especificidades da gravura e como esta vem se contextualizando com as novas formas de comunicação, e sobre os conceitos da arte contemporânea nos dias atuais. Confira.

Os artistas participantes das mostras vêm de diferentes regiões. O que têm em comum na obra que produzem?
Sim, eles são de diferentes regiões. Todos eles participaram do Clube de Gravura do MAM. As obras são de propriedade do Museu de Arte Moderna de São Paulo

A xilogravura nos faz viajar no tempo e espaço, pelos elementos contemporâneos e tradicionais que a compõem. Como a curadoria trabalha para que as pessoas que visitam a exposição possam compreender a intensidade dessa arte?
A curadoria tem como objetivo ampliar a noção de gravura mais arraigada no público a partir da xilogravura até a noção de múltiplo. A mostra apresenta diversas gravuras, com as mais variadas técnicas e artistas. A idéia é que as pessoas possam perceber que a gravura é algo presente em nosso cotidiano.
Percorrendo a exposição, o público poderá acompanhar as diferentes orientações adotadas pela curadoria do MAM ao longo de sua história. Se inicialmente apenas participaram das edições do Clube artistas que possuíam um sólido trabalho como gravadores, aos poucos, principalmente a partir da década de 1990, os convites foram direcionados também àqueles que faziam uso prioritariamente de outros meios, como a pintura ou a escultura. Interessado em acertar o passo com as discussões da cena contemporânea, que questionava a própria definição de gravura, o MAM, assumindo o papel de laboratório e lugar de experimentação, deu total liberdade para artistas de uma nova geração desenvolverem trabalhos que superassem os limites da linguagem. Durante esse processo foi surgindo uma noção mais híbrida e alargada de gravura, que tende no limite para o múltiplo. Desse modo, o MAM tem estimulado uma produção em que o privilégio foi dado menos para questões técnicas do que para a discussão sobre os sentidos que as obras possam adquirir.

Qual é o resultado da mistura Cariri e MAM?
Agora estamos lançando a gravura do Efrain Almeida que é resultado de uma parceria feita pelo artista com vários gravadores da região do Cariri. Em março, o Nilo (gravura foto) veio a São Paulo desenvolver seu trabalho. Trata-se de uma rica experiência de intercâmbio entre realidades distintas. Acho que essa troca foi muito positiva para mostrar que tradições tão diferentes, como a da gravura do Cariri e a arte contemporânea dialogam tão bem.

Esse projeto terá continuidade?
Estamos estudando possibilidades para dar continuidade para essa parceria.

Vivemos um tempo de comunicação em tempo real. Tudo acontece em velocidade máxima e é quase sempre inconstante. Como a gravura se insere neste contexto?
Há muitas gravuras na exposição que lidam com essa noção de gravura a partir de uma realidade contemporânea. O trabalho de Antonio Dias, por exemplo, é feito num suporte que se parece com placas de computador. O espaço coringa pensa a gravura como meio de difusão de práticas coletivas e de autoria difusa, além de uma tiragem enorme. Ou seja, cada trabalho possui um modo de inserção no mundo contemporâneo.

O conceito de arte nordestina normalmente é relacionado à arte popular. De um modo geral, é possível dissociar a arte popular da erudita, nos dias atuais?
É exatamente isso que estamos discutindo, a dificuldade de dizer que essa separação entre popular e erudito seja tão clara. Trabalhos como o do Efrain Almeida e do Marepe nos mostram como essas fronteiras estão borradas.
Tradições de origem moderna, popular e erudita estão direta ou indiretamente presentes na arte contemporânea. Como a própria história nos mostra, classificações estanques ou definições fechadas do que seja ou não arte contemporânea talvez não tenha mais correspondência com a realidade.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Gilvan de Oliveira

Música para todos

Tendo a música brasileira como universo de estudo, o músico, compositor e arranjador Gilvan de Oliveira ministra oficina e faz show em Montes Claros.

Jerúsia Arruda


Nos dias 25, 26 e 27 de março, de 14h às 17h, na Fundação Marina Lourenzo Fernandez, o músico Gilvan de Oliveira ministra, em Montes Claros, a Oficina de Criação Musical, onde ensina técnicas para compor, arranjar, harmonizar, improvisar, tocar em grupo, tendo como tema a música brasileira.

Com o tema Retrato/Fazendo música - Técnica de conjunto, a oficina foi criada a partir de suas experiências como músico, compositor, professor, pesquisador, arranjador, diretor musical e produtor atuante nas mais diversas áreas da atividade musical e, durante nove horas, analisa um repertório com obras de grandes mestres da música brasileira, em vários estilos, focando sua recriação para a prática em conjunto.

Gilvan
Mineiro de Iataú de Minas, Gilvan nasceu no dia 18 de agosto de 1956 e despertou o interesse pela música ainda na infância. Iniciou tocando bateria, e, aos 12 anos de idade, começou a estudar violão. Ingressou na Faculdade de Engenharia Elétrica, mas se transferindo para o curso de Música da universidade federal de Minas Gerais, estudando, inclusive, com José Lucena Vaz, grande violonistas mineiro, reconhecido em todo mundo.

Ainda bem cedo, começou a tocar e gravar com outros artistas, dividindo palco com vários intérpretes da MPB. Especializou-se como violonista, arranjador, compositor e diretor musical e é, hoje, um dos mais requisitados músicos do país, se apresentando, inclusive, em vários países, ao lado de grandes nomes da música brasileira e de todo mundo.

Discografia
Em sua discografia estão Cordas e Coração; Vinicius nas cordas de Gilvan; Retratos, indicado para o Prêmio Sharp; Sol; Estação XV; Violão Cantor; Traquina e participou ainda do disco Violões do horizonte, ao lado de Weber Lopes e Juarez Moreira.Recebeu o Trófeu Pró-Música de Melhor Instrumentista de 1995 e o Prêmio Sharp de Música pelo CD Estação XV.

Tambores Nus

A dupla Fabiana Lima e Bruno Andrade são atração do Conexão Vivo, que passa por Montes Claros pelo sexto ano consecutivo

Jerúsia Arruda

A classe artística de Montes Claros recebe, nesta semana, um novo fôlego com a passagem do Conexão Vivo, circuito musical que visita a cidade há seis anos, com uma jornada de oficinas e shows, reunindo importantes nomes da música mineira.
Uma das atrações do circuito, indubitavelmente, é a dupla montesclarense Fabiana Lima e Bruno Andrade, que participa do projeto há três anos. Na edição deste ano, a dupla ministra a oficina Tambores Nus, que ensina a confeccionar tambores de congado, de forma prática, a partir dos fundamentos básicos da lutheria.
“A oficina acontece em dois módulos. No primeiro ensinamos a confeccionar tambores de congado. Após os instrumentos finalizados, a expressão rítmica é trabalhada, no segundo módulo, quando contamos com a participação do Maurício Tizumba, integrando uma arte à outra e valorizando o congado mineiro”, conta Fabiana.
De acordo com a cantora, a oficina desperta para o ofício da lutheria, bem como para a valorização do congado como patrimônio cultural. “O primeiro módulo foi realizado de 23 a 25 de março. Nesta sexta e sábado, 27 e 28, será trabalhada a parte rítmica”, completa Fabiana.
Bruno explica que os participantes da oficina ficarão com os tambores confeccionados por eles, gratuitamente, e ainda participarão do show que farão, junto com Tizumba, no dia 28, sábado, na Praça de Esportes, às 22h30.


Fabiana e Bruno
Juntos há dez anos, Fabiana e Bruno vêm vivenciando um período de grandes conquistas, tendo como foco as manifestações populares como o Congado e a música de matriz africana, impressa na música brasileira como um todo.
“Nesses dez anos, lançamos dois CD’s; o Marambaia (2005), que se transformou no espetáculo homônimo e Tambores Nus (2007), que é uma espécie de continuação do primeiro disco, ambos sedimentados na cultura popular. “A diferença é que em Tambores Nus trabalhamos o samba, que ainda não havíamos experimentado. O disco é feito nesses dois segmentos, samba e o congado, ambos vindos do mesmo berço africano”, ressalta Fabiana.
Além de cantora, compositora e percussionista, Fabiana também toca flauta transversal e puxa um samba em negros passos de dança e arranjos vocais, sempre acompanhada do fiel parceiro Bruno Andrade, que dedilha com maestria o violão de sete cordas.
O show da dupla e do multiartista Mauricio Tizumba acontece neste sábado, 28, encerrando a passagem do Conexão Vivo por Montes Claros. A entrada é gratuita.

