sábado, 25 de agosto de 2012

Unimontes oferece vagas para oficinas de teatro
São oferecidas 85 vagas em seis oficinas; as inscrições podem ser feitas até o dia 31 de agosto
 
O projeto Teatro Universitário (TU) – Laboratório de Pesquisa, Criação e Montagem, do departamento de Artes – abre inscrições para as oficinas referentes ao segundo semestre letivo. A iniciativa é do curso de Artes/Teatro da Unimontes e podem participar professores, acadêmicos, servidores técnico-administrativos e pessoas da comunidade. As atividades serão realizadas no prédio 2 do campus-sede, entre os dias 27de agosto a 11 de dezembro.
 
A oferta é de 85 vagas em seis oficinas: “Iniciação Teatral Intergeracional”, às segundas-feiras (16 às 18 horas), coordenada pela professora Mirian Walderez; “Prática em Teatro do Oprimido”, às quintas (16 às 18 horas), dirigida pela professora Solange Sarmento; “Leituras Dramáticas”, às sextas (16 às 18 horas), com coordenação da professora Efigênia Alkmim Prais.
 
E mais: “Grupo Catrumano”, às segundas e quintas-feiras (14 às 18 horas), sob a direção do professor Leonardo Silva Alves; “Teatro Épico”, às quintas (16 às 18 horas), com a professora Mirian Walderez; e “Procedimentos para uma interpretação”, às sextas (16 às 18 horas), com o professor Ricardo Ribeiro Malveira.
 
As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de agosto, na sala 47 do prédio 2 (campus-sede), das 14 às 17 horas. 
 
Segundo o coordenador geral do projeto, professor Ricardo Malveira, além do próprio incentivo à dramaturgia, o Teatro Universitário tem como proposta criar um espaço de extensão e pesquisa. Além disso, as oficinas deste semestre integram as comemorações dos 50 anos da Unimontes e reforçam o início das festividades relativas ao 20º aniversário do curso de Artes, que acontecerá em 2013.
 
Na última semana, o TU participou de diversas atividades do projeto “A Gosto da Unimontes”, no Casarão da Fafil, através de oficinas e intervenções artísticas.
 
 
Serviço

Inscrições para oficinas do Teatro Universitário (TU)
Laboratório de Pesquisa, Criação e Montagem
PERÍODO: até o dia 31 de agosto
PÚBLICO: professores, acadêmicos e comunidade em geral
LOCAL: coordenação do curso de Artes/Teatro e departamento de Artes
INFORMAÇÕES: sala 47, prédio 2 – telefones (38) 3229-8232/e-mail teatro.universitario@unimontes.br.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Bandeiras da cultura
Em exposição na Casa de Cultura Márcia Prates, estandartes estampam a arte e a cultura popular de Montes Claros


Jerúsia Arruda

O estandarte é a bandeira da cultura popular. E na exposição Estandartes, em cartaz no Casa de Cultura Márcia Prates, em Montes Claros, essa cultura vem representada por elementos surpreendentes, que vão de fios dourados e tramas refinadas a latinhas e minigarrafas pet pintadas. 

A exposição é resultados do Concurso de Estandartes realizado pela galeria, segundo a artista plástica Márcia Prates, com objetivo de promover os valores mais íntimos da cultura popular de Montes Claros. “O mês de agosto é especial porque traz à memória e convívio das pessoas o que elas têm de mais precioso, que é sua formação histórica e cultural, através das Festas de Agosto. E o estandarte é um símbolo dessa cultura. Por isso escolhemos esse tema para também render nossa homenagem à bonita e rica história de Montes Claros e, ao mesmo tempo, incentivar, reconhecer e divulgar a produção cultural dos artistas e artesãos, contribuindo para manter viva essa arte tradicional e que tanto encanta”, justifica Márcia.

Vencedores do Concurso de Estandantes
A vernissage aconteceu na noite desta quarta-feira, 15/08, quando foram divulgados os nomes dos vencedores do Concurso de Estandartes. O primeiro lugar (91 pontos) foi arrebatado por Edimara Rosa, o segundo (83), por Marise Vilasboas e o terceiro (74 pontos), por Maximus. Os estandartes foram avaliados pelos critérios criatividade, originalidade e tema (folclore).

Com curadoria de Andrea Prates, as peças em exposição surpreendem pela criatividade e beleza. Os artistas, lançando mão do significado do estandarte, historicamente utilizados como guia para um povo, abusaram da simbologia católica combinando com elementos do cotidiano popular, como minigarrafas pet, latinhas de refrigerante, flores desidratadas e ricamente pintadas, botões, fitas coloridas, retalhos de cobertor, tramas, crochê e bordado. Uma profusão de elementos, texturas, cores e muita história. As peças estão à venda a preços que vão de R$300,00 a R$870,00.

A exposição segue até o próximo dia 21 e pode ser visitada de 9h às 19h, e no sábado, das 9h às 12h. A entrada é franca.





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Serviço

EXPOSIÇÃO ESTANDARTES
De 15 a 21 de agosto, na Casa de Cultura Márcia Prates
Rua Lírio Brant, 810, Melo – Montes Claros – MG
Entrada franca

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


MARIA CUTIA PERCORRE O NORTE DE MINAS

Grupo teatral apresenta em 15 cidades norte-mineiras o espetáculo de rua Como a gente gosta



Maria Cutia em Jaceaba
Neste mês de agosto, o espetáculo de rua Como a gente gosta, do Grupo Maria Cutia percorre 15 cidades mineiras. Com patrocínio da V & M Florestal, a apresentação, inspirado na peça As you like it, de William Shakespeare, será realizada nas cidades de Buenópolis, Lassance, Augusto de Lima, Engenheiro Navarro, Várzea Da Palma, Guaraciama, Bocaiúva, Olhos D’água, Jequitaí, Comunidade Nova Esperança (Montes Claros) e São João da Lagoa.

Todos os espetáculos são de acesso livre e entrada franca. O grupo já passou por Joaquim Felício, Francisco Dumont, Claro dos Poções, Coração de Jesus e, hoje, chega a Lassance. A programação completa pode ser conferida abaixo.

