segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Emílio Victtor

O CANTO SUAVE E ACONCHEGANTE DE EMÍLIO VICTTOR

Com 20 anos de carreira e dois Cds gravados, o compositor, cantor e violonista nascido em Perdões, Sul de Minas Gerais, transita com desenvoltura pelos caminhos da canção mineira, num quase soft jazz, com interpretações e arranjos criativos, relembrando os clássicos emplacados em tempos de Clube da Esquina.

Jerúsia Arruda


Por natureza, o mineiro é meio desconfiado e de filosofia intrigante. A música produzida por seus muitos e célebres artistas leva qualquer ser humano a se entregar à sensibilidade, e se por a cantar numa voz qualquer, como reflexo movimento da alma. E não se sabe de quem herdaram tamanha musicalidade, múltipla e, ao mesmo tempo, singular.

Ouvir a música suave e aconchegante de Emilio Victtor renova essa sensação de refúgio, inocência, tenacidade, religiosidade, rebeldia, resistência e sagacidade que a arte mineira invariavelmente aflora.
De formação clássica e popular, o compositor, cantor e violonista nascido em Perdões, Sul de Minas Gerais, transita com desenvoltura pelos caminhos da canção mineira, num quase soft jazz, com interpretações e arranjos criativos, relembrando os clássicos emplacados em tempos de Clube da Esquina por nomes como Milton Nascimento, Lô Borges e outros mais.


Emílio Victtor diz que sua formação musical começou bem cedo, inspirada nos contos e poesias de seu pai, Delson Victor, e nos clássicos de Pixinguinha, Zequinha de Abreu, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, entre outros, executados com maestria no violão, viola e cavaquinho pelo avô Honório.
Da curiosidade à paixão, ainda em sua terra natal, decidiu estudar música e, logo depois, em 1994, se mudou para a capital mineira em busca de novos conhecimentos.


Em Belo Horizonte estudou violão clássico com o professor Ricardo Horta, violão popular com o professor Celso Moreira, técnica vocal com o tenor Francisco Simal, canto lírico com a soprano Neide Ziviani e participou de curso intensivo de harmonia com o professor Ian Guest.


- No início cantava de tudo, era crooner, até que comecei a descobrir grandes gênios da música como Chico Buarque, Elis Regina, Tom Jobim, Dorival Caymmi, o pessoal do Clube da Esquina, Billy Holliday, dentre tantos outros. Fiquei fascinado e investi pra valer nos estudos – conta.

NA ESTRADA
Emílio fixou residência em Belo Horizonte desde que se mudou para lá para estudar e, segundo ele, com as amizades que fez ao longo dos anos, conseguiu sedimentar seu trabalho e levá-lo para outras regiões.
- Gravei meu primeiro Cd em 1998 - Vou... - com direção musical de José Dias Guimarães (ex-baixista do extinto Grupo Raízes). É uma produção independente, com de dez canções; oito inéditas e duas regravações: Equatorial (Lô Borges/Beto Guedes/Márcio Borges) e Água (Celso Adolfo), na qual o compositor faz uma participação especial, tocando viola de dez cordas e violão – relembra.


Com esse Cd Emílio Victtor percorreu quase toda Minas Gerais, cidades de São Paulo e Rio Grande do Sul, se apresentando em universidades, casas de shows, clubes e bares. Em 2000, fez uma turnê por dez cidades do Chile.


O segundo Cd - Coisas Daqui - veio em 2004/2005, onde um cantor maduro e cuidadoso revela a música mineira em seu melhor estilo. O Cd traz um trabalho de pesquisa com forte interação entre o inesperado e o bom gosto, em composições próprias, parcerias e releituras. Com inteligência e sensibilidade, Emílio ousa ao interpretar Folia (Lourenço Baeta/Xico Chaves) um clássico do Grupo Boca Livre; Feitiço (Kico Zamarian/Veca Avellar) onde divide os vocais com Cláudio Nucci; Abelha (Oscar Neves/ Danilo Pereira) e Esperança Passarim (Sérgio Ramos). Destaque para Óia o Chico, composta para trilha do audiovisual feito pela ONG Óia o Chico, projeto pela revitalização da bacia do Rio São Francisco.