Marcelo Andrade

Música à frente de seu tempo

Jerúsia Arruda

O bom gosto pela música ele herdou do pai. Aos 7 anos de idade, Marcelo Andrade
começou a estudar piano, logo passando para o sopro, pela afinidade intuitiva, e desde cedo foi construindo o caminho que lhe permitiu tornar-se referência para os músicos com quem dividiu palco e para os que o adotaram como mestre.


Estudou flauta e sax na Universidade Federal da Bahia, dando continuidade em Minas Gerais, e graduou-se em Bacharel e Licenciatura no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro, tendo como professores nomes como Mauro Senise, Daniel Garcia, Dejan Presicek, Odette Ernest Dias, Antônio Carrasqueira e Lena Horta.

Mas a intimidade entre Marcelo Andrade e música transcende a formação acadêmica. É como se um fizesse parte do outro. Ao vê-lo tocar têm-se a impressão de que o instrumento é uma extensão de seu corpo, sax ou flauta. Mas seu som é mais difícil de descrever, porque ele não segue os padrões, a cartilha da academia. A profundidade musical vem antes de tudo. Aliás, a teoria serve para isso: aflorar potencialidades. Mas sua genialidade inata o coloca à frente de seu tempo.

Big Band Dionízica
O espetáculo da Big Band Dionízica, grupo do qual é coordenador e regente, confirma isso. O grupo formado por alunos do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, revela entrosamento e harmonia, equilibrando a leveza e movimento da música brasileira com o swing performático do jazz, mostrando que a música não é o que se toca, mas sim como se toca.

Marcelo diz ter formado o grupo por acreditar no potencial dos alunos e dos músicos, por isso, como professor, vem se dedicando ao trabalho e organização para a formação de grupos ligados a sopros de modo geral. Segundo ele, a idéia é a formação de grandes e pequenos grupos instrumentais, dentro e fora da escola, executando repertório variado, que inclua MPB, clássicos do cinema, jazz e música folclórica.
O resultado, a Big Band Dionízica, é uma releitura de si mesmo: fusão de gêneros, versatilidade e improviso em perfeito equilíbrio.

Inconfundível
Além de professor, Marcelo é um instrumentista requisitado e atuante. Já participou de festivais, shows e gravações com vários artistas, compositores e instrumentistas de renome nacional e internacional como Paulinho Pedra Azul, Beto Guedes, Toninho Horta, Yuri Popoff, Wagner Tiso, Saulo Laranjeira, Weber Lopes, Juarez Moreira, Mauro Rodrigues, Grupo Feijão de Corda, Marku Ribas, Robertinho Silva, Alberto Continentino, Beto Lopes, Jota Quest, Cliff Korman, Roberto Sion, dentre outros.

A expressão performática criada e sustentada pelo improviso de Marcelo Andrade torna seu som inconfundível e absolutamente necessário para representar os valores culturais de Montes Claros, tão enaltecidos em todo mundo.

Sarney Jamesoli

Da Música para o Teatro

Jerúsia Arruda

Seu nome é José Sarney Messias de Oliveira. Para ficar, como ele mesmo diz, mais chique, juntou as iniciais de cada nome e se tornou Sarney Jamesoli.
Cantor, ator, radialista e Dj, Jamesoli diz que a arte é quem conduz sua vida e realiza seus sonhos.
De origem humilde, nascido na cidade de Murici (Bahia), muito curioso, ainda pequeno, abriu o rádio de sua avó para ver quem estava falando lá dentro.
Anos depois, já morando em Minas Gerais, na cidade de Salinas, tornou-se radialista, profissão que logo trocou pelos palcos, tornando-se uma espécie de locutor-animador.
Nesse pingue-pongue, tentando descobrir onde melhor se encaixava, Jamesoli começou a cantar em showmícios, e foi a partir daí que resolveu cantar pra valer.
Gravou dois Cds com músicas próprias, que lhe renderam boa aceitação na mídia e uma viagem a Portugal, onde cantou para um público, segundo ele, a princípio meio tímido, mas que depois de algumas músicas, caiu na gandaia. Apresentou-se, ainda, em várias casas noturnas de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, participando algumas vezes do Programa do Ratinho, do SBT.

Música e teatro
Sua incursão no teatro também veio em virtude do trabalho com a música. Participou da peça O defunto premiado, onde interpretou um nordestino metido a carioca.
- A paixão pelo teatro foi instantânea. Falava muito rápido e aprendi a dominar isso. Desde o começo percebi que, se aprimorasse como ator, cantar ficaria mais fácil, pois teria mais domínio da expressão corporal e me comunicaria melhor - conta Jamesoli, dizendo que na primeira oportunidade que teve, participou de uma oficina de teatro com o então ator, Eduardo Brasil e, logo depois, com os atores Caio Blat e Frederico Mainlink.

Cantar ou atuar?
Apesar de se sentir mais cantor que ator, Jamesoli, desde que entrou em cena, não conseguiu sair mais e vem emendando um espetáculo no outro, como integrante do grupo Oficinato, do diretor Aldo Pereira, e como convidados de outros grupos teatrais.

Damião Alves

Aprendiz de escritor

Músico autodidata e escritor por inspiração, Damião faz da arte um lenitivo para as adversidades da vida. Forçado a deixar os palcos para sobreviver como porteiro, o músico e escritor cobra a valorização do artista montesclarense.

Jerúsia Arruda

Com a simplicidade e o sorriso de menino que o tempo e as dificuldades da vida não conseguiram embotar, Damião Alves é um dos clássicos exemplos de artistas montesclarenses que sonharam em viver da arte herdada de seus pais, mas que a cidade não teve espaço para abrigar.


Músico desde os doze anos de idade, Damião atuou como contra-baixista em barzinhos, em bandas de baile como Prisma, MC5, Caccos e muitas outras, além de acompanhar vários cantores e duplas sertanejas como Irmãos Saraiva, Rivaldo e Rivael, Denildo e Dênis Jr. entre outras.

Filho, neto e sobrinho de foliões, ele afinou o ouvido nas Folias de Reis que participou, desde que nasceu. Com o tempo, se interessou pelo contra-baixo e aprendeu a tocar sem nunca ter freqüentado uma escola de música. Ao longo do caminho, conheceu muitos músicos que lhe deram dicas e o ajudaram a executar com maestria o instrumento que havia escolhido, além de tocar violão.

Com a expressão serena e uma certa nostalgia, Damião fala de seus sonhos de criança sem, contudo, revelar qualquer resquício de amargura.
- Montes Claros, por ser chamada de cidade da arte e da cultura deveria ter mais espaço para o artista trabalhar. Deveria ter uma política mais voltada para o segmento artístico, oferecendo melhores condições para que pudéssemos continuar nosso trabalho sem precisar buscar outro emprego ou, como aconteceu comigo, desistir de vez da profissão. Para mim, que venho de uma família de músicos, que sei que poderia perfeitamente sobreviver da arte, é muito frustrante ver que isso se transformou em hobby – lamenta o músico, que diz que a música foi um sonho bom.

Crônicas e poesias
A mesma música que embalou os sonhos de Damião também lhe serviu de inspiração para escrever os mais de cem poemas que agora pretende reunir em um livro, para o qual planeja dar o título de Flor Atípica, homônimo do seu último poema.

Hoje, trabalhando como porteiro, Damião diz que a arte acompanha seus passos.
- Infelizmente não deu para viver somente da música. A família cresceu e o cachê foi diminuindo cada vez mais, então tive que buscar outros meios de sobreviver. Há algum tempo estou trabalhando como porteiro, mas isso não me fez desistir. A saudade dos palcos é grande e, para compensar, transfiro minhas emoções em poesias, que, aliás, já escrevo desde garoto – diz Damião, que conta que, sempre que reúne os amigos e a família, mata a saudade tocando violão.

Aproveitando o tempo enquanto guarda a portaria, Damião começou a escrever crônicas que publica no jornal literário Opinião, onde trabalha, desde 2002. Aberto às críticas e feliz com a aceitação e respeito de seus colegas e familiares pelo seu trabalho, o músico e escritor – ou aprendiz de escritor ­– como gosta de se definir, diz que a arte deve antes de qualquer outra coisa proporcionar prazer à alma e acalmar o espírito e, por isso, onde quer que esteja trabalhando, sempre vai aliar à constante ebulição de sua imaginação, seja escrevendo poemas e crônicas, seja tocando violão nos encontros com os amigos.

- Ainda bem que trabalho na portaria de um jornal. Ficou mais fácil tirar meus escritos da gaveta e vê-los publicados. È muito gratificante e me faz muito feliz. Posso dizer que finalmente encontrei um espaço para abrigar minha arte – conclui.

