terça-feira, 11 de outubro de 2016

Psiu Poético

30ª Edição do festival de chega ao fim com lançamento do livro “Trinta Anos-Luz”

 


A dica cultural de hoje vem do jornalista Wesley Gonçalves. Trata-se do lançamento do livro “Trinta Anos-Luz: poetas celebram 30 anos do Psiu Poético”, nesta quarta-feira (12), às 20h, no Centro Cultural Hermes de Paula, no centro de Montes Claros, no encerramento da programação do Psiu Poético.

Durante nove dias, Montes Claros respirou a mais sublime das poesias, a 30ª Edição do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético (“Tripsiu: Três Anos Celebrando Três Décadas).
 
A antologia poética foi carinhosamente organizada pelos poetas Aroldo Pereira (MG), Luis Turiba (RJ) e Wagner Merije (SP) e que está sendo lançado nacionalmente pela Aquarela Brasileira Livros, de São Paulo.

O livro tem a participação de trinta afiados poetas de diversas regiões do país reunidos em poemas que representam 30 anos do Psiu Poético – um objeto estético que tem o desafio de atravessar, pelo menos, mais três décadas de poesia.

A antologia reúne alguns dos poetas mais criativos e originais em atividade. Fazem parte Adri Aleixo, Ana Elisa Ribeiro, Anelito de Oliveira, Antônio Wagner Rocha, Aroldo Pereira, Celso Borges, Cristiano Ottoni de Menezes, Demetrios Galvão, Éle Semog, Jairo Fará, João Diniz, Karla Celene Campos, Lia Testa, Luis Turiba, Márcio Adriano Moraes, Marlene Bandeira, Marli Fróes, Mirna Mendes, Murilo Antunes, Nicolas Behr, Noélia Ribeiro, Olivia Ikeda, Patrícia Giseli, Renilson Durães, Rômulo Garcias, Ronald Augusto, Sandra Fonseca, Vanderley Mendonça, Virna Teixeira e Wagner Merije.

Psiu Poético
O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético foi criado em 1987 em Montes Claros pelo grupo de Literatura e Teatro Transa Poética. Aroldo Pereira, um dos idealizadores desta efervescência cultural, explica que o objetivo é levar poesia aos quatro cantos da cidade e, também, para o mundo.

“Somos persistentes. A luta não é fácil para realizar um Salão Nacional desta envergadura. Mas, o amor à poesia é ainda maior que qualquer obstáculo. São mais de 30 anos de trabalho performático com poesia, que marcou a cena cultural montes-clarense nos anos 80 e 90, ao lado de nomes como Zacarias Mercau, Gabriel Cardoso, Osmauro Lúcio, Mirna Mendes, Renilson Durães, Helena Soares entre outros”, destacou Aroldo Pereira curador e um dos fundadores.

Democrático e plural
Há trinta anos, o Psiu Poético é realizado de forma plural, democrática e tem por objetivo promover a inclusão, o acesso à cultura e celebrar a poesia. Trata-se de um encontro de poetas, escritores e artistas de todos os lugares do país (e também convidados estrangeiros) para apresentar, celebrar e discutir a produção poética contemporânea.

Todo ano poetas são homenageados, entre consagrados e jovens, sendo que nesta edição, os escolhidos foram: Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Ronald Augusto, Waldemar Euzébio, Claudio Bento, Adilson Cardoso e Evely Julia Silva

Programação de encerramento

A programação deste último dia terá às 9h, Poesia na Rodoviária pelo Dia da Criança com Interação entre poetas, crianças, músicos, palhaços, atores e viajantes. Ainda, performance para as crianças com Edmara Rosa; As travessuras de Chico Prego – Alceu Augusto Medeiros e O menino que queria voar – Roberta Rocha.

O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético 2016, a mais longa e extensa programação da América Latina neste gênero literário, encerra nesta quarta-feira, às 20h, no Centro Cultural Dr. Hermes de Paula, Performances Poético-Musicais com Borandá canta Ubuntu: odisseia musical afrobrasileira; Banda Cidadão Alienígena; Rafael Bessa e Banda Garimpo; Dançando no Céu – Homenagem ao bailarino Igor Xavier – Jobert Narciso e Banda; Lançamento e espetáculo Kaos Total – Jorge Mautner – & A Outra Banda da Lua.