A peça

Maria Cutia em Pompeu
Como a gente gosta foi concebida para a rua e o texto foi adaptado pelo diretor Eduardo Moreira, que também assina a dramaturgia do espetáculo. Na trama, quatro atores representam nove personagens em um ‘quiproquó’ de amores provocados pela flecha do cupido. Uma obra que convida o público para pensar sobre o amor, as loucuras dos apaixonados e as distinções entre os universos masculino e feminino. A encenação mescla elementos farsescos/bufônicos e líricos, criando, sempre em intenso diálogo com o público, uma trama cômica e poética.

Como a gente gosta

Direção: Eduardo Moreira
Sinopse: Rosalinda se disfarça de homem e foge da corte para a floresta onde encontra com seu enamorado Orlando, fazendo-o imaginar que ela (travestida de homem) fosse de verdade sua amada e lhe dá lições de como se curar da febre do amor.

Confira a agenda da turnê no Norte de Minas

Lassance
07 de agosto (terça), na Praça Ailton Soares

Buenópolis
08 de agosto (quarta), na Praça Toval da Costa Sampaio. 
Em caso de chuva: Salão do Asilo 

Augusto de Lima
09 de agosto (quinta), às 10h, na Quadra Poliesportiva Luiz Fernando Mansur

Engenheiro Navarro
10 de agosto (sexta), às 19h, na Praça de Eventos. 
Em caso de chuva: Poliesportivo

Guaraciama
11 de agosto (sábado), às 20h, na Praça São João Batista. 
Em caso de chuva: Quadra da Escola Municipal Pedro Francisco Praes

Várzea da Palma
12 de agosto (domingo), às 10h, na Praça de Eventos. 
Em caso de chuva: Cecoge

Bocaiúva
18 de agosto (sábado), às 20h, na Praça Wan-Dick Dumont. 
Em caso de chuva: Centro Cultural

Olhos D’água
19 de agosto (domingo), às 19h, na Praça Sant’Ana. 
Em caso de chuva:  Quadra coberta ao lado da escola Paulo Vieira

Comunidade Nova Esperança (Montes Claros)
20 de agosto (segunda), às 19h, na Praça Bom Jesus (em frente à Igreja). 
Em caso de chuva: Quadra Poliesportiva de Nova Esperança

Jequitaí
21 de agosto (terça), às 19h, na Praça Cristo Redentor. 
Em caso de chuva: Centro Comunitário

São João da Lagoa
22 de agosto (quarta), às 9h, na Praça da Matriz (Praça Ângelo Gonçalves). 
Em caso de chuva: Galpão do Fundec, em frente à Prefeitura

ESTANDARTES EM EXPOSIÇÃO

A Casa de Cultura Márcia Prates realiza, no dia 15 de agosto, às 20 horas, vernissage e premiação do 1º Concurso de Estandartes. A Exposição se estenderá até o dia 21 de agosto, das 9h às 19h e sábado, das 9H às 12h.

A iniciativa pretende incentivar, reconhecer e divulgar a produção cultural dos artistas e artesãos, permitindo, também, o reconhecimento, por meio da venda das obras, preservando a cultura local. 
A Casa de Cultura Márcia Prates fica na rua Lírio Brant, 81 -  Melo, em Montes Claros - Minas Gerais. Informações pelo (38) 3222-6390.




CURTAS NO NTERIOR DE MINAS
Fundação Clóvis Salgado apresenta curtas premiados na 13ª edição do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte em Pirapora e Araçuaí
Exibição da itinerância acontecerá, gratuitamente, de 17 a 19 de agosto

Mostra Minas - Não há cadeiras

Os filmes premiados no 13º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, realizado em 2011 pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, poderão ser vistos na cidade Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, entre os dias 15 a 18 de agosto, e em Pirapora, no Norte de Minas, entre os dias 17 a 19 de agosto.

Exibição acontecerá, gratuitamente, por meio da mostra itinerante do Festival, que percorrerá cidades do interior do Estado.


Em Araçuaí, ao longo dos cinco dias de exibição, serão mostrados filmes de programas que fizeram parte do último Festival. As sessões são gratuitas e acontecem em dois espaços: no Centro Cultural Luz da Lua, no centro da cidade, e no Cinema Meninos de Araçuaí, na Praça Valdomiro Silva.

Em Pirapora, serão mostrados filmes dos programas Brasil I, Brasil II, Brasil III, Internacional I, Internacional II, Internacional III, Infantil, Juventude I, Juventude II, Animação, Maldita e Minas, que fizeram parte do último Festival. As sessões são gratuitas e terão exibições durante a manhã, à tarde e à noite no Centro de Convenções José Geraldo Honorato Vieira, no centro da cidade.

Mostra Minas - O Céu no andar de baixo

Para Rafael Ciccarini, gerente do Departamento de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, a itinerância é fundamental porque promove o acesso aos filmes de curta-metragem no interior do Estado. “A maioria das cidades do interior têm poucos cinemas, que se limitam, normalmente, à exibição dos filmes comerciais. A itinerância é uma ótima oportunidade para esse público conhecer os filmes de curta-metragem e se alinha fortemente com as ações de interiorização da cultura do estado”.

Depois de Pirapora, a itinerância dos filmes do 13º Festival Internacional de Curtas passará pela PUC São Gabriel, em Belo Horizonte, com exibições entre os dias 29 e 31 de agosto. No ano passado, 10 cidades do interior do Estado receberam a programação do 12º Festival Internacional de Curtas, que atingiu um público de mais de 12 mil pessoas.

Toda a programação da itinerância e informações sobre a 14ª edição do Festival, que será realizada em setembro no Palácio das Artes, pode ser conferida pelos sites festcurtasbh.com.br e fcs.mg.gov.br.