RECONTRATO
Hoje, aos 35, Emílio Victtor diz se sentir maduro e experiente o bastante para alçar novos vôos.
- Vivemos em uma época em que a música sofre um massacre da mídia e isso dificulta a produção de um trabalho com conteúdo, já que o acesso a ele é restrito. Faço shows em boa parte de Minas Gerais, São Paulo e no Sul do país, mas estou sempre buscando por novos espaços, novos públicos. Por isso vim a Montes Claros, para divulgar meu novo Cd e, quem sabe, em breve, fazer um show – diz Emílio.
 
Com 20 anos de carreira, o músico diz que, apesar das dificuldades, pretende ser fiel ao estilo que adotou, porque expressa de forma verdadeira sua essência.

- Sempre fui apaixonado por artes circenses, e tive influências muito fortes de Milton Nascimento, como intérprete, e de Chico Buarque e Tom Jobim, na composição. A mistura de tudo isso me ajudou a descobrir um estilo que é bem meu, autêntico, e não seria verdadeiro se me submetesse às exigências da grande mídia apenas para ganhar mercado. Acredito que é possível fazer um trabalho bacana, como fazem Lenine, Paulinho Moska, Zeca Baleiro, entre outros, e viver dignamente da arte – argumenta o cantor.


Com trabalho consolidado, Emílio Victtor apurou a sensibilidade musical o que resultou em um estilo original e refinado, se tornando, sem dúvida, uma das promissoras revelações da música mineira.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Terezinha Ligia/Jaqueline Pereira

CARAVANA AVALIA CENÁRIO CULTURAL DO NORTE DE MINASO grupo de teatro Fibra e o Studio de Ballet Jaqueline Pereira, de Montes Claros, percorrem cidades do interior de Minas, promovendo à comunidade o acesso à arte contemporânea
 


POR JERÚSIA ARRUDA

Desde o último mês de agosto, o grupo de teatro Fibra e o Studio de Ballet Jaqueline Pereira percorrem cidades do Norte de Minas e do e Vale do Jequitinhonha com a caravana Expresso Sertão, promovendo o resgate da linguagem folclórica da região e levando lazer e cultura à população.
Idealizado pela produtora e jornalista Fabíola Dourado e aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, o Expresso Sertão teve sua primeira edição em 2006.


Em cada cidade visitada, o grupo Fibra apresenta o espetáculo teatral Brincando de Brincar III, e o Studio de Ballet Jaqueline Pereira, o musical Canto Sagrado. Além dos espetáculos, a caravana também promove oficinas de arte, incentivando a criação de novos grupos de teatro.


Criado em 1979, o grupo Fibra tem no espetáculo Brincando de Brincar a sedimentação de seu trabalho. Segundo a diretora Terezinha Lígia, a idéia inicial foi realizar um espetáculo lúdico que promovesse uma interação com o público infantil e, também, o resgate dos costumes e tradições culturais da região. A peça é resultante de uma pesquisa minuciosa das tradições folclóricas do Norte de Minas. Foi feita uma coletânea de brincadeiras, onde todos os atores cantam, dançam e representam.


O Studio Jaqueline Pereira foi criado em 1986, formado por crianças, jovens e adultos e, ao longo desses mais de 20 anos, já recebeu aproximadamente cem alunos, que participaram de coreografias como Reencontro, Nós vistos em Chopin, Vôo das Garças, 40° no verão de 50, Fecha a porta Maria que o boi évem e Canto sagrado. Todos os anos o grupo monta um novo espetáculo infantil.
O musical Canto Sagrado foi inspirado nos terços cantados em Santa Bárbara, zona rural de Montes Claros. Numa mistura do erudito e popular, ao som de Bach, com participação especial de Terezinha Ligia e Amauri Tibo, que cantam o terço, o espetáculo é encenado por cinco bailarinos que, através da dança contemporânea, traduzem a alegria, a dor, a glória e a santidade dos mistérios do terço. O resultado é uma tradução da devoção dos fiéis católicos. Os cenários são da artista plástica Conceição Melo.



Em entrevista exclusiva à jornalista Jerúsia Arruda a diretora do grupo Fibra, Terezinha Ligia, e a bailarina e coreógrafa, Jaqueline Pereira contam como está sendo a experiência com o Expresso Sertão, que neste ano contempla os municípios de Grão Mogol, Salinas, Janaúba, São Francisco, Pirapora e Montes Claros.