_________________________________________________
SOBRE O LIVRO:

Título: Trinta Anos-Luz : Poetas celebram 30 anos de Psiu Poético
Editora: Aquarela Brasileira Livros
Gênero: Poesia
Formato: 16×23 cm
Número de páginas: 200
ISBN: 978-85-92552-01-5

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A Viola e a Cantoria

Um show de música e cultura

No palco, os cantores e compositores Carlos Maia e Herbert Lincoln



Nesta sexta-feira (30), o Centro Cultural Hermes de Paula apresenta o show “A Viola e a Cantoria”, com Carlos Maia e Herbert Lincoln. De acordo com os organizadores, a proposta é “divulgar, propagar e resgatar a terra, o sertão bravo, os violeiros, as lendas populares, do Norte de Minas, numa visão moderna e universal, ressaltando a forma sincera de tratar as coisas mais simples da vida”.

O espetáculo é produzido pelos cantores e compositores Carlos Maia e Herbert Lincoln, tendo o folclore como a base do dueto que tem uma definição muito segura sobre o assunto. “É uma mistura de sons, numa tentativa de tirar, ainda vivas, as nossas forças primitivas, como a amor à terra, a religiosidade, o sentido nômade do povo, que vai buscar sobrevivência numa terra nova”, destaca os produtores.

CARLOS MAIA
O cantor e compositor Carlos Maia começou sua carreira artística com apresentações em bares de Belo Horizonte, depois, no Vale do Jequitinhonha e em Montes Claros, no Norte de Minas. Com vários discos gravados (LP e CD) e apresentação em vários teatros e casas de espetáculos do Brasil, Maia também trabalhou em parceria com vários artistas e, nos últimos anos, vem compartilhando o palco com o cantor e compositor Charles Boavista e, mais recentemente, com Herbert Lincoln. Em abril de 2014, Maia foi convidado a participar da 6ª temporada Brésil Sertão Ét Mér na França, promovida pela Association Brésil Sertão Ét Mér, coordenada por Heitor de Pedra Azul, nas cidades de Saint Juilen Les Villas e Troyes.

HERBERT LINCOLN
O violeiro Herbert Lincoln é um nome conhecido da noite nos bares de Montes Claros e em festivais regionais como o Canta Minas, Encontro da Viola e o Festifeira. Apresenta-se com frequência em eventos de projeção regional, como a Festa Nacional do Pequi e Festas de Agosto. Nascido em Porteirinha (MG), radicou-se em Montes Claros, onde deu início a sua trajetória como compositor e cantador. Suas composições buscam sintetizar os valores, concepções estéticas e linguagem peculiares da cultura norte mineira. Atualmente, já com um repertório de composições próprias, Herbert Lincoln gravou o seu primeiro cd ‘Planeta Sertão’ e agora se prepara para gravar o cd ‘Grupo Cercano’, em parceria com o cantor e compositor Carlos Maia.

.................................................................

SERVIÇO
Show: 'A Viola e a Cantoria', com  Carlos Maia e Herbert Lincoln
Local: Centro Cultural Hermes de Paula – Montes Claros
Data: Sexta-feira, 30/09
Hora: 20h30

Ingressos: R$ 20,00 (Até o dia 29 de setembro o ingresso custará R$10,00)

terça-feira, 16 de agosto de 2016

PROJETO ‘BATERAS NA PRAÇA’

Ao som de Baterias

Em Montes Claros, um grupo de bateristas realiza projeto itinerante, levando a bateria para as praças, promovendo uma aproximação do público com o instrumento



POR JERÚSIA ARRUDA

Bateristas participantes do projeto (Foto: Jerúsia Arruda)

Mesmo que não saiba tocar um instrumento ou conheça minimamente a técnica musical,  o ‘ritmo’ do brasileiro é mundialmente conhecido. A verdade é que não que não há um único cidadão brasileiro que não saiba tamborilar uma caixinha de fósforo, ou algo que o valha, enquanto ouve um bom e velho samba. E se não for assim, “bom sujeito não é”.

Essa vocação musical tem sido um ponto forte na formação de uma nova geração de músicos interessados no instrumento que dá pulso a esse ritmo: a bateria.

Em Montes Claros, um grupo de bateristas, coordenado pelo músico e professor Marco Neves, está realizando um projeto itinerante, levando a bateria para as praças, promovendo uma aproximação do público com o instrumento que nos palcos está sempre na ‘cozinha’. Trata-se do projeto ‘Bateras na Praça’, lançado em 03 de julho, dia do aniversário de Montes Claros, e que até o final do ano vai percorrer diversos bairros da cidade, reunindo bateristas profissionais e amadores, com apresentações nas praças, gratuitas e abertas ao público.