SERVIÇO

Exibição de filmes do 13° Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte 

Em Araçuaí

Data: 15 a 18 de agosto
Local: Centro Cultural Luz da Lua (Rua Dom Serafim, 426 – Centro) e Cinema Meninos de Araçuaí (Praça Valdomiro Silva)
Entrada gratuita / Classificação livre


Em Pirapora
Data: 17 a 19 de agosto
Local: Centro de Convenções José Geraldo Honorato Vieira (Av. Salmeron s/n, Centro)
Entrada gratuita / Classificação livre


 Confira a programação Itinerância do 
13° Festival Internacional de Curtas em Pirapora

Local: Centro de Convenções José Geraldo Honorato Vieira (Av. Salmeron s/n, Centro)

17/08
19h30 – Mostra Brasil I – Classificação Indicativa – 16 anos
21h – Mostra Internacional I - Classificação Indicativa – 16 anos

18/08
10h– Mostra Infantil – Sessão Livre
11h– Mostra Juventude I – Classificação Indicativa – 12 anos
16h30 – Mostra Juventude II – Classificação Indicativa – 14 anos
18h – Mostra de Animação Internacional – Classificação Indicativa – 16 anos
19h30 – Mostra Brasil II – Classificação Indicativa – 12 anos
21h – Mostra Internacional II - Classificação Indicativa – 14 anos
23h – Mostra Maldita – Classificação Indicativa – 18 anos

19/08
10h– Mostra Infantil – Sessão Livre
11h– Mostra Juventude II – Classificação Indicativa – 14 anos
16h30 – Mostra Juventude I – Classificação Indicativa – 12 anos
18h – Mostra Minas – Classificação Indicativa – 16 anos
19h30 – Mostra Brasil III – Classificação Indicativa – 16 anos
21h – Mostra Internacional III - Classificação Indicativa – 16 anos

- Confira os filmes que serão exibidos em cada mostra:

MOSTRA BRASIL I - PREMIADOS – 59 minutos – 16 anos
- A felicidade dos peixes (direção Arthur Lins, Brasil/PB, 2011, 25’)
- Praça Walt Disney (direção Sergio Oliveira e Renata Pinheiro, Brasil/PE, 2011, 21’)
- Canoa quebrada (direção Guilherme Martins, Brasil/SP, 2010, 13’)

MOSTRA BRASIL II – 63 minutos – 12 anos
- Uma primavera (direção Gabriela Amaral Almeida, Brasil/SP, 2010, 15’)
- Irene (direção Victor Nascimento e Patricia Galucci, Brasil/SP, 2011, 15’)
- Sala de Milagres (direção Marília Hughes e Cláudio Marques, Brasil/BA, 2011, 13`)
- Furico e Fiofó (direção Fernando Miller, Brasil/SP, 2011, 8’)
- Media Training (direção Eloar Guazzelli e Rodrigo Silveira, Brasil/SP, 2011, 12`)

MOSTRA BRASIL III – 72 minutos – 16 anos
- L (direção Thais Fujinaga, Brasil/SP, 2011, 21’)
- Vó Maria (direção Tomás Mancino von der Osten, Brasil/PR, 2011, 6`)
- Meu Medo (direção Murilo Hauser, Brasil/PR, 2010, 11’)
- Náufragos (direção Gabriela Amaral Almeida e Matheus Rocha, Brasil/SP, 2010, 15’)
- As aventuras de Paulo Bruscky (direção Gabriel Mascaro, Brasil/PE, 2010, 19’)

MOSTRA INTERNACIONAL I – PREMIADOS - 85 minutos – 16 anos
- Die Frau des Fotografen (direção Philip Widmann, Karsten Krause, Alemanha, 2011, 29`)
- Parmi Nous (direção Clément Cogitore, França, 2011, 30`)
- Les Navets Blancs Empechent de Dormir (direção Rachel Lang, França, 2011, 26`)

MOSTRA INTERNACIONAL II – 71 minutos – 14 anos
- Wachstum (direção Florian Heinzen-Ziob, Alemanha, 2011, 23`)
- Nena (direção Maria Florencia Alvarez, Argentina, 2010, 15`)
- Audition (direção Eti Tsicko, Israel, 2010, 15`)
- Opale Plage (direção Marie-Eve de Grave, Bélgica, 2010, 18`)

MOSTRA INTERNACIONAL III – 76 minutos – 16 anos
- Recardo muntean rostas (direção Stam  Zambeaux, Bélgica, 2010, 25`)
- Transparent Black (direção Roni Geffen, Israel, 2010, 21`)
- Everybody’s Nuts (direção Fabian Euresti, EUA, 2010,  14`)
- Diane Wellington (direção Arnaud Des Palliéres, França, 2010, 16`)

INFANTIL – 57 minutos - Livre
- Naiá e a Lua (direção Leandro Tadashi, Brasil/SP, 2010, 13’)
- Marie (direção Jutta Schünemann, Alemanha, 2011, 11’)
- O filho do vizinho (direção Alex Vidigal, Brasil/DF, 2010, 7`)
- Kapitan Hu (direção Basil Vogt, Suíça, 2011, 9`)
- Kuka Kehtaa? (direção Sanni Lahtinen, Finlândia, 2010, 4`)

JUVENTUDE I - 65 minutos - 12 anos
- Sturmfrei (direção Sarah Winkenstette, Alemanha, 2010, 10`)
- La Fille & le Chasseur (direção Jadwiga  Kowalska, Suíça, 2010, 5`)
- Ik Bem Eeen Meijsje (direção Susan Koenen, Holanda, 2010, 15’)
- Julie, Agosto, Setembro (direção Jarleo Barbosa, Brasil/DF, 2011, 8`)
- Eu Não Quero Voltar Sozinho (direção Daniel Ribeiro, Brasil/SP, 2010, 17’)
- Imagine uma Menina com Cabelos de Brasil  (direção Alexandre Bersot, Brasil/SP, 2010, 10’)

JUVENTUDE II – 69 minutos - 14 anos
- Hidegzuhan (direção Orsi Nagypal, Hungria, 2010, 14`)
- César (direção Gustavo Suzuki, Brasil/SP, 2011, 15`)
- Hitomi (direção Manu De Smet, Bélgica, 2010, 20`)
- Ratão (direção Santiago Dellape, Brasil/DF, 2010, 20’)

MOSTRA DE ANIMAÇÃO INTERNACIONAL – 58 minutos - 16 anos
- Daniel, une Vie en Bouteille (direção Emmanuel - Briand, Antoine Tardivier e Louis Tardivier, França, 2011, 13`)
- Piirongin Piiloissa (direção Sanni Lahtinen, Finlândia, 2011, 7`)
- All Consuming Love: Man in a Cat (direção Louis Hudson, Inglaterra, 2011, 9`)
- Feu Sacré (direção Zoltan Horvath, Suíça, 2010, 9`)
- Crépuscule (direção Éric Falardeau, Canadá, 2011, 20`)