Terezinha Ligia
Como surgiu o conceito do projeto?
Terezinha Ligia - O grupo Fibra foi o primeiro a receber o convite da produtora Fabíola para participar do projeto. Depois decidimos convidar o grupo de dança de Jaqueline Pereira. O nome Expresso Sertão estava entre uma série de nomes sugeridos, mas não tivemos dúvidas na hora de apostar nesta nova marca que agora leva cultura ao interior de Minas. No início, doze cidades seriam contempladas, mas o total da verba solicitada não foi aprovado e fizemos readequações na planilha e reduzimos para seis o número dos municípios contemplados.



Como foi o processo de operacionalização?
Terezinha - Fabíola (Dourado) montou o projeto para a Lei de incentivo a Cultura de Minas Gerais e, depois de aprovado, ficou meses correndo atrás do patrocinador. Aliás, a captação é o maior desafio dos artistas. Nos últimos dias tivemos o retorno positivo da Transnorte que é a patrocinadora da caravana cultural.

Qual o critério para formar o roteiro da caravana?
Terezinha - As cidades foram escolhidas de maneira que pudéssemos visitar as várias regiões do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha.

As prefeituras foram receptivas ou teve alguma dificuldade em firmar parceria?
Terezinha - Nem todas. Tivemos restrições com relação a palco em algumas cidades. O palco é a contrapartida mínima de cada prefeitura.

Na execução do projeto, como percebeu a situação das comunidades em relação ao acesso a promoções culturais?

Terezinha - Percebemos, na verdade, o que a gente já sabia. Falta incentivo à cultura no interior. As pessoas gostam do espetáculo, mas a ação é muito pontual. É preciso políticas públicas voltadas para fomentar a cultura popular nesses municípios.


Como tem sido a realização das oficinas? Dá para perceber interesse e talento por parte dos participantes?
Terezinha -
Sim. Aparecem pessoas ousadas, irreverentes. A experiência tem sido muito gratificante. Os moradores se envolveram bastante na proposta, principalmente em Grão Mogol, primeira cidade que estivemos. O objetivo dos alunos da oficina era de buscar a continuidade, como e onde estudar teatro, pedindo que voltássemos.





Jaqueline Pereira
O conceito do espetáculo Canto Sagrado é muito próximo da realidade dos municípios visitados. As pessoas têm se identificado?
Jaqueline - É verdade, o espetáculo vem da cultura popular e apesar de ser uma linguagem erudita, contemporânea, o entendimento é muito mais rápido, as pessoas se identificam facilmente, com muito interesse. 

Como tem sido a participação e envolvimento da comunidade?
Jaqueline - Em Glaucilândia, a segunda cidade visitada, foi legal o envolvimento das crianças. Elas mais do que ninguém, responderam bem ao projeto e se envolveram. Nos ajudaram a forrar o palco que não estava muito bom com tapetes, alongaram junto com as bailarinas, acompanharam a montagem do cenário e assistiram sem piscar às apresentações. Foi muito bom.



E para os grupos, como tem sido a experiência?
Terezinha - É a primeira vez que o grupo Fibra, que tem 28 anos, consegue aprovar, captar e executar um projeto com incentivo de lei. A experiência tem sido fantástica. Já pensamos até em ter um espaço próprio para ministrar oficinas e fazer apresentações. O Centro Cultural de Montes Claros é muito pequeno e não consegue atender à demanda.


Jaqueline - Apresentar um espetáculo no teatro ou em um palco com toda infra-estrutura é bem diferente das apresentações no Expresso Sertão, que nos exige sermos mais alternativos, práticos e dispostos a enfrentar qualquer obstáculo. Isso é muito edificante.