O baterista Marco Neves, coordenador do projeto, explica que a ideia surgiu de um encontro de bateristas que participou, em meados da década de 2000, em Brasília/DF. O ‘Bateras 100% Brasil’, organizado pelo baterista e professor Dino Verdade, reuniu cerca de 300 bateristas de todo o país.

- Desde então, tinha vontade de fazer um movimento parecido em Montes Claros, mas só agora foi possível viabilizar. A cidade sempre foi um celeiro de artistas e ótimos músicos e o ‘Bateras na Praça’ veio com uma proposta de liberdade criativa e de interação, abrindo espaço aos músicos, ao público ligado à música, aos interessados em arte, e à comunidade em geral, divulgando e valorizando a bateria e dando visibilidade aos bateristas, possibilitando a apresentação dos seus trabalhos envolvendo os ritmos brasileiros, pop, rock, jazz, entre outros. O resultado tem sido surpreendente sobre todos os aspectos – explica o coordenador.

Marco Neves diz que Montes Claros tem excelentes bateristas, que atuam em vários contextos, formais e informais, como professores nas instituições de ensino, em bandas de baile, nos estúdios, nas bandas com trabalhos autorais, nas igrejas, bares, restaurantes, tocando os mais variados ritmos e estilos musicais, acompanhando duplas sertanejas, grupos de pagode, axé, rock e demais artistas da cidade.

- A proposta do ‘Bateras na Praça’ é criar um espaço de confraternização, troca de ideias e diversão para os bateristas de Montes Claros. As apresentações acontecem uma vez por mês, sempre em praças públicas, possibilitando o intercâmbio de ideias. Nossa meta é, em breve, estender os encontros para outras cidades da região, promovendo o intercâmbio musical em nível regional.

Marco explica que ao final do encontro, os bateristas se apresentam juntos, e o resultado é surpreendente.

- A apresentação de uma orquestra de bateristas proporciona uma sonoridade única e esteticamente atrai bastante a atenção de todos. Logo após a primeira apresentação, no aniversário da cidade, muitas pessoas nos procuraram, perguntando sobre o projeto, novos encontros, sobre aulas de Bateria. Foi muito inspirador para todos nós – avalia.

PROFISSÃO: BATERISTA
Marco explica que cada baterista possui uma característica única, apresentando técnica e sonoridade muito próprias.

- O músico deve buscar sempre o aprimoramento no instrumento, buscando um bom professor para seu desenvolvimento. Atualmente, Montes Claros possui ótimos bateristas e professores, contribuindo de forma positiva para a formação de novos músicos. Montes Claros é um celeiro de bateristas que desenvolvem trabalhos em várias áreas de atuação e é importante que mantenham seus estudos sempre atualizados - recomenda.

De acordo com o baterista, é possível viver de música em cidades do interior, desde que o músico procure se profissionalizar e se mantenha atualizado, que desenvolva e participe de projetos na área, que saiba trabalhar em conjunto e, acima de tudo, que seja dedicado.

- Como em qualquer área, a música exige muito sacrifício e empenho. Durante minha carreira busquei me qualificar da melhor forma possível. O maior desafio talvez seja manter atualizado, acompanhar o desenvolvimento do instrumento e os bateristas contemporâneos. Além disso, ser músico exige persistência, foco e a compreensão de que estará sempre na estrada, portanto, longe da família e sem descanso nos finais de semana. Enfim, são muitos os desafios, mas sempre compensados quando fazemos o que amamos, que, no meu caso é tocar e lecionar Bateria.

Fundador do Curso de Bateria no Conservatório Lorenzo Fernândez, em 1996, e professor do professor da Unimontes desde 2006, Marco Neves é graduado em Educação Artística com Licenciatura em Música pela Unimontes, Pós-graduado em Arteterapia em Educação pela Universidade Cândido Mendes – UCAM/RJ, Mestre em Música na subárea de Etnomusicologia pela Universidade Federal da Paraíba e Doutor em Ciências Sociais, subárea de Antropologia Cultural pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.