MALDITA - 58 minutos - 18 anos
- O Hóspede (direção Ramon Porto Mota e Anacã Agra, Brasil/ PB, 2011, 17`)
- Velho Mundo (direção Armando Fonseca, Brasil/ SP, 2010, 13`)
- Calma Monga, Calma! (direção Petrônio de Lorena, Brasil/ RJ, 2011, 19`)
- Pornografizme (direção Leo Pyrata, Brasil/MG, 2011, 9`)

MOSTRA MINAS – 70 minutos – 16 anos
- Não há cadeiras (direção Pedro di Lorenzo, Brasil/MG, 2011, 25’)
- Cineastas do apocalipse (direção Ayron Borsari, Brasil/MG, 2011, 12’)
- O céu no andar de baixo (direção Leonardo Cata Preta, 2010, Brasil/ MG, 15`)
- Dona Sônia Pediu uma Arma para seu Vizinho Alcides (direção Gabriel Martins, Brasil/MG, 2011, 18`)

sábado, 21 de abril de 2012

Um rio de conhecimentos

Projeto Cinema no Rio promove intercâmbio cultural ao levar a sétima arte às populações ribeirinhas do São Francisco


Telão inflado, projetor ligado, cadeiras a postos. Tudo pronto para mais uma sessão do Projeto Cinema no Rio São Francisco, que desde 2004 percorre o rio da integração nacional com o objetivo de democratizar o acesso à cultura exibindo filmes para as comunidades ribeirinhas. Esse ano o projeto completa sete anos de difusão da sétima arte. Para comemorar a data, a equipe parte para mais uma expedição em abril. Dessa vez, o Cinema no Rio vai percorrer 13 cidades no estado de Minas Gerais.

O projeto comemora também os 510 anos do Velho Chico, esse caudaloso rio habitado por indígenas e anteriormente conhecido como opará, algo como “rio-mar”. Ele foi descoberto por Américo Vespúcio no dia 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco. Desde então, fez parte de importantes momentos históricos do país.

Assim, o Cinema no Rio realiza uma série de atividades com o objetivo de promover o intercâmbio com as comunidades que vivem as margens do rio São Francisco. A principal é a exibição gratuita de filmes. Crianças, adultos, idosos e até pessoas que nunca viram um filme na vida enchem as praças das cidades. Então é luz, câmera, ação. E as emblemáticas palavras do mundo cinematográfico ganham um novo significado.Parte desse novo sentido é criado ali mesmo, já que a equipe do projeto é responsável pela produção e veiculação de um documentário local sobre a cidade e seus habitantes. “Nos outros anos a população era mostrada nos filmes. Dessa vez, ela também vai fazer parte da produção desse curta-metragem.

Depois dos documentários, é hora dos filmes, todos nacionais. Esse ano, o projeto conta com oito curtas e seis longas-metragens, entre eles os recentes O Palhaço, com direção de Selton Mello, e Hotxuá, com direção de Letícia Sabatella e Gringo Cardia. O premiado Girimunho, com direção de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr, também faz parte da lista.
Depois de ser exibido em festivais nacionais e internacionais, o filme finalmente será mostrado à cidade de São Romão, aonde foi gravado. “O Girimunho nasceu no projeto Cinema no Rio e agora vai ser visto pelos habitantes que me ajudaram a produzi-lo. É o local onde eu mais tenho vontade de passar o filme”, conta Helvécio Marins Jr, diretor do longa.



As comunidades também ganham conhecimento com a oficina de fotografia Imagem em movimento, direcionada a crianças de 12 a 16 anos. Os oficineiros vão conversar sobre o assunto, ensinar as regras básicas e deixar eles saírem pela cidade fotografando tudo que for interessante. “É o olhar deles sobre o espaço em que vivem”, explica Inácio. Cada participante também será fotografado. O material será então editado e exibido na telona antes dos filmes.
Todo esse sucesso é fruto do entendimento do cinema como uma forma de manifestação cultural. “E nesse projeto ainda é mais do que isso, pois é também uma forma de conhecer as outras manifestações culturais regionais. A proposta não é só proporcionar que eles tenham contato com o cinema, mas que eles tenham contato com suas próprias manifestações”, afirma Inácio.

Ele conta que o grupo de Batuque da cidade de Ponto Chique renasceu após a passagem do Cinema no Rio, na edição de 2006. “Eles diziam que a cidade não gostava deles. Insistimos e eles acabaram se apresentando. Foi um sucesso. Pela primeira vez vimos as pessoas da comunidade participando”, lembra Inácio. O grupo criou asas e chegou a fazer apresentações até em Brasília.

Desde que foi criado, o projeto passou por diversas cidades de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, os cinco estados que recebem as águas do Velho Chico. Com as sessões gratuitas dos filmes o Cinema no Rio já levou cultura para mais de 200 mil pessoas.

domingo, 15 de abril de 2012

Cultura abre espaço para participação popular

Conselho Estadual de Política Cultural Sua possibilitará acompanhar a elaboração e implantação das políticas públicas para a Cultura

Nesta semana, as políticas culturais para Minas Gerais podem ganhar novos rumos. Isso porque a Secretaria de Estado de Cultura está realizando eleições para escolha dos novos membros do Conselho Estadual de Política Cultural (Consec). A votação será realizada na terça-feira, 17 de abril, das 14h às 18h, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.

Serão escolhidos os candidatos indicados pelas entidades civis que fizeram cadastramento prévio junto à SEC e que apresentaram documentação de acordo com as exigências do Edital de Convocação.

Para votar, o eleitor deverá apresentar o número do CPF, além de documento que contenha nome e foto. Todo o processo eleitoral será acompanhado e fiscalizado por equipes da Secretaria de Estado de Cultura e do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

Os eleitores só poderão votar na urna destinada ao seu respectivo segmento cultural.

Para a votação presencial, os eleitores deverão encaminhar-se ao 9º andar do Edifício Gerais, onde estarão distribuídas urnas destinadas a cada segmento cultural que terá representatividade no Consec: Teatro; Museus e de Artes Visuais; Dança e Circo; Música; Produção Cultural; Arte Popular, Folclore e Artesanato; Entidades de Trabalhadores e Empresariais; Patrimônio Histórico e Artístico; Literatura, Livro e Leitura; Audiovisual e Novas Mídias; e Design e Moda.