Big Band Dionízica

Jazz no seu melhor estilo, mas com jeito de Brasil

Jerúsia Arruda

Lembrando as primeiras Big Bands que surgiram nos Estados Unidos em meados dos anos trinta do século passado, resultado do melting pot emigratório europeu e africano ocorrido em anos anteriores, a Big Band Dionízica assume o risco de tocar o jazz no seu melhor estilo.
Com os acordes de Round Midnight, de Cootie Willians e Thelonious Monk, Big Band Dionízica introduz um espetáculo que reúne no repertório pérolas como Over the Rainbow (de Harold Arlen e arranjos de Dave Wolpe); Beatriz (Edu Lobo); a sensual The Pink Panther (de Henry Mancini, com arranjo de Roy Phillippe), com a imagem magrela da pantera cor-de-rosa, personagem criada pelos legendários Friz Freleng e David DePatie em 1964, ilustrando o cenário; Água de Beber (de Tom Jobim e Vinícius de Morais com arranjo de Mauro Rodrigues), Fly me To The Moon (de Bart Howard, com arranjo de Sammy Nestico); a instigante Mission: Impossible Theme (de Lalo Schifrin e arranjo de Roger Holmes), entre outros clássicos.

Espetáculo
Sob a coordenação e regência do músico e professor Marcelo Andrade, o grupo formado por alunos do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez revela entrosamento e harmonia, equilibrando a leveza e movimento da música brasileira com o swing performático do jazz, mostrando que a música não é o que se toca, mas sim como se toca.
Como nenhuma apresentação de música instrumental está completa se não contiver algum trecho improvisado, os acordes do saxofone de Marcelo Andrade por vezes fez prender o fôlego com suspense e alívio, pelo confronto com o silêncio logo preenchido com a leitura musical singular e instantânea que o sagrou unanimidade.

Formação

A cozinha comandada pelo contrabaixo de Pablo Barata, piano de Maria Lucia Avelar, percussão de Gladson Braga e Bateria de André Wanveler Rosa fez cama macia e perfeita para os sopros de Antônio Jorge Soares Neto, Luciano Cândido Sarmento, Ildeilson Meireles, Daniel Gonçalves de Oliveira, Armando Mardem de Barros, Rodrigo Prates de Almeida, Kollek Pereira da Silva; Ananias Soares Neto; Eliel Lemos Cardoso; Itamar Dantas; Jefferson Rafael Silva; Filippe Dantas Rocha; André Wilson Nazareth Veloso; Marcos Alexander dos Santos e Kollek Pereira da Silva, combinando sofisticação e versatilidade, mas com um olhar com jeito de Brasil.

Aníbal Oliveira Freire

Poeta Plástico
Segundo livro de Aníbal Freire, é uma coletânea de poemas que tratam principalmente da natureza humana

Jerúsia Arruda

Poesia, por si só, já mexe com os sentidos. E quando é aliada a outras linguagens, o resultado pode ser surpreendente.
Assim é o livro Poeta Plástico (Orobó Edições, 2007), do escritor Aníbal Oliveira Freire, uma coletânea de poemas apresentados numa estética multiforme que enchem os olhos e alimentam a alma.

O autor de Montanhas e Àguas (Rona Editora, 2001) e filho do também poeta Darcy Freire diz que, na verdade, a relação entre a poesia e as artes plásticas é uma amizade colorida, um quase amor.
Em sua primeira publicação, Montanhas e Águas, essa amizade colorida já se revela de forma bem expressiva nos versos que são uma declaração de amor à natureza, ilustrados pelo inominável Inimá de Paula; as últimas ilustrações produzidas pelo também escritor – Inimar morreu logo depois, em 1999, aos 80 anos, depois de brigar por sete anos contra um câncer, conta.

Aníbal Freire lançou, recentemente, Poeta Plástico, em Montes Claros, com um recital onde contou um pouco sobre os momentos e situações que inspiraram alguns dos poemas do livro, como Vale do Peruaçu – o autor descreve a beleza natural da flora e fauna de uma das mais belas do país, localizada no município de Januária, no Noroeste de Minas -; Caminho das Pedras e Janaúba –vivências em Itacambira e em Janaúba, cidades norte-mineiras -, que, brincando com as palavras em trocadilhos instigantes, desnuda a cultura de um povo e as riquezas naturais da região.

Literatura e engenharia
Aníbal Oliveira Freire nasceu em 1951, em Salinas, no Norte de Minas, e se enveredou na arte literária em 2001, com Montanhas e águas. Engenheiro sanitarista-ambiental da Copasa desde 1975, poeta, palestrante, monge Zen Budista, co-fundador dos Mosteiros Zen, Morro da Vargem, em Ibiraçu/ES e Picos dos Raios, em Ouro Preto/MG, em Poeta Plástico faz uma nova abordagem literária, mantendo um diálogo fluido com o meio ambiente que lhe serve de palco para exercer os ofícios de engenheiro e poeta.


- Sou um defensor da poesia, não aquela cheia de rimas e métricas, mas uma poesia que expressa a beleza do mundo criado pela imaginação do poeta. A poesia é o resultado do mundo bonito exteriorizado, que nem sempre é belo,apesar do que pensa muitos leitores, que o poeta vive em um mundo bonito – diz.

Aníbal viveu durante oito anos em um mosteiro e diz que o zen-budismo fez florescer o amor pela poesia.
- Apesar de a engenharia ser tão exata, minha natureza é aversa a convenções. Gosto de ser poeta porque me proporciona essa liberdade de expressão. E a poesia inspira a engenharia, já a engenharia com a poesia apenas rima – pondera.

A alma irrequieta do poeta continua ganhando abrigo na poesia e, mesmo não apreciando a maratona que é a promoção do livro, Aníbal diz que já-já tem material suficiente para uma nova publicação, que deve acontecer em breve.

Amneres Pereira

Escritora e poeta Amneres Pereira, de João Pessoa/Paraíba, divulga Eva, sua mais recente publicação, onde aprofunda os traços existenciais e femininos de sua poesia, já presentes em livros anteriores.
Em entrevista, Amneres conta que sua idéia é ampliar o intercâmbio cultural e poético entre os países sul-americanos.

Jerúsia Arruda

Viver a infância em uma cidade à beira-mar é, indubitavelmente, uma grande fonte de inspiração, mas nascer e crescer correndo pelas areias brancas e mergulhando nas águas mornas da praia do Cabo Branco, em João Pessoa, na Paraíba, cidade mais setentrional do Brasil, é a própria materialização de Deus ao alcance das mãos, dos olhos e do coração.


Pois foi assim a infância e adolescência da escritora e poeta Amneres Santiago Pereira Maurício, que nasceu em uma família, como ela mesma define, numerosa e barulhenta, formada por pai, mãe e oito irmãos.

Em entrevista, via Internet, Amneres conta que escreve desde os 12, 13 anos de idade, mas só publicou seu primeiro trabalho aos 19 anos, em Brasília.

- Cheguei em Brasília em 1979 para cursar Letras, na Universidade de Brasília. Vim de João Pessoa com o meu primeiro livro debaixo do braço: Pedro Penseiro, publicado na capital em 1980, pela Thesaurus Editora. Na época, publiquei o livro como uma Novela; hoje entendo que, na verdade, aquilo já era poesia - prosa poética, estilo que só comecei a retomar em meu último livro Eva - Poemas em Verso e Prosa, publicado em julho de 2007, pela mesma editora – conta a poeta paraibana e ressalta que Eva é o sétimo livro publicado, mas o sexto individual.
- Tenho um livro, chamado EmQuatro, em parceria com mais três poetas de Brasília, da época da UnB – explica.

Mundo das letras
Formada em Letras e em Jornalismo pela UnB, Amneres atualmente trabalha como jornalista no Jornal da Câmara Federal, do qual é diretora.

Depois da publicação de Pedro Penseiro (novela; Thesaurus Editora, Brasília, 1980), que traz as reminiscências de sua infância e adolescência em João Pessoa e das águas mornas do Cabo Branco, recorrentes no poema Flor do Lácio, onde conta as histórias de seus tempos de menina, às margens do oceano atlântico, Amneres lançou EmQuatro (coletânea de poemas; Thesaurus Editora, Brasília, 1985); Humaníssima Trindade (poemas; Edição do Autor, Brasília, 1993); Rubi (poemas; Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro, 1997); Razão do Poema (poemas, Takano Gráfica e Editora, 2000, Patrocínio Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB); Entre Elas (poemas, Editora Projecto Editorial, Brasília, 2004) e Eva – Poemas em Verso e Prosa (edição bilíngüe em Português e espanhol, 156 páginas, Editora Thesaurus, Brasília, 2007), o mais recente.

Mercosul cultural
A partir do lançamento de Eva, a escritora conta que sua idéia é ampliar o intercâmbio cultural e poético entre os países sul-americanos.