Músico desde os 10 anos de idade, Marco conta que começou os estudos na bateria aos 15 anos, autodidata, assistindo a vídeos de bandas e bateristas da região. Quando completou 16 anos viajava 455 km para Belo Horizonte para adquirir métodos de bateria e, no início dos anos 90, se mudou para a capital mineira onde estudou com grandes mestres da bateria e sempre um colega indicava um novo livro ou videoaula em VHS, geralmente vindo de USA.

- Todos solicitavam cópias. Foi nessa época que tive meus primeiros contatos com as videoaulas de bateristas renomados – lembra.

Ainda em Belo Horizonte, formou a banda de Rock Virna Lisi, com a qual gravou o CD intitulado “Esperar o quê?” e viajou pelo Brasil, dividindo o palco com artistas renomados do Rock, Pop, e MPB, como Titãs, Paralamas do Sucesso, Lobão, Capital Inicial, Tom Zé, Zé Ramalho, Skank, entre outros. No início dos anos 90, foi eleito Baterista Revelação pela extinta revista BIZZ.
          
Em 1996, retornou para Montes Claros e passou por uma seleção de professor de Bateria do Conservatório Lorenzo Fernândez, onde lecionou de 1996 a 2011. Em 1999, ingressou no Curso de Educação Artística com Licenciatura em Música da Unimontes.

Como músico e professor, Marco diz que Montes Claros tem oferta para a formação profissional.

- A nova geração de músicos de Montes Claros é promissora, comprometida com os estudos e focada no trabalho. Minha sugestão é que se mantenha firme na busca pelo sonho de tocar Bateria, mantendo os estudos em dia, se profissionalizando e investindo em suas carreiras. Tocar Bateria requer foco, compromisso, empenho e trabalhar com afinco é fundamental. No mais é ter a consciência de que somos privilegiados em ter a música como companheira de jornada em nossas vidas. Tocar e tocar – finaliza.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Festas de Agosto

Lá vem os Catopês, Marujos e Caboclinhos

“Agosto chega com a ventania” trazendo as seculares Festas de Agosto e suas manifestações religiosas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Divino Espírito Santo.

Foto: Luis Alberto Caldeira
Logo os Catopês, Marujos e Caboclinhos serão vistos subindo e descendo ruas da cidade, dançando aos sons de seus instrumentos musicais, acompanhados por multidões e com destino à Igrejinha do Rosário. São homens, mulheres e crianças em procissões que remontam aos nossos primórdios, antes mesmo de Montes Claros, por volta de 1839, oficializar os primeiros festejos que acontecem sempre de 17 a 21 de agosto.

Quando se fala em Festas de Agosto com seusCatopês (que homenageiam os negros na formação do povo brasileiro), Marujos (que exaltam os marinheiros portugueses e os princípios do catolicismo) e Caboclinhos (que simbolizam a mistura de raças em nosso país), o nome de um cidadão de 83 anos de vida, descendente de escravos, imediatamente vem à tona: João Pimenta dos Santos.

Mestre Zanza (Foto: Fábio Marçal)
Muitos podem não ter ideia de quem se trata, mas, só por um breve momento, até saberem que se trata de Mestre Zanza. Todos conhecem. Conversamos com o Mestre na sede da Associação dos Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, que ele preside há mais de 20 anos, no bairro Morrinhos, enquanto finalizava detalhes de suas indumentárias coloridas, trabalho que interrompeu para falar um pouco de sua vida.

“Sou um dos 15 filhos de João Pacífico Pimenta e Viviani Martins Santana. Treze já morreram e apenas eu e meu irmão mais velho, Roberto, que por muitos anos participou da marujada, estamos vivos. Ele não acompanha mais as Festas de Agosto, mas eu, enquanto estiver vivo, mesmo arrastando, estarei presente”, garante Mestre Zanza, que realmente já não possui tanta disposição física para seguir os festejos como antes, sem deixar de fazê-lo, no entanto.

RELIGIOSIDADE
Mestre Zanza conta que é de família católica e que se tornou catopê logo no primeiro ano de vida, por decisão dos pais e de um ex-escravo, Pacífico Pimenta, seu avô. “Nasci e cresci em casa de catopê e vou morrer como catopê”, completa Mestre Zanza.

Sobre as programações mais recentes das Festas de Agosto, que passaram a incluir apresentações artísticas e culturais em meio às manifestações religiosas, ele diz que “até lamenta” o fato de elas não terem mais a religiosidade como exclusiva característica, mas entende que os tempos mudaram e exigiram uma programação aberta a outras manifestações, "sem prejudicar, no entanto, a sua autenticidade".