As pessoas interessadas em atuar como fiscais do processo eleitoral deverão comparecer, no dia da eleição, ao 5º andar do Edifício Gerais, até as 13h30, para concorrer a uma das 11 credenciais que serão distribuídas. Não poderão ser fiscais candidatos ao Conselho Estadual de Política Cultural e servidores públicos.

Para as entidades civis cujas sedes estejam localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o voto deverá ser presencial. Já as entidades do interior do estado, poderão optar pelo voto presencial ou pelo voto por correspondência, tendo até o dia 16 de abril de 2012, para enviar a documentação para a Secretaria.

Após a totalização de todos os votos, a Secretaria procederá à composição das listas tríplices de cada segmento, compostas pelos três primeiros colocados em cada votação. As listas serão encaminhadas ao Governador do Estado, que designará e nomeará os membros da sociedade civil que comporão o Conselho Estadual de Política Cultural, assim como os respectivos suplentes. O resultado final da totalização dos votos presenciais, e por carta, será divulgado no dia 23 de abril de 2012.

Criado pela Lei Delegada nº 180, de 20 de janeiro de 2011, o Conselho Estadual de Política Cultural (Consec) é um órgão colegiado, paritário, de caráter consultivo, propositivo, deliberativo, e de assessoramento superior da Secretaria de Estado de Cultura, servindo como uma instância da sociedade civil junto à Secretaria. Sua missão será acompanhar a elaboração e implantação das políticas públicas do Estado para a Cultura.

O Consec atende as diretrizes do Plano Nacional de Cultura e do Sistema Nacional de Cultura, e propõe maior participação da sociedade civil na elaboração de suas políticas públicas.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Uma delícia de festival

Comida di Buteco começa nesta sexta-feira


Bar Barracão, Bar da Tia Dalva, Bar do Bobô, Bar da Mangueira, Bar do Soró, Bar dos Amigos, Cantina do Léo, Cordel Encantado, Dom Bistrô, Pampulhas Bar, Quintal Bar, Ser Tão Ibituruna, Só o Bar, Thon Bar e Universo do Beijú. Essas são as 15 casas que participam da edição do Comida di Buteco 2012 em Montes Claros, um dos maiores eventos gastronômicos do país.

Acesse o www.comidadibuteco.com.br para conferir a localização dos estabelecimentos, porque será nesses ambientes que você encontrará, a partir desta sexta-feira (13/04) até o próximo dia 29, os montes-clarenses mais antenados em comida de boteco e nos novos endereços que tornam ainda mais deliciosa a noite de Montes Claros, bastante prestigiada pela gente da região, pois a cidade é dona de alguns dos melhores botecos do Norte de Minas.

O evento, naturalmente, tem o apoio e o incentivo da Prefeitura, porque ajuda a aprimorar a qualidade dos nossos botecos, atrai visitantes da região e movimenta o turismo e a economia municipal. Esse ano, apenas seis cidades mineiras têm o privilégio de sediar o evento, hoje de contorno nacional.

PROFISSIONALIZANDO

O circuito, além mostrar onde estão os melhores tira-gostos da cidade – escolhidos pelo voto da população e de um corpo de jurados –, ajuda a melhorar a estrutura física e as condições de funcionamento das casas, já que também avalia critérios como temperatura da cerveja, atendimento ao cliente, higiene do estabelecimento e dos sanitários e conforto.

É uma forma ‘bem sacada’ de contribuir para com a profissionalização do setor, diante da importância social do boteco para o mineiro. É por esta razão que a Prefeitura apoia e estimula a realização do evento na cidade, que nesses seis anos ajudou a repercutir os estabelecimento se movimentar o comércio, estimulando a circulação de clientes e alimentando o turismo e a economia da maior cidade da região. O setor ganhou em número de frequentadores e na melhoria da renda.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Um show de Rock

Encontro de roqueiros resgata tradição do estilo em Montes Claros


Neste sábado, 11 de fevereiro, os grandes nomes do rock mundial e nacional estarão representados em Montes Claros no evento Night of Metal, que acontece às 20h, na Praça de Esporte, ao som das bandas Dragão de Ares, Age of Darkness e Novos Ares.

O projeto vai reunir músicos e amantes do bom e velho rock’n roll, promovendo o resgate de uma cultura que vem se perdendo na cidade.

O grande diferencial do Night of Metal está nas atrações. A banda Dragão de Ares foi formada em 2004, em Pirapora/MG, começou com couvers do Iron Maiden e, logo, apostou na produção de músicas próprias. Em 2007 veio o primeiro CD, “Olhar dos Anjos” e em 2010 o CD/single “Destino”.

A banda Novos Ares está na estrada há mais de 10 anos e coleciona importantes apresentações. Ao longo de sua trajetória teve muitas modificações na formação, mas sempre apresentou solidez quando subia aos palcos. No repertório, sempre há espaço reservado para Pink Floyd, Deep Purple, Black Sabbath, entre outros clássicos.

O Night of Metal acontecerá na Praça de Esportes, centro de Montes Claros, a partir das 20h. Os ingressos custam R$ 10,00 antecipados e R$ 15,00 na portaria. Vendas antecipadas na Loja Taboo (Rua Camilo Prates, 223), Metal Rock (loja 210 do Shopping Popular) e Yoshi’s House (loja 238 do Shopping Popular). Informações pelo telefone: 9178-5690.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Adeus a Bartolomeu Campos de Queirós

É com grande pesar que recebo a notícia da morte do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, ocorrida na madrugada desta segunda-feira, 16/2012, em Belo Horizonte.

Gentil, inteligente e sensível, o escritor foi um dos primeiros entrevistados de minha carreira como jornalista - para mim, uma honra.Conversamos durante lançamento do programa Grandes Escritores em Montes Claros, no mês de outubro de 2008, entrevista publicada pelo jornal O Norte de Minas e que trago à página de destaque do blog.

Mineiro da cidade de Papagaios, Região Central de Minas Gerais, Bartolomeu tinha 66 anos e ocupava a Cadeira 26 na Academia Mineira de Letras (AML). Segundo nota divulgada pela AML, o escritor, que sofria de insuficiência renal e fazia hemodiálise regularmente, estava internado no Hospital Felício Rocho, na capital mineira.