- Penso em algo como um Mercosul cultural. Desde a publicação de Rubi, tenho feito uma trajetória de recitais muito interessante, com participação de poetas, atores e músicos de várias partes do país. Nesse novo trabalho, recito poemas em cima de músicas que vão do clássico ao contemporâneo, passando pelo eletrônico. É um trabalho bem autoral, em que busco ritmar a palavra falada. Essa tese do resgate da palavra falada no Brasil, aliás, vem do poeta Chakal e do movimento Nuvem Cigana, no Rio de Janeiro e, em Brasília, com a poesia marginal dos poetas Nicolas Behr, com seus Livros-mimeógrafo e Luís Turiba, com a revista Bric a Brac, poetas que admiro e acompanho desde os anos 80 – completa.


Desde 1997, Amneres já realizou recitais em várias cidades brasileiras, com participação de artistas como o diretor de teatro Hugo Rodas, as atrizes Carmem Morethezon e Bidô Galvão, os músicos Argemiro Figueiredo (guitarra), Renata Kollarz (baixo acústico) e Jorge Macarrão (Percussão); o ator Chico Diaz e o músico mineiro Toninho Horta (violão e guitarra).

Lena Guimarães

Escritora norte-mineira divulga livro Pacto Sob Outono

Jerúsia Arruda

Desde 2006, a escritora norte mineira Lena Guimarães vem trabalhando na divulgação do seu livro Pacto Sob Outono, produzido por Vinícius Veloso e integrante do projeto Folhas de Versos - que também inclui oficinas de teatro -, aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura e viabilizado pela Datamed/BH.
Nas noites de lançamento e sessão de autógrafos que a escritora vem realizando por todo país, lançamento, ao lado do ator João André, Lena recita versos com performance inusitada, onde ambos andam descalços sobre cacos de vidro, enquanto declamam poemas do livro. O grand finale é o ator deitado sobre os cacos enquanto a escritora anda sobre seu corpo.


Com a alma irrequieta e coração aberto, sorriso franco e olhar sincero, típicos dos que nascem no Vale do Jequitinhonha, a escritora e atriz salinense prioriza o amor e suas várias vertentes em seus versos, cunhados na dualidade de sentimentos antagônicos que ao final sempre promovem um encontro.

Lena é autora dos livros Pelos campos de Alvarrã (1995), Sempre será uma vez (1998), No Jequi tem Sal (2001), pela Rona Editora, e Pacto sob Outono (2006).

domingo, 22 de março de 2009

Márcia Prates

A multiplicidade artística de Márcia Prates
Exposição permanente reúne obras da artista plástica, numa mistura de estilos e linguagens, em telas e painéis que abordam os valores culturais e as riquezas do cerrado norte-mineiro.

Jerúsia Arruda

Com uma linguagem estética múltipla ao mesmo tempo singular, a artista plástica Márcia Prates mantém exposição permanente de obras que revelam uma pesquisa cuidadosa e estilo apurado em técnicas à base de acrílica em tela, em variados formatos.
A artista utiliza fundamentos da linguagem visual e aplica materiais específicos de cada tipo de expressão artística, que vão desde as tintas e telas tradicionais às misturas de elementos naturais, como resina extraída de árvores frutíferas, como um belo pé de seriguela plantado no quintal de seu atelier.
Inspirada no imaginário do povo norte-mineiro e na riqueza cultural da região, Márcia Prates também organiza exposições e mostras em seu atelier - onde também mantém uma loja de materiais artísticos - que se tornou um centro de referência cultural da cidade e região.
Com apreciadores de diversos países, as telas e painéis de Márcia dão um toque especial de cultura em residências francesas, inglesas, americanas, alemãs, holandesas e em centenas espaços e lares brasileiros.


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Exposição Permanente Márcia Prates
Atelier de Arte Márcia Prates
Rua Lírio Brant, 810 – Melo – Montes Claros - MG
Fone (38) 3222-6390
Entrada gratuita

Banda In Pacto

Rock com louvor

Jerúsia Arruda

Este será um ano produtivo para os garotos da banda In Pacto. Depois de 8 anos tocando em Montes Claros e região, eles se preparam para registrar pela primeira vez o pop-rock gospel da banda em CD.
O nome In Pacto veio primeiro como Impacto, mas depois de seis meses apareceu uma outra banda com o mesmo nome, então resolveram mudar a grafia e o sentido, mas não a sonoridade do nome, que já era bem conhecido O in vem do inglês e, traduzindo, In Pacto seria no pacto (com Deus).
Inspirado no som da banda Resgate, de quem foi cover no início da carreira, a banda In Pacto traz em suas composições uma identidade própria, com características marcantes do pop-rock da banda que, segundo o vocalista Marquinhos, será sempre uma referência no som e na performance.
Com composições do guitarrista e violonista Leandro Cardoso e do baterista e André Santos, a banda comemora a gravação do CD com o mesmo entusiasmo do início da carreira.
- É muito gratificante estarmos juntos por tanto tempo, sem nunca ter trocado um músico. Gravar o CD com a mesma turma que estava no primeiro ensaio é um presente para todos nós, porque é muito difícil manter uma banda, cada um tem seus compromissos e acaba tomando outros rumos, outros caminhos. E com a gente está sendo diferente. Temos uma sintonia muito grande e, sempre que vamos finalizar uma música nova, fica fácil porque já conhecemos o estilo, a pegada de cada um; um já sabe o que o outro quer dizer sem precisar de muita explicação. O resultado é uma música bem com nossa cara, com nossa identidade.Com a ajuda de Deus e o apoio dos amigos, estamos juntos e se depender de nós, continuaremos assim – comemora André, 25 anos, que diz ter nascido em lar cristão e vivenciado a música desde pequeno. Segundo ele, a opção pela música gospel é, além da música em si, uma opção de vida, pois é uma forma de evangelizar através de uma linguagem que chega mais facilmente às pessoas.

Shows
O começo da carreira foi marcado pelas mesmas dificuldades que a maioria das bandas passam, não importa a religião.
- Não tínhamos bons instrumentos, não tínhamos lugar para ensaiar, e foi preciso muito esforço e sacrifícios para comprar instrumentos e equipamentos. Hoje, graças a Deus, as coisas estão bem mais fáceis. As pessoas nos conhecem, nos convidam para tocar e isso nos incentiva, nos dá força para seguir em frente – relembra Leandro, 24 anos, que diz que sempre contaram com apoio dos amigos e da família.
Apresentando em igrejas evangélicas, em festas comunitárias e em espaços que chamam de meio circular – que não tem caráter religioso, como exposições, festas municipais, festas estudantis etc – a banda fez seu primeiro show em frente à igreja católica do bairro Eldorado e, desde então, se tornou presença constante nos eventos ecumênicos e em comemorações e festas para jovens e adolescentes.

Projetos
Com repertório fazendo uma linha mais ligth do pop-rock, o vocalista Marquinhos, 32 anos, o baixista Francisco de Assis - Chiquinho, 42 anos, o tecladista Ivair Batista, 25 anos, o guitarrista Leandro e o baterista André, dizem encontrar na música gospel uma oportunidade de realização profissional, uma vez que tocam o estilo que curtem e, ao mesmo tempo, cumprem a missão cristã de pregar a palavra de Deus.
- Procuramos pensar na música não como fonte de renda, mas como algo que gostamos de fazer. Pode ser que no futuro a gente trabalhe apenas com a banda, mas por enquanto a idéia é qualificar nosso som, aprender a tocar melhor, gravar o CD e, com o feed back, fazer uma análise e traçar novas metas. Com a direção de Deus, seguiremos nosso caminho, Ele nos guiará – avalia Leandro.
Para Marquinhos, abraçar a música como profissão é algo que não dá para planejar sem a ajuda e Deus.
- Depois de ter tentando viver em São Paulo e conhecer as dificuldades da grande cidade e do mundo, de modo geral, encontrei na banda In Pacto a estabilidade e tranqüilidade indispensáveis para cantar, principalmente música gospel, que requer a prática daquilo que se canta para transmitir confiabilidade. Mas é preciso pagar um preço, abrir mão de muitas coisas. É preciso ter tido realmente uma transformação de vida e estar pronto para assumir em qualquer instância aquilo que pregamos em nossas canções. Então, não dá para pensar em grana nessa hora. Mas também não dá para viver sem dinheiro. Por isso temos que ter consciência de nossa escolha e estarmos dispostos a passar por dificuldades, se for preciso. Deus nos deu a oportunidade de cantar e se for plano d’Ele que vivamos para isso, estamos nos preparando para fazê-lo – argumenta.
Segundo André, o próprio nome da banda já traduz seu propósito, que é o de dar um testemunho de afirmação da escolha que fizeram, mantendo vivo o pacto com Deus.