“Hoje tem muito luxo também, diferente dos tempos em que os catopês, marujos e caboclinhos saíam pelas ruas descalços, porque não tinham sapatos ou chinelos. Mas o que importa é que elas continuam vivas, reunindo o povo, seja ele branco, preto, rico ou pobre. Importa que elas mantêm as nossas tradições, costumes, crenças e história. Mas a religiosidade continua sendo o maior motivo das festas.”

Mestre Zanza sente orgulho de ser uma das pessoas que dedicaram toda a vida para que a tradição religiosa das Festas de Agosto nunca perdesse a sua importância. Um esforço que ele dividiu com vários companheiros, alguns falecidos recentemente.

“Este foi um ano negro para nós. Até me arrepio quando falo disso. Perdemos muita gente. Gente que deixou muita saudade”, lamenta o Mestre, com a voz embargada ao lembrar com saudades de amigos como Antônio Cachoeira, chefe dos Marujos, e José Expedito, Chefe dos Catopês. “Perdi também o meu cunhado, Wilson, que era catopê como eu. Essas pessoas fazem muita falta”, diz ele, destacando outras figuras que considera importantes na manutenção das Festas de Agosto e que “graças a Deus continuam vivas”.

“Dona Marina Lorenzo Fernandez, sua filha Antonieta, dona Marlene Almeida, Tadeu Leite, Ruth Jabur e Hamilton Trindade, entre outras, são pessoas que considero esteios das Festas de Agosto. Sem elas, acredite, muita coisa teria desaparecido com o passar dos anos”, encerra Mestre Zanza.

PROGRAMAÇÃO
As Festas de Agosto, que neste ano chegam à sua 177ª edição, terão sua abertura oficial dia16, terça-feira, às 20 horas, no Centro de Cultura Hermes de Paula. Na quarta (17), a programação religiosa terá início às 22 horas com o hasteamento do Mastro de Nossa Senhora do Rosário, na Praça Portugal.

Na quinta (18), acontece o Reinado de Nossa Senhora do Rosário, com o cortejo saindo às 10 horas da Praça do Automóvel Clube. Na sexta (19), também às 10 horas, será a vez do cortejo do Reinado de São Benedito. No sábado, no mesmo horário e local sairá o cortejo do Império do Divino Espírito.

No domingo, na sede da Associação, às 10 horas, será realizado o Encontro de Ternos de Congado, com a participação de grupos convidados de várias cidades do estado e do país. A programação termina às 16 horas com Procissão de Encerramento saindo da Praça da Matriz. A programação artístico-cultural terá lugar no palco principal do evento, na Praça Portugal, nas noites de sexta,sábado e domingo.

Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela

Arte do morro e da periferia ganhando o mundo


Com edição ampliada, que inclui lançamentos literários, exposições e debates, além do audiovisual e da música, o Imagens da Cultura Popular Urbana – Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela é Isso Aí será gratuito, itinerante e imperdível


A partir do dia 10 de agosto acontece o “Imagens da Cultura Popular Urbana – Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela é Isso Aí”. Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG), Raposos (MG), Ribeirão das Neves (MG), Diadema (SP), Rio de Janeiro (RJ), Torres Vedras e Coimbra (ambas em Portugalserão palco de uma produção intensa e diversa. O evento que vai até novembro tem entrada gratuita.

A mostra é realizada pela ONG Favela é Isso Aí, que desde 2004 atua de maneira pioneira mapeando a produção artística de favelas e periferias contribuindo, por meio de uma série de ações, também para inclusão social e combate à exclusão. Em sua quarta edição, a mostra engloba festival audiovisual, shows musicais, exposição de fotos sobre as comunidades, debates e lançamento de quatro volumes da coleção Prosa e Poesia no Morro. Para ficar por dentro. Acesse a programação completa no site: www.favelaeissoai.com.br/noticias.

“Nossa vontade sempre foi ampliar o evento, que até então tinha um bom recorte da produção audiovisual produzida nas favelas e periferias. Foi um desafio que combinou edital e curadoria para que outras manifestações artísticas circulassem por oito cidades, duas delas fora do Brasil, e 19 centros culturais”, explica Clarice Libânio, antropóloga e coordenadora executiva da ONG. O processo de seleção, de acordo com ela, precisou incluir convites. “Recebemos menos inscrições, pois a falta de políticas de incentivo à cultura reflete especialmente nesses espaços. No entanto, são artistas que não se intimidam, buscam manter seus trabalhos, como eles mesmos dizem, na tora”, analisa.