À família enlutada, meus sentimentos. Ao velho Bartô, um adeus de saudade.

Bartolomeu Campos de Queirós

A FORÇA POÉTICA DE BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
O escritor mineiro diz não gostar de literatura com destinatários e que a fantasia é a matéria-prima da literatura e da arte em geral


Publicado em 08/10/2008


Com uma linguagem que consegue ser, ao mesmo tempo, simples e densa, Bartolomeu Campos de Queirós é autor de mais de quarenta livros publicados no Brasil, vários deles traduzidos e editados em outros países. Muitos de seus textos foram adaptados para o teatro, dentre eles, Ciganos, encenado pelo Grupo Ponto de Partida, de Barbacena/MG. Sua obra tem sido tema de teses acadêmicas (áreas de Literatura e Psicologia) em várias universidades brasileiras.
Nascido em Papagaio, no interior de Minas Gerais, o compenetrado e metódico Bartô se interessou desde cedo pela literatura e pelo ensino da arte, retratando em suas obras os sabores, cheiros e cores dos muitos lugares por onde passou, em uma prosa poética refinada, que lhe rendeu vários e importantes prêmios literários nacionais, como o Prêmio Cidade de Belo Horizonte; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Selo de Ouro, da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil; 9ª Bienal de São Paulo; 1ª Bienal do Livro de Belo Horizonte; Diploma de Honra da IBBY, de Londres. Com o livro Index, foi o vencedor do Concurso Internacional de Literatura Infanto-Juvenil (Brasil, Canadá, Suécia, Dinamarca e Noruega).
De poucas palavras, avesso à badalação e só faz o que gosta. Assim é Bartolomeu. Seus textos, ao contrário, são transparentes, leves, sem, contudo, serem superficiais.

Com formação nas áreas de educação e arte, cursou o Instituto Pedagógico de Paris, se destacando como educador em vários níveis desde a década de 70, contribuindo com importantes projetos da secretaria de Estado da Educação e ministério da Educação. Foi presidente da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes, membro do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Curador da Escola Guignard. Atualmente participa do Projeto ProLer, da Biblioteca Nacional, ministrando conferências e seminários sobre educação, leitura e literatura. Também atua como crítico de arte, integrando júris e comissões de salões e fazendo curadorias e museografias de exposições.

Seu primeiro livro - O peixe e o pássaro - foi publicado em 1974. Desde então passou se dedicar à literatura infantil com obras como Ler, Escrever e Fazer Conta de Cabeça, que tem Formiga Amiga, Pato Pacato, Guarda-Chuva da Guarda, Cavaleiros das Sete Luas, Até Passarinho Passa, Ciganos, Patas da Vaca, Olho de Vidro do Meu Avô, De Não em Não, e muitas outras, com uma narrativa poética carregada de significados, emocional, e que desperta inquietações.O autor atribui sua relação com as crianças à proximidade estimulada em sala de aula, já que foi professor por muitos anos. Segundo ele, quando começou a escrever, os mais jovens foram seus primeiros leitores, que faziam suas observações, até que um dia resolveu enviar um texto para o concurso João de Barro, da prefeitura de Belo Horizonte, que ficou o primeiro lugar. Daí, não parou mais.

Usando o processo de metalinguagem para que o leitor possa se inserir no texto, o autor instiga a imaginação, dando liberdade a várias leituras e permitindo ao leitor ir além.
Bartolomeu Campos revela através de sua obra literária e de seu trabalho como educador a necessidade premente de se promover através da educação valores mais humanos nas crianças, que precisam deixar de ser consumidoras, repetidoras, e passarem a ser criadoras.
Com a simplicidade e nobreza típicas do povo mineiro, o escritor diz não gostar de literatura com destinatários, pois cada leitor absorve o texto conforme sua vivência e por isso procura escrever um texto que permita apenas uma leitura e não um texto literário, já que a literatura abre portas, mas a paisagem está escondida na emoção de cada leitor que, como diz humildemente, sempre sabe mais que ele.

Em entrevista exclusiva à jornalista Jerusia Arruda, o velho Bartô fala de coração aberto sobre suas andanças, sobre o processo de criação de seus livros, sobre a educação no Brasil, a importância da leitura na formação do cidadão, e deixa algumas dicas para os iniciantes na arte de escrever.

O que representa para você participar do programa Tim Estado de Minas Grandes Escritores? Estou no programa desde o ano passado. Já fui a Belo Horizonte, Viçosa, Ponte Nova e agora em Montes Claros. Eu gosto de participar do projeto porque acho que é necessário no Brasil agora, com a política cultural, preocupar com a formação do leitor. Falar em cidadania implica em falar em leitura. O cidadão tem que saber ler, antes de mais nada. Então, essa divulgação do livro, essa preocupação com a aquisição de livros, com o acervo de bibliotecas públicas que o programa tem me interessam também, porque eu já participo de alguns projetos de formação de leitor no Brasil.

Você acha que essa aproximação do autor com o público incentiva à leitura?
- Quando a gente vai a cada cidade a gente fala do processo criativo, como é que surge a idéia, de onde vem, como é que a gente se fez leitor - porque todo escritor é um leitor, e isso anima o sujeito a ler, ficar um pouco curioso em conhecer o que a gente escreve. Esse contato com o público com o escritor é bem eficiente para despertar o interesse pela leitura.
- Eu tento no meu trabalho fazer uma literatura sem fronteira, que tanto o jovem quanto o adulto tenham acesso. Eu não gosto muito de pensar numa literatura com destinatário, ou é ou não é literatura. Nas outras áreas das artes, por exemplo, você não vê falar que Picasso pintou para criança, que Portinari pintou para criança, que Beethoven escreveu para criança. Também é assim com a literatura. Essa literatura destinada para alguma coisa eu não gosto, eu prefiro tentar dentro do meu trabalho uma literatura realmente sem fronteira.