"Não que sejamos capazes por nós mesmos de fazer alguma coisa, o Espírito Santo é que nos capacita. Por isso temos esperança e não cruzamos os braços"

Novo mercado
Cada vez mais em ascensão, a música gospel vem dividindo o mercado, lado a lado, com a música popular. Hoje é possível comprar CD de qualquer artista na mesma banca onde, há algum tempo, tudo era separado. Segundo André, é difícil tentar competir porque os discos, evangélicos ou não, são produzidos para disputar o mesmo mercado.
- Não dispomos de recursos financeiros para produzir um CD com o mesmo acabamento daqueles produzidos pelas gravadoras, com encarte de luxo, alta tecnologia e tudo mais, mas vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para atingir uma qualidade técnica do áudio. O objetivo é gravar nossa mensagem, respeitando as exigências do nosso público. O versículo guia do grupo é II Coríntios 3, 5-6 que diz, não que sejamos capazes por nós mesmos de fazer alguma coisa, o Espírito Santo é que nos capacita. Por isso temos esperança e não cruzamos os braços – conclui André.

sábado, 21 de março de 2009

Lutheria Rio Acima

Projeto recebe prêmio do MINC

O projeto Lutheria Rio Acima, que ensina a fabricar e tocar rabeca e viola caipira, é contemplado com o prêmio Culturas Populares 2007 - Mestre Duda 100 anos de Frevo, do ministério da Cultura

Jerúsia Arruda

Se o epíteto cidade da arte e da cultura dado a Montes Claros, para muitos, é discutível, certas ocorrências o tornam de encaixe perfeito, como a mão e a luva.
Certamente esse é o caso do projeto Lutheria Rio Acima, criado em 2000 e tendo como eixo a cultura popular, contemplado, em 2007, com prêmio Culturas Populares 2007 - Mestre Duda 100 anos de Frevo, do ministério da Cultura.
Realizado pela secretaria municipal de Cultura e coordenado pelo pedagogo Leonardo Palma Avelar, o projeto consiste na realização de oficinas de fabricação de rabeca e viola caipira – além de ensinar a tocar os instrumentos -, promovendo a difusão da arte de tocar instrumentos tipicamente caipiras que se constituem como importante elemento da cultura popular da região, além de promover a integração dos ternos de folia da região.
Para Leonardo Avelar, o prêmio representa uma importante conquista.
- É diferente de ter um projeto aprovado, por exemplo, pela lei de incentivo à cultura. Nesse caso, é o reconhecimento por um trabalho que vem sendo realizado de forma consistente e que concorreu com outros projetos de todo país – ressalta.
O coordenador diz que além de servir de espaço de socialização para mestres de folia e seus aprendizes, o projeto também serviu de embrião para a criação da Orquestra de Rabecas do Sertão que, desde 2005, vem se despontando como uma importante referência cultural, se apresentando em várias cidades do país.

LUTHERIA RIO ACIMA
O projeto acontece na Casa do Tambor e reúne alunos todas as faixas etárias e sexo. As oficinas são ministradas pelos luthiers Moisés Pereira Rosa (viola) e José Raimundo Alves (rabeca), que atendem a duas turmas de cinco alunos por dia, totalizando 40 alunos por mês.
- Essa é a capacidade máxima da lutheria, que nem sempre é totalmente utilizada – ressalta o coordenador do projeto.
Leonardo diz que as oficinas incluem pessoas da terceira idade e, ainda, deficientes visuais.
- A Lutheria Rio Acima vem renovar o gosto de tocar e escutar o som da viola caipira e da rabeca num mundo global, hibridizado, reafirmando essas práticas como parte da identidade cultural do Brasil - completa Leonardo e diz que vários alunos que participaram do projeto montaram suas próprias oficinas.
Segundo o coordenador, com o convênio firmado com a Secretaria de Estado da Cultura, foi possível atender um maior número de alunos e comprar madeira e material de consumo. - Além disto, a lutheria é mantida pelos próprios luthiers que, num primeiro momento, se dispuseram a fazer o trabalho de forma voluntária. A idéia é que a lutheria se mantenha, se torne progressivamente auto-suficiente e sirva como referência, já que a sustentabilidade é o princípio que está na base ideológica de sua concepção – completa.

O PRÊMIO
Desenvolvido pela secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do ministério da Cultura (SID/MinC) o Prêmio Culturas Populares 2007 – Mestre Duda 100 Anos de Frevo, premia as iniciativas que tenham se destacado pelo trabalho e ações na área dos saberes das tradições das culturas populares e que tenham, dentre outros itens, favorecido as condições de reprodução, continuidade e florescimento das culturas populares, bem como valorizado a diversidade cultural nas culturas populares.
Em 2007, foi destinado o valor total de R$ 2,6 milhões, provenientes do Fundo Nacional de Cultura, premiando 260 iniciativas, cada qual com R$ 10 mil. São 150 prêmios para propostas de grupos tradicionais; 70 prêmios para propostas da sociedade civil; e 40 prêmios para instituições públicas que desenvolvem políticas públicas que valorizem as expressões e manifestações das culturas populares.

MESTRE DUDA
Na edição de 2007, o trabalho desenvolvido pelo mestre Duda recebeu as homenagens por parte da SID/MinC, daí o fato do nome do músico fazer parte do título do concurso. O maestro José Ursicino da Silva - Mestre Duda - nasceu em Goiânia, no interior de Pernambuco, em 23 de dezembro de 1935, estando hoje com 71 anos de idade. Quando criança, aos oito anos, começou a estudar música. Ele é um dos maiores regentes, compositores, arranjadores e instrumentistas brasileiros de todos os tempos e, especialmente, no campo do Frevo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Fabiana Lima e Bruno Andrade

Tambores e Poesia
Fabiana Lima e Bruno Andrade apresentam o espetáculo Marambaia, onde revelam a força poética da música afro-mineira


Jerúsia Arruda

A dupla montesclarense Fabiana Lima & Bruno Andrade volta aos palcos do Conexão Vivo, no próximo dia 28 de março, na Praça de Esportes, onde apresenta o show Marambaia, espetáculo musical calcado nas manifestações tradicionais populares.
A dupla faz parte da grade de artistas patrocinados pelo projeto desde a edição de 2006, onde se apresentam sempre com um artista convidado.

Nos dia 23, 24 e 25 de março, Fabiana Lima e Bruno Andrade ministram oficina de lutheria e ritmos em Montes Claros, que acontece em dois módulos.
No primeiro módulo foi realizado, a dupla ensina a confeccionar tambores de congado. Após os instrumentos finalizados, a expressão rítmica será trabalhada no segundo módulo com Maurício Tizumba na dianteira e o duo, integrando uma arte à outra e valorizando o congado mineiro.

Os artistas encerram a passagem do circuito na cidade com show em parceria com Maurício Tizumba. O show acontece no dia 28 de março, às 23h, na Praça de Esportes

Fabiana e Bruno
Juntos desde o começo da carreira, em Montes Claros, há quase dez anos, a dupla Fabiana Lima & Bruno Andrade vem trilhando um caminho musical marcado pelos ricos ritmos africanos a partir do som do tambor, pelas manifestações populares tradicionais e pela força dos elementos da música negra.
O corpo mignon ed Fabiana engana, chega a ser inadequado ao tamanho de sua voz. O jeito hippie, cigana pequerrucha, com seu pandeiro e voz ímpar, sob a luz do palco é indomável, arrebatadora.
Além de cantora, compositora e percussionista, Fabiana também toca flauta transversal e puxa um samba em negros passos de dança e arranjos vocais. Por onde passa, Fabiana Lima fascina a platéia e domina a cena como ninguém, sempre acompanhada do fiel parceiro Bruno Andrade, que dedilha com maestria o violão de sete cordas e a acompanha nos vocais.

Marambaia
Com o cuidado de levar uma produção musical que faça jus à identidade mineira, os cantores dizem que passam a maior parte de seu tempo estudando, pesquisando sobre a história da formação cultural do povo norte-mineiro e, na medida do possível, tentam transferir o aprendizado para o palco, de forma que possam aproximar o público um pouco mais de sua própria história.

Fiéis a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Divino Espírito Santo, dizem que se inspiraram na religiosidade e diversidade cultural das Festas de Agosto de Montes Claros para compor o espetáculo Marambaia.
- O show é uma homenagem ao povo brasileiro, que ao longo dos anos vem contando sua história através de suas práticas culturais – diz Fabiana Lima.
O resultado é um espetáculo bem cuidado e uma produção de encher os olhos.