Clarice destaca os lançamentos da coleção Prosa e Poesia do Morro como um esforço coletivo para fazer acontecer. “A gente é muito insistente porque sabe da importância de reverberar essa arte, que é de guerrilha mesmo. A cultura dos morros, das periferias, das ruas é pura resistência. Tínhamos verba para apenas três publicações, mas descobrimos no Aglomerado da Serra que garotos estavam produzindo um dicionário de gírias e conseguimos imprimi-lo também na gráfica”, comemora.

“São publicações que fazem uma crítica do espaço urbano, do processo de crescimento desenfreado, da gentrificação, das ocupações. Acredito que é uma coleção muito interessante do ponto de vista crítico. Por isso, estabelecemos pontes com a UFMG por meio do Grupo de pesquisa Praxís/Escola de Arquitetura, e do CEDEPLAR/Faculdade de Economia, através do Programa LUMES. Queríamos muito dar conta dessa produção, é um sonho manter a editora, porém ainda dependemos das leis de incentivo”, afirma Clarice.

A antropóloga reitera que o protagonismo em todos os projetos da ONG é dos artistas. “Eles sempre irão produzir de maneira independente, mesmo no contexto de ausência de políticas culturais. Eles são a vanguarda. Nós apoiamos, incentivamos, mas sempre seremos de fora. O que fazemos é agrupar essas artes, levar para outros espaços, outros públicos e envolver também a universidade. Para esses artistas, todas as formas de reconhecimento são imprescindíveis”.

Ela lembra que na última edição, a organização do evento precisou solicitar ao SESC sessão extra da exibição de um filme. “Chegaram dois ônibus lotados para a exibição, público vindo da comunidade do diretor. A gente conseguiu, e foi muito especial porque também contribui para estimular a garotada que foi lá assistir. Estar nesse lugar onde a periferia dificilmente é a atração da programação valoriza a autoestima do artista e do público”, defende.

Com a cultura das redes e compartilhamento, Clarice reconhece muitas mudanças positivas. “Os rappers, os poetas dos saraus articulam os próprios eventos pelo Facebook. As imagens são divulgadas de maneira imediata, os movimentos se conectam mais com os públicos. Tudo isso favorece não apenas o “Imagens da Cultura Popular Urbana”, como a formação de uma massa crítica, de uma capital cultural. Esses movimentos, como o Duelo de MC’s, por exemplo, ultrapassam a cultura, ganham um importante caráter político”, avalia.

Manobra dá o tom da abertura da Mostra

Imagens da Cultura Popular Urbana - Mostra de Arte, Cultura e Cidadania Favela é Isso Aí será aberto nesta quarta-feira, dia 10 de agosto, 20h, no SESC Palladium. A noite de abertura será musical e contará com o show do projeto Manobra.

Sobre o Manobra

Mano e obra de arte juntos, o rapaz comum e a construção de suas ideias e a necessidade de contar a sua história e a história de seu povo, fazendo quebrar com a lógica de que a margem não tem história.

Através do rap, na forma de um “livro sonoro”, são narradas as epopeias desse povo dos cantos da cidade, dos guetos periféricos e de bordas ainda mais longínquas do sertão, nesse caso o sertão mineiro, o Vale do Jequitinhonha.

O Projeto Manobra propõe um rap orgânico, em uma profusão de timbres e referências musicais. As batidas fortes e características deste estilo musical são desenhadas e executadas por uma base percussiva repleta de instrumentos acústicos. O grupo trabalha a musicalidade negra brasileira e a personalidade dos tambores de minas em diálogo com o rap.

A sonoridade também agrega guitarras, baixo, cavaquinho e o canto melódico. Em uma trama com ritmos brasileiros como o samba, maracatu, congo, baião, em riffs de guitarra e em levadas de soul e funk, outras conversões estéticas são delineadas e alinhadas aos traços estilísticos da cultura hip hop.

Integrantes: Anna Lages: pandeiro e voz
Eduardo DW: voz.
Gleison Junio: cajón.
Heberte Almeida: guitarra, violão e voz.
Raíssa Uchôa: baixo e voz.
Manu Ranilla: caixa de folia, pandeiro, conga, chocalhos, efeitos e voz.
Marcos Chagas: cavaco e voz.