Como é sua produção, você tem uma rotina, reserva um tempo para escrever, ou escreve por inspiração?
- Não, eu gosto muito de ler e brinco muito dizendo que ler é melhor do que escrever. Então, eu nunca aceito um contrato com uma editora fechado, com produção com data marcada. Eu escrevo quando tenho o que dizer. Se eu não tenho o que dizer eu não fico ansioso, procurando alguma coisa para falar, nem nada, fico tranqüilo, leio o tempo inteiro, fico em casa, passeio, mas fico sempre esperando ter o que dizer. Eu acho que a gente só escreve quando tem o que dizer.

Têm muitas histórias, como a do Joseph Mitchell, que demorava meses e até anos para produzir um texto. Qual o tempo que normalmente você gasta para concluir um livro?- Texto é demorado. Até o Mallarmé fala isso também. Mallarmé (se refere ao poeta francês Estephane Mallarmé) diz que a gente nunca termina um texto, a gente abandona. Porque se eu reler eu vou modificar novamente. Se eu releio, eu modifico, modifico, modifico e há um certo dia que você fala assim, não, hoje chega, não quero pensar mais e manda, e aí vai embora. Tanto que tenho o hábito, por exemplo, de não ler meu texto depois de pronto, porque me dá vontade de alterar novamente e já não tem jeito.

Acho que isso é uma característica dos bons artistas, de deixar a obra para que as pessoas contemplem e completem. O Djavan fala muito isso, de não gostar de ouvir a própria música.
- É, eu não gosto. Eu faço e não vejo meu livro, não quero ler, não quero saber o que está lá dentro mais e vou partir para outra coisa, senão vou querer modificar.

Você sempre esteve envolvido com a educação de alguma forma?
- Eu fui muito tempo funcionário do Ministério da Educação e da secretaria de Estado da Educação e também fui funcionário do sistema Pitágoras de ensino. Agora que estou mais afastado da educação, mas mesmo assim sempre sou chamado pelos professores, pelos congressos de educação para falar alguma coisa, porque a gente não sai da educação. Entrou uma vez, não sai nunca mais. Então, aceito esses convites e tal, mas hoje eu vivo só pela literatura, só pelo texto, pela leitura, pelos congressos.

O brasileiro não tem o hábito da leitura. O que você acha que poderia ser feito para motivar um pouco mais o leitor?
- Eu acho que tem que ser uma arrancada muito grande, porque eu não vejo a escola como a única capaz de formar o leitor. Acho que o leitor vai ser formado por uma sociedade leitora. Deixar na responsabilidade da escola essa função, ela não dá conta. Hoje temos que contar com todos os movimentos de leitura que a gente tem, os congressos, as bibliotecas públicas, os movimentos de contadores de história, com tudo isso, para mobilizar uma sociedade inteira em torno da leitura, porque deixar só a escola nós não vamos chegar lá não.

Com toda essa abertura da Internet, você acha que os livros didáticos fornecidos pelo governo para as escolas públicas acompanham a evolução da criança?
- Eu vejo o seguinte: o livro didático sempre conta para a criança o que o homem já fez. O homem andou até tal lugar na matemática, até aqui na física, até aqui na química, Biologia e tal, mas como a literatura é feita de fantasia, ela está sempre proporcionando ao leitor maior contato com a fantasia, a ter maior coragem para deixar a fantasia vir à tona. E a fantasia é o que há de mais importante porque todo o real que nos cerca é uma fantasia que vem no corpo. Quer dizer, hoje estamos comemorando cem anos do 14 Bis, com esses aviões cruzando os céus com 800 passageiros, essa coisa toda, mas cem anos atrás era uma fantasia do Santos Dumont. Todo real é uma fantasia que vem no corpo, então fantasiar é sempre uma atitude de acrescentar algo novo no mundo, tudo que acontece de novo foi a fantasia que fez.

Seria interessante, então, incluir nessa lista do governo a literatura?- Claro, seria fundamental, e o ministério da Educação já tem feito alguns projetos nesse sentido, como A literatura em sua casa, os acervos básicos de biblioteca com literatura, com texto literário.

Inclusive virtual...
- Também, então a gente está chegando à conclusão que tem que ler e ler de tudo, não se limitar a uma coisa só.

E a televisão?
- Olha, a televisão é uma coisa muito interessante porque não cobra nada do espectador, ela não me cobra nada, eu ligo, vejo, desligo, ninguém me cobra nada. Agora, é muito interessante a literatura quando se chega à escola. A escola não dá muito conta de deixar a criança ler pelo prazer de ler. Lê e acabou. Ela quer que a criança leia para cobrar o que foi lido, então sempre é fácil. A televisão tem essa grande coisa, porque não cobra, ninguém pergunta se eu gostei, se não gostei, o que é que foi, se eu não gostar eu desligo, mudo de canal. E é o que acontece com os livros, eu muitas vezes entro em uma livraria, folheio vários livros, vejo um pedaço de um, um pedaço de outro, qual que vou querer levar, quer dizer, a gente não está deixando isso. Mas hoje a escola já está sensível por esses processos de avaliação da literatura, deixar a literatura livre, aberta, para a criança gostar ou não gostar.

Como professor e escritor, de um modo geral, como você vê a educação no Brasil hoje?
- Eu acho que a gente está num momento muito rico porque está todo mundo dizendo que ela não vai bem. O ministro da Educação diz que ela não vai bem, o secretário, os governadores falam que não vai bem, os candidatos a presidente dizem que ela não vai bem, então é hora da gente criar, é hora da gente inventar uma maneira nova para essa escola. Para o educador é um momento muito bom de fazer essa invenção. Se não está bom, o que nós vamos fazer? E aí entra a fantasia. Que escola nós fantasiamos? Então vamos realizar essa fantasia na escola.

Como você se define como autor?
- Eu digo que ser escritor é igual a ser um trapezista sem rede, você nunca sabe onde cai, nem o que o leitor achou. E por isso que é bom quando você vai a algum lugar e encontra alguém que já leu você, para saber onde foi que caiu, como é que foi a queda. Mas é sempre um trabalho de um trapezista sem rede, você faz o melhor de você lá em cima, tudo bem, mas não sabe onde vai cair. Você não sabe como o leitor aceitou, como a coisa foi desenvolvida, então é arriscar, tentar o inconveniente. Criar é isso, tentar o inconveniente.