Conexão Vivo
Há seis anos com o show Marambaia, realizado através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a dupla mineira vem se apresentando por diversas cidades do estado, através do projeto Conexão Vivo, se destacando no cenário cultural mineiro pela expressão cênica e trabalho autoral – gravado em CD homônimo -, além da fusão de elementos das culturas africana e brasileira, que leva a platéia ao delírio.

terça-feira, 17 de março de 2009

Funorte x Itaúna

Um dia de formigalática

Jerúsia Arruda


Apesar do sol forte ser desafiador, resolvi encarar. No último domingo, 15/03, fui conferir de perto a disputa entre Funorte e Itaúna, pela décima rodada do primeiro turno do Campeonato Mineiro.
Nem ouso tecer comentários técnicos sobre o jogo, mas também não posso deixar de registrar minhas impressões sobre a inusitada disputa.

Inusitada? Perguntariam os amantes do bom e amado futebol. Eu, como marinheira de poucas viagens, reafirmo: inusitada.
Para começar, o preço do ingresso, que custava a bagatela de R$10, 00, mas uma fortuna para o grande público que certamente teve no valor um dos motivos para não comparecer ao estádio José Maria Melo.

Falando em estádio, esse foi o segundo item a chamar minha distraída atenção. Como poderia defini-lo? Largado, jogado, pobre coitado. Quase não dava para ver as marcas brancas no gramado. O alambrado retorcido, com pontas afiadas fez sagrar mãos, no afã da torcida, no calor do “vai, vai, vai!”.
A vizinhança se fartou com as bolas atiradas para fora, na rua mesmo. Envolvida que estava com o espetáculo futebolístico, nem prestei atenção se eram devolvidas ao jogo.
Confesso que cheguei a me preocupar com os repórteres cinematográficos que, ao forte sol do norte, não perdiam nem um lance. Aliás, até me surpreendi com a concorrida cobertura da imprensa. Uma baba. Tinha repórter até na laje. Laje que poderia tranqüilamente ser transformada em um belo camarote.
Mas como quem foi rei nunca perde a majestade, o velho palco de grandes alegrias segurou a onda bonito e, apesar das vicissitudes, não posso negar: foi um belo espetáculo.

O que sempre se ouve por aí é que mulher só assiste futebol para ver tanquinhos suados e pernas troncudas. Logo que adentrei no estádio me lembrei dessa máxima. Olhei de um lado pra outro e não teve jeito. Tive que me sentar perto de um bando de tanquinhos, nem sempre sarados, mas muito expostos – não tinha uma área vip para mulheres, onde fosse proibido falar palavrões contra a mãe do juiz, do técnico, de Charles Miller.

Olha, é incrível como os homens conseguem esquecer os problemas, as tristezas, o chefe, a sogra, o mundo, até de si mesmos quando assistem futebol. Na verdade, mais que assistir ao jogo, se tornam parte dele. Um time inteiro de técnicos que sabem - e fazem questão de gritar para todo mundo ouvir –, a hora certa de chutar, de trocar, de pedir para sair, de apitar, de levantar a bandeira. E ai de quem contestar. O jogo inteiro foi assim. No final até eu já estava dando dicas ao técnico.

Falando em técnico, imagino que não deve ser um trabalho muito fácil, mas pressuponho que quem se habilita para tal cargo deve se preparar para enfrentar a onda de críticas que assola até sua última geração, a cada jogo. Por isso me surpreendi quando o técnico fez o gesto nada sutil de “aqui ó”, com o dedo e genitália ao ser provocado pela torcida. É mole?

Outra coisa que me chamou a atenção durante todo o jogo foram os MP4, celulares e os velhos radinhos a pilha, que para o bom amante do futebol nunca saem de moda, todos sintonizados numa partida de futebol. A maioria, no mesmo jogo a que assistia. Cheguei em casa com os sotaques de Gil Santos, da Rádio Terra e de Nairlan, da Expressão, gravados na memória.

Na minha memória também ficaram as expressões que sempre ouço na tv e que, nesse domingo, me tomaram de assalto. “Bola murcha” para o zagueiro (?) que escorregou na hora do lance que para torcida era gol feito. Os famosos “Ahh!”, “Uhh!”.
Mas o que mais marcou meus incautos ouvidos foi o grito “Ditinho, Ditinho”. Todo mundo sabe do meu amor pela arte. E mais uma vez vi como ela prevalece em todo lugar, inconteste. O menino Ditinho (foto) soube despertar a sensibilidade e os aplausos de marmanjos com sua arte. Palmas para Ditinho.

O que poderia ser chamado um clássico da Série B, terminou em empate; 1 x 1. Nas arquibancadas, os quase setecentos pagantes torceram veementemente pela vitória do Formigão montesclarense.

No meio desse frenesi, constatei, mais uma vez, que é impossível resistir à magia do futebol. Me joguei. Torci sem dó. Me senti uma formigalática, como anunciava uma faixa gigantesca na entrada do estádio, se referindo à torcida do Funorte, o Formigão.

É uma pena que esporte e lazer há muito não tenham vez na administração pública municipal. Mas, pelo que pude notar neste domingo, se depender da vontade do time tricolor e da torcida que vem se aumentando a cada jogo, o futebol voltará a ser atração nas tardes de domingo nestes claros montes.

sábado, 14 de março de 2009

Conexão Vivo em Montes Claros

Você se lembra do Conexão Telemig Celular?
Pois é, o projeto agora se chama Conexão Vivo e retorna, pela quarta vez, a Montes Claros.
A empresa mudou, mas o projeto é o mesmo e neste ano volta a premiar a arte da Princesinha do Norte com oficinas de alto nível, além de uma rodada de shows para encerrar a temporada.

Em sua oitava edição, o projeto acontece em várias cidades do Estado, promovendo o reconhecimento do músico mineiro, além de profissionalizar artistas e agentes culturais.
Em Montes Claros, as oficinas acontecem de 23 a 29 de março, na sala Cândido Canela do Centro Cultural Hermes de Paula, Casa do Tambor, Biblioteca Pública Infanto-Juvenil Marcolina Rebello, Sala Geraldo Freire, sala de Reuniões do Centro Cultural Hermes de Paula e Fundação Marina Lorenzo Fernandez.


Todas as oficinas são gratuitas e com vagas limitadas.
Você quer participar?
É só procurar o casarão ao lado da Secretaria Municipal de Cultura de Montes, na Praça Dr. Chaves (Matriz), no centro histórico de Montes Claros.

Confira as oficinas:
Expressão Corporal - Anthonio
Expressão e Técnica Vocal - Babaya
Expressões Rítmicas a partir do Congado Mineiro - Fabiana Lima e Bruno Andrade e Maurício Tizumba
Baixo e Composição - Rafael Reis
Expressão e Técnica Vocal - Wilson Dias
Produção Cultural (elaboração de projetos) - Carlos Faria
Processo de Criação de Composiçao Musical (Palavra na Música) - Porcas Borboletas
Percussão (Congo Brasil) - Sérgio Silva
Técnica de Conjunto - Gilvan de Oliveira (foto)
Técnica de Iluminação - Wladimir José de Medeiros
Rádio (o artista e seu instrumento) - Oscar Ferreira
Formação de Cenas e Estruturação de Coletivos de Música - Talles Lopes
Produção Fonográfica - Flávio Henrique
Comunicação Independente - Equipe do CMI (Centro de Mídia Independente)
Sonorização, Direção de Palco e Formação de Roadies - Alan Eduardo
Corpo e Voz - Déa Trancoso
Formalização e Institucionalização de Associações Culturais - Vítor Santana
Noções de Gestão, Produção e Comunicação em Projetos Culturais - Maurílio Kuru

CELF comemora 49 anos

O Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez completa neste sábado, 14 de março, 49 anos de arte e cultura. Fundado por Marina Helena Lorenzo Fernândez, em 1961, o CELFse firmou no cenário cultural de Montes Claros e, desde então, vem ganhando o mundo através do trabalho dos artistas formados na instituição. Trabalhos como o Grupo Foclórico Banzé (fundando no CELF), Coral Lorenzo Fernândez, Grupo Folclórico Zabelê, Orquestra Sinfônica de Montes Claros, dentre outros são reconhecidos internacionalmenteMinas Gerais é o único estado que possui Conservatório Estadual. Montes Claros, assim como outras onze cidades tem o privilégio de sediar um deles e contar uma escola difusora da arte em todas suas vertentes, norteada pelo princípio básico de socialização e interação com a comunidade. Um bom exemplo interação é o Projeto Conservatório na Rua, que envolve onze escolas de tempo integral da rede estadual de ensino, trabalhando nas três áreas artísticas. No final do ano, o projeto realiza o Auto de Natal, envolvendo todas as escolas participantes e comunidade, num grade espetáculo. Em 2008, por exemplo, 500 vozes deram o tom a esse belo evento.Ao longo do ano, o CELF também realiza espetáculos teatrais, musicais, recitais, audições, mostras de dança, sempre abertos à participação da comunidade e com entrada franca.Pois, é. São iniciativas como essa que consagraram o epíteto de Cidade da Arte e da Cultura a Montes Claros.
Longa vida ao CELF!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Semana Cultural Igor Xavier


Unicalourada Unimontes/2009

Programação cultural começa nesta quarta-feira

A partir desta quarta-feira (11), será realizada a programação cultural da 1ª Unicalourada/2009 da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), com destaque para os shows de artistas regionais. As apresentações se estenderão até o dia 13, sempre a partir das 21 horas, na Praça de Eventos Rui Soares Olímpio, no Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro. A entrada é franca.