PROGRAMAÇÃ0

IMAGENS DA CULTURA POPULAR URBANA
MOSTRA DE ARTE, CULTURA E CIDADANIA FAVELA É ISSO AÍ
Lançamento dos livros da coleção Prosa e Poesia no Morro
Shows, debates, exposições.
Festival audiovisual - Mostras competitivas, itinerantes e especiais.
De 10 de agosto a 19 de novembro de 2016


MOSTRA PRINCIPAL

SESC Palladium.
Av. Augusto de Lima, 420 - Centro - Belo Horizonte.
Abertura: Dia 10 de agosto, quarta-feira, 20h.
Show: Favela é Isso Aí mostra a
diversidade musical das comunidades.
Convidado: Manobra, com o show A Borda.

Dia 11 de agosto, quinta-feira.
18h30 – Abertura da 4ª. Edição do Festival  Imagens da Cultura Popular urbana
Programa 1.
“Ostentação – 20’2”, documentário - BH/MG - Marcelo Lin e Fernando Rossi
“Rap de protesto – 2’51”, videoclipe - Jardim Vitória, BH/MG - Clebin Quirino.
“Juventude é pra viver, mano – 8’05”, documentário – Taquaril, BH/MG – Richardson Pontone
“Grota dos Puris -15’, documentário  -Juiz de Fora/MG - Gerliani Mendes
“Bolou – 10’, ficção – Natal/RN - Rodrigo Sena
20h– Lançamento dos livros da coleção Prosa e Poesia no Morro, com debate e intervenção artística do Grupo do Beco.

Dia 12 de agosto, sexta-feira.
18h30  – Programa 2
“Poesia Aérea – 9’4”, documentário - Vila São José, BH/MG - Menderson Nzangeby
“O menino do dente de ouro – 15’, ficção – Natal/RN - Rodrigo Sena.
“My Brother – 15’, ficção - Conj. Vera Cruz, Goiânia/GO - Raphael Gustavo da Silva.
“Paz no Quilombo – 5’, documentário – BH/MG - alunos da oficina de audiovisual do Centro socioeducativo Horto.
“O dia que ele decidiu sair – 14’57”, documentário – Salvador/BA - Thamires Vieira
20 h – Programa 3.
Sessão especial – “Ela volta na quinta – 107’, ficção - Contagem/MG, André Novais Oliveira / Filmes de Plástico.

Dia 13 de agosto, sábado.
17 h – Programa 4.
“Plano Aberto – 25’5”, documentário - Rio de Janeiro/RJ - Elder Barbosa
“Entulhos – 11’11”, documentário - Aglomerado Santa Lúcia, BH/MG - Cristiano Silva Rato e Antônio Eduardo Silva Nicácio
“Esqueça, por enquanto – 7’36”, ficção - Morro da providência, Rio de Janeiro/RJ – Priscila Gomes
“Nem tudo é o que parece – 2’07”, ficção – Ipanema, Rio de Janeiro/RJ - Josy Manhães.
“O Muro é o Meio – 15’, documentário - Aracaju/SE - Eudaldo Monção Jr.
19 h – Programa 5.
“Muitos me seguem mas só Deus me acompanha – 15’3”, documentário – Anápolis/ GO
Rei Souza
“Olhe bem as montanhas – 4’39”, videoclipe – BH/MG - Palestina Israel
“Ocupar, resistir e construir – 14’30”, documentário – BH/MG – Edinho Vieira
“Há queima roupa – 9’43”, documentário - Rio de Janeiro/RJ - Pedro Dantas e Christian Caselli
“Folia de Reis do Santa Marta – 4’59”, documentário - Favela do Santa Marta, Rio de Janeiro/RJ - Josy Manhães
“Gigantes da alegria – 12’02”, documentário - Rio de Janeiro/RJ – Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano.

Dia 14 de agosto, domingo.
17 h – Programa 6
“Lúcida – 16’, ficção - São Paulo/SP - Fabio Rodrigo
“Dandara – 4’, documentário – BH/MG - alunos da oficina de audiovisual do Centro socioeducativo Horto.
“Saci Pererê - Caçada nas Horas Mortas – 8’46”, ficção - Ribeirão das Neves/MG – Gemerson Sander Silva
Três Por Dez – 10’, documentário – Suzano/SP – Rômulo Cabrera
“Há um Dragão na Guanabara – 13’25”, documentário - Rio de Janeiro/RJ – Elder Barbosa
19 h – Programa 7
Sessão Especial - Mostra de filmes em animação do Festival Bang Awards,
Torres Vedras, Portugal, com as temáticas Imagens dos Povos e Natureza Humana.