Quem é o Bartolomeu leitor, de quem você gosta?
- Ah, eu sou bom leitor, adoro ler. Sou um cara que li muito, estudo muito, gosto de teorias também, não leio só a literatura não. Leio sobre educação, psicanálise, de tudo isso eu leio. Leio também meus amigos escritores.

Alguém em especial?
- Não, no Brasil eu não vou dizer o nome porque eu leio tanta gente, mas eu tenho meus livros de cabeceira. Tem o Garcia Lorca, a Cecília Meireles, o Manoel Bandeira. Tem uns livros que eu leio, porque a poesia é muito boa de ler. A gente que trabalha muito, que viaja muito, você lê um poema e dá para o dia inteiro. Um poema é curto e você pensa sobre ele o dia inteiro. Eu tenho muita ligação com a leitura da poesia e gosto. Agora tem os grandes autores brasileiros que eu gosto muito, dos contemporâneos, Clarice Lispector, Ruben Fonseca, Ignácio de Loyola Brandão. Eu gosto de muita gente no Brasil e cada dia aparece uma coisa melhor do que a outra. Então é bom ler, é bom ler.

E o que mais é bom? Além de ler o que mais você gosta de fazer?
- É bom viajar um pouco, eu gosto de cinema, de música, gosto de fazer as coisas. Mas sou lerdo, menino antigo, que faz cada coisa de uma vez. Quando vou escrever eu apago tudo e só escrevo; quando vou ler eu não escuto uma música no fundo, só leio; quando vou ouvir uma música, só escuto a música; quer dizer, aquela coisa bem lerda. Eu não dou conta de ser essa criança de hoje, ativa, animada, que vê televisão, lê uma revista e ainda escuta a conversa do pai, faz tudo ao mesmo tempo, são muito interativas. Eu não sou assim, sou muito lerdo.

Você está desenvolvendo algum projeto agora?
- Não, meu projeto mesmo é de escrever um pouco enquanto eu tiver tempo, enquanto eu tiver o que dizer.

Está produzindo algo novo?
- Estou produzindo algo novo, têm coisas novas que vão sair por aí, mas é sempre a escrita mesmo.

Tem um filho preferido entre os livros?
- Não, a gente acha sempre que o último é sempre o melhor, mas às vezes não é. A gente acha que aquele foi o que peguei mais, já tinha as experiências dos outros e tal, mas às vezes não é.

Montes Claros tem o Psiu Poético, que você já conhece, que tem incentivado novos escritores, feito escola, realmente. Para essas pessoas que estão se iniciando na arte de escrever, que palavra de incentivo você daria?
- A arte é feita da diferença, quanto mais diferente é um do outro, melhor. A arte não pode ser igual à do outro. A originalidade é que inaugura o objeto estético. Então, eu acho que eles devem se preocupar com o lugar, com a maneira que a coisa vive, onde estou, o que me rodeia, que emoção me visita, e fazer disso o objeto de trabalho. É importante também olhar o mundo que está em volta da gente, não ficar preocupado com outras coisas para estabelecer a literatura. Eu acho que a literatura se estabelece quando você descobre a diferença que existe no mundo que você vive. É a minha diferença que vai fazer meu trabalho original.

A gente sabe que a produção, por mais lúdica que seja, por mais que tenha essa expressão da idéia, do interior, da arte em si, há sempre a preocupação se vai vender, como será a aceitação. O que você pensa sobre isso?- Para quem cria a melhor hora é o momento que está criando. Criar é muito bom, enquanto você está fazendo o trabalho. Depois você entrega, e até que a editora faz o livro, passam aí seis meses para ficar pronto, você já está com outra idéia, quando aquele livro sai você já nem está mais aí. Agora, essa idéia de vender, a arte é uma questão de qualidade, se tiver qualidade ela vai ser reconhecida pela crítica, vai ser vendida e tal. Eu faço o texto, mas é o leitor que diz se ele é literário, não sou eu. Às vezes a gente fica assim, preocupado, eu faço e ninguém compra, então é porque o texto não está movendo o leitor. Só à medida que o leitor compra meu texto é que eu fico sabendo se ele é literário. Antes disso é um texto qualquer.

Teve algum momento que você vacilou, achou que não ia dar?
- Não, eu toda vida gostei de escrever, toda vida eu fui feliz, fui uma pessoa de sorte, já comecei premiado e logo depois vieram outros livros que foram premiados, então as editoras sempre me cercaram muito, pedindo textos e tudo isso, e eu sempre dei conta. Eu vendo razoavelmente bem, meu texto já é bastante traduzido, então já dá para eu falar o sobre isso. A vida da gente é isso, cada um escolhe, mas eu nunca tive arrependimento de escolher ser escritor. Hoje sinto que não saberia fazer outra coisa.

Teve alguma coisa que você tentou fazer e não conseguiu ou queria ter feito e não tentou?
- Não, eu sempre fui muito feliz assim. Como te falei, eu trabalhei no ministério da Educação, na secretaria de Educação, dirigi o Palácio das Artes de Belo Horizonte, e em todos os lugares em que trabalhe, foi muito interessante e tive muita sorte. Nunca fui convidado para fazer uma determinada coisa, sempre me diziam para fazer o que quisesse. Sempre trabalhei com criação. Eles sempre me chamaram para criar uma idéia, uma coisa nova. Então isso me ajudou muito. E depois, com a literatura, eu exerço isso o tempo inteiro, porque a literatura é o espaço da fantasia. Quanto mais eu fantasio, melhor meu texto. A arte é o único trabalho no mundo hoje onde a fantasia é a matéria de trabalho, os outros todos são repetições. A fantasia na arte é fundamental.

Tem alguma coisa que você gostaria de acrescentar?
-Só agradecer por estar em Montes Claros depois de muitos anos. Eu já estive aqui muitas vezes, na época da Dona Marina Lorenzo, eu era da secretaria de Educação e vinha muito visitar o conservatório. Tive contato há muito tempo com uma pessoa de quem eu gostava muito, o Raymundo Colares, que tinha um belo trabalho de artes plásticas, maravilhoso; o Konstatin Christoff também, eu gosto muito daquela irreverência toda da arte dele. Eu gosto muito de Montes Claros e é sempre bom voltar aqui.

Apesar de serem chamados de literatura infantil, seus livros não são aqueles textinhos fáceis, eles chegam a todas as pessoas. Para quem você realmente escreve?