SHOWS
Nesta quarta-feira , sobewm ao palco Patrícia Borges & Banda (pop rock) e Doutores do Forró, às 21h e 22h10, respectivamente.

Na quinta-feira (12), o público acompanha as apresentações do Ministério Geração Gospel, às 21h, e Seu Stilynga (foto), às 22h10.
E na sexta-feira, para o encerramento, as bandas Umeazero (pop rock) e Na Palma da Mão (pagode), a partir das 21h.

Além dos shows, barracas temáticas organizadas pelas comissões de formatura dos diversos cursos ministrados no campus para acomercializam comidas e bebidas típicas.

sábado, 7 de março de 2009

Ezequiel Novais Neto

BRASIL REAL
Em entrevista exclusiva, o presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos de Minas Gerais, Ezequiel Novais Neto fala sobre as possíveis mudanças com a restauração da monarquia parlamentarista no Brasil

 

POR JERÚSIA ARRUDA
 
Por mais de 99 anos o movimento monárquico brasileiro se manteve na clandestinidade e a partir da Constituição de 1988 os monarquistas voltaram a se manifestar, criando uma série de institutos e grupos de estudos para divulgar suas ideologias.


O Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos, por exemplo, foi criado em 1995 no Rio Grande do Sul e, aos poucos, vem ganhando novos adeptos em todo país.
Em 09 de dezembro de 2007 foi criada em Montes Claros a primeira célula mineira do Instituto e, desde então, seus membros vêm desenvolvendo um trabalho de divulgação das idéias monárquicas buscando atrair novos adeptos.


Em entrevista exclusiva à jornalista Jerúsia Arruda, o médico endocrinologista Ezequiel Novais Neto, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos de Minas Gerais, fala sobre as possíveis mudanças com a restauração da monarquia parlamentarista no Brasil, as possibilidades do recall, mecanismo pelo qual um político eleito pode ter seu mandato cassado ou revogado por reavaliação popular, no combate à corrupção nos poderes constituídos.


O que é exatamente o Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos?
É uma organização não-governamental que tem como finalidade esclarecer a população acerca do período monárquico da história brasileira, expor as vantagens do sistema monárquico parlamentarista e, eventualmente, contribuir para a implantação desse sistema no Brasil.

Quantas unidades do IBEM existem hoje no país?
A verdade é que existem numerosas instituições monárquicas no país, entre elas os IBEM’s que no momento atuam no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.

Essas instituições estão interligadas?
Elas são independentes entre si, mas relacionadas.

Como assim?
Elas têm liberdade de ação e iniciativa plena, mas são ligadas pelo princípio de soberania popular ao trono e pelos objetivos.

Vamos dividir em ações e objetivos. Quais são as ações do Instituto em Montes Claros?
Nós estamos preparando palestras para esclarecimento da população e em processo de aquisição de livros para uma biblioteca acerca do tema monárquico e visamos promover discussões em focos que estão sendo pesquisados na cidade.

E quais são os objetivos?
Esclarecer a população, em primeiro lugar, acerca da verdade histórica do período monárquico brasileiro; em segundo lugar, as vantagens do sistema monárquico parlamentarista, que o que vigora nos principais países mais desenvolvidos no mundo - Inglaterra, Noruega, Suécia, Dinamarca, Espanha, Bélgica, Holanda – e, via políticas usuais ou projeto de lei popular, contribuir para implantação desse sistema em nosso país.

Você falou sobre a verdade do sistema monárquico no Brasil. O que você definiria como verdade?A história que nos ensinam no colégio é muito superficial e, por vezes, desviada dos fatos. Se você estudar o Brasil Império em comparação com o Brasil de hoje, de fato o Brasil de hoje é melhor que o Brasil Império, como qualquer nação do mundo. Agora, comparativamente a outras nações no mesmo período histórico, o Brasil é hoje menos do que foi. A renda per capita do Brasil no período imperial, por exemplo, era 90% da renda per capita americana e não onze vezes menor, como é hoje. O Brasil arbitrava conflitos entre países da Europa, ao contrario do que acontece hoje, que sofremos interferência de outros países. Da mesma, na economia a arrecadação ao longo do período imperial cresceu dez vezes, mas acompanhado de uma moralidade política muito grande. A família nunca aumentou seus rendimentos, uma única vez que fosse, de 67 anos. Além disso, a Constituição Imperial de 1924 – claro, em relação à Constituição atual ela é atrasada, mas se você pegar em comparação com as outras Constituições vigentes no mundo, ela era a mais liberal. O Brasil tinha a quarta maior esquadra de guerra do mundo, era um país verdadeiramente emergente. Infelizmente, com a implantação da República, principalmente por ser presidencialista, as coisas degeneraram para o que vemos hoje.

Há quanto tempo existe o IBEM no Brasil?
No Rio Grande do Sul, desde 1995. Aqui em Minas a primeira célula a ser fundada é a nossa, em Montes Claros.

É claro que até a fundação do Instituto esse estudo havia sido deflagrado muito antes. Se tomar como referência dos resultados alcançados até agora, você acha que existe uma possibilidade de o Brasil voltar a ser Monarquia?
Existe. Durante o Império a liberdade de imprensa era total, os jornais podiam publicar noticias contra o imperador D. Pedro II, e isso acontecia, e ao mesmo tempo podia se falar em República, tanto que existia o Partido Republicano, houve o Manifesto Republicano de 1873. Agora, assim que foi implantada a República no Brasil foi proibido se falar em Monarquia no país. Foi o mais longo período de repressão ideológica no Brasil. Até a Constituição de 1988, questionar a República era crime, de forma que fica aqui um questionamento: se durante a Monarquia se podia falar contra a República e a República é tão boa, por que ela não permitia ser questionada. Somente depois de 99 anos, com a Constituição de 1988, é que se permitiu a nós monarquistas falar novamente.

Mas voltando à pergunta, há possibilidade?O trabalho é longo, difícil. Primordialmente temos que lutar contra a ignorância porque, após 117 anos, a população perdeu o conhecimento do que foi o Brasil no período monárquico. Infelizmente muitas coisas erradas são ensinadas e temos que quebrar preconceitos, instruir as pessoas. Inclusive a família imperial não aceita voltar sem que seja da vontade do povo brasileiro.

O trabalho do Instituto tem alcançado que montante da população?
No Rio Grande do Sul tem sido feito a divulgação pela Internet, palestras em escolas, artigos que são publicados em jornais explicando as vantagens. O trabalho é de formiga mesmo. A idéia, pelo menos aqui em Minas, é fazer um trabalho pesado de divulgação. Estamos preparando palestras e pretendemos fazê-las onde quer que nos dêem abertura para falar, também vamos publicar artigos e todas as formas possíveis para esclarecimento da população.

Quem são as pessoas que participam do Instituto?
As pessoas costumam pensar que a Monarquia é coisa de gente antiga, conservadora. Eu tenho 29 anos e em Montes Claros sou o terceiro membro mais velho. São apenas dois com mais de trinta anos.

São quantos integrantes em Montes Claros?
O núcleo inicial é constituído por nove pessoas, mas estamos fazendo um trabalho para alcançar novos membros.

Depois de tantos anos, com a mentalidade que as pessoas têm hoje, você acha que a Monarquia funcionaria no Brasil?
Sim. Primeiro lugar, as pessoas não iriam se submeter ao Império. No sistema parlamentarista imperador não manda nas pessoas, não faz leis e não exerce o poder executivo. A função dele é fazer o que chamamos de poder moderador, que atualmente consiste basicamente em servir de equilíbrio entre os demais poderes. Depois, diferentemente do que acontece no sistema presidencialista, no parlamentarismo um governo cai por mera incompetência. No escândalo do mensalão, o parlamento inteiro, o congresso todo teria caído e teriam novas eleições. Idem para o caso das sanguessugas. E seria o imperador que, numa circunstância de crise como essa, usando os poderes constitucionais a ele delegados, poderia fazer isso sem, contudo, assumir para si esses poderes e sim, convocar novas eleições. Além disso, se compararmos o custo do atual presidencialismo brasileiro com o custo da monarquia inglesa, que é a mais cara de todas, nós gastamos entre 6 e 11 vezes o que os ingleses gastam para sustentar a família real. Numa Monarquia você paga apenas o imperador e no máximo o príncipe herdeiro e na atual república brasileira, você paga aposentadoria para o presidente, todos os ex-presidentes, e isso inclui todos os que sentaram um dia que seja naquela cadeira, sustenta todas as viúvas de ex-presidentes e seis assessores para cada ex-presidente, mesmo que estejam exercendo função nenhum.