Esse contato com um público mais carente de promoções culturais certamente inspira a conscientização da necessidade de inclusão social nos integrantes do grupo. Algum plano ou projeto novos?
Terezinha - Sim. Mandamos o Expresso Sertão 2008 para a Lei de Incentivo a Cultura de Minas Gerais. O resultado deve sair no mês de dezembro. Estamos aguardando e torcendo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Nagib

É SEMPRE HORA DE SE JOGAR COM TUDO NA MÚSICA DE NAGIB

Cantor e compositor baiano identifica em Montes Claros sua segunda terra de arte e de cultura

Jerúsia Arruda

Há um ditado que diz que na Bahia as pessoas não nascem, estréiam. Com o cantor Nagib, com certeza não foi diferente. Dono de uma musicalidade contagiante, com uma naturalidade e domínio de palco só experimentado por aqueles que nasceram para estar nele, Nagib é o tipo de artista que arrasta multidões por onde passa. Em seus shows é impossível não se render ao apelo rítmico e carisma com que convida ao público para se jogar.
Nascido em Vitória da Conquista, berço de grandes nomes da música brasileira, Nagib Pereira Barroso, cresceu ao lado de músicos, cantores e de toda efervescência musical daquela região. Mesmo assim, só veio encarar profissionalmente a música aos dezoito anos, quando se sentiu pronto para comandar sua própria banda.
Com nome que já soa artístico, gravou seu primeiro LP em 1991, chancelado pela rádio FM 100,1. Em 1994 veio o segundo – Solto na vida, e aí o cantor não parou mais.
- Trabalhava muito na época. Tinha show todos os dias. Às vezes, para descansar, precisava pedir ao empresário para liberar as segundas-feiras. A rádio tocava muito minhas músicas e me dava todo apoio. Foi um momento muito interessante de minha vida, quando pude sedimentar minha carreira, ganhar público e firmar meu nome – relembra o cantor.

NOVOS RUMOS
Finda a parceria com a rádio, mas já com o nome gravado nas agendas de todos os promotores de evento da região, Nagib assumiu seu trabalho, através da Taynara Produções, gravando pela Velas seu primeiro CD, Nagib, em 1995, indicado para o prêmio de melhor música baiana.
- Montei minha própria produtora, fiz contrato com a gravadora do Ivan Lins e Vitor Martins, mas as coisas não saíram conforme havíamos combinado, então decidi gravar independente, que é como gravo até hoje – explica Nagib, que assim que encerrou seu contrato com a Velas, gravou o segundo CD – Popular pra você, 1996 - com participação de Luiz Caldas, Pierre Onassis, Edgar Mão Branca e Dominguinhos.

ORIGENS
Envolvido por música de todos os lados - a mãe cantava, o pai tocava violão, Luis Caldas morava com sua família e a maioria dos amigos era formada de músicos – Nagib pode experimentar o melhor da história cultural de sua região, pois conviveu muito proximamente com todos os que dela participavam.
Participou da coletânea Troféu Conquistense de Música, que escolheu os dez melhores cantores da década da região, finalizada em LP.

MONTES CLAROS
Tendo como parceiros Regis Machado, Tico e Clériston Cavalcante (Keké), gravou Alegria, em 2000, ano em que se mudou para Montes Claros, onde vive até hoje.
- Em Montes Claros encontrei um novo lar. Na Bahia fazia um trabalho parecido com o da maioria dos artistas de lá. Em Montes Claros era novidade. O mercado estava aberto, com muitos eventos acontecendo e não faltava trabalho. Além disso, os amigos que conquistei, a família que construí me fizeram sentir em casa. Continuo fazendo shows na Bahia, estou sempre em contato com os amigos e parceiros de lá, mas ganhei novos companheiros aqui e isso refletiu muito em meu trabalho - diz o cantor, que gravou no CD Calmaria, 2005, uma música em homenagem a Montes Claros – O sol brilhou - onde canta o que aprendeu ao apreciar na cultura da cidade.
Irrequieto e em constante busca por novidades, o pai de Carol, Matheus, Lorrany, Silvia Catarina, Gabriel, Lara Maria, Samuel e Lorena experimentou outros estilos, compôs outras canções e fez novas parcerias. Em 2004, gravou Forrozando pelo Brasil, movido pela onda de forró que tomou conta do país, fazendo uma turnê pelo Norte de Minas e pela Bahia.
Um de seus maiores sucessos, a música Katcha, conhecida e cantada em todas as cidades do Norte de Minas, foi gravada no CD Muvuca, 2004, que também tem participação de Luiz Caldas, Pierre Onassis, Dominguinhos e Durval Lélis.