Encerramento:
De 15 a 20 de novembro
Exposição de fotos das comunidades, em parceria com o projeto “Favela, uma
foto por dia”, de Horacius de Jesus.

Dia 18 de novembro, sexta-feira, 20h
Favela é Isso Aí mostra a diversidade musical das comunidades. Convidado:
Oficina de violões da Serra - Aniversário de 10 anos. Coordenação Heberte Almeida.

Dia 19 de novembro, sábado.
De 9h às 17h – Seminário Identidade e Diversidade cultural nas periferias
Urbanas
19h – Sessão de encerramento do Festival, com os filmes premiados.

MOSTRAS ITINERANTES E ESPECIAIS

BELO HORIZONTE - MG

Casa do Beco
Av: Artur Bernardes, 3876. Barragem Santa Lúcia / Belo Horizonte - MG
Sessões dias 04 e 05 de novembro, às 19h e 20h30.

Espaço Comum Luiz Estrela
Rua Manaus, 348 – Santa Efigênia
Sessões 15/9 e 20/10, sempre às 19h.

Centro Cultural Lá da Favelinha
Rua Dr. Argemiro Rezende Costa, 191, Novo São Lucas, Favelinha, Aglomerado
da Serra.
Sessões dias 24/08, 14/09, 28/09, 05/10, 19/10 e 09/11, sempre às 19h30.

Centro Cultural São Bernardo
Rua Edna Quintel, 320, São Bernardo
Sessões dia 01 de setembro, às 20h.

Centro Cultural Bairro das Indústrias
Rua dos Industriários, 289, Bairro das Indústrias.
Tel.: (31) 3246-0339 /3277-9176

Sessões de 23 a 26 de agosto, sempre às 19h30.
Centro Cultural Padre Eustáquio
Rua Jacutinga (antiga Feira Coberta), 821, Padre Eustáquio.
Tel.: (31) 3277-8394 ou 3277-7269
Sessões dias 23/9; 30/9; 7/10; 14/10; 21/10 e 28/10, sempre às 14h.

Centro Cultural Pampulha
Rua Expedicionário Paulo de Souza, 185, Urca.
Tel.: (31) 3277-9292 ou 3277-9293

Sessões nos dias 17 de Setembro, das 14h às 19h; e 8 de Outubro - sessão
infantil às 15h.

Centro Cultural Salgado Filho
Rua Nova Ponte, 22, Salgado Filho
Tel.: (31) 3277-9625 / 3277-9624
Sessões dia 22 de setembro, às 9h30.

Centro Cultural Jardim Guanabara
Rua João Álvares Cabral, 277, Jardim Guanabara
Tel.: (31) 3277-6703 e 3277-6651
Sessões dias 24 de agosto, 21 de setembro e 19 de outubro, sempre às 18h.

VESPASIANO - MG

Arena do Vale
Rua José Capucho, 23. Bairro Vale Formoso
(31) 99239 0910 / 98390 3631
Sessões em setembro e outubro de 2016.

Espaço Sócio Cultural Diadorim
Rua Araripe, 21. Bairro Santa Clara.
(31) 992960275 / 988337695
Sessões em setembro e outubro de 2016.

RAPOSOS – MG

Casa de Gentil
Rua Sergipe, 689 - Bairro Vázea do Sítio.
https://www.facebook.com/pages/Casa-De- Gentil-Culturas-Conv%C3%ADvios/174921629330364
Sessão infantil dia 11 de outubro às 19:30 hs.

RIBEIRÃO DAS NEVES – MG

Centro Cultural Henfil.
Rua Carmélia Loff, 195. Bairro Labanca – Justinópolis.
Sessões dia 18 de novembro, a partir das 18 horas.

DIADEMA - SP

Cine Eldorado
Rua Frei Ambrósio de Oliveira Luz, 55. Eldorado.
Sessões dias 10, 17 e 24 de Setembro, sempre a partir das 14h30.

RIO DE JANEIRO - RJ

Arena Dicró.
Av. Brás de Pina, s.n, Parque Ary Barroso, Penha. Entrada pela R. Flora Lobo.
Sessões dias 03 e 04 de setembro (sábado e domingo), às 18h e 19h.

TORRES VEDRAS, PORTUGAL.

Festival Bang Awards