Pessoalmente, você acha que há chances de um dia o Brasil voltar a ser Monarquia?
Existe e é uma linha natural. As pessoas estão se convencendo de que o atual sistema não funciona. Aquela propaganda que diz que você está elegendo seus empregados, que empregado é esse que você não pode demitir? Empregado você pode demitir por incompetência e no parlamentarismo você pode. Tem um dispositivo que nós monarquistas queremos implantar no país chamado Recall, que atualmente é utilizado nos Estados Unidos e Canadá, que permite que a população literalmente casse o mandato de um parlamentar.

Pelo andar da carruagem, em quantos anos isso pode acontecer?
Nós trabalhamos com a perspectiva de 20 anos.

Quem seria a família real?
Os atuais descendentes de D.Pedro II, a família de Orleans e Bragança.

E onde estão os herdeiros do trono?
Principalmente em Petrópolis, no Rio de Janeiro e alguns em São Paulo. A família imperial brasileira é brasileira, está no Brasil e fala português.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Luma Vidal

PELOS PALCOS DA VIDA

Jerúsia Arruda

Depois do teatro montes-clarense, a atriz Luma Vidal brilha nos palcos paulistas e cariocas. Bela e talentosa, Luma foi uma das estrelas da novela global A Favorita. Ano passado, logo que se mudou para a capital paulista, batemos um palco. Confira.

A profissão de ator/atriz fascina pela multiplicidade de sentidos que instiga. Na fase pueril esses sentidos são mais facilmente aflorados e quando a criança é despertada pelo toque mágico do teatro, dificilmente consegue resistir ao seu encanto. Foi assim com Bruna Caroline Santos Vidal. Aos dez anos participou de uma oficina de teatro do grupo Oficinato, do diretor Aldo Pereira, e nunca mais conseguiu ficar longe dos palcos.
- Tudo começou quando, ao ouvir um comercial no rádio sobre a oficina ministrada por Aldo, pedi a minha mãe que me matriculasse. Sempre desejei ser atriz e, como o curso era aos domingos, não me prejudicaria com os estudos. A partir de então entrei de vez para mundo teatral e descobri que era realmente o que queria e sabia fazer – relembra a atriz, que ainda adolescente, aos 11 anos de idade, na primeira peça que atuou (Precisa-se de um caixão), interpretou uma velhinha.


ABRINDO CAMINHOS
Mesmo sendo tão jovem – dezenove anos de idade -, Luma tem 9 anos de carreira e
Já conhece de perto os rigores da profissão.
- Toda profissão requer sacrifícios e no mundo artístico não é diferente. O maior entrave que um ator tem que vencer é a falta de espaço para trabalhar. Montes Claros dispõe de artistas muito talentosos, mas que infelizmente precisam abandonar a cidade por falta de oportunidades. Sofro com o fato de ter deixado família e amigos para seguir em busca da realização de um sonho, mas o apoio que me dão compensa tudo – lamenta a atriz, que no início do ano foi passar férias em São Paulo e, como não havia conseguido passar no vestibular em Montes Claros, decidiu ficar um tempo para estudar e trabalhar.
- Em São Paulo a possibilidade de profissionalização é bem maior. Poderia fazer faculdade em Montes Claros para obter meu DRT, mas isso não me daria mais chance de trabalhar como atriz. A vida artística se concentra em São Paulo e Rio de Janeiro, o que nos força a tomar atitudes como a que tomei. Estou muito satisfeita, pois em seis meses vivendo na capital paulista tive oportunidades que nunca tivera em todos os anos de teatro em Montes Claros – diz Luma.

VIDA NOVA
Se dizendo acostumada à nova rotina, Luma participou do quadro A Nova das Oito, do Caldeirão do Huck, programa da rede Globo, onde foi descoberta por uma olheira da emissora que a convidou para participar da nova minissérie da Globo.
- Estava tudo certo, até assinei um pré-contrato com a emissora. Infelizmente, quando começaria a gravar, tive um sério problema no joelho e tive de ser substituída por outra atriz. Mas, segundo a correspondência que recebi recentemente de uma produtora, assim que possível serei contratada efetivamente para atuar em qualquer projeto futuro da Rede Globo – lamenta Luma dizendo que atualmente se dedica às aulas de teatro com o diretor Beto Silveira.
- São aulas, em sua maioria, práticas, que possibilitam cada vez mais que me desenvolva na área. Beto utiliza uma metodologia russa muito dinâmica e eficaz que dá excelentes resultados até mesmo para quem nunca fez teatro. Brevemente partirei para o Rio de Janeiro, onde devo fixar residência – diz.

SUPERAÇÃO
Única da família a se enveredar pelas artes cênicas, Luma diz que cada papel que interpreta é uma superação.
- O ator se entrega inteiramente ao realizar um trabalho, tendo que deixar de lado valores pessoais, religiosos, culturais, e tantos outros. Como atriz, preciso ter em mente que minha função é emprestar meu corpo e emoção para o personagem que interpreto. É como se eu deixasse de existir naquele momento e em meu corpo surja uma nova pessoa, parecida ou totalmente diferente de mim – argumenta essa taurina determinada, de gênio forte e cheia de estilo.
Sobre os trabalhos realizados em Montes Claros, Luma diz que considera mais marcante a cena na qual interpretava uma esposa ciumenta preocupada com o marido que tardava chegar em casa.
- Era muito bom ver a platéia se emocionar de verdade com a cena e aplaudir com vontade no final, conta.

MENSAGEM
Para os amigos e companheiros de teatro de Montes Claros, Luma deixa uma mensagem.
- Só quero lembrar que todo esforço é válido quando se espera realizar um sonho. Todos que têm o desejo de serem reconhecidos na arte, não deixem que seu sonho morra diante das dificuldades. O caminho é longo e cheio de obstáculos, mas não há felicidade maior do que a de ver que todos os passos dados não foram em vão.

domingo, 1 de março de 2009

Mais Cultura

ABERTO EDITAL PARA O PROGRAMA

No período de 2 a 6 de março, a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, promove capacitação dos representantes dos municípios do Norte de Minas interessados em receber recursos do Programa ‘Mais Cultura’. Em 2009, serão repassados R$ 18,1 milhões, sendo R$ 12,1 milhões oriundos do Ministério da Cultura e o restante do Governo de Minas.
Até o dia 6 de março, a Unimontes promove encontros regionais para a divulgação do edital dos ‘Pontos de Cultura’, denominação que cada município/projeto selecionado receberá. As reuniões serão realizadas em cinco pólos do Norte de Minas: Montes Claros, Pirapora, Januária, Janaúba e Grão Mogol.

PROJETO
O projeto a ser apresentado deverá atender, pelo menos, um dos seguintes públicos: estudantes da rede pública de ensino, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade social, populações de baixa renda, moradores em áreas com precária oferta de serviços públicos e de cultura. De acordo com o Edital, o prazo de validade dos projetos selecionados será de dois anos contados a partir da homologação da seleção.

CAPACITAÇÃO
Em Montes Claros, o encontro acontece no Centro Cultural Hermes de Paula, dia 2 de março; em Pirapora, no Centro de Convenções José Geraldo Honorato, dia 3; campus da Unimontes em Januária, dia 4; Janaúba, no Espaço Cultural Central do Brasil, dia 5; e na sede do Sindicato dos Trabalhadores de Grão Mogol, no dia 6. Todos os encontros serão realizados de 9h às 13h e de 14 às 18 horas.

MAIS CULTURA
O programa Mais Cultura permite o atendimento às pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, de natureza cultural ou com histórico em atividades culturais, tais como grupos de associações, sindicatos, cooperativas, escolas comunitárias, organizações não governamentais (ONG’s), dentre outras.


O objetivo do programa é potencializar iniciativas e projetos culturais já desenvolvidos por comunidades, grupos e redes de colaboração, através de convênios estabelecidos com entes federativos.
O Mais Cultura fomenta a atividade cultural, aumenta a visibilidade das mais diversas iniciativas culturais e promove o intercâmbio entre diferentes segmentos da sociedade.