PROJETOS
Finalizando o CD Ao vivo, onde faz uma coletânea dos sucessos que marcaram o carnaval 2006, Nagib diz que ainda neste ano, além do DVD, quer gravar um CD onde possa registrar as canções que não canta no show, influências tanto da calmaria do mar da Bahia quanto das toadas barranqueiras que ouviu nas terras do velho Chico.

domingo, 7 de setembro de 2008

Cláudio Mineiro

20 anos bem tocados
O músico montes-clarense Cláudio Mineiro comemora 20 anos de carreira, reunindo convidados especiais em um grande show


POR JERÚSIA ARRUDA
 

Nesta terça-feira, 9 de outubro, o projeto Tom da Terça recebe o percussionista Cláudio Mineiro, que comemora 20 anos de profissão. No palco, segundo o músico, a ideia é apresentar um pouco da história vivida principalmente às voltas com a música norte-mineira.

“De tudo que vivi, de tudo o que aprendi na profissão, nada é mais rico do que os ritmos musicais desta terra. Por isso vamos homenagear o Mestre Catopê João Farias, que tão bem representa essa musicalidade da cultura popular norte-mineira. O congado é como o maracatu, de uma riqueza rítmica que pode ser pauta para estudos durante toda uma vida. Sinto-me vitorioso e privilegiado de ter crescido em meio a essa riqueza musical”, comemora.


O show “20 anos de Percussão” acontece na sala Cândido Canela do Centro Cultural Hermes de Paula, a partir das 20h30, com entrada franca. No repertório, a peça de berimbau “Biriba-Pereira”, “Um dia no Hakeney”, composição de Cláudio Mineiro em homenagem ao bairro negro londrino, “África My África” e “Festa dos Tambores”.


No show de 1h20 de duração, Cláudio recebe os convidados Chita do Pandeiro; Tico Lopes; Augusto Gonzaga; Ismoro da Ponte; DJ Claudinho; o luthier de piano e baterista, Ricardo, e o homenageado especial da noite, Mestre João Farias.


“Esse show é, na verdade, um encontro musical entre amigos. Tenho muitas histórias para contar desses vinte anos de profissão, e o melhor jeito de fazê-lo é tocando”, explica.


Cláudio destaca como importante momento sua passagem pelo Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, como aluno do professor de violão, Geraldo Paulista. “Foi o começo de tudo, o início de uma longa viagem pela música. Sempre fui ritmista e as aulas com o Geraldo Paulista me ajudaram a encontrar a direção da música que queria fazer”, conta.


Depois que se mudou para França, no início da década de 1980, logo que completou 18 anos, Cláudio lembra que teve uma nova chance de aprender com um grande mestre.


“Em Paris, ainda menino, acompanhava Vilson Vasconcelos. Ele era o grande mestre da Mangueira, tocava com Baden Powell e, na época, em Paris, tocava na Boite Che Felix - acho que toca lá até hoje. O convite para a boate era caríssimo, o som era maravilhoso e o Vilson me convidava sempre para entrar com ele, me deixava tocar. Não ganhava dinheiro, mas cada noite era uma aula, um aprendizado. Era tudo novo para mim. Tudo o que a gente queria era que o dia amanhecesse para comparar o baguete francês e tomar café com aquele pão maravilhoso”, lembra.


Para Cláudio, a música brasileira é sempre atração, onde quer que vá. “Vivi 18 anos em Paris e vi o quanto a música brasileira é reverenciada na Europa. Quando fui para Londres, onde ministrei oficinas para adolescentes, a impressão que tive foi a mesma. Foi lá que aprendi a dar ainda mais valor à riqueza cultural do meu país. Quando voltei para o Brasil, para Montes Claros, comecei a ensinar crianças e adolescentes a tocar percussão, no projeto Casa do Tambor, e, apesar de menos disciplinadas, vi o quanto essas crianças são, naturalmente, musicais. É inerente. É surpreendente.Talvez aqui no Brasil a percussão não tenha o mesmo reconhecimento, mas tenho o maior orgulho de ser um instrumentista rítmico”, ressalta.


No Tom da Terça, Cláudio Mineiro apresenta um fusion, resultado das várias etnias musicais que estudou, como afro-cubano, música indiana e árabe, sempre direcionado à percussão, com muita brasilidade. O destaque da noite, sem dúvida, será o som instigante e emblemático dos catopês.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Helvécio Marins/Cinema no Rio

SÉTIMA ARTE NAS TRILHAS DO VELHO CHICO
Pelo quarto ano consecutivo, a expedição Cinema no Rio leva a cidades do Norte de Minas a magia do cinema brasileiro. Neste sábado, o barco Luminar aporta em Pirapora, primeira cidade a receber a expedição, que acontece de 11 a 25 de agosto

 

POR JERÚSIA ARRUDA
 
A sétima arte volta a ser atração nas cidades ribeirinhas ao longo do rio São Francisco, com a realização da quarta edição do projeto Cinema no Rio. A bordo do barco Luminar, a expedição navega pelas águas do Velho Chico, fazendo paradas pelas cidades localizadas em suas margens, para exibição de filmes em plataforma 35mm.

Na edição deste ano, no período de 11 a 25 de agosto, treze comunidades mineiras recebem o projeto, que começa na cidade de Pirapora e vai até Manga, com uma programação de filmes cuja maior característica é a brasilidade. A curadoria do projeto, formada pelo idealizador e coordenador Inácio Neves e pelo cineasta Helvécio Marins, escolheu quatro longas-metragens, quatro curtas em animação, três curtas em ficção e dois documentários de produção nacional.

Nos formatos de longa-metragem o Cinema no Rio 2007 vai exibir: Tapete Vermelho, de Luiz Alberto Pereira; Abril Despedaçado, de Walter Salles; Narradores de Javé, Eliane Caffé e O Ano que os meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger. Os curtas-metragens programados são: Nascente, Helvécio Marins; Da janela do meu quarto, de Cao Guimarães; Cega Seca, de Sofia Federico; O fim e o princípio, de Eduardo Coutinho e Doutores da Alegria, de Mara Mourão, além dos curtas em animação da série Juro que vi, O Curupira e O Boto e Matinta Perera, de Humberto Avelar, e Iara, de Sérgio Glenes.

Embora as produções escolhidas sejam mais autorais e populares, Helvécio Marins diz que elas acabam dialogando entre si e representam a força do provo brasileiro, seja qual for seu contexto.

- A intenção é levar para o projeto filmes que causam identificação com o sertanejo e os ribeirinhos, história que estejam diretamente ligadas ao seu universo - explica. Esse é o caso dos filmes Cega Seca, Narradores de Javé e Tapete Vermelho. Também foram incluídos na programação filmes que retratam um momento histórico do País, caso do longa O ano em que meus pais saíram de férias, e produções de cunho social, como Doutores da Alegria.

- Temos filmes que não se referem exatamente ao universo das comunidades ribeirinhas, mas a linguagem é universal – ressalta Marins.

A curadoria também manteve os documentários, segundo Marins, por considerar importante essa linguagem mais próxima ao real.

Marins destaca O fim e o princípio como a produção que mais se aproxima do caráter do Cinema no Rio, por trazer uma narrativa de uma equipe de cinema que chega ao sertão da Paraíba em busca de pessoas que tenham histórias a contar. O curador destaca, ainda, a qualidade de produção da série Juro que vi, além da temática que resgata o folclore brasileiro e as lendas do imaginário popular.

- A seleção dos filmes é pensada em função do público. Já conhecemos todas as cidades então idealizamos a escolha dos filmes de acordo com o perfil de seus moradores. Imaginamos a reação do público. É um processo cuidadoso – salienta o cineasta.

Idealizador do projeto, Inácio Neves diz que a proposta é difundir a linguagem cinematográfica, em especial a produção brasileira, para um público formado, em sua maioria, por pessoas que nunca entraram em uma sala de cinema, contribuindo, assim, para a democratização do acesso à arte audiovisual. Além disso, o projeto valoriza a experiência cultural coletiva e abre caminhos para a criação de novos públicos.

Inácio conta que, assim que a equipe do projeto chega ao município, registra em vídeo digital depoimentos dos moradores, imagens dos locais mais conhecidos, o cotidiano, as paisagens. As imagens são editadas e, à noite, são projetadas antes da exibição do filme e as pessoas têm a oportunidade de se verem na tela.

- A idéia é propiciar ao público a oportunidade de expressar seu ponto de vista. Todo o trabalho agrega valores regionais às sessões, dando a cada uma um toque especial, um caráter singular. A intenção é que futuramente todos os vídeos resultem em um documentário e sejam exibidos em emissoras de televisão educativas e universitárias – explica.

Na avaliação de Inácio, o cinema ainda é muito elitizado, cerca de 96% dos municípios brasileiros não possuem uma sala de cinema e o projeto se inspira neste público ainda intocado pela sétima arte.

Com uma tela inflável de 10m x 7,5m, projetor 35 mm, processador dolby digital, lâmpadas de 3.000 watts e jogo de lentes, sistema de som que chega a 7.000 wats, 200 cadeiras, pipoqueira elétrica, com distribuição gratuita de pipoca para o público, durante 15 dias, o Cinema no Rio vai percorrer um trecho, velho conhecido de tropeiros e bandeirantes, perscrutando um pouco mais da história desse Brasil, ainda desconhecido por muita gente. 

A primeira parada do Luminar acontece neste sábado, em Pirapora, cidade localizada a 347 km de Belo Horizonte. Em seguida, vai para Buritizeiro, conhecido como um dos mais belos municípios do Norte de Minas. Depois o Luminar segue para Ibiaí, Ponto Chique, Cachoeira do Manteiga, São Romão, São Francisco, Pedras de Maria da Cruz, Januária, Itacarambi, Matias Cardoso, até chegar em Manga, onde encerra o trajeto.

Warley Mascarenhas

A VERSATILIDADE DE WARLEY NO RESGATE DE SONS E RITMOS
Jerúsia Arruda

Começou ontem o projeto Salada brasileira, um show de música instrumental apresentado pelo guitarrista Warley Mascarenhas, que tem como intuito o resgate cultural da música brasileira, com muito chorinho, bossa nova, samba, baião, frevo e todos os estilos musicais brasileiro- Já que o nome é Salada brasileira e tem essa mistura toda, estamos colocando também o jazz, para mostrar a influência da música brasileira na música americana. No decorrer do show, vamos dar dicas de como ouvir a música de fato, que hoje as escolas não estão ensinado. Acho fundamental não só parar para ouvir, mas entender como a música é feita, a divisão de temas, frases, introdução, explicar para que as pessoas possam entender melhor a composição da música instrumental – explica Warley.

DA GAITA PARA A GUITARRA
Warley Mascarenhas toca guitarra há seis anos, mas começou tocando gaita, há mais ou menos nove anos.


- Toninho Horta foi quem me levou a tocar guitarra. Em um show ele me viu tocando gaita e me disse que eu deveria tocar um instrumento harmônico. Eu disse a ele que queria aprender a tocar violão. Aí ele pegou de brincadeira um violão e disse - então vamos tocar violão - e me deu o violão dele para tocar. Eu não sabia, é lógico. Então, instigado pelo desafio, acabei tomando gosto e estudando violão e guitarra.. E sempre que ele vem a Montes Claros me dá uma força, explica algumas coisas. Desde então, passei a estudar pesado. Comecei estudando doze, treze horas por dia. Me matava de estudar. Hoje estudo oito horas. Recebi muitas dicas de Toninho e do guitarrista Beto Lopes, o que me ajudou muito – conta.
 
INFLUÊNCIAS
- A principal marca do meu repertório é o Tom Jobim. Acho perfeitas as composições, o jeito como ele trata a melodia junto à harmonia. Não é aquela coisa padrão; a harmonia é totalmente solta e isso me atrai muito. Também tem toda a influência do Toninho Horta, que é um guitarrista bem harmônico. A guitarra americana do Pat Matheny, Montgomery e Jorge Benson também estão na veia – argumenta.


SALADA BRASILEIRA
O projeto Salada brasileira tem um repertório com muita música de Tom Jobim, chorinhos como Brasileirinho e Tico-tico no Fubá, e algumas músicas do Hermeto Pascoal, informa o músico.
- Tem também uns baiões de minha autoria. Aliás, tem muita música minha, um repertório que vai do jazz à bossa nova, passando pelo samba e pelo chorinho. Tem músicas do Jorge Benson, John Coltraine, Miles Davis e Charlie Parker, o que é muito legal. Tem uma infinidade de música americana, mas a música brasileira é predominante e mais focada nas composições de Tom Jobim – explica.
Warley Mascarenhas se apresenta acompanhado dos músicos Jackson Kundera, no contra-baixo, Fred, no piano e Marrom, na bateria.


O próximo projeto do músico é a gravação de um CD, que terá como título Salada Brasileira, cujo repertório será autoral e em vários estilos musicais, como sugere o título.